domingo, 30 de novembro de 2008

O mérito da continuidade

Santo André e São Bernardo decidiram a última vaga para as semifinais do Nacional deste domingo. A equipe de Lais Elena, jogando em casa, fez 80-71 (25 pontos e oito assistências de Kátia) e avançou para enfrentar Ourinhos. Mas não foi só isso.

Santo André participou de todas as edições do Nacional feminino até aqui. Por outro lado, São Bernardo, o derrotado da vez, fez um campeonato abaixo da crítica, com problemas de atraso de salários e agora corre o risco de a equipe fechar as portas. Uma pena, mas apenas o reflexo do nosso basquete, mal gerenciado e sem nenhum apoio.

Dá pra acreditar

É duro acordar no domingo, abrir o site da NBA, clicar no jogo do Knicks e não coçar o olho: 138-125 contra o Golden State, e sem prorrogação. Uma aberração, não? Chris Duhon, armador arroz com feijão, teve 22 assistências, recorde pessoal e da franquia. David Lee viveu a melhor noite de sua carreira com 37 pontos e 21 rebotes. O time, como um todo, também superou marcas: os 82 pontos da primeira etapa (alou, eu disse 82 pontos em 24 minutos!) são os maiores da história da Big Apple.

Por isso tudo, e por mais que só se fale em 2010 por lá, acreditar em playoff não é loucura, apesar de o time possuir a segunda pior defesa da liga (108 pontos é muita coisa!). Al Harrington é bom jogador (quando quer!), Mike D'Antoni é um vencedor (média de 57 vitórias por temporada com o Phoenix nos últimos quatro anos) e o time (ainda) tem tradição. Boston, Cleveland, Orlando, Detroit e Atlanta são os mais fortes do Leste. Depois deles, o resto é praticamente a mesma coisa. E é nisso que o New York pode se apegar para voltar a pós-temporada.

Concorda? Arremessa na caixinha!

sábado, 29 de novembro de 2008

De novo o verão de 2010

Bryan Colangelo, diretor-geral do Toronto, está certo: "A tal lista de passes livres de 2010 tem três jogadores indiscutíveis. E vamos fazer de tudo para manter o nosso". O dele, no caso, é Chris Bosh, que ontem contra o Atlanta Hawks anotou 30 pontos, 10 rebotes e sete assistências na oitava vitória do Raptors. O detalhe é que o ala ficou preso no elevador de seu condomínio e chegou ao ginásio com apenas 50 minutos de antecedência.

De fato todo cuidado é pouco para manter Bosh no Canadá. O ala-pivô, técnico e com uma força física cavalar, possui as maiores médias da carreira em pontos (27,7), aproveitamento de arremessos (55%) e minutos (42,3), fora os 10,5 rebotes. Por isso seu nome é freqüentemente ligado a LeBron James e Dwyane Wade sobre um possível "combo" no tal mercado de 2010.

O Toronto Raptors não possui um arremessador confiável, o maior reforço do time para a temporada (Jermaine O'Neal) vive às voltas com contusões e sua maior aposta (Andrea Bargnani) é de uma irregularidade catastrófica. Manter Calderon por um longo período e trazer dois bons ajudantes (Leandrinho, Nocioni, Gerald Wallace e Shawn Marion são comentados) pode começar a fazer com que Chris Bosh pense em ficar por lá.

Alto-falante

"Ele é um idiota. É tudo o que eu tenho a dizer sobre isso. Lealdade ao Cleveland? Eu não seria tolo de não dar o meu melhor. Essa é a minha carreira, oras"

A declaração-resposta é de LeBron James, retrucando Charles Barkley, que esta semana fizera críticas ao menino prodígio por ficar alimentando as especulações de uma possível transferência para o New York Knicks em 2010.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

BEC: 'A Era Kanela'

Bons tempos não voltam jamais, já cantou alguém por aí. Talvez por isso o livro 'A Era Kanela', de Maria Célia e Pedro Zamora (Jô Soares, sobrinho do ex-treinador, assina o prefácio), seja tão gostoso de ler e ao mesmo triste de constatar quão boas foram as décadas de 50 e 60 para o basquete.

Mais do que contar a história da vida do ex-treinador, campeão até de pólo aquático no Botafogo e decampeão de basquete pelo Flamengo, o registro vale para conhecer melhor a atitude por vezes tresloucada de Kanela (com K mesmo, como ele pedia) que irritava tanto a Wlamir Marques (o Diabo Louro chegou a fugir da concentração para ver o seu filho nascer), mas sobretudo fazia dos craques da geração jogadores melhores. Os treinos puxadíssimos, base de toda a "mecânica kanelista", fizeram com que o país chegasse a títulos mundiais e medalhas olímpicas.

Vale, também, para conhecer a personalidade de Togo Renan Soares, que chegou a pisar, "sem querer", nos óculos de um atleta norte-americano na final do Mundial de 1963 e que acordava os atletas às seis da manhã para dizer que o jogo da noite (a final do torneio) seria o mais importante de suas vidas. Kanela é um exemplo de dedicação e comprometimento ao basquete, tão raros hoje em dia. É com seu livro-biografia que a seção 'Basquete é cultura' dá um tempo para novas aquisições, mas ela voltará em breve.

Basquete de rua na Lapa

Galera, acabo de receber a informação de um amigo (obrigado, Fernando!) sobre um evento interessante que acontecerá nesta sexta e sábado no Circo Voador, na Lapa, no Rio de Janeiro. Haverá uma disputa de basquete de rua, skate, grafite e apresentações de hip-hop - MV Bill dá sua canja amanhã. Para maiores informações, é só clicar aqui.
Parece uma iniciativa legal. Tentarei comparecer e trago mais novidades em breve.

Outra de Kobe Bryant

Kobe Bryant já "chocou" o mundo quando fez 81 pontos, mas parece que o astro agora gosta mesmo é de se aventurar nos comerciais para a sua linha de tênis. Depois de pular um carro, foi a vez de ele se arriscar em uma banheira cheia de cobras. O anúncio, no melhor estilo 'Jackass', você vê abaixo.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Novidades no blog

O final de ano vem chegando, mas não sem duas novidades no Bala na Cesta, que começarão a partir de dezembro. A seção 'Basquete é cultura' dá uma paradinha para respirar e surge uma dupla do barulho. Confira:

- A primeira chama-se "Muito Prazer", e apresenta as revelações do basquete brasileiro. Técnicos, jovens atletas e até mesmo dirigentes passarão por aqui para um bate-papo bem rápido e leve. A primeira entrevista, com a jovem Tássia (Americana), já sai na próxima semana.

- Já a 'Do Baú' vai no sentido oposto, resgatando nomes importantes que fizeram parte do basquete brasileiro e mundial. Nomes muito conhecidos não terão espaço aqui, mas sim aqueles que fizeram muito, são pouco lembrados e que ficaram marcados na minha memória (a visão será bem pessoal portanto). A seção começa com Vedrana, craque que desfilou seu talento pelo Brasil na década de 90.

A primeira de Tássia

O dia 27 de novembro de 2008 não será esquecido pela menina Tássia Carcavalli, mencionada aqui neste blog há mais de uma semana. A menina de 16 anos estreou no time adulto de Americana, em fácil vitória contra São Caetano por 90-63. A jovem esteve em quadra por pouco mais de três minutos e anotou dois pontos e três assistências.

Que ela continue evoluindo, e parabéns à iniciativa da técnica Branca, que soube enxergar o talento da armadora. Tomara que ela tenha tempo de polir as habilidades de Tássia.

Alto-falante

"Você está falando do Stephon Marbury? Eu não o considero meu companheiro de time neste momento. Ele não jogou conosco em nenhum momento da temporada porque não quis. Não consigo olhá-lo como um companheiro de time porque, simplesmente, companheiros não fazem isso"

A declaração, sincera, é do ala Quentin Richardson, ao ser perguntado pelo NY Times a respeito do comportamento de Stephon Marbury, que se nega, mesmo após três pedidos do técnico Mike D'Antoni, a jogar pelo New York Knicks, que possui elenco recheado de atletas lesionados. Vem cá, o que Donnie Walsh está esperando para mandar este cidadão para o olho da rua?

