sexta-feira, 17 de abril de 2009

Em busca do primeiro anel

Nenhum brasileiro esteve tão próximo de levantar um caneco da NBA quanto Anderson Varejão. Há duas temporadas ele chegou às finais, quando foi varrido junto com o seu time, o Cleveland Cavaliers, pelo Spurs. Mas a situação mudou. Com um elenco mais maduro e com o reforço de Mo Williams, os Cavs fizeram a melhor campanha da temporada regular, possuem um banco de reservas efetivo e o brasileiro como titular. Varejão, 26 anos de muita disposição, mostra evolução ofensiva e já tem a confiança da equipe no ataque. Nesta entrevista, feita por email, ele fala sobre a campanha da franquia, as chances de colocar o anel nos dedos e, claro, seleção brasileira. Confira!

BALA NA CESTA: Apesar de já ter jogado uma final, nesta temporada parece que o Cleveland está mais “pronto” para ser campeão da NBA. Você concorda?
ANDERSON VAREJÃO: Sim. Hoje o Cleveland é uma equipe mais madura, mais preparada. Isso é resultado do trabalho que estamos fazendo e, claro, do fato que a base da equipe permanece a mesma. Mudamos poucas peças nos últimos anos e mudamos para melhor. A equipe vem crescendo e isso está se refletindo em números. Estamos muito confiantes, muito focados e vamos brigar muito para conquistar esse título.

-- Ao final da fase regular você superou os 23 jogos em que foi titular em toda a sua carreira – foram 42 dos 81 disputados. Sua média de pontos aumentou, o número de duplos-duplos também (foram nove) e seu tempo de quadra é bom (28,5). Quais são as diferenças daquele Anderson que chegou na NBA há quatro temporadas, para este?
-- Trabalhei muito na pré-temporada, e isso vem dando resultado. Além da parte física e da parte de quadra, do sistema de jogo, da minha função, que sempre foi mais de marcação, de defesa, comecei a treinar mais os arremessos de média distância, um pouco mais de velocidade também, e estou conseguindo colocar isso em prática. Todos me passam muita confiança, o (técnico) Mike Brown também está me dando muito suporte, e isso faz com que eu tenha tranquilidade para entrar e jogar bem.

-- Você recentemente entrou em litígio com seu clube por conta de um contrato que julgava ser justo, e que acabou conseguindo. Mesmo sendo um jogador eminentemente de defesa, seus rendimentos são altos. Você poderia dizer como essa ação é valorizada aí nos EUA?
-- Aqui o trabalho começa pela defesa. Há vários exemplos de excelentes equipes, formadas por jogadores de grande qualidade, que não chegaram a lugar algum porque não sabiam defender. Nós estamos tentando fazer isso: atacar com volume, sim, mas defendendo com intensidade. Você precisa ter um ataque forte para ser vitorioso, mas tem que haver equilíbrio. Ter uma boa defesa, hoje, saber como se posicionar e diminuir os espaços, é um grande passo para se conquistar as vitórias.

-- Por outro lado, seu jogo ofensivo já apresenta melhoras, mas seu técnico vive cobrando ainda mais evolução. Quais são suas metas para os próximos anos, onde você pode melhorar e como é o trabalho da comissão técnica do Cleveland neste sentido?
-- Eles me passam muita confiança, tranquilidade, sabem que posso evoluir ainda mais. E sei disso também. Estou feliz porque o meu jogo está aparecendo este ano e estou conseguindo ajudar o Cleveland. Mas, com certeza, nos próximos anos serei um jogador ainda mais eficiente.

-- Muita gente só discute o título de MVP da temporada. Jogando ao lado de LeBron James e vendo-o atuar dia após dia, você daria o troféu para outro atleta, ou o cara realmente merece? Aliás: muita gente quando lhe entrevista fica lhe perguntando insistentemente sobre o LeBron James. Isso lhe incomoda?
-- Para mim? Ele é o MVP, sem dúvidas. Já poderia escolhê-lo por ser o meu companheiro, claro, mas, sendo imparcial, o que LeBron mostrou e está mostrando neste ano é mais do que suficiente para que ele fique com o troféu. Indiscutível também é a qualidade do Kobe, um jogador impressionante, mas esse ano é do LeBron. Sobre me perguntarem sobre ele, não há problemas. Ruim seria ter que enfrentá-lo, mas como está no meu time...

