sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A LNB e a Terra do Nunca

"Com 35 pontos de Amare Stoudemire e 14 assistências de Raymond Felton, o New York Knicks, que tinha o mando de quadra, venceu ontem o Dallas Mavericks por 128-109 em partida realizada em Houston. Na partida de fundo, os Rockets bateram os Celtics. Amanhã, em Dallas, os Mavs enfrentam o Boston e o time de Mike D'Antoni mede forças com o Houston"

"Pela primeira vez na história da Liga ACB o Barcelona não atuou na Catalunha em uma partida com mando de quadra. Por opção da diretoria do clube, o clube venceu o Baskonia ontem por 76-73 em Madrid, para tristeza dos torcedores do Real, que venceu o Estudiantes na partida seguinte (63-52). Neste sábado, os catalães jogam contra o Estudiantes, e o Real Madrid duela contra os bascos"

É óbvio que as notícias acima são falsas, bem falsas, e só coloquei isso para mostrar o tamanho do devaneio da LNB ao aceitar que Bauru e Assis (antes foram Paulistano e Pinheiros) joguem uma partida com mando de quadra em outra cidade apenas para ter exibição de televisão (e o primeiro duelo aconteceu às 16h de uma quinta-feira). Num mundo em que os clubes realmente pensam profissional e racionalmente tal situação seria absolutamente inimaginável, impossível, rechaçada de cara (isso sem falar no tiro no pé quando falamos em construção da identidade do NBB como campeonato de alto nível a longo prazo).

Conforme coloquei ontem no Twitter, esta tem sido a falha mais terrível tanto de clubes quanto da Liga, que se esquecem da questão técnica (o mais importante) e de como isso afeta as agremiações em termos de ganho de receita (assim é impossível haver fidelização de clientes, venda de carnês, conhecimento do hábito de consumo, formação do consumidor desde a base etc.) e construção de uma marca forte no mercado.


Até quando a mentalidade pequena terá vez no basquete brasileiro?

16 comentários:

Anônimo disse...

Realmente assistir jogo as 16 horas é um absurdo. Os amantes do basquete estão trabalhando pra pagar a TV a cabo , que patrocinador vai querer anunciar num horário desses. Todos saem perdendo: o anunciante, o consumidor, a LNB , a TV a cabo e o basquete brasileiro

Victor Dames disse...

Caríssimo Bala, respeito muito suas opiniões, porque sempre muito ponderadas. Até nessa, que me permito discordar, sinto sua capacidade analítica presente. Mas há mas do que apenas a questão midiática presente na marcação de uma rodada dupla. Logicamente há uma série de custos envolvidos que são reduzidos com a designação de partidas para um mesmo local. Quadro auxiliar, arbitros, mesários, seguranças, energia, equipe de tv... Pode não ser o ideal, mas nesse momento ainda acho que vale a pena. Reconsolidando-se o basquete, poderemos aumentar o alcance desta "mentalidade", como você diz. Mas não vejo nada demais em concetrar, em uma ou outra rodada (ou seja, eventualmente), mais de um jogo numa mesma praça. Estamos há anos-luz das ligas que você parodiou. E provavelmente nunca seremos exatamente como elas, IMHO. Mas para chegarmos ao menos perto, temos que percorrer o caminho gradativamente, e não saltando de uma só vez a vala comum que deles nos separam.

Abraços!

Anônimo disse...

Acho que esse foi seu melhor post!
Achei o comeco Hilário!
Quando li , ia dizer: "xi, o bala ficou doido".
Genial

Parabéns, alguem tem visão de mercado e das loucuras de lnb e clubes. Em lugar decente isso jamais aconteceria

Hugo

Anônimo disse...

Bala
Para quem não acompanha a NBB,como você,deveria ficar feliz, pois vc iria a Bauru e Assis?
Não foi nem no jogo das estrelas.
Pessoas como vc,q não podem ir a jogos, sao milhões.
E dentro de uma arena como Bauru no máximo 1.000 pessoas.
Ora, se vc tem a possibilidade de assistir 2 jogos em uma 5 feira e 2 jogos na 6 feira, aonde esta o problema.
Vc não iria mesmo nos jogos.
Criticar uma reconstrução da modalidade partindo do mundo ideal não é correto.
Talvez, lá atras, a lufa ACB e a N B A tenham feito situações semelhantes ou ate piores.
Vc é repórter,vai pesquisar.
Não entendi sobre carnes,fidelizacao, vc quer dizer sócio torcedor?
A arena de Bauru estava lotada,talvez milhões assistiram na TV, qual o problema?
E acha que em Assis será diferente??
Quando não tem televisão reclama e quando tem reclama também.
Repito, ontem milhões de pessoas assistiram BASQUETE sem precisar ir na Arena, pessoas como vc que não podiam estar lá.

Anônimo disse...

Bala, infelizmente você está pregando no deserto.
Você escreve uma coisa, o anônimo das 08:05, que não tem a hombridade de se identificar, entende outra completamente diferente!
Será possível que é tão complicado assim de entender?

Infelizmente o Veríssimo está certo: leitor lê aquilo que quer ler, e não o que está escrito. Uma pena

Edu

Anônimo disse...

Edu,
entao, como nao consigo entender, vc poderia explicar melhor a todos, pois como leitor de Verissimo, deve ter um outro enfoque que desconhecemos.
anonimo 8: 05, ou Jose

Anônimo disse...

Concordo com o José.