Toni Chakmati revelado - Parte II

-- BALA NA CESTA: O senhor também declarou ser difícil fazer basquete feminino no país. O senhor está “desistindo” delas de antemão? Pensemos que elas nos dão as alegrias, em termos mundiais, há anos, ao contrário do masculino. Como sedimentar a modalidade entre as meninas? Ou não há condição para tal?
-- TONI CHAKMATI: O fato de dizer que o basquete feminino é difícil não quer dizer que estou abrindo mão. Pelo contrário! Significa que temos que encontrar soluções. As nossas meninas a partir de 15 anos só pensam em ir jogar na Europa. A maioria delas em equipes de segunda e terceira categoria, ganhando o que poderiam ganhar aqui. É necessário ajudar os clubes e as federações a conseguir patrocinadores para segurar as jogadoras aqui. Não falo das melhores jogadoras, que têm o direito de procurar seu “pé de meia” fora daqui. Falo daquelas que certamente serão atletas da seleção do futuro. Será que tenho que aprender com a Argentina qual o segredo para acabar com a supremacia do Brasil ganhando todas as categorias de base?

-- Nomes como Paula, Wlamir, Amaury, Marcel e outras estrelas da modalidades estão marginalizados pela atual administração da modalidade. O senhor pretende reverter isso, trazê-los para perto do basquete novamente? Como?
-- Não depende só de mim, depende deles também. Na FPB, por exemplo, Rosa Branca é um dos meus diretores. O Edson Bispo foi um bom tempo, depois desistiu por problemas particulares. Nada tenho contra quem queira ajudar. Muito pelo contrário.

-- Paulo Bassul (foto) e Moncho Monsalve são os técnicos das seleções principais até o momento. O senhor manterá os dois no comando, caso seja eleito, ou planeja modificações? Aliás, o caso da Iziane seria revisto com o senhor no comando?
-- O caso Iziane foi mal conduzido. O técnico devia levá-lo a diretoria e não tomar decisão unilateral, afastando ela definitivamente da seleção enquanto ele for técnico. Quanto ao Moncho, não conheço pessoalmente, mesmo porque foi proibido de vir a São Paulo pelo Sr. Grego. Dizem que os jogadores gostaram dele, mas temos outros cinco nomes que não estavam e tem que serem ouvidos.

-- Muita gente diz que, pelos seus discursos, pouco mudará em relação ao “governo” do Grego à frente da CBB. Como o senhor reage a isso?
-- Não sei de que governo estão falando. Tenho 32 anos como dirigente de basquete, nove dos quais como Presidente da Federação. Não preciso copiar o governo de ninguém. Se ganhar as eleições, levarei a CBB da minha maneira vitoriosa de administrar.

-- O basquete paulista é, disparado, o mais forte do país. Como trazer a mentalidade que o senhor implantou em um estado, para um país? Levar a sede da CBB para São Paulo é uma possibilidade, caso seja eleito?
-- Não penso em trazer a sede para São Paulo. A mentalidade implantada em São Paulo será a mesma na CBB, com variações regionais que inicialmente não poderão acompanhar. Todo o nosso sistema de trabalho está inserido no site “A Hora de Reconstruir”.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Aprenda essa

LeBron James inventou uma nova categoria para a NBA: o toco-passe. Na partida contra o Knicks (seu futuro time?), o cracaço voou para evitar a cesta de Chris Duhon e acabou lançando Mo Williams em contra-ataque. Será que a liga computou uma assistência para ele? Veja o lance abaixo, assim como a sua cravada no segundo tempo. O Cleveland destruiu o New York por 119-101, e ao final o público da Big Apple (Spike Lee incluído) o aplaudiu de pé.

Quem também esteve lá foi o rapper Jay-Z, proprietário do Nets, cuja franquia se muda para o Brooklyn em 2010. Será que a mídia nova-iorquina já atentou para o fato de LeBron ser amigo do cantor?

Toni Chakmati revelado - Parte I

Toni Chakmati saiu da toca ao assumir ser candidato (esta entrevista foi feita na última sexta-feira, antes, portanto, de seu anúncio oficial) a presidente da CBB nas próximas eleições (fato revelado aqui há quase duas semanas), marcadas para 2009. Nesta entrevista por email, o agora oposicionista fala dos seus planos para a gestão à frente da entidade, critica o mandato de Grego e revela, claramente, ser o autor do site ‘A Hora de Reconstruir’, que, segundo ele, “foi criado para angariar idéias e sugestões, mas infelizmente, alguns o desviaram para assuntos particulares”. O bate-papo com Chakmati será dividido em duas partes. A segunda sairá amanhã.

-- BALA NA CESTA: Por que o senhor não assume de vez que é candidato a presidência da CBB? O que lhe impede de fazer isso, já que o fato é cristalino?
-- TONI CHAKMATI: Já assumi faz tempo. Naquela entrevista (ao Basketbrasil) eu quis dizer que ainda não era candidato oficial, pois o registro da chapa se dará somente em janeiro.

-- O Grego acaba de ser eleito para a ABASU. Em que isso afetaria a sua gestão, caso fosse eleito, e no que isso pode ser bom para o basquete brasileiro? Aliás, como o Grego foi eleito para a nova entidade, tendo em vista o trabalho dele à frente da CBB?
-- Em primeiro lugar a ABASU (nome feio) não existe oficialmente. Falta estatuto, registro, endereço fixo... Ela foi criada para substituir a CONSUBASQUET, entidade que a FIBA América detonou porque seu presidente não queria seguir as suas determinações. Portanto essa nova organização não afeta em nada o basquete brasileiro. Grego foi eleito porque não havia outro e porque o Brasil carecia totalmente de representação internacional. Eu sou o único representante na FIBA América como presidente de uma comissão.

-- O que mudou das últimas eleições para cá, tendo em vista que o senhor foi aliado, rompeu, voltou a ser aliado e posteriormente rompeu de vez com a gestão do Grego na CBB? Quais foram os problemas?
-- Não houve esse vai e vem. Rompi em 2006 e nunca mais voltei. Os problemas foram muitos, todos referentes a maneira como o Sr. Grego passou a agir. Uma Confederação não pode ser dirigida apenas por três elementos: Grego, Bob e Luiz Antonio.

-- O basquete já foi o segundo esporte mais popular do país, e hoje não figura nem entre os cinco. O que leva o senhor a tentar ser presidente da CBB em uma situação como essas, onde até o repasse da Lei Piva diminuiu?
-- Tentar a presidência quando tudo está às mil maravilhas, com vitórias, prestígio e dinheiro, é fácil. Tentar a presidência nesta situação é se sentir em condições de mudar as coisas e evitar que afunde mais.

-- Em recente entrevista ao site Baskebrasil, o senhor disse: “O Norte e Nordeste não têm tradição porque eles não têm condições financeiras necessárias. Eles são pobres e precisam da ajuda da Confederação para fazer um basquete melhor (...).Mas ainda dá para consertar”. Como melhorar a situação por lá, sem pensar apenas na região como massa de manobra política para eleições?
-- Nunca é tarde para começar. A CBB tem por obrigação ajudar e orientar aquele povo. É preciso abrir cursos para técnicos e para árbitros. Isso não se faz em fim de semana, como é feito atualmente. É preciso realizar acampamentos para atletas das categorias de base onde eles são observados, ensinados e treinados e de onde surgirão os futuros nomes do nosso basquete maior.

-- Como reacender o fogo pela modalidade? Quais foram as principais deficiências da gestão do Grego que o senhor tentaria melhorar? Quais seriam as palavras-chave de sua gestão?
-- As grandes deficiências da gestão Grego são a mentira, prometer e não cumprir e praticar a vingança àqueles que não votaram nele. Enfim, desde o primeiro dia da sua gestão trabalhar em função da próxima eleição, não ouvir conselhos e acumular erros que permitem, por decisões esdrúxulas, ter que gastar milhões em ações judiciais que poderiam certamente ter sido evitadas.

CONTINUA AMANHÃ

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Da Prancheta

35 - Este foi o número de assistências de Ourinhos na partida contra o Santo André (103-59). A marca, a maior da competição até aqui, impressiona se pensarmos que foram 43 arremessos convertidos (apenas oito em jogadas individuais, portanto).

Toni Chakmati no blog

Chamo a atenção dos leitores do blog para acompanhar, amanhã, a entrevista exclusiva feita com Toni Chakmati, presidente da Federação Paulista e candidato na próxima eleição da CBB. Quer um trechinho? Então vamos lá:

"As grandes deficiências da gestão Grego são a mentira, prometer e não cumprir e praticar a vingança àqueles que não votaram nele. Enfim, desde o primeiro dia da sua gestão trabalhar em função da próxima eleição, não ouvir conselhos e acumular erros que permitem, por decisões esdrúxulas, ter que gastar milhões em ações judiciais que poderiam certamente ter sido evitadas"

O restante só nesta quarta-feira e na quinta, quando a segunda parte do bate-papo irá ao ar.

Só uma simples visita?

New York Knicks e Cleveland Cavaliers se enfrentam esta noite no Madison Square Garden e todos os olhos estarão voltados para LeBron James. Mas não são os seus 29,1 pontos, 7 assistências e 7,8 rebotes de média na temporada que chamam a atenção nesta terça-feira, mas sim o que o time da Big Apple fez na semana passada para tê-lo em um futuro bem próximo.

