sexta-feira, 31 de outubro de 2008

BEC: 'Manu: El Cielo con las Manos'

Caçula de três irmãos, o pequeno Emanuel pedia para a mãe levá-lo ao pediatra de dois em dois meses. Era baixo, queria crescer, e tinha medo de ver o seu sonho ser destruído por uma contingência genética. Não satisfeito, fazia exercícios físicos para ganhar alguns centímetros e pintava, eu seu armário que tinha uma foto gigante de Michael Jordan, as suas alturas para calcular até onde chegaria. Era determinação e alucinação.

Este mesmo menino começou a praticar basquete em sua casa, na cozinha, quando o amigo de sua mãe, Oscar 'Huevo' Sanchez (que posteriormente seria seu primeiro técnico na Liga Argentina), lhe ensinava a quicar a bola com os olhos vendados e desviando de mesas e cadeiras. 'Huevo', aliás, que foi a escola de Manu para dar um imenso "pito" na professora que ousou expulsá-lo de uma aula porque, vejam só, ele não parava de brincar com a pelota durante a classe.

Emanuel Ginóbili é craque, sabemos hoje, mas pouco de sua história de luta e sofrimento antes do estrelato foi contada. Sua estréia entre os adultos culminou com o rebaixamento do seu time do coração, o Bahiense (de Bahía Blanca), à liga regional B. O vice-campeonato Mundial em Indianápolis não teve a sua presença na final, lesionado que estava. Sua primeira temporada na Itália aconteceu depois da morte de seu avô, seu grande incentivador. Até o segundo ano na Itália, ele não havia vencido NENHUM título em sua carreira, nem nas divisões de base. Com a seleção argentina, não conseguia vencer o Brasil de Marcelinho até o juvenil. E por aí vai, no excepcional livro 'Manu: El Cielo con las Manos' ("Manu: o céu com as mãos", em português), escrito pelo jornalista Daniel Frescó (se quiser comprar, clique aqui). Obra, aliás, esgotada nas melhores livrarias de Buenos Aires, tamanha a idolatria ao camisa 5 portenho.

Poucos sabem, mas a esposa de Manu, Marianela, apelidada de Mani, é sobrinha de Sérgio Hernandez, atual técnico da seleção argentina. Seu irmão, Sebastian, ainda atua. Seu pai, Jorge "Yuyo", já foi técnico, dirigente e colaborador do time onde seus três filhos começaram e onde o ginásio, agora, se chama Emanuel Ginóbili.

Na cerimônia de reinauguração, em 2006, Manu não conseguia parar de chorar. Outro que não se continha era o porteiro do clube. Manu reconheceu o cidadão, o mesmo da época em que começou no clube aos sete anos, deu-lhe um imenso abraço e desandou a chorar ainda mais. Foram, juntos, até a entrada do novo ginásio, cortaram a fita comemorativa e continuaram chorando. Este é Manu, craque dentro e fora das quadra, e esta é a dica do 'Basquete é cultura' da semana.

3 comentários:

Thiago Anselmo disse...

Queria este livro, mas em dois dos sites estão esgotados...e no site americano, nem tentei.

Mas pode deixar, tentarei achar na NET.

Deve ser legal.

Abraços Fábio

Anônimo disse...

Manu é um exemplo de atleta que deve ser seguido por todos, vemos atletas aqui no Brasil, que se esquecem daqueles que os encaminharam, haja visto o tecnico do Oscar, Miura que até hoje luta para editar um livro de exercicios, ai Oscar dá uma forcinha ao cara.
Virginia Lurge

Henry disse...

Brilhante, Fábio!
Você e o Manu são craques.
O blog está de altíssimo nível, e as colunas são ótimas. Parabéns, cara!