quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O lado B de Branca

É difícil de acreditar, mas aconteceu. Aquela jogadora intempestiva deu lugar a uma pessoa calma, didática e que não levanta a voz à beira da quadra. Branca, vice-campeã olímpica em 1996, e em seu segundo vôo como técnica (ela começou em Piracicaba), nem de longe lembra a menina de cabeços louros (ou brancos?) que encantava a todos e aprontava todas. Atenta e ao mesmo tempo discreta dirigindo o time de Americana (líder invicto do Nacional Feminino até o momento), ela conversou com o blog após a vitória de seu time sobre a Mangueira e deu opiniões firmes a respeito do torneio, seleção brasileira e da atual situação do basquete brasileiro. Mas não assuste, a essência dela ainda está bem presente.

BALA NA CESTA: Te surpreendeu o convite para dirigir Americana?
BRANCA: Confesso que já havia deixado o basquete um pouco de lado quando o Ricardo, diretor do time, entrou em contato comigo. Fui pega, sim, de surpresa. É muito sedutor vir treinar um elenco como este, com a estrutura que possuímos e com a tranqüilidade que me passaram.

- E como é a técnica Branca? Você está muito mais para uma conciliadora do que para uma “desesperada” à beira da quadra, não?
- Temos um time organizado, com variações táticas e bons valores individuais, mas que ainda peca muito na leitura de jogo (em inúmeras vezes Branca chamou as atletas, em especial as jovens Barbara e Renatinha, para um papo individual). Acho, também, que elas demoram muito para ditar o ritmo do jogo. Mas isso vem com o tempo e com os treinamentos, não tem jeito. Sou uma técnica que acredita mais nos treinos do que em qualquer coisa. Não adianta eu fazer um show aqui do lado de fora se não tiver ensinado a elas antes. Isso pode ser uma grande virtude ou um grande defeito, mas eu olho muito para o meu time. Já tive técnicos que sabiam tudo sobre os adversários, mas que esqueciam de cuidar do seu, do básico. Eu prefiro saber tudo sobre o meu elenco, e como melhorá-lo no dia-a-dia.

- Como foi essa mudança de jogadora para técnica?
- Natural, natural mesmo. Não posso “pilhar” as meninas o tempo todo. Preciso ser polida e falar pouco. Acho que as atletas é que devem tomar as decisões dentro de quadra. Você não me verá na beira da quadra “chamando” a jogada do meu time (no intervalo, Branca analisou as estatísticas ao lado do assistente por cinco minutos antes de entrar no vestiário para uma breve instrução; em seus tempos, fala pouco; e jamais berra com o time). Fui armadora e sei que isso é péssimo para quem está comandando o time dentro das quatro linhas.

- E a relação com o Paulo Bassul, técnico da seleção feminina, que está vivendo em Americana? Ele já foi a algum jogo da equipe?
- O Paulinho foi a apenas um jogo do nosso time (contra Ourinhos), e acho que ele deveria vir em todos. Não pela cidade, mas para acompanhar o desenvolvimento das atletas que jogam no país, e em diferentes situações de jogo. Não adianta ficar atrás do computador vendo estatística. Isso é enganoso. Me causa estranheza que ele não venha ver as partidas, sinceramente.

- Falando em seleção, como você viu o desempenho em Pequim?
- O Paulinho não tem relação com as atletas dele. Isso é muito nítido. Eu, por exemplo, tenho o meu grupo na mão. A Karla, que não jogou hoje, está machucada e estou “comprando a briga dela” para que ela não agrave a situação. Elas sabem que é assim que funciona. A minha liderança não é imposta. Ela foi aceita pelo grupo, que concorda com a filosofia de trabalho.

- O caso da Iziane tem a ver com isso que você diz?
- Sim e não. A Iziane errou, mas o problema dela com o Paulinho vem de longe e nunca foi resolvido. No Pré-Olímpico o Bassul não tinha opção. Mas o fato é que perdemos uma jogadora de altíssimo nível. Outra coisa: a seleção brasileira vai para uma Olimpíada com 15 dias de treinamento, com menina se encontrando no meio do caminho e com a Érika pedindo dispensa por causa de seguro. É difícil engolir isso. O basquete ainda não é sério por aqui.

8 comentários:

Giuliano disse...

De uma lucidez notável a fala da branca. Quem sabe nós não tenhamos aí uma luz no fim do túnel para a pobreza técnica (e intelectual) do nosso basquete.

Meire disse...

Essa mulher sabe o que fala, tem vivência...e é disso que o basquete precisa. Não concordo com ela qdo diz que o atual técnico não convive (?) com as atletas que convoca...não é por aí, o que acontece, pelos meus olhos, é uma falta de interesse generalizada, é tudo pra "constar em ata", não tem coração, não tem tesão. E com a Branca, pode ser diferente e vai ser. Que vença o basquete, que vença a raça...Parabéns Branca, já é!!! Se prepare, as coisas ainda estão por vir!

Anônimo disse...
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Paula disse...

Bran,
fico muito feliz que você voltou a fazer o que gosta. Te achava uma excelente comentarista e agora já tô achando que você é uma grande técnica tambem (hahahahaha). Parabens pela entrevista, pelo belo campeonato que sua equipe esta fazendo!
Te amo! Sua irmã, Paula

svmaciel disse...

Amiga,

tenho um orgulho sem tamanho por ser amiga de uma pessoa tão competente e tão especial quanto você!
Estamos sempre torcendo por seu sucesso.
E seremos sempre suas fãs número 1 e 1 e meio!!!!

Syl e Ana Clara

Nonna disse...

Branca

parabens pelo trabalho, por dar a cara a bater, sem pudores, sem reservas, sem hipocrisia.
Essa é a Branca que conheço, das quadras: com garra e vontade e da vida: meiga,doce e verdadeira.
Pena as pessoas aproveitarem disso para sensacionalizar. Pena a CBB não ser mais a favor do Esporte o qual ela representa, do que da Política do qual ela tenta fazer.
Paulo Bassul: reveja seus conceitos arcaicos de liderança e coach e ouça mais opiniões.
Afinal na vida temos sempre que aprender... quem acha que já sabe tudo, já viveu tudo... pode partir, pois não tem mais nada a fazer por aqui...Vivendo e aprendendo.

Bj Branca
Saúde,Força, Garra e doçura, sempre...

Nonna

Nonna disse...

CBB

Campanha para nova Treinadora da Seleção Brasielira de Basquete Feminino...

BRANCA

A melhor em atividade no País...
O resto é resto...


Nonna

Schin disse...

Branca , para nova tecnica do Brasil!
Com todo respeito,nem entendo muito sobre basquete (soh um pouquinho) mas tem certas coisas que sao obvias. Soh os dirigentes "mais inteligentes" nao veem isso. Tirar o Barbosa e colocar o Bassul eh trocar seis por meia-duzia.
No Basquete Feminino, prescisamos de gente com coracao. Nao eh de hoje que essa federacao eh uma bagunca.