Depois de mandar Jamal Crawford, Zach Randolph e Mardy Collins pela janela, Donnie Walsh, gerente-geral dos Knicks, deu um recado ao mercado: "em 2010-2011 viremos com tudo". Basta olhar a folha salarial da equipe e verificar que apenas Eddy Curry (que deve ser trocado em breve), Jared Jeffries e os jovens Wilson Chandler e Danillo Gallinari serão jogadores da franquia até lá. De resto, nada, neca, zero!

Ou seja, os Knicks terão orçamento livre para montar um time novo e vitorioso. Só que mais do que proporcionar a LeBron James um rio de dinheiro, Walsh precisa mostrá-lo mais do que um técnico carismático, um ginásio com história e o centro da mídia. Trazer mais um reforço de alto calibre (Amaré Stoudemire, Chris Bosh ou Dwyane Wade) é perfeitamente aceitável, mas é pouco. Rodeá-lo com dois deles e uma série de carregadores de piano de alto nível (Marcus Camby ou Richard Jefferson) torna a situação mais palpável.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Nezinho passa bem

O leitor Rogério Matos perguntou, com razão, qual era o estado de saúde de Nezinho. Fui procurar saber e, ainda bem, o armador passa bem, na medida do possível, claro. Levou seis pontos, ficará três dias de repouso e perderá os próximos dois jogos de sua equipe devido ao processo de recuperação da pancada sofrida por Marcio Dornelles.

Sorte para ele e boa recuperação. O basquete brasileiro pode não punir, mas nós, deste espaço, ficaremos de olho.

Mais uma revista 'Lance Livre'

Está disponível a segunda edição da revista eletrônica 'Lance Livre', dos jovens Thiago Anselmo e Felipe. A publicação conta com uma ótima entrevista com Magic Paula, uma boa análise sobre a próxima eleição na CBB e outras seções que merecem a leitura (até um bate-papo com este blogueiro está lá).

Mais uma boa iniciativa dos rapazes, e que merece respeito. Que eles continuem evoluindo, porque o basquete precisa de boas idéias. Sorte a eles e a 'Lance Livre'. Quem quiser fazer download, é só clicar aqui.

Mais um sinal

Leitores reclamam, com razão, que escrevo pouco sobre o basquete brasileiro, e que quando o faço é sempre com péssimo humor. Minha resposta sobre o "humor" nem precisa de palavras. Os fatos falam por si. Neste sábado, Franca e Limeira faziam a final dos Jogos Abertos quando Márcio Dornelles, a quem reputava como um ser educado e correto, teve um momento de boçalidade ao agredir Nezinho, que saiu de maca do ginásio com sangramentos na cabeça (o vídeo vem ao final do post). Revoltado com a agressão ao irmão, Nezão, também errado, invadiu a quadra para tomar as dores e apanhou dos francanos (que raiva era aquela, Rogério?).

Chegamos ao ponto em que está tudo errado. E tudo é tudo mesmo. Arbitragens péssimas e coniventes, técnicos que inflam os ânimos já exaltados de seus jogadores, atletas sem a menor esportividade, Confederação e federações omissas, etc. Até mesmo nos fóruns de discussão vemos uma inversão de valores: após apanhar, como vem ocorrendo a torto e a direito nos últimos meses, os internautas discutem o caráter do armador de Limeira, não lamentando as consequências da selvageria de Márcio.

A verdade, como já escrevi há dois anos, sem que nada tenha mudado para melhor aliás, é que o basquete brasileiro acabou. As pessoas de bem não estão mais na modalidade. Fica a pergunta: quantos outros sinais precisarão para perceber isso?



domingo, 23 de novembro de 2008

De volta para o futuro

Lakers (10-1) e Boston (12-2) vão liderando suas conferências. Com boa folga (quatro vitórias na frente de seis rivais), o time de Los Angeles inicia hoje uma série de quatro jogos teoricamente fáceis em casa (Sacramento, New Jersey, o esfacelado Dallas e Toronto) antes de pegar a estrada no começo de dezembro (Pacers, Sixers e Wizards). São boas as chances de Phil Jackson ver a vantagem se manter intacta até lá.

Os Celtics possuem uma tabela ainda mais tranquila. Apesar do Toronto ser um time difícil de bater em seus domínios, Doc Rivers pode começar a ver o espírito campeão de seu time em quadra a partir deste domingo. Depois, Golden State e Philadelphia em casa antes de fazer uma escala para surrar os Bobcats em Charlotte.

Pode parecer pouco, mas passadas mais de dez partidas, os finalistas da temporada passada saem em disparada em suas conferências. Será que eles se encontram na decisão novamente, configurando a volta definitiva da década de 80 à NBA? A caixinha é toda sua!

sábado, 22 de novembro de 2008

Nós é que agradecemos

Catanduva massacrou Ourinhos (77-52) e conquistou o bicampeonato nos Jogos Abertos. Se por um lado é legal ver meninas como Fabão (apesar de seu jogo ser sensacional, ela ainda é subestimada), Silvia (a jogadora mais intensa do país) e Palmira (bem mais controlada), é absolutamente inadmissível que um time com cinco que foram às Olimpíadas não possua o menor padrão tático e nem ouça as orientações de seu técnico.

Por outro lado, o melhor da transmissão da ESPN-Brasil ficou para o intervalo. Uma reportagem em homenagem aos campeões mundiais de 1959. Ao final da matéria, Rosa Branca agradece, carregado de emoção, pela lembrança. Ora bolas, quem deve falar "obrigado" somos nós, e devemos lamentar, também, que tenha sido uma empresa e não a CBB que tenha organizado tal festa em Piracicaba.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

BEC: 'A última temporada'

Tímido ao extremo, Pat Conroy, autor do aclamado "O Príncipe das Mares", começou a praticar esportes para se comunicar com o pai, um violento ex-fuzileiro naval. O mais velho dos sete filhos de Donald e Peggy tentou o baseball e o futebol americano nos campos de plantação de algodão em Atlanta antes de rumar para o basquete. Com menos de 1,80m fez da perseverança e do comprometimento os seus maiores aliados para permanecer no Citadel Bulldogs, time da rigorosa academia militar de Charleston, Carolina do Sul.

Conroy escolheu o basquete como tema de livro para relembrar o momento mais marcante de sua vida – a passagem para a idade adulta. A obra, lançada nos Estados Unidos em 2002, chegou ao Brasil apenas em 2006, editada pela Record com o título de “A última temporada” (o nome em inglês é “The Losing Season”), dica do 'Basquete é cultura' dessa semana.

Emocionante, o livro retrata a temporada 1966-1967 do medíocre time de Citadel. No último ano de faculdade, Conroy, o armador titular, dividia seu tempo entre a sua graduação (Pat se formou em Literatura Inglesa) e os treinamentos nos times de basquete e baseball. Em uma das viagens finais com o elenco de baseball, o treinador Chal Port perguntou a seus jogadores veteranos sobre o futuro profissional. “Serei escritor”, disse Conroy. Após o riso e desdém de Chal, Pat abaixou a cabeça e sussurrou: “Vou escrever livros”. Não menos obtuso foi seu técnico de basquete, o rude e rígido Mel Thompson, que acusou John DeBroose, o “craque” do time, de errar propositalmente o arremesso final em uma partida decisiva.

Como Conroy relata, ele deve a Citadel, onde morou entre 1963 e 1967, o aprendizado maior do sentido da vida. Além disso, as noções de ética e esportividade permearam a sua carreira de escritor – “o basquete me forçou a fazer frente as minhas deficiências e meus terrores sem espaço para tolerância ou evasão”, página 11. Há exatos 38 anos, depois de 25 jogos, apenas oito vitórias e uma dolorosa despedida contra Richmond nas quartas de final do torneio regional (derrota por apenas um ponto), Pat desligava-se do basquete para se dedicar exclusivamente a literatura.

A leitura de “A última temporada”, cujo nome parece com o título lançado por Phil Jackson, é uma aula de dedicação e amor ao basquete. A comparação entre o amadorismo (da palavra amor) de Conroy é um contraste ao profissionalismo exacerbado deste início de século.

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Lição: Na página 23, uma lição: “Ganhar é maravilhoso em qualquer aspecto, mas a música mais obscura da derrota ressoa em planos mais profundos, mais ricos. (...) Ganhar faz você pensar que pode conquistar a garota, conseguir o emprego (...) e você se acostuma com uma vida de preces atendidas. A vitória modela a alma. (...) A derrota é uma professora mais feroz e intransigente, de coração frio, mas de visão clara na sua compreensão de que a vida é mais dilema do que jogo, mais provocação do que passe livre. (...) Embora eu aprendesse algumas coisas dos jogos que vencemos naquele ano, aprendi muito mais com a derrota”.

