quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

BEC: "On the Shoulders of Giants"

Nascido em Nova Iorque, Kareem Abdul-Jabbar sempre ouviu de seu pai que ele nunca faria parte do melhor time da história do basquete. Ferdinand Lewis Alcindor, o pai do então bebê Lewis Alcindor, dizia sem parar que igual ao New York Renaissance o filho nunca veria. O tempo passou, Lew virou Kareem Abdul-Jabbar, seis anéis de campeão vieram, mas a inquietação persistia. Persistiu tanto que virou filme. Com o longo nome de "On the Shoulders of Giants: The Story of the Greatest Basketball Team You Never Heard Of", Kareem escreveu o roteiro do documentário (a direção ficou com Deborah Morales), que será lançado amanhã, sobre o time.

Fundado em 13 de fevereiro de 1923 a partir do movimento cultural "Harlem Renaissance", também conhecido como "New Negro Moviment", o time carregava consigo um propósito de jogar basquete e se diferenciar pelas atitudes pouco ortodoxas fora de quadra. Por conta da segração racial, os atletas dormiam em ônibus (não eram aceitos em hotéis), tinham uma alimentação pouco recomendável para atletas (comida fria quase sempre) e, claro, se vestiam de maneira provocativa.

E em quadra o clube de Bob Douglas, o fundador e técnico, também fez história: entre as décadas de 30 e 40 do século passado eles dominaram o basquete norte-americano. Na temporada 1932-1933, a campanha foi de incríveis 120-8, com a incrível sequência de 88 vitórias consecutivas e o título (não registrado). Em 1939, no primeiro torneio nacional oficial registrado pela USA Basketball, os Rens se tornaram primeiro time formado apenas por negros a conquistar o troféu (na decisão, 34-25 no Oshkosh All-Stars). Ao todo, o retrospecto, de 2588-539, mostra bem quem dominava a modalidade na época.

Como tratar bem da memória é especialidade dos EUA, em 1963 o New York Renaissance entrou para o Hall da Fama (como clube). Anos mais tarde, três membros da equipe também tiveram a honraria: Tarzan Cooper, Pop Gates e Bob Douglas, o fundador e técnico. Depois de gravar o documentário, Kareem deu entrevista e disse: "Consegui constatar que tudo o que meu pai falava era verdade. Pena que nunca pude vê-los". Fica a dica do "Basquete é Cultura" desta semana.

7 comentários:

Anônimo disse...

sensacional bala!
parabéns pelo post!
adorei saber a história, ainda desconhecida por aqui!

carlos

Anônimo disse...

só fico me perguntando quantas horas por dia você fica lendo sobre basquete!

aqui tem tudo, parabéns!

mto legal o filme. quero ver logo logo!


edu

lisangelo disse...

Uma coisa eh realmente verdade: os americanos valorizam muito a memoria e seus grandes campeoes. Sempre que assisto um playoff ou final da NBA e eles fazem aquelas montagens de abertura, com os jogadores e tecnicos que fizeram a historia do esporte, fico comparando com as transmissoes de futebol aqui do Brasil. Naturalmente que sempre aparecem entrevistas com os grandes craques e tal, mas nao lembro de pecas publicitarias ou chamadas de tv que usem a imagem dos jogadores do passado. E no basquetebol brasileiro entao... As pessoas nem sabem que somos bicampeoes do mundo.

Anônimo disse...

Trabalho de pesquisa e conteudo historico maravilhoso.Outro dia,numa mesa de bar(quem sabe um dia o basqute volte a ser discutido numa mesa de bar).
Esquecendo ligas , olimpiadas etc.....Quem fez mais pontos? Kareen,wilt ou Oscar...
sem sono

Giuliano disse...

Parabéns, Bala, belo texto.
Aliás, o BEC aceita colaboração dos leitores? Eu poderia contribuir com um post sobre o maravilhoso Once Brothers, sobre o Divac e o Petrovic.
Abração!

Adriano disse...

eu tô DOIDO, ME COÇANDO pra ver esse filme. QUeria ler também o livro que o Kareem escreveu sobre os Rens, que serviu como base para esse documentário.

fábio balassiano disse...

giuliano, aceita, claro!
só enviar pro meu email!
fica à vontade

abs, fábio