quarta-feira, 17 de junho de 2009

Um papo com Lula Ferreira - Parte2

BALA NA CESTA: Falando em seleção brasileira: Você esteve naquele que foi um dos maiores vexames do basquete brasileiro nos últimos tempos, o Pré de Las Vegas. O Brasil conseguiu perder de novo para Porto Rico, houve o incidente com o Marquinhos, aquela atitude deplorável do Nezinho e ainda a derrota final para o time B, ou C, da Argentina. Quais as marcas daquela derrota, e quais as lições?
LULA FERREIRA: Em esporte de alto rendimento só o resultado é que é levado em consideração. Como hoje o grande desafio é participar de uma Olimpíada, este passa a ser o fator de julgamento. Dentro desta visão, só 12 países do mundo estarão alinhados com o sucesso, e todos os demais, que não são poucos e possuem qualidade, serão impiedosamente jogados na cumbuca do fracasso. Certo ou errado, é assim que é. Como não sou meu advogado, apenas assumo as responsabilidades que o cargo exige e merece. Assumi todas as responsabilidades que um técnico dever fazer e respeitei a todos, principalmente à seleção brasileira. As lições serão sempre pessoais, e cada um as utilizará em prol do basquete brasileiro. O sucesso é sempre de todos, mas a derrota é órfã e solitária.

-- Mais: muita gente diz que ali foi a prova final da falta de autoridade de toda a comissão técnica da seleção. Comenta-se, até, que os jogadores chegaram a cobrar mais bagagem tática dos treinadores. Isso aconteceu mesmo? Autoridade é algo que faltava a comissão técnica passada?
-- Como disse anteriormente, não sou meu advogado. Tratei sempre os assuntos de forma adulta e honesta. Não ter alcançado o resultado pretendido é de minha inteira responsabilidade. Manter a dignidade na saída do cargo também. Podemos fazer uma analogia com os profissionais americanos nas muitas competições mundiais que eles não venceram recentemente (e não foram poucas!). Será que faltou bagagem de alguma ordem para a equipe deles no Mundial de Indianápolis em 2002? Ou nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, que por uma derrota os USA não foram desclassificados na 1ª fase? Faltou o quê para eles? Dinheiro, talentos, conhecimento, atualização?

-- E falando em bagagem tática: você acha que estamos atrasados em termos técnico-táticos? Como os treinadores daqui podem evoluir?
-- Para que os técnicos brasileiros possam ser comparados com os demais profissionais de centros mais desenvolvidos, penso que seria justo analisar as condições de trabalho de cada um. Será que um técnico brasileiro tem as mesmas oportunidades de crescimento profissional que os europeus e/ou americanos? Será que um chefe de família no Brasil pode ter esta profissão de técnico para educar seus filhos e sustentar sua família? Temos uma política esportiva que possibilita aos técnicos a realização de cursos e clínicas técnicas? Temos tudo isto e os técnicos não demonstram interesse em participar? Precisamos melhorar muito, em muita coisa, mas é injusto colocar no colo de uma categoria uma dificuldade que é de responsabilidade de muitos. Embora o caminho seja longo e difícil, ele já começou a ser percorrido, e vai chegar o dia, mesmo que demore, que iremos colher os frutos deste trabalho. Estarei aplaudindo de algum lugar do além...

4 comentários:

Técio Martins disse...

Não tem como não bater palmas pra um cara desses. Todo mundo sabe que a culpa daquele pré-olímpico não é somente dele. Teve sua parcela de culpa, e foi grande, mas em momento nenhum tirou a cara e jogou em cima dos outros. Como fizeram vários jogadores.

Mudando de assunto, aliás, vejo no Lula e no Splitter os principais defensores da seleção. Não importa onde estejam, sempre dão força e fazem de tudo pra ajudar.

Anônimo disse...

De acordo!!!!!!!

Anônimo disse...

pq algumas pessoas q trabalham com basket no brasil o lula nesse exemplo insistem em ter os eua como referencia

sendo q o melhor basket do mundo taticamente esta na espanha,grecia,lituania........etc

os eua perderam esses campeoantos citados pq os times levados eram piores q os europes

Cassiano/Araçatuba disse...

Ele engoliu tudo o que se passou em LAS VEGAS...mas será que esse comportamento contribuiu para o crescimento do esporte? ou jogou para debaixo do tapete toda a sujeira que cerca jogadores, dirigentes e até mesmo a comissão técnica?
Acho o Lula um bom técnico para os padrões brasileiros e de bom caráter! Mas apontar os erros e criticar construtivamente talvez tenha sido o melhor caminho e não simplesmente calar-se e desaparecer...
Nunca saberemos realmente o que aconteceu naquele Pré-Olímpico..e correremos sérios riscos de ver aquele episódio se repetir...
Da mesma maneira concordo com a sua reflexão a respeito da comparação de nível dos técnicos brasileiros com os estrangeiros...agora, ele citou europes e americanos e se esqueceu da revolução argentina, com potencial financeiro e estrutural inferior ao nosso tempos atrás...como eles conseguiram?

A discussão é muito mais complexa do que isso...e a postura do Lula é mais condizente com alguém que não quer se queimar no mercado, ficar com fama de dedo duro, bocudo...do que propriamente alguém que construiu algo ou está empnhado em fazê-lo...

Essa é a minha opinião.

Abraço