Disciplina:Na 11, Conroy dá um exemplo aos mais jovens: “Durante anos, eu tentaria fazer 300 arremessos por dia para corrigir minha fraqueza como arremessador de longa distância. Nunca em minha vida deixei a quadra sem praticar meu último arremesso. Não era uma superstição; era uma disciplina”.

Mais do mesmo

Pelos Jogos Abertos, Ourinhos e Catanduva repetem, neesta sexta-feira, a final do último Nacional e do último Paulista. São os dois times mais fortes do país, em que pese a saída de Karla e Natália do elenco de Edson Ferreto, que tampouco poderá contar com Izabela. A ESPN-Brasil transmite a partir das 16:30. Por Ourinhos, o núcleo formado por Gattei, Chuca, Karen (foto), Mamá, Êga e Micaela estará todo a disposição, e somente uma zebra lhes tira a conquista.

Também vale ficar de olho no forte time de Franca, sempre bem dirigido por Hélio Rubens, grande favorito ao título no masculino. Por fim, palmas para o bom trabalho de Chuí, que por vezes fica meio destemperado nos tempos técnicos, com a equipe de Araraquara. Nomes como Neto, Luisinho e o ótimo Renan (18 anos e 2,05m) podem render frutos.

Da Prancheta

73 - Acredite, este foi o número de erros da partida entre os até então invictos Santa Catarina (37) e Rio de Janeiro (36), pelo Brasileiro sub-17 feminino. O placar (49-41) a favor das catarinenses mostra que os estão bem longe de serem trabalhados na base. As duas armadoras titulares (a carioca Tamara e Carolina), aquelas que deveriam "cuidar da bola" portanto, tiveram 11 desperdícios cada.

Aí ficam as perguntas: Quem da CBB está monitorando isso? Por que Paulo Bassul, técnico da seleção principal, não está lá para ver e orientar as meninas e os técnicos da base?

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Alto-falante em forma de comédia

"Após garantir vaga com a vitória sobre o Iguaçu, o Cabo Frio/Sika espera seu adversário na fase decisiva do campeonato. O adversário do time da Região dos Lagos sairá do confronto entre Municipal (3v e 4d) e Iguaçu BC (2v e 5d), que será realizado no próximo dia 25, às 18 horas, no ginásio do Club Municipal. Para ficar com a vaga, o time da Tijuca pode perder por até um ponto de diferença, já que leva vantagem nos critérios de desempate. Para o Iguaçu a vitória terá que ser por diferença maior ou igual a dois pontos".

A "informação", hilária, vem do site da Federação Carioca. Vem cá, eu só queria entender: será que dá para perder por MENOS de um ponto de diferença? O Estadual do Rio de Janeiro, como faz questão de mostrar a entidade máxima do basquete daqui, é uma piada. De péssimo gosto...

Pára, Shaq, pára!

Sou fã de Shaquille O'Neal. É justamente por isso que torço para que ele se aposente. Já chega, já deu. Hoje ele vive de lampejos, e isso é muito pouco para alguém com a sua história. Muitos ainda tentam justificá-lo citando os últimos grandes pivôs da NBA, Hakeem Olajuwon e Kareem Abdul-Jabbar, mas se esquecem que com a idade de Shaq (36 anos) ambos apresentavam médias melhores (18,9 pontos e 9,5 rebotes do ex-Houston e 21,5 e 7,3 do ex-Lakers) que as do jogador do Phoenix (15,1 pontos e 7,8 pontos em 26 minutos).

Mas não é só isso. Sem falar de sua leseira defensiva (os Suns estão entre os oito piores em rebotes) e da falta de tempo de bola (seus 1,3 tocos são os piores de sua carreira), desde 2005-2006 Shaq não consegue atuar em mais de 61 partidas, neste campeonato já se meteu em uma série de bobagens (da falta em Rodney Stuckey ao envolvimento na briga contra o Houston) e falou outra porção delas (disse, por exemplo, que Phil Jackson colocava lenha em sua rixa com Kobe Bryant e que gostaria de terminar a carreira no Lakers, algo impensável).

Na mesma entrevista ao Sacramento Bee, disse que o último arremesso de Michael Jordan nas finais de 1998 (clique aqui) seria um momento mágico para anunciar a aposentadoria. Pois então, Shaq, meu caro e gigante amigo, hoje contra o seu Los Angeles Lakers aproveite o momento, coloque juízo na cabeça, faça os seus 30 pontos e anuncie que esta será a sua última temporada. Pelos seus fãs, que não merecem vê-lo atrás de Jeff Green e Kelenna Azubuike na lista de cestinhas da liga, e Erick Dampier na de reboteiros.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Anote o nome dela

O nome da menina de 16 anos na foto é Tássia Pereira de Souza Carcavalli. Foi, ao lado de Patrícia, o maior destaque da seleção sub-18 na Copa América recentemente (14 pontos de média). Com todos com quem conversei, ninguém se atreveu a chamá-la de qualquer adjetivo menor que "jóia rara", "craque" ou "excepcional". Por isso vale ficar de olho em seu desempenho no Brasileiro Feminino sub-17 que ocorre em Joinvile.

Tássia começou os trabalhos com um triplo-duplo (33 pontos, 10 roubadas e 12 assistências, além de 57 em eficiência) e foi bem ajudada pela não menos ótima Fabiana, pivô de 1,95m e também de Americana, que anotou 14 pontos e 18 rebotes em 21 minutos na vitória de São Paulo sobre o Maranhão por 107-28.

A menina Tássia tem 1,78m de altura, ótima visão de jogo e bom arremesso. Precisa de potencial físico e que o basquete brasileiro lhe abra portas. Nessa fase de transição, convocá-la para a seleção adulta, ao menos para a fase de treinamentos e Copa Américas da vida, parece obrigatório. Deste canto ficaremos de olho.

A verdade dos fatos

Na segunda-feira Grego foi eleito para a tal ABASU, né? Pois o jornal Folha de S. Paulo prestou mais um grande serviço ao informar que o "presidente da CBB é eleito para dirigir órgão não-oficial". Confira a matéria na íntegra:

"O presidente da Confederação Brasileira, Gerasime Bozikis, o Grego, foi eleito para presidir a Associação de Basquete Sul-Americana.
Segundo a CBB, a Abasu é "filiada à Fiba América", que comanda a modalidade nas Américas, e é "a única responsável" pelo basquete da América do Sul. Não é bem assim. A Confederação Sul-Americana foi destituída pela Fiba América por não usar bola da patrocinadora oficial em dois Sul-Americanos.
A decisão sobre o caso será tomada em março. "Foi decisão deles [sul-americanos]. Não estão reconhecidos ainda. Até lá, somos responsáveis pela América do Sul", afirma Alberto Garcia, secretário-geral da Fiba América".
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Dureza acompanhar o basquete assim, não? Parabéns à Folha!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Mais um gênio que se vai

Pete Newell é uma das minhas referências no basquete. Nunca li nada que o desabonasse, algo que não tenha gostado. Sua biografia, "A Good Man" (Um Homem Bom), fala por si só. O mestre se foi neste fim de semana, vítima de complicações no pulmão, aos 93 anos. Uma pena, uma pena mesmo.

Quem quiser mais um pouco sobre sua carreira, basta clicar aqui e ler um texto antigo que fiz. Descanse em paz, eterno mestre Newell, o primeiro a ganhar uma medalha de ouro olímpica e o título da NCAA.

A peça que falta

Não é fácil escrever mal sobre um time com campanha de nove vitórias e duas derrotas. Mas o desempenho do Boston Celtics nas últimas quatro rodadas inspira cuidados. Foram vitórias apertadíssimas contra Toronto (104-97, com 35-22 no último período), Atlanta (103-102, com arremesso de Paul Pierce no final) e Bucks (102-97 na prorrogação) e uma derrota contra o Denver em casa - na temporada passada, o time só foi perder em seu ginásio no 13º jogo, e frente ao Detroit.

Os números estão lá, e são quase idênticos. O trio Pierce-Allen-Garnett possui pontuação parecida (55,8 em 2007-2008 contra os 54,9 atuais), Rajon Rondo cresceu nas assistências (de 5,1 para 6,6) e até o celerado Eddie House mantém a regularidade (7,2 pontos). Mas o time regrediu como um todo.