-- No livro “Michael Jordan: História de um Campeão e o Mundo que Ele Criou”, de David Halberstam, o autor conta que os companheiros de Chicago se incomodavam com o fato de Jordan não ser “um deles”, mas um astro que vivia em um mundo diferente. Jordan mudou isso aos poucos. Isso acontece ou acontecia com LeBron?
-- Não, LeBron é uma estrela, sim, tem consciência e todos sabemos disso, mas não é um ET. Ele tenta ser, na medida do possível, uma pessoa normal. Temos uma conversa sempre muito aberta, muito franca, há um diálogo fácil dentro do nosso grupo e ninguém é melhor do que ninguém. O LeBron é o primeiro a falar isso. Sabemos dividir bem os momentos de descontração e a coisa séria, embora, muitas vezes, ele extrapole e transforme uma conversa mais tática numa grande risada, provocando alguém ou falando alguma besteira. A maioria das brincadeiras tem a mão dele. Ele faz bem para o grupo dentro e fora da quadra. O problema é que ele se acha bonito...

-- E falando em seleção, você, que teve problemas para defender o time recentemente, sendo criticado pelo Moncho e pelo Oscar Schmidt, pensa em voltar?
-- Pois é, tive problemas, sim, primeiro por conta do meu contrato, pois, sem ele, não poderia ser feito o seguro para que jogasse, e, segundo, de ordem médica, contusões que me fizeram, inclusive, perder as férias. Conversei com o Moncho e ele viu que eu realmente não tinha condições de jogo. A CBB estava a par de tudo, fiquei três meses depois do fim da temporada me recuperando aqui em Cleveland e estou, como sempre estive, à disposição do meu país.

20 comentários:

WNBA disse...

Tá se dando bem na NBA, mas ainda prefiro vê-lo como nessa ultima foto do post, vestindo as cores do Brasil..
Sim, o espírito ufanista do seu tio me atingiu... kkkkk

Kátia

adriano disse...

Fabio, excelente entrevista. Mandou bem

Gostei bastante das respostas do Varejão também. Parece-me maduro. É um cara de que a Seleção precisa muito neste momento, não parece ser o mesmo que quebrou a cara do Zisis no Mundial.

Um cara como o Nenê também deve estar muito mais maduro após essa provação pela qual passou no ano passado. De repente, eles podem trazer uma estabilidade que não temos há tempos... ou então eu estou sendo otimista demais hehehe

abraço

Bruno Lima disse...

Parabéns pela entrevista. O entrevistado, como de praxe, mostrou personalidade e clareza nas respostas. Aliás, Anderson tem tudo para ser o líder nato que estamos precisando. Foi muito polido quando passou por cima em relação ao Oscar. Em determinadas situações vale o silêncio do que polemizar.
Bruno Lima.

Técio Martins disse...

Muito boa a entrevista, Fábio. Parabéns.

O Varejão é, pra mim, um jogador indispensável se quisermos melhores resultados. Ele e o Nenê parecem estar bem dispostos a defender a seleção novamente. Que nada de ruim aconteça e que possamos ir bem na Copa América.

LeBron James, bonito? Deus é mais!

Giuliano disse...

Bela entrevista, Bala. Tá mandando bem uma após a outra.
Tomara o tenhamos com toda a sua força na seleção.

fábio balassiano disse...

valeu, galera. obrigado pela força.
o anderson foi ótimo na entrevista.

acho que, no momento, precisamos de caras assim, com educação, polidez, visão de futuro e espírito para evoluir sempre.

são poucos assim, infelizmente

abraços, fábio

Anônimo disse...

Fabio, realmente o Varejão esta merecendo todos os elogios.

Bastava dizer que ele é um jogador que esta evoluindo a cada ano e isso é muito importante.

Abs

Alexandre Reis

MarceloCampinas disse...

Pois é, bem que o Varejão falou, LeBron sempre foi uma pessoa espetacular fora de quadra e dentro então....

