quarta-feira, 10 de junho de 2009

O amadurecimento de Janeth

Janeth terminou o Mundial de 1994 com 23,3 pontos (terceira), 7,6 rebotes (a sexta no geral, e a única não-pivô) e entrou na seleção do torneio. Nada mais justo. Foi através de sua maturidade que o Brasil chegou ao título. Ao lado de Paula e Hortência, a quem ela reverencia de maneira linda nesta entrevista, Jane, como é chamada pelas amigas, foi fundamental naquela conquista, e provou ser uma jogadora bem diferente daquela de Barcelona, 1992. Concentrada, ótima defensora e decisiva no ataque, ela foi apontada pelos olheiros da WNBA que depois a contratariam como a jogadora mais completa daquela competição.

BALA NA CESTA: Quando você lembra daquele Mundial, qual a cena que vem a sua cabeça rapidamente?
JANETH: Aquele torneio todo foi muito especial, mas me lembro muito bem de quando a Hortência começou a chorar no meio da quadra na final contra a China e a Paula foi abraçá-la. Eu, ali do lado e sem saber o que fazer, disse a elas: “Ei, calma que ainda não terminou”. As duas me olharam e gritaram: “Pô, Janeth, já acabou, cara. Tá doida?”. E fui me juntar a elas e choramos bastante. Tenho orgulho de dizer que no basquete feminino apenas quatro países conseguiram vencer um Mundial: EUA, Rússia, Austrália e Brasil. Isso é maravilhoso, não?

-- Muita gente diz que a geração tinha a santíssima trindade com você, Paula e Hortência. Como era o relacionamento entre vocês?
-- Eu me sinto uma privilegiada de ter pertencido a geração de Paula e Hortência. Digo isso sinceramente e sem e menor demagogia. Elas que me deram esse brilho todo e me prepararam para assumir, um dia, a posição delas. Foi através dos conselhos delas que consegui ser uma das líderes da seleção quando as duas saíram. Aprendi desde muito cedo, e só tenho a agradecer. Essa escola foi muito legal. Sobre o relacionamento, uma coisa que me lembro foi que estávamos lá apenas para jogar basquete, e que éramos bastante unidas, compenetradas. Isso ajudou bastante.

-- E a vinda do Miguel Ângelo, como afetou o grupo?
-- Para nós, foi surpresa. Mas foi uma surpresa que todos se adaptaram muito rápido. O Sérgio, assistente, também era muito legal: ouvia muito o grupo e cobrava muitas movimentações nas jogadas. Além disso, os treinamentos eram muito competitivos. Isso ajudou bastante.

-- Agora que você é assistente da seleção adulta, como será essa transição? Você, que parou de jogar há pouquíssimo tempo, consegue detectar as grandes diferenças entre o “seu” basquete e o jogo atual?
-- Alguma coisa mudou, sem dúvida. O jogo evoluiu também (está diferente). Nem melhor, nem pior. Diferente. Assim como em outros esportes, não dá comparar gerações distintas de uma mesma modalidade. A qualidade técnica era diferente. Essa turma de agora é nova, e tem tudo para crescer. Elas vão precisar aprender a jogar nas partidas difíceis e talvez levem menos tempo que nós levamos para aprender. Hoje o atleta não precisa de tanta qualidade técnica. O jogo é mais físico, mais rápido e de muita precisão. Por isso as meninas precisam pensar mais rápido.

8 comentários:

Técio Martins disse...

De novo venho lhe parabenizar pela série, Bala. Li todas os posts e não comentei em todos eles porque simplesmente fico lendo e relendo pra tentar imaginar como deve ter sido tudo isso. Como disse, só tinha quatro anos e nem sabia o que era basquete. =)

Ao post: Das jogadoras que vi jogar, Janeth foi, sem dúvidas, a mais completa e uma das que mais se entregou ao grupo em quadra. Muito bom saber que ela está metendo as caras no novo projeto da seleção.
Que as nossas jogadoras se espelhem nela e larguem a vaidade porque, como a Janeth disse, estar na seleção brasileira é representar o seleto grupo de Campeões Mundiais do basquete feminino.

Parabéns, Bala. Que a série não termine por aqui. :D

Anônimo disse...

SANTA IMPARCIALIDADE

Esta atletas mostram uma maturidade e uma tranquilidade em uma entrevista muito legal.
Agora, somando a média das tres.Paula,Hortencia e Janete,70,7, de pontos por partida.
Quem ganha de um trio deste jogando deste jeito, atualmente,nestes dez anos, a seleção para fazer 70 a 80 pontos por jogo é uma dificuldade!Estou falando em jogo,não vale contra a Bolivia,Ilhas Fiji,Equador etc.
E,a defesa quantos pontos levou em média?Acha que precisa marcar,me lembro só do 110 a 107 dos Estados Unidos.

marcelo disse...

janeth,paula,hortensia,roseli,alessandra............etc

craques dentro e fora das quadras

Anônimo disse...

SANTA IMPARCIALIDADE

Bala olha eu aqui outra vez!

Ela foi contactada por olheiros da WNBA em 1994? Como? A primeira WNBA foi em 1997,o que havia era uma outra liga cuja primeira brasileira a participar foi a Marta.Pode ser que eu esteja enganado.

fábio balassiano disse...

santa, havia olheiros americanos por lá desde essa época.
o projeto da w existe, nas gavetas da usa basketball, desde 1992.

abs, fábio

fábio balassiano disse...

tecio, valeu pela força!
a série só termina no sábado.
tem mais coisa boa vindo por aí.
abs, fábio

Anônimo disse...

Alguém aí poderia me explicar pq ninguem fala das coisa que o Miguel fez? O tal do Paulo Basul falou bem do Hermes, a Paula falou bem do Pagan, do Maronese e do Hermes, a Janete voltou a falar do Maronease e não falaram do técnico... afinal de contas, as jogadoras não gostam ou não gostavam do Miguel ? Brigaram ? Pô o cara foi campeão mundial comandando o grupo, não foi ? Não seria legal da parte desse povo dizer alguma coisa dele ?
Ouvi dizer uma montanha de coisas e nunca acreditei mas agora não sei mais nada. Afinal, qual é a verdade dessa estoria ? Ta esquizito ah ta.

Anônimo disse...

só porque aumentou a velocidade e a força física não precisa de técnica?? aí está o maior erro.
Janeth não fez faculdade, como atua na parte técnica?

chega, política é fogo.
ser atleta não significa ser bom técnico.
sem comentários