Se ano passado marcava 100,5 pontos e levava 90,3, nesta temporada os sofridos se mantêm em estáveis 89,7, mas o ataque murchou para 94,3. Uma das causas pode ser o número de erros (17,6, o maior da liga). A outra, a falta que James Posey (foto) faz ao elenco. Sem ele, Doc Rivers não possui uma opção consistente (no ataque e na defesa) no banco e por isso é obrigado a "cansar" Paul Pierce com 39 minutos por partida (quatro a mais que na temporada passada e a sétima maior média da NBA), fator que pode fazer diferença lá na frente.

E você, concorda? Será que o Boston chegará às finais novamente? A caixinha é toda sua!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Alto-falante

"Foi uma honra muito grande ter sido escolhido pelos presidentes das confederações para presidir a Associação de Basquete Sul-Americana. É um orgulho para o basquete nacional e um reconhecimento pelo trabalho realizado na modalidade no Brasil. Um dos principais objetivos da Associação é fazer com que os dez países membros da Associação participem das competições Sul-Americanas"

A frase é de Grego, eleito por aclamação para ser presidente da Associação de Basquete Sul-Americana (ABASU) entre 2008 e 2013. É realmente incrível a que ponto chegamos.

"Reconhecimento pelo trabalho realizado na modalidade no Brasil"? Realmente, o continente inteiro agradece. Há bem pouco tempo o país era imbatível por aqui. Desde que Gerasime assumiu a situação mudou. Viva o basquete brasileiro! Viva!

Erros e acertos da CBB

Não dá para não notar o crescimento, em termos de conteúdo, do site da CBB. Há novas seções por lá (falando dos brasucas ao redor do mundo e a dos personagens do Nacional, por exemplo), exploram os treinos das seleções de jovens e até um canal no Youtube foi criado. É pouco, sim, mas é algo.

Por outro lado, resultados não se constroem só com boa vontade. E é assim que, com sua administração calamitosa, Grego e seus amigos viram a seleção sub-15 feminina ser derrotada pela Argentina (foto) por 54-41 na final do Sul-Americano.

Em recente conversa pela internet, Sérgio Hernandez, técnico que acaba de renovar o seu contrato com a seleção masculina dos hermanos, me disse que em breve nenhuma categoria brasileira conseguirá derrotar a Argentina - nem no feminino. Brinquei com ele sobre sua "patriotada", mas ao que parece ele tem toda razão. Não dá para duvidar de quem trabalha sério.

domingo, 16 de novembro de 2008

Da Prancheta

7 - Este foi o número de jogadores do Toronto Raptors que marcaram dez ou mais pontos na vitória contra o Miami Heat por 107-96 neste domingo. O oitavo que mais pontuou, Jamario Moon, teve 8. Mesmo sem Calderón, o vice-líder em assistências da NBA, o time teve 31 assistências para 42 arremessos convertidos. Jogos coletivo é isso aí!

Sábado à noite tudo pode mudar

Anthony Morrow é um desses jogadores da NBA que a gente quase nunca ouve falar. Passou desapercebido pelo Draft e passava desapercebido em sua temporada de estréia na liga, no Golden State, apesar dos honestos 7,7 pontos como reserva. Mas sábado à noite tudo pode mudar, né. E mudou para Anthony.

O ex-ala de Georgia Tech começou como titular pela primeira vez contra o Los Angeles Clippers, na Califórnia. E Morrow exagerou: foram 37 pontos (15-20 nos arremessos) e 11 rebotes, maior pontuação de um calouro não escolhido no draft na história da NBA (a anterior, de 33, pertencia a Marquis Daniels, do Dallas, em 2003-2004).

Ah, e essa era para ser a partida que marcaria o reencontro de Baron Davis e Corey Maggette com suas antigas equipes. Mas deixa pra lá, né. Anthony Morrow merece os louros desta vez. Quer ver como foi? É só clicar no vídeo abaixo.

sábado, 15 de novembro de 2008

O fator Billups

Muita gente diz que o Detroit Pistons era um time sem estrela. Não concordo. Chauncey Billups é um baita craque da armação - um dos melhores da liga ao meu ver. E é em sua levada que o Denver Nuggets vem se transformando (4-1 desde sua chegada). Ontem contra o Boston foi uma grande demonstração disso - vitória por 94-85 fora de casa.

Com Nenê de novo muito bem (14 pontos, sete rebotes e cinco roubos) e com um Carmelo Anthony mais "domesticado" (sua média de arremessos diminuiu, ao contrário de seus rebotes e assistências; e sua defesa continua reticente, mas melhorou demais), Billups traz a liderança necessária a um time recheado de "forasteiros" (K-Martin e J.R. Smith), dá o toque de tranqüilidade no ataque e, principalmente, o senso de "urgência" que o time necessitava no sistema defensivo.

Para quem se habituou a ver o Denver nos últimos lugares das estatísticas defensivas nos últimos anos, é bom ligar o alerta. O time ainda sofre muitos pontos (apesar de os 98,4 serem menores que os 107 da temporada passada; desde que Billups chegou, aliás, a média cai para 94), mas permite apenas 42% dos arremessos dos adversários por noite (oitavo da NBA) e é o segundo em roubadas (9,77).

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

BEC: 'The Last Season: A Team In Search of Its Soul'

Muitos se perguntam como o Lakers de 2004, aquele de O'Neal, Kobe, Malone e Payton, perdeu a final de 2004 para o Detroit. Eu pensava assim até ler 'The Last Season: A Team In Search of Its Soul' ("A última temporada: um time à procura de sua alma"), do técnico Phil Jackson. A partir daí, passei a questionar como o time CHEGOU lá, e não como caiu diante dos Pistons.

Phil Jackson conta, em forma de diário, que as brigas começaram antes mesmo de a bola subir. Pouco antes de viajar para o Havaí, onde faria a pré-temporada, Kobe Bryant invadiu a sua sala com o Los Angeles Times na mão e indagou: "E agora, o que você me diz sobre isso?". 'Isso', no caso, era uma declaração de Shaq dizendo que Kobe ainda era um menino, e aquele sempre seria o SEU time.

Junte-se a isso as respostas tortas de Kobe ao treinador, que chega a descrever Bryant como um jogador "não treinável" e sua relação com ele como uma "guerra psicológica", Gary Payton reclamando do sistema de triângulos que não lhe dá liberdade para criar (leia-se reter a bola em suas mãos), Karl Malone quase sempre com dores nas costas, os outros atletas se sentindo alijados do processo... Enfim, um pandemônio tão completo que lá pelas tantas Phil cogita largar a franquia de mão, declarando-se inábil em controlar a situação.

'The Last Season' é uma leitura obrigatória para quem quer descobrir realmente o que se passa na NBA. Jogadores mimados, empresários cortejando atletas a todo momento, técnico que precisa intervir até em briga de casal e muito mais. Phil Jackson é considerado um técnico zen. Quem lê o livro, porém, passa a considerá-lo quase um Dalai Lama da paciência, tantos foram os problemas que o treinador teve que solucionar. Esta é a dica do 'Basquete é cultura' da semana.

Os desafios de Greg Oden

Foram 29 minutos até agora. Escolhido no draft de 2007, Greg Oden precisou esperar uma temporada para, depois de se lesionar na estréia, marcar seus primeiros pontos (veja aqui) na NBA. Foi anteontem, na vitória do seu Portland sobre o Miami Heat. Mas a vida do calouro não será fácil.

Na pré-temporada, Kevin Martin, do Sacramento, ganhou US$ 1 mil de Mikki Moore simplesmente por ser o primeiro a enterrar em Oden (aqui). Na noite seguinte, ouviu do boçal Ricky Davis a promessa de US$ 500,00 aos companheiros para quem fizesse o mesmo. O pivô do Portland fingiu que não ouviu.

Oden tem muito a evoluir, mas tem qualidades - ótima defesa e boa agilidade para o seu tamanho. Sua evolução ajudaria e muito na escalada do Portland rumo a elite da NBA. Com Brandon Roy, a explosão de Rudy Fernandez e a confirmação de Aldridge, os Blazers surgem firmes para obter uma vaga no playoff.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A explosão de Franciele

A foto de Franciele nem aparece ao lado das estatísticas do jogo em que a sua equipe, o Rivas, derrotou o Zvezda, da Sérvia, por 80-51 fora de casa, em partida válida pela Eurocup (espécie de Copa da Uefa do basquete). Mas deveria. A ala-pivô, ainda tímida na Liga Espanhola (média de dois pontos e pouco mais de 13 minutos), literalmente acabou com o jogo.

Anotou 18 pontos (9/10 nos arremesos de quadra) e apanhou 10 rebotes em apenas 20 minutos de partida, tornando-se a maior pontuadora do jogo. Que a brasileira continue assim, pois pelo seu desenvolvimento na Europa também passa boa parte das chances de a seleção brasileira conseguir bons resultados no próximo ciclo olímpico.

