domingo, 7 de junho de 2009

Uma Homenagem, por Paulo Bassul

A partir de hoje, o blog começa a publicar textos de personalidades importantes que acompanharam aquela conquista de 1994. Abrimos os trabalhos com Paulo Bassul, técnico da seleção brasileira feminina atualmente. Pedi para que ele escrevesse algumas linhas sobre como ele, então um promissor treinador da base em São Paulo, enxergou aquele título. O resultado, bem legal por sinal, você confere abaixo.

"Em 1994 estava no meu quarto ano como técnico de base em São Paulo, trabalhando no projeto da Maria Helena e da Heleninha. Estávamos em Campinas, na Ponte Preta, e me lembro de uma torcida muito grande para que tudo corresse bem na competição, especialmente por sabermos que seria o último Mundial onde veríamos Paula e Hortência juntas.

Recordo-me de como a equipe saiu desacreditada do Brasil e isso valoriza ainda mais a superação que todos tiveram na disputa. Ainda bem que a Band conseguiu transmitir pelo menos a parte final da competição e pudemos acompanhar e ter o registro daquela conquista fantástica.

O grande ponto de interrogação naquele momento era se a nossa dupla de "Pelés" (Paula e Hortência), que naquele momento já tinha a companhia de mais uma fora de série (Janeth - na foto), ficaria órfã ou não de pivôs à altura para tornar o grupo competitivo. Por estarem sem a experiência da Marta e com pivôs muito jovens na equipe, a desconfiança era grande. Mas essa dúvida logo foi superada pelas atuações fabulosas de todo o grupo e os placares mostram isso -não é fácil se conseguir uma média de 98 pontos/jogo numa competição de nível tão alto.

Paula, Hortência e Janeth não fugiram da responsabilidade e fizeram uma competição impecável. As pivôs, apesar de jovens, se mostraram apostas mais do que acertadas e deram um volume de rebotes que o Brasil até aquele momento nunca tinha visto. Cada uma dentro das suas características deu a contribuição necessária para uma conquista inimaginável quando o grupo deixou o país. As meninas do banco já eram boas promessas na época e tiveram maturidade para, mesmo jogando menos, se manter com a cabeça boa e dar seu máximo - elas se dedicaram e se doaram integralmente à equipe ajudando a formar um grupo coeso, o que é fundamental numa conquista como essa.

Lembro-me de lances de jogo e algumas cenas que me marcaram profundamente e uma imagem inesquecível é aquela do lance-livre da Hortência chorando, sentindo que o título já estava nas mãos.

Apesar do horário terrível dos jogos, valeu a pena ficar acordado e foi muito gratificante ver nosso basquete dominando os adversários no Mundial daquela maneira. Aquele 110 x 107 contra os USA (todos falavam que Teresa Edwards, Katrina McClain e Cia derrotariam o Brasil facilmente) teve um gosto especial. Que artilharia pesada, hein! Fazer 110 pontos numa semifinal contra a defesa americana é realmente histórico...

Nesse "aniversário" de 15 anos da conquista, Waldyr Pagan, Miguel, Sérgio, Hermes (a quem eu tive o prazer de conhecer mais de perto e trabalhar junto por vários anos e é um profissional e ser humano que dispensa comentários, simplesmente excepcional), Dra Marli, Marísia (fisioterapeuta) e todo o grupo de trabalho e atletas merecem muito esta justa homenagem. Fiquei honrado com o convite para enviar meu depoimento e gostaria de reforçar o coro de parabéns, deixando um abraço especial a todos que lá estiveram e também aos que não estavam lá, mas contribuíram de alguma forma para este título".

Paulo Bassul

3 comentários:

Dennis disse...

Ele deveria tomar como exemplo aquela comissão técnica e rever o trabalho que dele até hoje na Seleção, pois elogiar qualquer um faz, agora fazer o trabalho que aquela comissão fez isso sim não é para todos

Aldo Sittone S C disse...

É estranho um treinado citar com louvor as atletas e simplesmente Miguel, o Paulo deveria pedir conselhos a EQUIPE técnica pois se ele lembra bem , saiu daquí desacreditada e com um jogo COLETIVO, não vivendo de arremessos individuais,como num determinado jogos que com certeza, teve a maior definição " UM GRANDE JOGO, POREM PROIBIDO PR MENORES, INICIANTES NO BASQUETE). foi consagrada campeã mundial, e vice olimpica.
Paulo, seja mais atencioso em suas palavras pois aquí, em sua maioria sabem quem é vc!

Anônimo disse...

Santa Imparcialidade

Aldo Sittone S C, não lhe conheço mas colocou bem,o Paulo como voce bem chamou o Bassul, só engana quem não lhe conhece,ou ainda cai nesta marketing de terceira categoria que o mesmo se utiliza bem!