Herlanildo disse...

ei fábio se garantiu na entrevista...muito boa mesmo.
Agora fala pro teu amigo aí, o Rodrigo que já tô enjuando desse monte de noticia de três ponto...rsrsrsrs...brincadeira, a coisa é séria, mas enjôa mesmo...rsrsrs

Abração

fábio balassiano disse...

poxa, Herlanildo, a série do rodrigo é excelente!
mto reveladora.
acho que vale acompanhar.
obrigado pela força na entrevista do varejão.

abs, fábio

Jones disse...

Mas aí cara, são dados importantes sore esses 3pontos.

E parabens aí pela entrevista, ta show.

pra mim o varejao esse ano tras o anél de campeão da NBA pro Brasil.

Anônimo disse...

Apesar de ser torcedor dos Lackers.

Esse ano sou minha torcida será dos Cavs e Nuggets.

Abs

Anônimo disse...

hehe...se fosse mesmo torcedor dos "Lakers" escreveria o nome da franquia corretamente! (brincadeirinha)

Daniel disse...

Fabio na sua opinão ate que ponto o anderson tem um papel relevante nesse time do cavs, que tem alguns outros bons defensores?

è muito bom ver um brasileiro proximo de um titulo na nba, mas dentre os brazucas que lá atuam ele me parece o que menos evoluiu, talvez esteja sendo duro , mas o barbosa e o nenê vao conquistando resultados e respeito cada vez maior, talvez ate merecimento.

Possa ser que seja birra minha, pois aquela historia do contrato , não foi muito bem digerida por mim e arrisco dizer que se não fosse essa temporada monstruosa do cavs, principalmente do lebron e do mo willians, ele(varejão) não estaria sendo visto com bons olhos pelos drigentes de la.

Alias fui seco esperando uma pergunta sobre o assunto contrato, que se iniciou mais não se confirmou como questão.

Mas a entrevista foi sim muito boa ,digna de todos os elogios que recebeste, como todas produzidas por ti bala.

Abraço!
Mais uma vez Parabéns!!

fábio balassiano disse...

oi, daniel, a sua pergunta é boa.
acho, sim, que o anderson tem papel importante na defesa do cleveland, que, em geral, é ótima mesmo.
o mike brown confia nele, tanto nos mano a manos contra homens maiores e mais fortes, quanto nas coberturas de pivôs e alas arremessadores.
pode reparar, também, que o lado oposto é sempre ele que vai cobrir também.

outro dia, o cara do true hoop disse que o anderson é o mais injustiçado por não haver esses quesitos em estatística, e concordo em parte com ele. o cara defende mto bem mesmo.

abraços, fábio

Jones disse...

Fabio vc acha que mesmo sem numeros tão expressivos, o Varejão poderia concorrer a melhor jogador de defesa???
acho ele um cara tão importante como bruce bowen nos spurs.
Varejão consegue fazer coisas incriveis nos jogos
estar sempre a todos os lugares quando vc menos espera

fábio balassiano disse...

jones, ótima pergunta.
se eu tivesse que formar um time de defesa, provavelmente o anderson estaria entre os meus 5.
ótima pergunta.
o problema é que o d12 já levou esse prêmio...

abs, fábio

Linelson disse...

Varejao defende bem, mas Nene é melhor ainda nesse quesito. 1º time de defesa é demais p/ ele, quem sabe no futuro

Jones disse...

Em termos coletivos para se ter um time campeão, o Varejão é muito mais defensor do que o Nenê e o próprio D12.

Ele ajuda no lado oposto, ele ajuda empurrando e dobrando nas jogadas adversarias de bloqueios, ajuda indo em todos os rebotes de defesa e ataque, ajuda cavando faltas de ataque e recuperando assim as posses de bola, ajuda com coberturas e o principal, a raça que todo bom defensor tem que ter, ele tem de sobra!!!
Varejão pra mim é um dos melhores defensores da NBA.

Uma pena ninguem reconhecer o grande trabalho que ele consegue contra os times adversarios.

Varejão anula o ataque e jogadas de time adversarios com esses fundamentos todos q ele consegue e não apenas no 1x1

concorda, fabio e linelson?

fábio balassiano disse...

jones, varejão está entre os melhores sem dúvda.
o melhor? não sei...

abraços, fábio