Força, Leandrinho

Acabo de ler que Ivete, mãe do nosso Leandrinho, faleceu em São Paulo. Uma pena, de verdade. Neste momento, o blog deseja os sentimentos e muita força à família. O momento é duro, mas as lembranças de dona Ivete são as melhores possíveis, até para quem pouco conviveu com ela - como eu, por exemplo, em intermináveis telefonemas, sempre atendidos com educação e simpatia.
Reforço: força à família!

A resposta de Iziane

Iziane (foto) e Natália tiveram problemas no Pré-Olímpico - o fato, todo mundo lembra, acabou culminando com a recusa da primeira em voltar à quadra após pedido de Paulo Bassul. O tempo passou, e só ontem as duas se encontraram novamente. Foi na partida válida pela Euroliga, e a maranhense levou a melhor.

Jogando em casa, ela ajudou o seu time, o Lille Metropole, a vencer o TTT Riga, de Natália, por tranquilos 71-53. Iziane anotou 10 pontos em 31 minutos, mas a armadora tampouco esteve mal, com seis pontos, três roubadas e uma assistência em 25 minutos (mais do que os 15 da titular Eglite).

Alto-Falante

"O basquete brasileiro começou a viver um cenário de muita divergência a partir de 2005, quando as dificuldades financeiras motivaram uma divisão política que representou um grande retrocesso no desenvolvimento da modalidade. Algumas iniciativas foram tomadas, mas nada foi ficando de um ano para o outro. A divisão de forças mostrou que só com união e diálogo poderia ser construído algo sólido para o basquete. Acredito que partir de 2009 com realização da LNB, campeonato nacional com todos os clubes e o aval da CBB, possamos reencontrar o caminho do desenvolvimento"

"Com relação à seleção brasileira, todo trabalho realizado passou a ser julgado exclusivamente a partir da conquista da vaga olímpica. No cenário atual do basquete mundial, a classificação de apenas 12 países para a Olimpíada claramente deixa de fora grandes forças da modalidade, que conta com 16 a 18 seleções de alto nível em todo mundo. (...) O fator da não classificação do Brasil é o fato de ter muitos países fortes, e o Brasil é um deles, para poucas vagas".

As declarações são de Lula Ferreira, ex-técnico da seleção brasileira masculina, em boa entrevista ao site Sportmania.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O fantasma de Toronto

E não é que o site da NBA deu mais uma bola fora? Na noite de ontem acompanhava o desempenho de Kevin Garnett, ansioso por uma reação do meu fantasy (estou em último!), vi o time do Toronto com um vazio. Mas não um vazio qualquer. Era o número 5, Willie Solomon, que, coitado, foi solenemente ignorado pelo tempo-real da liga americana.
Mancada, hein...

Dwyane Wade em temporada de gala

Com exceção da temporada de estréia, Dwyane Wade nunca jogou tão pouco (35 minutos). Sua média de pontos (26,2) não é a melhor da carreira. Seu aproveitamento de arremessos o coloca em 46º da liga no quesito. Das nove bolas de três pontos tentadas, nenhuma caiu. Você, amigo leitor, sabe o que isso quer dizer? Que Dwyane Wade é, talvez ao lado de LeBron e Chris Paul, o melhor jogador da liga até o momento. Não por esses motivos, claro.

Sem a ajuda de Shawn Marion (10 pontos e oito rebotes), o ala tem se desdobrado para manter a campanha do Miami no "positivo" (4-3 até aqui): ele vem de três partidas com mais de 30 pontos e na segunda-feira anotou 19 no último período para comandar a reação contra o New Jersey. Com bons calouros (Chalmers e Beasley) e carregadores de piano (Diawara e Haslem), Wade tem as melhores médias da carreira em assistências (8,0), rebotes (6,5), bloqueios (1,7), roubadas (2,7) e eficiência (28,7, o quinto da liga). Além disso, seus erros caíram em relação aos dois últimos anos.

Hoje contra o Portland o craque tentará manter o time nos trilhos - o elenco é o que mais rouba bolas na competição, o quarto que menos erra e o que possui a nona defesa menos vazada. Contra um adversário também renovado e em busca da mesma afirmação que o seu Miami Heat, Wade quer continuar a sua temporada de gala. É bom não duvidar.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Sem deixar dúvidas

Americana não tinha um jogo na TV desde 19 de janeiro de 2005, quando perdeu o quarto jogo e a final para Ourinhos. Três anos de passaram, os dois times voltaram a se enfrentar pela liderança da fase de classificação do Nacional nesta noite, mas o resultado foi o mesmo: 91-64 para as atuais tetracampeãs, e com um absurdo 115-45 em eficiência.

Americana esteve muito mal na defesa (induziu o adversário a apenas sete erros e viu Micaela marcar 14 de seus 18 pontos em contra-ataque), e mostrou uma lentidão anormal no sistema ofensivo (16 desperdícios). Aí Ourinhos fez a festa. Gattei (foto) comandou as ações nos passes (foram seis), e quatro jogadoras pontuaram em dígitos duplos. O time de Urubatan, aliás, deu 22 assistências para 36 arremessos convertidos - ótima média.

Se repetir o alto nível da performance desta noite, quando chegou a liderar por 31 pontos, será difícil tirar o quinto título de Ourinhos.

Toni Chakmati é o autor

O site "Hora de Reconstruir", trazido à tona pelo Rodrigo, lá do Rebote, parece querer fazer mistério, mas seu autor é mesmo Antonio Chakmati, presidente da Federação Paulista e candidato de oposição na eleição de 2009 na CBB. A confirmação de seu nome chegou através de email de uma fonte.

Aliás, a caixinha também registra a saída de Carlos Nunes, presidente da Federação Gaúcha e assessor da presidência da CBB, de seu cargo na entidade máxima do basquete brasileiro. Nunes sempre foi o maior articulador político da atual gestão, e seu nome em uma futura chapa (quem sabe própria) merece ser olhado com atenção.

E aí, ansioso com a eleição da CBB? Você votaria em quem?

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Da Prancheta

20,2 - Esta é, na média, a diferença de pontos das cinco vitórias dos Lakers na competição. A última veio na noite de ontem, quando os comandados de Phil Jackson perdiam por 16 pontos no começo do segundo quarto e terminaram vencendo por 29. Crédito para Trevor Ariza (foto), brilhante na marcação a Ron Artest e Tracy McGrady (a dupla terminou com 3-22 nos arremessos) e Pau Gasol (20 pontos e 15 rebotes em cima de um frágil Luis Scola).

Maturidade precoce

Apenas dois times ainda permanecem sem derrota na NBA: o Lakers, tema de post aqui semana passada, e o Atlanta Hawks, que mesmo sem Josh Smith (lesionado) bateu o Oklahoma Thunder por 89-85, com 25 pontos e quatro roubadas de Joe Johnson (foto).

Por isso vale tentar projetar até onde o time pode ir. Sem Josh Childress o elenco perde em versatilidade, mas ao mesmo tempo a franquia se reforçou com Maurice Evans (útil na marcação) e Ronald Murray (ontem foram 14 pontos). Some-se a isso as evoluções de Al Horford e Marvin Williams, e temos um dos mais jovens e promissores elencos da liga.

A questão é: será que o jovem Atlanta, aparentemente maduro, tem fôlego para repetir a dose e avançar aos playoffs, já que Miami, Knicks e Sixers estão mais fortes? Quarta-feira o time enfrenta os Celtics em Boston, time que o eliminou no mata-mata da última temporada (sétimo jogo). Pode ser um bom parâmetro.

domingo, 9 de novembro de 2008

A primeira derrota de Americana

Não há mais invicto no Nacional Feminino. Com grandes atuações de Silvia Gustavo (foto), que teve 24 pontos e cinco rebotes, e Palmira, com 22 pontos e cinco assistências, Catanduva abriu 28-9 no primeiro período e acabou com a série de 13 vitórias consecutivas de Americana. O time da técnica Branca caiu por 74-56, apesar da nova boa atuação de Karina (16 pontos e 10 rebotes).

Nos outros jogos da rodada, São Bernardo bateu o Floripa por 85-79 e ainda permanece na briga pela quarta vaga das semifinais. Já Ourinhos venceu o São Caetano, e faz, na terça-feira, contra Americana o confronto que pode definir o primeiro colocado da fase de classificação. O Sportv transmite, a partir das 19hs.

