terça-feira, 3 de novembro de 2009

A mente por trás da LNB - Parte 1

Gerente executivo da Liga Nacional de Basquete (LNB), Sérgio Domenici (na foto à esquerda) responde por algumas das melhorias do NBB nesta segunda edição. Com fluência em importantes áreas do esporte (marketing, administração e economia), o educado e inteligente paraense bateu ótimo papo que envolveu as modificações do campeonato, a formação de um circuito de base alinhado à CBB, a eterna dúvida em relação às Organizações Globo e muito mais. Com respostas acima da média, Sérgio merece dois dias de publicação no Bala na Cesta. Amanhã você lê a segunda.

Bala na Cesta: A próxima edição do NBB começou cercada de muita expectativa. O que esperar do campeonato?
Sérgio Domenici: Antes de pensarmos nesta temporada fizemos uma análise de como ocorreu a primeira. Foram detectados vários pontos a serem melhorados, entre eles o nível técnico das equipes, a estrutura dos ginásios, a tecnologia que envolve a competição, a capacitação dos profissionais e a relação com a imprensa. Procuramos avançar nestas questões, seja com treinamento, investimentos em novas tecnologias ou alteração do regulamento, como a inclusão de até três estrangeiros por equipe. Acredito que a principal mudança será no nível técnico. Houve um investimento muito grande das equipes, seja na repatriação de alguns atletas, seja na contratação de estrangeiros ou simplesmente no reforço das equipes com atletas brasileiros.

-- Como você mesmo diz, o nível técnico da competição foi um dos grandes problemas que a LNB enfrentou. Apesar de ser um esforço que a entidade faz, parece claro que o desenvolvimento da modalidade precisa ser feito em conjunto com a CBB, não? O que tem sido conversado, e, além da clínica que foi feita no final do NBB passado, o que teremos nesta nova edição? A presença de jogadores e técnicos estrangeiros é uma boa alternativa?
-- O nível técnico é conseqüência de todo um processo que fez o basquetebol chegar aonde chegou. Menos equipes, menos praticantes e menos competições estão refletidos agora. Acreditamos que este quadro poderá ser revertido por vários motivos: a criação da LNB e um processo de retomada da popularização da modalidade, a criação da nossa competição sub-20 e, como você bem disse, um trabalho sinérgico com a CBB. A CBB está se propondo a criar uma escola de treinadores e cuidar das clínicas para técnicos e árbitros. Nós acreditamos e investimos no desenvolvimento dos profissionais que trabalham no NBB. Este ano promovemos, além da clínica internacional de treinadores, treinamento para nossos representantes e para os scoutistas. Fizemos, com o apoio da CBB e realização da Faculdade de Ed. Física da Unicamp, uma Clínica para os árbitros, que serão filmados e acompanhados durante todo o NBB e terão mais duas clínicas para receberem suas avaliações e orientações corretivas. Na sexta-feira passada feira fizemos ainda um treinamento de mídia e marketing para os nossos clubes. Para 2010, ainda está programado um circuito de seminário para os profissionais das área médicas, nutrição, psicologia, fisioterapia e preparação física dos clubes do NBB.

-- Para esta edição do NBB estava prometido um circuito de base alinhado ao campeonato adulto. Como ficou esta questão? Em algum momento a CBB chegou a conversar com vocês sobre isso? De fato isso existirá? Se sim, quando?
-- Cadastramos nosso projeto junto ao Ministério dos Esportes para obtenção de recursos da Lei de Incentivo ao Esporte. Precisamos agora que o mesmo seja aprovado e, sobre isso, já temos uma sinalização positiva do Ministro Orlando Silva. Depois iniciaremos a captação desses recursos. Se tudo correr bem nossa competição sub-20 se inicia no dia 5 de janeiro de 2010 com 14 equipes. A CBB está alinhada com a LNB: este nosso Campeonato não será o Campeonato Brasileiro, como acontece com o adulto, mas cumprirá uma importante função para nós que é a revelação de novos atletas de qualidade. Além disso, sabemos que isso possibilitará que cada vez menos percamos menos garotos para o basquetebol europeu como tem sido regra. No nosso campeonato sub-20 as equipes viajarão junto com as adultas, se hospedarão juntas e farão as preliminares. Terão a chance de serem observadas, de herdar a mídia e público do jogo principal, além de conviver em uma situação de profissionalismo.

