terça-feira, 11 de agosto de 2009

Tudo pelas vitórias

Danny Granger estava meio sonolento no Basketshow do Maracanãzinho. Talvez por isso tenha começado a entrevista coletiva pós-partida meio monossilábico e sem sorrir, sua marca registrada. Mas Danny, maior ídolo da cidade de Indianápolis (cidade que respira basquete) depois da aposentadoria de Reggie Miller, também sabe falar, e falar bem. All-Star da NBA em 2008-2009 mesmo jogando pelo fraco Indiana Pacers e jogador que mais evoluiu na liga (o rapaz é o primeiro jogador na história da NBA a aumentar, por três vezes seguidas, sua média em pelo menos cinco pontos), ele conversou com o Bala na Cesta logo depois do encontro com a imprensa.

BALA NA CESTA: O que você achou do evento? Pretende voltar?
DANNY GRANGER: O jogo e o show foram espetaculares. É a minha primeira vez no Brasil, e gostei muito. As pessoas aqui são animadas, há opções incríveis de lazer e a cidade do Rio de Janeiro é sensacional. Ontem fomos ao Corcovado e fiquei empolgadíssimo!

-- Falando sobre a sua temporada em Indiana, você terminou com 25,8 pontos (quinta melhor marca da liga), além de 5,1 rebotes, 2,7 assistências e 22,25 de eficiência, ótimas médias para um jogador que cresceu muito nos últimos anos. De todo modo, seu time terminou com apenas 36 vitórias e longe dos playoffs. Como conjugar desempenho individual com evolução da franquia?
-- Não é fácil, realmente. Tornei-me o jogador que mais evoluiu em 2009, é um grande acontecimento, mas sei que ainda preciso evoluir ainda mais, principalmente no meu controle de bola e o no meu passe. De todo modo, quero levar meu time a um estágio diferente. Quero disputar um playoff para, em seguida, chegar ao título. É isso que pretendo. Não vou sossegar enquanto não conseguir, porque sei que só vou render o meu melhor em times vencedores. Não quero ser uma estrela em um time perdedor. Isso não combina comigo.

-- Mesmo assim, o seu time, com o Larry Bird como general-manager, não contratou jogador de peso para a próxima temporada. É um pouco frustrante, não?
-- O Bird é um cara sensacional, que nos encoraja, nos faz melhores a cada dia. É um ídolo, e o respeitamos muito. Sobre as contratações, eu esperava, sim, que houvesse maior movimentação, mas acho, também, que temos um bom time e uma grande estrutura. Podemos chegar mais longe se todos evoluirmos em termos coletivos. Acredito fielmente nisso. E tem mais: na NBA tudo muda muito rápido. Com dois ou três jogadores tudo se transforma muito rápido. O Boston Celtics de 2008 é o melhor exemplo disso – trouxeram Ray Allen, Kevin Garnett e ganharam um título. É só uma questão de contratar mesmo, fato que faz parte da vida do General-Manager, não?

-- Sobre o estilo de jogo de seu time, o que mudou com a chegada de Jim O’Brien, em relação ao antigo treinador (Rick Carlisle, hoje em Dallas)?
-- O Rick é um técnico que gosta mais de controlar o jogo, de ter tudo muito estudado. Por ter um arremesso “confiável”, creio que o estilo run’n gun (contra-ataque e arremesso rápido) do Jim O’Brien me facilite mais. Gosto de jogar assim, e creio que possamos ter sucesso desta maneira. Somos jovens, atléticos e o povo de Indiana gosta de nos ver atuando com essa coragem (neste momento, um torcedor norte-americano do Indiana aparece e começa a falar da pressão que se tem para que os Pacers voltem a ser grandes – e Granger ri educadamente).

-- Aqui no Brasil muito se discute se esta filosofia do run’n gun pode dar resultados práticos em termos de títulos. Você acha que é viável ganhar um anel jogando assim?
-- Claro, claro que pode! O Phoenix Suns não ganhou por muito pouco, e jogava neste estilo. Mas isso não pode impedir que um time jogue boa defesa. São coisas diferentes. Na NBA, para vencer você precisa ser duro e consistente o tempo todo. Pode correr no ataque, mas precisa se esforçar na defesa também. Do contrário, nem aos playoffs chegará.

4 comentários:

Anônimo disse...

Sonolento? Eu diria de ressaca mesmo. A festa no Mam no sábado à noite foi legal. Acabou 7 da manhã...

Henrique disse...

Excelente jogador, dos meus prediletos na NBA atual.Boa sorte pra ele e pro Pacers.

Técio Martins disse...

Parabens pela entrevista, Bala. Pensei que ele nao fosse atender a ninguem...

Sobre a entrevista: penso que eh muito, mas muito mesmo, um time ganhar um anel com o run'n gun. O Phoenix nao ganhou porque a defesa no garrafao era uma mae e quando as bolas do Leandrinho, Nash e Cia. nao caiam, a vaca ia pro brejo. Mas, quem sou eu pra discordar do Danny Granger. hahaha

fábio balassiano disse...

Oi, técio, obrigado.
concordo com vc: não gosto de dogmas prontos, não.
o lakers foi campeão basicamente jogando assim na década de 80. a questão é como fazer, e não simplesmente o que fazer...

o granger é gente boa.
abs, fábio