sábado, 6 de junho de 2009

A luz de Miguel Ângelo

O técnico Miguel Ângelo da Luz tinha 35 anos quando foi ao seu primeiro Mundial adulto com a seleção feminina. Não bastasse a falta de experiência, teria que administrar um grupo com feras que não conseguiam bons resultados internacionais (exceção ao Pan de 1991). Mas com sua calma e um trabalho magnífico com a comissão técnica ele chegou lá. Trouxe o último grande título da modalidade, dois anos depois ainda abocanhou a prata olímpica em Atlanta e recebeu um baita "prêmio em sua volta": a saída do time feminino que tão bem comandou (27 vitórias em 31 jogos oficiais, além do troféu de melhor técnico do mundo em 1994). Miguel conversou com o blog sobre a conquista.

BALA NA CESTA: Quinze anos depois, quando você lembra do Mundial de 1994 o que passa na sua cabeça?
MIGUEL ÂNGELO DA LUZ: Um trabalho muito bem planejado e executado. Uma comissão técnica na mais perfeita sintonia, onde todos tinham direito a voz e voto. Neste grupo não tinha vaidade. Pena que foi pouco valorizado. Todos que trabalharam foram direta e indiretamente afastados.

-- Você chegou ao comando técnico da seleção como um jovem sem muito currículo. Mesmo assim, em pouco tempo modificou a estrutura e foi premiado. Como foi este processo?
-- No início foi muito difícil. Meu nome não era bem aceito na comunidade do Basquetebol (dirigentes, técnicos, atletas, imprensa, etc.). A comissão técnica se fechou e partimos para o desafio. Nesta hora o apoio familiar foi muito importante. Para se ter uma ideia, quando acabou o ciclo, depois das Olimpíadas de 1996, fui chamado para uma reunião e o presidente da CBB me sugeriu que me afastasse como técnico, pois como era muito jovem atrapalhava os outros treinadores. Conclusão: fiquei três anos sem trabalhar.

-- Houve algum momento que você achou que o título não viria? E qual foi a ocasião que você pensou: “pô, vamos ganhar isso aqui”?
-- Sempre acreditei que poderíamos ganhar, e passávamos isto para as atletas. No segundo tempo da semifinal contra as americanas, vi que tínhamos condições de ganhar o título. Nosso plano de jogo estava funcionando muito bem, e a determinação e disciplina das jogadoras foram fundamentais.

-- Por fim, gostaria de saber como foi a preparação para o jogo contra os EUA (semi) e China (final), duas potências que a seleção acabou derrotando.
-- Junto com o Sérgio Maroneze (assistente), Professor Waldyr Pagan (administrador) e o preparador físico Hermes Balbino ficamos horas discutindo qual seria a estratégia. Tínhamos todas as estatísticas das equipes (individual e coletiva), jogadas adversárias estudadas e principalmente o equilíbrio emocional controlado. Tinha tudo para dar certo. Somente o grupo acreditava que poderíamos ir bem longe. E fomos.

6 comentários:

Anônimo disse...

Bala, tudo bem? Apenas sugestão: você deveria fazer um texto especial sobre o Miguel Angelo da Luz que foi afastado, como ele mesmo afirma, do basquete durante 3 anos. O que fizeram com ele foi um absurdo. Uma das coisas mais ridículas que já vi no mundo do esporte. Não dá pra ficar calado e é sempre bom lembrar as coisas absurdas do nosso basquete para pensarmos algo diferente para o futuro.

Ricardo/MS

Helton disse...

O Miguel deveria voltar a comandar a seleção Feminina...muitos falam que qualquer tecnico que estivese ganharia o mundial pq a equipe estava pronta.Pois bem muito estranho logo apos sua saida a seleção não conseguiu ganhar nen Pan americano.(99,2003,2007).Lembro quando o Bernadinho assumiu a seleção feminina de volei em 93, ele também não tinha nenhuma experiencia como tecnico...so que ao contrario do que fizeram com o miguel a CBV acreditou no seu trabalho e o volei foi so crescendo ate conquistar o ouro nas duas seleções. um pena a CBB ser tão covarde.

marcelo disse...

é um grande cara o miguel

fábio balassiano disse...

ricardo, acho que já mencionei o assunto aqui algumas vezes.
o caso do miguel é emblemático, mas não o único.

olha só: http://balanacesta.blogspot.com/2008/12/arte-da-imploso.html

abs, fábio

Dennis disse...

Miguel, Sérgio, Hermes e Wladyr

A melhor comissão que a CBB já teve e hj todos esquecidos, Quando não eram conhecidos tiveram a chance e mostraram o valor, porque hoje após conquistas eles não tem o valor reconhecido e a Seleção novamente em mãos?

Anônimo disse...

Não à toa está há 3 anos sem emprego. Vai ficar mais 30 por causa de seu caráter ou pela falta dele...