"Em oito anos de contato com o basquete sul-americano, vi um craque que achei simplesmente extraordinário. É jovem, extremamente jovem, mas um dos ases do continente. É ele o de número 5, e se não me engano seu nome é Wlamir. Posso afirmar, sem medo de errar, que é um craque como poucos no mundo".A declaração que começa mais uma dica do "Basquete é Cultura" foi dada pelo norte-americano Willard N. Greim, presidente da FIBA em 1954, e retrata bem o que representou Wlamir Marques para o cenário mundial do basquete. Estas e outras jóias são encontradas no livro "Wlamir, o disco-voador que pousou em Piracicaba", do historiador Moacir Nazareno Monteiro (com sorte o querido leitor pode encontrar a obra em um sebo) e da editora Shekinah (196 páginas).
Como o nome do livro diz, Moacir se ateve apenas ao período em que Wlamir Marques atuou por Piracicaba, com números que até hoje me pareciam perdidos, histórias (como a do dia em que o Diabo Loiro se recusou a entrar em quadra por falta de pagamento, foi suspenso, ameaçou sair do clube e, no dia seguinte, foi perdoado pela diretoria local em carta aberta nos jornais), as inúmeras curiosidades (como a moda, lançada por Wlamir, das camisas vermelhas, que ele comprara no Rio de Janeiro, na ainda conservadora "Noiva da Colina", apelido da cidade), causos (como o da brincadeira de 1956 que a seleção brasileira fez na volta do Peru em um aeroporto e que geraria uma suspensão de seis meses em quase todo o grupo) e o dia a dia do atleta que literalmente revolucionou o esporte local.
A chegada de Wlamir, que chegou a vender ingressos de seus jogos para ajudar ao asilo de Piracicaba uma vez, coincide com o começo da época de ouro do basquete brasileiro, e é legal ler isso no livro. Kanela, Amaury, Rosa Branca, Pecente, quase toda a geração que conseguiu um título mundial pelo Brasil (alguns conseguiram o bi) estão na obra de Moacir, uma ode a um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos. Esta é a dica do "Basquete é Cultura".








