Mais um duro golpe

Saiu a tal distribuição de verbas da Lei Piva para o começo do novo ciclo olímpico. Baseada na tal "meritocracia", aquela que faz receber mais quem apresenta melhores resultados, nada mais normal que passar a tesoura na grana do basquete. A CBB, que recebeu R$ 2,2 milhões em 2008, agora vê, em seus cofres, R$ 1,5 milhões em 2009. É uma grana considerável, e se pensarmos que o montante da Eletrobrás persiste, a modalidade ainda não sofrerá tanto.

O ideal, sinceramente, seria que Grego, que não sabe se será reeleito no próximo ano, já planejasse o próximo ciclo olímpico, com um novo panorama para a modalidade. Criar novos torneios de base, implementar amistosos contra seleções fortes e capacitar as comissões técnicas com profissionais realmente capazes seria um bom começo. E falando nisso, Rodrigo Alves, no Rebote, mostra que já tem alguém se movimentando.

E você, concorda com essa tal meritocracia do COB? Se você pudesse escolher, quanto daria para o basquete e como você investiria?

sábado, 8 de novembro de 2008

Da prancheta

1.000 - Este é o número de vitórias de Jerry Sloan à frente do Utah Jazz. A milésima veio na noite desta sexta-feira contra o Oklahoma Thunder. Há 20 anos no comando da franquia de Salt Lake, ele é o primeiro a atingir a marca com um só time. Parabéns a ele!

Sinal dos tempos

E lá está o Miami Heat com três vitórias nos primeiros cinco jogos. O último triunfo, aliás, foi contra o San Antonio por sonoros 99-83 (Wade teve 33 pontos, nove assistências e dez rebotes). Quem diria, hein? Quem diria, também, que após o mesmo número de partidas os Spurs teriam quatro surras e que pela primeira vez o time perderia os três primeiros jogos em seu ginásio.

É evidente que Manu Ginóbili faz falta e agora, com a lesão de Tony Parker (duas e quatro semanas fora), a tendência é piorar. Mas não é só isso. O San Antonio tem o elenco mais velho da liga (quatro de seus cinco titulares têm mais de 30 anos), possui um arremessador em frangalhos (Michael Finley tem média de 6 pontos e 26% de acerto nos chutes) e suas opções de banco não animam a ninguém (Mason, Udoka, Vaughn e Bonner).

Pode ser que esteja cedo para sentenciar o começo do fim de um era na NBA, até porque o mês de novembro reserva babas como Knicks, Clippers, Bucks, Grizzlies e Kings no calendário. De todo modo, é bom prestar atenção. Gregg Popovich já está preparado. Suas barbas já estão prontas. Só falta colocá-las de molho.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

BEC: 'Glory Road'

Lançado nos cinemas americanos em janeiro de 2006 (US$ 42 milhões de bilheteria, 38% na semana de estréia) e disponível em locadoras do Brasil, 'Estrada para a glória' (Glory road, no original) narra a conquista da universidade de Texas Western em 1966. Dito assim, parece um fato comum. Não é. Liderados pelo técnico Don Haskins, esta foi a primeira vez na história dos esportes coletivos dos EUA que um time completamente formado por jogadores negros foi campeão universitário.

Se o etnocentrismo, mesmo velado, persiste por lá, imagine na década de 60, quando os movimentos negros ainda engatinhavam. Do outro lado da quadra, na final da NCAA, estava Kentucky, com um quinteto branco e dirigida pelo controverso Adolph Rupp. Por outro lado, Haskins afirma: “Foi uma vitória que transcendeu o campo esportivo”.

A película gira em torno de Don Haskins, que nadou contra a corrente e decidiu recrutar atletas negros para Texas Western, conhecida pela segregação entre negros e brancos. Oriundo do basquete colegial feminino, o processo passou a ser visto com ainda mais desconfiança por dirigentes e patrocinadores – que pressionaram o reitor, pois não queriam ver as suas marcas “expostas em pessoas como aquelas”. Para quem gosta de trilhas-sonoras, Glory Road, que virou nome de rua entre os dois ginásios do campus da Texas Western (agora UTEP), dá um show. A competente Alicia Keys canta “Sweet Music”, o craque Stevie Wonder interpreta “Uptight” e os Tempations aparecem na faixa “I can`t get next to you”.

Como já cansou de dizer Pat Riley, um dos dois All-American de Kentucky (o outro era Louie Dampier), o jogo e a Texas Western mudaram a história de toda uma idéia do esporte. Foi a partir daquele dia que estrelas como Bob McAdoo e Magic Johnson começaram a acreditar que poderiam ser profissionais de basquete, independente da cor. Mesmo com seus erros, Glory Road cumpre o seu papel. O de resgatar um momento importante e crucial do esporte americano.
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Erros - Como acontece em todos os filmes de “resgate”, este é recheado de erros. Em uma das cenas, o placar do ginásio mostra que faltam “:55” para o fim da partida. Momentos depois, lá está o zero à frente: “0:02”. Na transmissão do jogo final, exibido na NBC, o símbolo da emissora está errado (aquela logomarca foi criada apenas em 1979). Uma das flâmulas que aparecem na academia da universidade (Western Athletic Conference) é equivocada – a Texas Western só aderiu à WAC em 1967. Billy Joe Royal canta no ônibus uma música ("Down in the Boondocks") que só foi lançada em 1969. Por fim, Don Haskins afirma que é uma honra treinar uma equipe da Division I – na década de 60 havia apenas duas subdivisões: University Division e College Division.

O show de Karina

Karina Jacob é, junto de Clarissa (Mangueira), a única jogadora do Nacional a possuir média de dígitos duplos em dois fundamentos (14,5 pontos e 11,1 rebotes). Se isso não bastasse, a ala-pivô de Americana exagerou nesta quinta-feira. Contra o São Bernardo, ajudou o seu time a manter a invencibilidade (73-55) com anormais 31 pontos (13/23 nos arremessos), 16 rebotes, quatro roubadas e 41 de eficiência, novo recorde do campeonato - a antiga marca, 36, também era dela, que, aliás, lidera o quesito com 20,8.

A jogadora, que ainda possui 2,2 roubadas por partida, é, ou deveria ser, nome certo em qualquer convocação de Paulo Bassul pensando no próximo ciclo olímpico. É jovem (23 anos), alta (1,87m e longilínea), possui técnica, bons fundamentos e ótimo arremesso de média distância. Olho nela!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A maldição chamada Elton Brand

Pode até ser injusto escrever isso, principalmente porque o cara só jogou em time fraco. Mas o fato é: em dez temporadas da NBA, Elton Brand viu o time em que atuava conseguir campanha com mais vitórias que derrotas apenas uma vez - em 2005-2006, com os Clippers. Escolha número 1 do Chicago Bulls de Jerry Krause em 1999, o ala-pivô, que veio como maior reforço do Philadelphia para o campeonato, precisa mudar essa história.

Para isso ele e o seu novo time deveriam começar a agir já - a campanha, no momento em que escrevo, é de duas vitórias em cinco duelos. Depois do confronto contra o Orlando na noite desta quinta-feira, na Flórida, os Sixers iniciam uma caminhada de 11 jogos até o final do mês. Quase a metade destas partidas são fáceis (Indiana, Oklahoma, Minnesota, Clippers e Charlotte), e os confrontos contra Utah, Golden State, Orlando e Chicago serão em casa. Toronto e Boston, longe da Pensilvânia, completam o périplo.

Estabelecer-se como uma potência do Leste não vale tanto no momento, mas validar a contratação de Brand e comprovar o crescimento da franquia podem soar como sinal de alerta para os torcedores e para os rivais de conferência.

Quem pode derrubar os Lakers?

22- 0. Foi com esta parcial que o Los Angeles Lakers abriu o quarto período para derrotar o rival de cidade, o Clippers, por 106-88. Com quatro vitórias e ainda invicto, parece difícil encontar um rival à altura dos comandados de Phil Jackson no Oeste. Está no começo, mas é só darmos uma rápida olhada nos outros concorrentes para traçarmos temos o seguinte panorama:

- Falta um chutador mais confiável ao New Orleans (James Posey é confiável, mas não é chutador; Peja Stojakovic é chutador, mas não é confiável);
- O "velho" San Antonio, em que pese os 55 pontos de Tony Parker na noite passada, parece em baixa e sem Manu Ginóbili as coisas podem piorar - os Lakers possuem um quinteto em que apenas Derek Fisher já superou a casa dos 31 anos;
- Utah, Houston, Dallas e Phoenix parecem não ter bala e nem elenco numeroso para acompanhar o ritmo da trupe de Los Angeles, que conta com Farmar, Sasha, Ariza, Odom e Mihm no time reserva.