Teremos por um bom tempo que nos sujeitarmos a algumas coisas que em nada prejudicam tecnicamente um time, para que MILHÕES voltem a assistir e conhecer nosso esporte Basquete.
Esses 4 jogos ficariam esquecidos acontecendo em suas quadras e aueles que realmente se interessam saberiam pelo site o resultado..
Maravilha podermos curtir os lances de Larry, Shamel, Fischer, Marquinhos, Alex, Olivinha, Jef e da torcida de Bauru que lotou o ginásio e hoje podermos curtir os jogos de Assis.
Não se trata de se sujeitar e sim de fazer o basquete se espalhar, que novas crianças saibam o nome dos jogadores brasileiros, que novos talentos apareçam e que os rapazes de 2m não procurem somente o volei, que claro está na midia ou vcs acham que não faz diferença?
Denise

Victor Dames disse...

Só um detalhe: o ginásio de Bauru ficou cheio porque os portões foram abertos. Em Assis, vão fazer o mesmo, mas vão ter que contornar o sócio torcedor, acho que lá tem. Por essas e outras, entendo que as rodadas duplas tem seu valor se utilizadas pontualmente, coias de uma ou duas vezes em cada turno, especialmente quando economizar com deslocamentos (vide o caso de Vitória e Vila Velha, Pinheiros e Paulistano). Não devem ser uma prática constante e rotineira, tipo rodada sim, outra não.

Mas cada um tem sua opinião, até aqui todas bem argumentadas, e como disse, respeito a discordância do Bala e dos demais basqueteiros.

Abraços!

Baralhão disse...

Mês que vem Nets e Raptors vão se enfrentar em Londres. =D

fábio balassiano disse...

baralhão, eu sei disso, mas pense que o new jersey é um time de mudança, que não tem a menor identidade com a cidade e cuja lotação do ginásio beira o ridículo (meu irmão viu ingresso prum jogo a, pasme, US$ 0,25).

não dá para se comparar por baixo, certo?


Abs, Fábio

marcio disse...

Acho que todos tem razão,se é que isso é possivel. Ter dois 4 jogos transmitidos numa semana é muito bom, pelo menos não estão reprisando
mini-mundialito de futebol de areia. Porém o bala tem razão quando fala da identidade com o torcedor, que nesse caso deve ser priorizada do contrário um time não finca raizes em cidade alguma. Quantos times surgem e vão embora sem deixar nem rastro? Acho que o Victor Dames teve bastante felicidade em seu comentário sobre a eventualidade de mudança, mas que seja planejado antes do começo da liga e antes do torcedor pagar seu carne, afinal o combinado não sai caro pra ninguem. Né não?!




Abraxxx

Anônimo disse...

Marcio,
Concordo com você, o que mais me agrada esta na possibilidade de o basquete estar em milhões de lares.
Concordo que tem que ser pontual, mais não é bacana podermos acompanhar jogos que não existiriam?
Que belo jogo foi Bauru e Pinheiros, não abriram os portões não, cobraram 20,00 rodada dupla.
Se não for censurado, achei o post fraco,comparar ligas já consolidadas com truzentos anos,com uma liga que não tem 3 anos, nada haver.
Valeu pela polemica e para confrontarmos opinoes.
Jose

Baralhão disse...

Calma, Balinha(posso te chamar de Balinha?), eu fui irônico. Eu não quero comparar um jogo desinteressante para o público local, portanto num ginásio vazio, com a NBA querendo aumentar sua penetração na Europa.

Eu deveria ter feito um comentário mais amplo mesmo. Acontece que concordo com você. É um tapa na cara dos poucos(e heróicos) torcedores que acompanham in loco suas equipes. Quem vai ao ginásio sabe que são poucos mas são sempre os mesmos, bastante fiéis.

Eu sou de Goiânia e, enquanto tivemos time no Nacional, fui a todos os jogos que pude, inclusive fui a todos os jogos da temporada 2006, e me senti desrespeitado várias vezes. Foram muitas as mudanças de datas, locais e horários e preços dos ingressos sem aviso prévio.

Henrique Lima disse...

Bala, se segura na cadeira porque espero que até domingo eu tenha completado o trabalho que estou fazendo sobre medias de publico e renda do NBB.

Se segura porque analisando as médias, não faz diferença alguma jogar em A ou B.

Alias, nao faz diferença jogar em Assis ou Santiago do Chile ou em Marte ...


Abração

Luiz disse...

Henrique:

Trecho extraido da coluna do José Roberto Malia de 08/02, no site da ESPN Brasil.

"Bola de latão. Cestobol. Após as 101 partidas do primeiro turno, o Novo Basquete Brasil comemora: a renda líquida atingiu R$ 154 mil. Os organizadores do torneio pensam em alugar um carro-forte para levar a grana do returno."

Anônimo disse...

Falando em torcedores, joguei pelo minas tenis a temporada 2006-07, e todos sabem que os mineiros não são chegados a baskete. Pois com muito sacrificio e sem ações de marketing do clube e patrocinadores nós jogadores a custa de horas apos o jogo dando atenção aos torcedores começamos a fidelizar alguns deles cerca de 200(para o minas é muita coisa)montaram uma organizada com musicas e pressão nos visitantes( as vezes extra quadra) eis que a CBB, na época, alterou vários jogos do campeonato sem aviso e esses torcedores, que vinham na sua maioria de contagem região metropolitana de bh, foram vários domingos a arena e deram de cara com os portões. E assim todo o trabalho de atrair as pessoas ao ginásio foi jogado pelo ralo, desses torcedores não sobraram meia duzia. Hoje não se vê 100 nos jogos do minas. Isso é só para ilustrar a falta de responsabilidade das entidades com aqueles que consomem o basquete regionalmente, e para aqueles que o patrocinador na maioria das vezes foca o seu marketing.

Abraxxxx