
Leila Zabani é uma exceção. Tão bonita quanto talentosa e estudiosa, a ala que nasceu em Americana há 18 anos une características bem raras quando falamos de jovens valores no esporte brasileiro. Estudante de Ciências do Esporte na UNICAMP, Leila, um doce de pessoa, é uma das mais promissoras alas da nova geração. Com técnica refinada e média de
nove pontos e 3,6 rebotes no Mundial Sub-19 da Tailândia, ela possui um senso crítico apurado para analisar o momento da modalidade e traçar planos para a sua carreira. No último sábado, aliás, ela esteve em quadra para defender o time de sua cidade na estréia do Nacional contra o Botafogo (dois pontos em sete minutos). Por isso o blog decidiu ouvi-la na seção “Muito Prazer”. Com vocês,
Leila Zabani.
Bala na Cesta: Ano passado você jogou duas partidas no Nacional (Sport e Mangueira). Qual a expectativa para a competição deste ano?
Leila Zabani: O time conta com atletas de alto nível e a meta é o título. As jogadoras são bem experientes, o que é ótimo pra nós que somos mais novas aprendemos muito. Nos jogos acabo não entrando tanto, então toda oportunidade tem que ser aproveitada da melhor maneira possível pra ir ganhando mais confiança e naturalidade no adulto também.

-- Você foi formada no ótimo projeto das divisões de base de Americana. Natural da própria cidade, como é para você seguir jogando no local onde nasceu?
-- A maioria das jogadoras sai de casa cedo para jogar, mas eu tive a sorte de poder atuar na cidade em que nasci e cresci. Estou perto da minha família e dos amigos que sempre me deram força. Tenho orgulho de defender a minha cidade e esse projeto. Cresci junto com ele e gosto muito do que faço. Aqui a gente tem desde a escolinha até o time adulto, e me formei vendo os times de Americana jogar. Hoje sinto orgulho de fazer parte do grupo que representa a minha cidade.
-- Como uma menina de 18 anos pensa em se desenvolver em um time que conta com atletas experientes (Karla, Natália, Babi, Adriana, Cintia, etc.) e que precisam de tempo de quadra?
-- É justamente pelo fato de poder treinar e jogar com essas atletas que a gente se desenvolve. Não é todo mundo que tem essa oportunidade. É claro que em relação a tempo de quadra acabo não jogando tanto no adulto, mas o fato de estar lá aprendendo no dia a dia faz com que eu me torne uma jogadora melhor para no futuro estar mais preparada e ir conquistando meu espaço.

-- Uma das coisas que mais preocupa quem acompanha basquete é a falta de uma competição que dure o ano todo. O Nacional deste ano, por exemplo, terá menos de três meses. Como fica a cabeça de uma jovem que, começando a carreira, precisa jogar contra as mais velhas para crescer profissionalmente? Sair do país é uma possibilidade que você já chegou a pensar? O que o basquete brasileiro precisa fazer para transformar todo o potencial de suas atletas em resultado?
-- O campeonato realmente é curto, mas ao longo do ano disputamos outros campeonatos, como o Paulista Juvenil e o próprio Paulista, que nos dão essa oportunidade também. Um campeonato como o Nacional, com mais jogos e maior tempo de duração, proporcionaria, no entanto, mais tempo de jogo pra nós que estamos começando. Tenho vontade de sair do país, mas não agora. Acho que é muito cedo e ainda tenho muito o que aprender por aqui. Pensando em atletas jovens, eu acredito que deveriam ser dadas mais oportunidades, tais como jogos internacionais ou mesmo contra equipes mais experientes para que essas atletas adquirissem mais ‘bagagem’ e experiência, amadurecendo mais rápido e estando preparadas para desafios maiores.

-- Apesar do desempenho irregular no Mundial Sub-19, você foi a segunda cestinha (9 pontos) e a segunda que mais assistências deu (1,3). Como foi a experiência na Tailândia, e o que explica a nona colocação do Brasil na competição?
-- Apesar do resultado não ter sido o esperado, a experiência foi muito válida. Estar entre as melhores seleções da categoria proporciona um crescimento enorme. Aprendemos muito jogando e observando as características dos diferentes países, enfrentando situações difíceis nos jogos e lutando sempre. Tudo isso acrescentou muito ao jogo de todas nós. Fizemos uma boa campanha nos Jogos da Lusofonia, ganhamos o amistoso contra a Rússia e começamos bem o Mundial. Porém o time deu uma caída muito grande no momento que não podia e depois já era tarde para uma recuperação em termos de resultado.

-- Você é estudante de Ciências do Esporte na Unicamp. O que você aprende na universidade que pode lhe trazer benefícios em seu dia a dia nas quadras?
-- Eu estou no primeiro ano e algumas matérias ainda são bem gerais, mas já comecei a aprender sobre a estrutura do corpo, como ele se comporta durante o exercício, os músculos e articulações, características do movimento do corpo, entre outras coisas. A universidade é um investimento a longo prazo: quando parar de jogar quero continuar trabalhando com o basquete. Para isso, tenho que me preparar desde já.