E você, concorda? É só usar a caixinha para opinar!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Fé na laranja

Kevin Johnson é o novo prefeito de Sacramento. Sim, o craque que fez história com a camisa 7 do Phoenix Suns tornou-se político democrata e acaba de vencer a eleição da capital da Califórnia - campanha, aliás, que contou com apoio de Shaq O'Neal, odiado no local, Charles Barkley e Magic Johnson. De todo modo, o rapaz não começa bem: há indícios de irregularidades com a sua fundação e um suposto assédio a uma menina de 16 anos. Assim como ele, outras personalidades do basquete saem vencedoras nas urnas americanas.

Craig Robinson, técnico da Universidade de Oregon State, não concorreu, mas viu o seu cunhado ser eleito para o cargo mais importante. Barack Obama, casado com sua irmã Michelle, é o novo presidente americano.

Se quiser saber mais a respeito do amor de Obama pelo basquete, clique aqui.

Basquete a 1 euro

Para comemorar os seus 50 anos de fundação, o Tau Ceramica, time espanhol onde o brasileiro Tiago Splitter atua, faz uma promoção inédita para a partida desta quarta-feira contra o Alba Berlin, válida pela Euroliga: os "abonados", torcedores que possuem o carnê de fidelidade do clube, podem comprar ingressos a módico €1 para o embate. Mil entradas deste tipo estão disponíveis, e cada aficcionado pode comprar apenas uma deste tipo.

A iniciativa é inédita, e ao mesmo tempo mostra que os projetos duradouros rendem frutos, sempre. Que o basquete brasileiro aprenda, de uma vez por todas, que fincar raízes traz resultados, sejam eles esportivos ou na fidelização dos torcedores (consumidores).

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Barack Obama e o basquete

Acho que todo mundo sabe do carinho que Barack Obama tem pelo basquete. Jogou-o na infância, foi do time de sua escola secundária e vira e mexe aparece num treino ou partida. Muitos assessores dizem, inclusive, que as partidinhas pela manhã ficaram registradas como pé-quente de campanha - durante as primárias do partido democrata, contam que ele venceu todas quando praticou o seu esporte favorito. Um de seus seguranças, além disso, foi jogador da Universidade de Duke.

Na semana passada, em um show na Arena em que seu time joga, LeBron James juntou-se ao rapper Jay-Z no palco para pedir votos a Obama. Phil Jackson, técnico dos Lakers já declarou apoio publicamente, assim como nove entre dez jogadores da NBA.

Barack Obama tem boas chances de vencer a eleição de hoje contra o republicano John McCain. Longe de mim querer discutir polícia internacional aqui (aliás, se você quer uma dica de boa leitura do assunto, clique aqui e confira o ótimo blog "Carta e Crônica", do amigo Henry Gaslky), mas que é legal para a modalidade perceber que a Casa Branca está muito próxima de receber o maior adepto do basquete em todos os tempos, isso é.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Mas já?

A temporada 2008-2009 da NBA não tem nem uma semana e a primeira grande troca já ocorre: Allen Iverson vai para o Detroit, que envia ao Denver o armador Chauncey Billups e os pivôs Cheikh Samb e Antonio McDyess, que, aliás, disse que não vestirá o uniforme dos Nuggets. Rodrigo Alves, no Rebote, esmiuça a transação, e vale a pena dar uma conferida.

Do lado de cá, eu só tenho a dizer o seguinte, para ser breve: a troca é boa para as duas equipes - o Detroit ganha um craque mais decisivo; o Denver, um armador nato -, os sistemas táticos se modificarão muito (os Nuggets terão que puxar o freio no ataque; os Pistons podem soltá-lo um pouco) e eu só fico sem entender o porquê de essa negociação ter acontecido neste momento. Não teria sido mais lógico trocá-los antes de o campeonato começar, para que os elencos fossem treinadores de maneira mais apropriada?

A caixinha é de vocês!

A arte do passe

Dona de visão de jogo incomum, a armadora Fabianna Manfredi dá uma demonstração de como a tal habilidade, que não se encontra nas estatísticas, pode fazer a diferença. O vídeo é da partida entre o time dela, o São Bernardo do Campo, e o Sport/Presidente Prudente, válida pelo Paulista de 2008. Vale o clique e o aplauso. Parabéns para ela!

Quem quer dinheirooooo?

Pivô não mais do que mediano dos Lakers, Andrew Bynum acaba de assinar o maior contrato de sua vida: US$ 58 milhões pelas próximas quatro temporadas, uma baita grana diga-se de passagem. Para comemorar a polpuda grana e o aniversário de 21 anos, o garotão resolveu dar uma festa em uma casa noturna de Los Angeles, fez o papel de DJ e... começou a lançar dinheiro para o público, no melhor estilo Silvio Santos no programa "Topa tudo por Dinheiro".

Quer ver? É só clicar. Péssimo exemplo, hein, Bynum...

domingo, 2 de novembro de 2008

De novo em alto nível

Érika teve problemas com lesão na Europa e antes de ir para a WNBA. Estreou apanhando 18 rebotes pelo Atlanta, teve novo problema físico e perdeu as Olimpíadas. E quando esperávamos que a confiança abaixasse, eis que a melhor pivô do Brasil ressurge em um estupendo começo de temporada na Espanha.

Neste sábado, em vitória por 101-59 contra o fraco Canarias, de outra brasileira (Flavia Luiza, ex-São Bernardo), ela obteve 19 pontos, sete rebotes, dois tocos e 23 de eficiência em apenas 19 minutos. No campeonato, seus números são ainda mais incontestáveis: 13,8 pontos (62% nos chutes), 9,5 rebotes, 1,6 tocos e 21,8 de eficiência (em 22,1 minutos por partida). Na Euroliga, onde o nível aumenta, seu rendimento também cresce: 15 pontos (52,5% nos arremessos), 10,7 rebotes, 1,7 tocos e três roubadas após três jogos.

Ótimos números e espetacular recuperação de Érika, que parece reencontrar o seu alto nível de atuações. Bom para o seu clube, o Ros Casares, de Valência, e esperamos que para o basquete brasileiro também. Que a CBB e a comissão técnica a tratem e a monitorem com carinho, para que eventuais problemas sejam evitados.

sábado, 1 de novembro de 2008

As surpresas da capital

Para quem se acostumou a ver o Paulista de basquete sendo liderado por equipes do interior, é bom o alerta: dois dos três primeiros da tábua de classificação são da capital - o Pinheiros, já citado por aqui, e o Paulistano. Ambos possuem 15 vitórias em 18 jogos. O time de João Marcelo Leite (foto), aliás, é a grande surpresa da competição.

Sem estrelas e sem liderar nenhum quesito das estatísticas, o time aposta no trio Fusco, Dedé e Fernando (com cerca de 45 pontos em média por partida, quase 50% dos 92 da equipe) e em um ataque sem loucuras: são 14,8 erros por partida (número alto, porém aceitável) e 18,1 assistências.

João Marcelo já foi apontado como o melhor técnico da nova geração. Que ele confirme o que se espera dele em seu já bom trabalho no Paulistano. O basquete brasileiro precisa.

Bons ventos

Parece piada. O basquete feminino brasileiro se esforça, se esforça, mas não morre. É o que se constata ao ver a partida que Mangueira e São Caetano fizeram, na noite de sexta-feira, com vitória dos paulistas por 69-65. Com exceção de Tata, Josi e Bruna, do time carioca, nenhuma atleta ultrapassa os 22 anos de idade. É evidente que há oscilações (os placares parciais dos quartos constatam este elevador sem fim) e erros em profusão (38 ao todo), mas há muito talento nas mãos de Guilherme Vos e Borracha.

Clarissa, o dínamo que coleciona duplos-duplos pela Mangueira - desta vez, ela obteve 19 pontos e 18 rebotes -, teve a companhia de Ivana, com 19 pontos e Josi, espetacular na defesa. Mas o time do ABC foi além, com as ótimas Nádia (pivô de 1,92m, uma força física descomunal e que somou 16 pontos e 15 rebotes), Patrícia (a ala, destaque no Sul-Americano sub-18 e que está na foto, teve nove pontos e quatro assistências em 24 minutos), Djane (18 pontos), a ala Priscila (destaque absoluto com sua defesa consistente e "ofensiva") e a armadora Roberta (13 pontos e sete assistências).

Todas elas têm defeitos a serem corrigidos (exemplos: Clarissa no condicionamento atlético; Nádia, na agilidade, em seu chute de média distância e no deslocamento lateral; e Patricia, na força física e na defesa). Mas o saldo é positivo, bem positivo, principalmente para meninas tão jovens e ainda em formação.

A CBB teima em não dar valor às mulheres, em sucatear o trabalho de base, em insistir com Barbosa em suas clínicas sem propósito. Mas o basquete feminino brasileiro lhe "retribui" às avessas e com carinho: as meninas superpoderosas estão aí. É só lapidá-las.