sexta-feira, 21 de novembro de 2008

BEC: 'A última temporada'

Tímido ao extremo, Pat Conroy, autor do aclamado "O Príncipe das Mares", começou a praticar esportes para se comunicar com o pai, um violento ex-fuzileiro naval. O mais velho dos sete filhos de Donald e Peggy tentou o baseball e o futebol americano nos campos de plantação de algodão em Atlanta antes de rumar para o basquete. Com menos de 1,80m fez da perseverança e do comprometimento os seus maiores aliados para permanecer no Citadel Bulldogs, time da rigorosa academia militar de Charleston, Carolina do Sul.

Conroy escolheu o basquete como tema de livro para relembrar o momento mais marcante de sua vida – a passagem para a idade adulta. A obra, lançada nos Estados Unidos em 2002, chegou ao Brasil apenas em 2006, editada pela Record com o título de “A última temporada” (o nome em inglês é “The Losing Season”), dica do 'Basquete é cultura' dessa semana.

Emocionante, o livro retrata a temporada 1966-1967 do medíocre time de Citadel. No último ano de faculdade, Conroy, o armador titular, dividia seu tempo entre a sua graduação (Pat se formou em Literatura Inglesa) e os treinamentos nos times de basquete e baseball. Em uma das viagens finais com o elenco de baseball, o treinador Chal Port perguntou a seus jogadores veteranos sobre o futuro profissional. “Serei escritor”, disse Conroy. Após o riso e desdém de Chal, Pat abaixou a cabeça e sussurrou: “Vou escrever livros”. Não menos obtuso foi seu técnico de basquete, o rude e rígido Mel Thompson, que acusou John DeBroose, o “craque” do time, de errar propositalmente o arremesso final em uma partida decisiva.

Como Conroy relata, ele deve a Citadel, onde morou entre 1963 e 1967, o aprendizado maior do sentido da vida. Além disso, as noções de ética e esportividade permearam a sua carreira de escritor – “o basquete me forçou a fazer frente as minhas deficiências e meus terrores sem espaço para tolerância ou evasão”, página 11. Há exatos 38 anos, depois de 25 jogos, apenas oito vitórias e uma dolorosa despedida contra Richmond nas quartas de final do torneio regional (derrota por apenas um ponto), Pat desligava-se do basquete para se dedicar exclusivamente a literatura.

A leitura de “A última temporada”, cujo nome parece com o título lançado por Phil Jackson, é uma aula de dedicação e amor ao basquete. A comparação entre o amadorismo (da palavra amor) de Conroy é um contraste ao profissionalismo exacerbado deste início de século.

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Lição: Na página 23, uma lição: “Ganhar é maravilhoso em qualquer aspecto, mas a música mais obscura da derrota ressoa em planos mais profundos, mais ricos. (...) Ganhar faz você pensar que pode conquistar a garota, conseguir o emprego (...) e você se acostuma com uma vida de preces atendidas. A vitória modela a alma. (...) A derrota é uma professora mais feroz e intransigente, de coração frio, mas de visão clara na sua compreensão de que a vida é mais dilema do que jogo, mais provocação do que passe livre. (...) Embora eu aprendesse algumas coisas dos jogos que vencemos naquele ano, aprendi muito mais com a derrota”.

Disciplina:Na 11, Conroy dá um exemplo aos mais jovens: “Durante anos, eu tentaria fazer 300 arremessos por dia para corrigir minha fraqueza como arremessador de longa distância. Nunca em minha vida deixei a quadra sem praticar meu último arremesso. Não era uma superstição; era uma disciplina”.

8 comentários:

Anônimo disse...

renatoduarte:
parabéns fabio pelo blog e pela dicas do bec..
ja li esse livro e foi o proprio fabio que me indicou por e-mail uma vez.e é realmente muito bom,garantia de boa leitura !!!
abraços..

Adriano disse...

quando eu li o título do post, pensei, "ué, ele não recomendou o livro do Phil Jackson na semana passada??" hahahahaha

já vi que se trata de outro livro, culpa dos tradutores. valeu Fabio, abraço

fábio balassiano disse...

renato e adriano, obrigado pelos comentários de vocês.
que bom que há ainda quem se interesse pela leitura!
abs, fábio

Zero disse...

quem precisa do livro? o fabio contou os melhores lances aqui...
quando alguem fez isso no outro blog o fabio disse que era errado comentar lances do livro e agora ele mesmo o faz...

olha a censura!!!!apagar comentarios esta errado!

fábio balassiano disse...

zero, que bobagem, meu deus. quem disse que contei os melhores lances do livro?
talvez você seja daqueles que leiam a "orelha" de uma publicação e digam, aos amigos, que devorou o livro. isso é genial...
"quem precisa do livro"? talvez essa sua pergunta diga bem quem você é, e o que você (não) lê.
fique à vontade neste blog. críticas são sempre bem vindas, e eu não as apago. nem mesmo as canhestras e sem sentido, como a sua.
mas fique atento: as palavras de baixo calão serão censuradas.
se precisar, eu explico a você o que significa isso, e olha que isso você não encontra em nenhuma "orelha"...

abs, fábio

Bruno Lima disse...

Estava ansioso para ver a dica do livro no BEC. Risos.
É inestimável o serviço que presta divulgando estas belas obras.
Parabéns Bala!

PS: Essa dica foi minha hein!

fábio balassiano disse...

valeu, amigo bruno! essa dica é "culpa" sua mesmo. abs, fábio

clovis disse...

Mto bom o livro, comprei por indicação do blog.

Não apenas pelo basquete, mas também pelas crônicas da vida do autor, mto bom msm.

Abs.