quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Muito Prazer, Daniel Bello

É quase impossível comparecer a uma quadra no Rio de Janeiro e não encontrar a figura de Daniel Bello (26 anos), técnico das categorias de base do Tijuca. Também é impossível “cruzar” com ele no MSN e não ficar horas e horas conversando sobre o mesmo assunto – o basquete evidentemente. Enciclopédia de momentos importantes da modalidade e com noções de nuanças táticas do mundo afora, o filho do comentarista e ex-jogador Byra Bello trilha um caminho de sucesso no clube da Zona Norte do Rio de Janeiro fazendo da organização tática, do jogo solidário, do estudo e da capacitação técnica de seus atletas os seus principais alicerces. Por isso ele é o entrevistado de hoje da seção “Muito Prazer”.

BALA NA CESTA: Quem é o técnico DANIEL BELLO?
DANIEL BELLO: Um técnico muito calmo, paciente e que procura sempre estar se atualizando para exercer melhor a função de treinador.

-- Ser filho de um ex-jogador lhe trouxe preconceito? Viver longe do basquete alguma vez já foi uma opção para você?
-- Nunca fui vítima de preconceito. Sempre fui muito bem tratado pelas pessoas. Procuro sempre me dedicar ao máximo ao trabalho para ser reconhecido e respeitado pelos meus atletas e companheiros de profissão. Nunca foi uma opção trabalhar longe do basquete, já que ele sempre esteve e espero que sempre esteja presente na minha vida.

-- Até que ponto o mau momento da modalidade afeta na sua abordagem com os atletas? A “psicologia” muda muito?
-- Acho importante discutirmos com os atletas o nosso momento e mostrá-los como eles podem ajudar a mudar esse quadro. Uma geração que se preocupe com o “NÓS” e não com o “EU” já seria um grande passo para a melhoria do nosso basquete.

-- Seus times são muito organizados na quadra. Qual é a sua referência para isso, e onde buscar inspiração para manter o padrão?
-- Procuro sempre dar muita importância para a defesa e conseqüentemente ao contra-ataque. Desde criança escuto isso aqui em casa (risos). Logicamente que há momentos em que teremos que jogar no 5 x 5 (meia-quadra), e, nesse momento, acho que os argentinos são os melhores atualmente e servem como fonte de inspiração.

JOGO RÁPIDO
Maior emoção dentro de quadra: ser campeão Mirim em 2004, no meu primeiro ano como técnico e após estar perdendo por 17 pontos no terceiro quarto de partida.
Uma frustração: Não posso chamar de frustração, mas sim de lamentação. Não termos jogado a final do Brasileiro Juvenil desse ano em virtude das chuvas que caíram em Joinville no período da competição.
Uma referência no basquete: Meu pai, Byra Bello.
Uma mania: falar de basquete o tempo inteiro
Um livro: “O vendedor de sonhos” (Augusto Cury)
Um amigo: Minha mãe Claudia
Uma música: “Under the Bridge” - Red Hot Chili Peppers
Filme: “A última fortaleza “ e “Coração Valente”
A bola que eu vi chutarem e caiu: Do meu armador Gege na final do Mirim em 2004. Estávamos perdendo por 17 e ele matou uma bola de 3 a dois passos da linha. Foi a bola da virada e que nos rumou para o título.
A bola que eu vi chutarem e não caiu: Do nosso atleta Vinícius na final do Juvenil desse ano. Era a bola do título, e não caiu. O trabalho, porém, foi bem feito e valeu a pena todo o nosso esforço.
Jogo inesquecível: Tijuca x Grêmio Náutico União na final do Sul-Americano Mirim em 2007. Ganhamos por um ponto na última bola.
A minha principal virtude em quadra: Ser paciente com os erros dos meus atletas.
O meu maior defeito em quadra: Em alguns momentos reclamar demais da arbitragem.
Um grande rival: As pessoas que só criticam nosso basquete sem dar soluções para a melhoria do mesmo.
O melhor técnico que já vi: Dando treino sem dúvida alguma o (sérvio Zeliko) Obradovic – o vi em um curso para técnicos realizado no Paulistano em 2002. Dirigindo um time ao vivo foi o Hélio Rubens.
Um sonho: Ver o nosso basquete em alta novamente.
Uma frase: “Devemos ensinar nossos meninos e meninas a jogar e não ensiná-los e ensiná-las jogadas e mais jogadas”. Frase dita por Maria Helena Cardoso em uma palestra para técnicos no Rio de Janeiro em 2001.

2 comentários:

Vitor Imbuzeiro disse...

Daniel, parabens pelo trabalho e sucesso na carreira.
Daqui de longe eu me orgulho de voce!

Maria Cecília disse...

Dani, primo querido!
Sou sua fã! E apesar de não ter jogado e não jogar, é sem dúvida o meu esporte favorito... pelo menos, como torcedora!
um bj!