-- Em março deste ano, quando entrevistei o Kouros, ele me disse que sete empresas foram contatadas para patrocinar a liga, mas nenhuma delas vingou pelo visto. Os resultados financeiros, como se vê, ainda estão longe de serem satisfatórios. Como reverter isso? Algum novo patrocinador é esperado para esta segunda edição do NBB?
-- Fechamos com a Eletrobrás, Spalding e Araldite, que já nos dão a garantia de realizar a competição. Você tem razão, no entanto, quando diz que estamos longe de chegar em uma situação satisfatória, mas estamos somente no nosso primeiro ano e sabemos que chegaremos lá. Hoje, quem negocia as propriedades do NBB é o Departamento Comercial da TV Globo e as perspectivas são as melhores neste sentido.

-- Muita gente alega que o basquete só será forte no Brasil quando Norte e Nordeste do país estiverem inseridas na competição. Em recente entrevista, o ex-jogador Guy Peixoto, um dos maiores empresários da região, disse que a Liga deveria olhar com mais carinhos para os estados da região. O que o senhor acha disso, e qual a idéia da liga para inserir estes times na competição gradualmente? Dos 16 times do próximo campeonato, sete são de São Paulo.
-- Nenhum estado brasileiro poderá ter mais que 50% dos times da LNB. A questão do Norte e Nordeste é verdadeira. Só teremos uma competição verdadeiramente nacional quando tivermos equipes dessas duas regiões. Eu, como paraense, adoraria ver um time do meu estado fazendo parte da LNB - o papão da Curuzu por exemplo. O nosso Presidente, o Kouros, já está estudando com a CBB uma forma de acesso ao NBB para as demais equipes. A CBB fará uma grande competição regional e os dois vencedores poderão ter acesso ao NBB segundo alguns critérios. Por exemplo: deverão disputar com os dois últimos colocados do NBB e, se vencerem, deverão provar sua condição financeira para suportar a competição e demonstrar condições estruturais e técnicas para o Campeonato. Se tudo isso for atendido terão o direito de adquirir uma franquia da LNB. Este é um projeto que deverá estar concluído já para a temporada 2010/2011.

9 comentários:

peter schiling disse...

Genial, Bala. Genial. Parabéns pela entrevista.

Paulo M. F. disse...

Gostei da entrevista, o cara parece ter uma visão profissional e empresarial sobre basquete. É fundamental para o desenvolvimento da modalidade o campeonato sub-20 e a inserção de, pelo menos, um time do norte e outro do nordeste.

Bert disse...

Muito boa.

Anônimo disse...

Uma boa cabeça envolvida na administração do basket brasileiro.
Ótima entrevista Fábio!

Chiaretto

duda disse...

Tb achei interessante a entrevista! O Sérgio parece ser um profissional inteligente e atualizado. Agora Bala, vc sabe se ele hoje trabalha exclusivamente para a liga ou se têm outras atribuições?
Abs

fábio balassiano disse...

duda, ele trabalha "só" com a lnb mesmo.
abs e obrigado, fábio.

Duda disse...

Fico satisfeito em saber isso! Já passou do momento de o nosso basquete ter profissionais no seu comando!
Abs

Anônimo disse...

Valeu bala,
seguiu o meu conselho de ir atras da verdade.Parabens pela iniciativa.
Na marra, na politica acho muito dificil algum time entrar na LNB.
Para quem nao sabia como, ou queria que a LNB fosse ate o Para para ver o Paysandu, esta materia foi altamente didatica.
Vamos entao investir e trabalhar na quadra para jogar o NBB.
Detalhe: A Franquia esta valendo 200.000 conforme declaraçao do Sr Kourus.

Anônimo disse...

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