terça-feira, 16 de junho de 2009

Um papo com Lula Ferreira

Lula Ferreira pode ser julgado pelo seu trabalho da maneira que a "comunidade do basquete" quiser, mas uma coisa precisa ser dita: nenhum técnico possui tanta educação e respeito como ele. Foi assim que ele aceitou a entrevista enviada por email pelo Bala na Cesta, que você confere em duas partes. A primeira nesta segunda-feira. A segunda, na terça-feira.

BALA NA CESTA: Até que ponto foi difícil para você começar em um projeto no meio do caminho, como foi Brasília no ano passado, e colher frutos tão rápido?
LULA FERREIRA: Quando aceitei o convite para dirigir o Universo, sabia que iria dirigir um time que já estava formado e com 6 dias de treinamento para iniciar a temporada. Era, sem dúvida, um grande desafio. Pela qualidade do elenco e a força da equipe me senti confiante em buscar o objetivo maior, ou seja, a conquista do campeonato brasileiro, já que as competições internacionais eram muito próximas e sem tempo de preparo. Claro que ficamos frustrados por não termos sido campeões, mas para a circunstância de disputa o vice campeonato de 2008 acabou sendo uma boa conquista.

-- Ao mesmo tempo, verifica-se que seu time comete erros em profusão. Como corrigir esta deficiência? Este é um problema que vem desde a base, não?
-- Claro que o número de bolas perdidas pelo Universo me incomoda bastante. Considero que uma equipe pode suportar até 10 ou 12 bolas perdidas por jogo - mais do que isto traz um prejuízo muito grande. Trabalhamos para mudar esta situação, mas não podemos perder a ousadia e a velocidade. No nosso time o principal problema tem sido os passes errados, ou por tempo de execução ou por selecionar mal o jogador a ser servido. Esta dificuldade, penso eu, é hoje um problema de quase todas as equipes brasileiras, especialmente nas categorias de base. No período em que fiquei na CBB, pude acompanhar de perto várias competições de base no nível Sul-Americano, e as bolas perdidas foram sempre um grande fator de dificuldade. Poderíamos também dar um reconhecimento maior na divulgação dos bons passadores que temos, no sentido de incentivar mais os jovens que estão iniciando. Um bom domínio da bola, do corpo e um bom passe são tão ou mais importante que um bom arremesso. Esta cultura precisa ser uma unanimidade entre os que ensinam.

-- Outra grande crítica é sobre o volume excessivo nos tiros de três pontos. Você concorda com isso? Como fazer com que o jogo seja mais dividido entre bolas de três, arremessos no garrafão e jogadas com os pivôs? Será que algum dia veremos esse equilíbrio no basquete brasileiro?
-- Nas grandes competições internacionais, as equipes que ficam entre as 4 melhores do mundo arremessam em média 1/3 de 3 pontos e 2/3 de 2 pontos: em número de tiros, mais ou menos 20 arremessos de 3 pontos e 40 de 2 pontos. No campeonato atual, aproximadamente 10 equipes tem este perfil, e 5 ou 6 são mais ousadas no volume de 3 pontos. Penso que já progredimos nesta parte, mas ainda precisamos mais. Acredito que o arremesso de 3 pontos é sempre mais venenoso,ou para quem sofre ou para quem o executa. Portanto seria mais efetivo se o arremesso de 3 pontos fosse usado como a finalização de um movimento tático que já tentou outras alternativas ou já criou um desequilíbrio no sistema defensivo. Desta forma a chance de um bom percentual de acerto é maior. Mas se este tipo de arremesso é usado como a 1ª, ou pior, a única alternativa ofensiva, aí sim teremos um jogo de altíssimo risco. Cultura não se muda de forma rápida, e necessita da participação de todos.

10 comentários:

Anônimo disse...

Estatisticas, estatisticas e mais estatisticas... zzz. Uma analise falando realmente os aspectos do jogo nao, nè?

Adriano disse...

Bala, ótima entrevista, o Lula não só é muito educado e polido, como claramente sabe do que está falando. não há dúvidas que ele decepcionou muito na Seleção e não conseguiu trabalhar o seu grupo da forma necessária e que esperávamos, mas se vê que é um estudioso e que não fala abobrinhas. espero ansioso pela segunda parte.

Técio Martins disse...

Muito bem, Bala.

O Lula, apesar de tudo que xiam dele, me parece ser um dos poucos técnicos dispostos a aprender. Ele dizia isso mesmo quando estava à frente da seleção e ratifica isso a todo instante no Universo. E, se não me falha a memória, aceitou de pronto a vinda do Moncho pra cá.

Anônimo disse...

Parabéns LULA!

Grande pessoa, muito bom técnico,.......mas um pouco sem controle sobre os elencos (por isso sua preferência por trabalhar com suas " panelas já conhecidas": Alex, Artur, Cipriano, Estevam,....).

Espero que possa um dia voltar à seleção na condição de assistente técnico ....seria um bom auxiliar.

marcelo marques disse...

a mudança deveria partir do time dele

Victor Dames disse...

Ninguém dúvida das virtudes do Lula. A maior delas parece ser estar sempre disposto a aprender, se atualizar. E educado ele é mesmo. O problema é que dificilmente os que o criticam são assim educados.

Abraços!

jdinis disse...

Acho o Lula educado e inteligente. Conhece basquete. Entretanto falta para ele mais comando, atitude e respostas rápidas no banco.

O Blog do Prof. Paulo Murilo comenta sua atuação e mostra uma foto dele de braços cruzados no jogo 3 da decisão do brasileiro com a qual concordo.

Sds.

Anônimo disse...

que tristeza....

Anônimo disse...

que tristeza....

Anônimo disse...

Bruno

É só o Bala dizer que ele é educado e todo mundo entra na conversinha que ele sempre teve,basta dizer que ele conseguiu ser 17 no Mundial e permaneceu na seleção com o outro incompetente do Grego dando-lhe a segunda chance,baseado nestas justificativas convincentes mas,que na prática,nos levou ao fundo do poço