terça-feira, 6 de abril de 2010

Meu amigo Bira, por Wlamir Marques

Por Wlamir Marques

"Conheci o Bira ainda novo, sem nenhuma experiência e com poucos meses de treinamentos, jogando com 18 anos no Floresta, hoje Clube Espéria. Alto, canhoto, elástico, magro, muito assustado com o assédio ao seu redor. Ali já começava a chamar a atenção pelos seus dotes físicos e menos pelas suas qualidades técnicas. Estava surgindo um jogador que nos faltava.

O basquete brasileiro necessitava urgentemente contar com aquelas qualidades físicas, pois naqueles tempos só tínhamos o Sucar como jogador acima dos 2m. Muito cedo o Bira foi lançado às feras. O Floresta convidou o XV de Piracicaba para um jogo amistoso nas suas dependências em 1961 e ali eu vi o Bira pela primeira vez. Jogava ao lado de dois irmãos lituanos, o Radvillas e o Mindaugas. Era uma equipe treinada pelo Pedroca e já nos davam trabalho pelo tamanho desses jovens atletas.

Muito cedo o Bira também foi convocado para uma seleção brasileira - sua evolução foi rápida. Isso aconteceu em 1962 quando o Renato Brito Cunha, o técnico, montou uma seleção mesclada com antigos e novos jogadores para uma turnê em Porto Rico. Jogamos sete vezes contra aquela seleção e o Bira em todas foi chamado para jogar. Percebíamos a sua inibição, pois ele tinha muito pouca rodagem, mas ele nunca se intimidou. Sempre foi um grande guerreiro, essa era a sua principal marca.

Na volta de Porto Rico, levei o Bira para dormir na minha casa. Chegamos tarde e ele não tinha onde passar a noite. Dali surgiu uma amizade que perdurou até o dia da sua morte. Jogou na seleção brasileira comigo de 1962 até 1970 e no Corinthians de 1963 até o ano de 1970, quando ele foi jogar na Itália.

Portanto fico muito feliz que ele tenha recebido esse prêmio. Ele é merecedor pela sua luta e pelo seu espírito em prol do basquete brasileiro. É justíssima essa conquista. Parabéns, Bira, você conseguiu. Jamais me esquecerei de você".

Wlamir Marques é bicampeão mundial e escreveu este texto em sua comunidade no Orkut. A homenagem é para o amigo Bira, indicado para o Hall da Fama ontem.

6 comentários:

Anônimo disse...

maneiro o texto
wlamir é o próximo!
grande ídolo

guga

Toledo/MG disse...

Bala: Existe uma tendência dos mais velhos em achar que os tempos antigos eram melhores, que a Seleção de 70 era melhor, que a Brasília e o DKW eram os melhores carros brasileiros e por aí vai, nem sempre com muito fundamento, é verdade.
Agora, isto não é saudosismo. Eu vi Bira e Wlamir jogarem, e não só eles, mas também Sucar, Rosa Branca, Norminha, Maria Helena, Heleninha, Dodi, Menon, Emil Rached, Wilson Renzi, Adilson, Gilson, Carioquinha e muitos outros. Também estive na quadra com os Irmãos Metralha (Hélio Rubens, Totô e Fransérgio), mais Fausto, Robertão e Carlão, e por aí vai. Posso dizer que todos esses me encheram os olhos e merecem estar no Hall da Fama. Já que não dá para irem todos, o Bira faz a honra pelos brasileiros que um dia jogaram, ou mesmo apenas assistiram a uma partida bem jogada de basquete.

fábio balassiano disse...

muito legal o seu comentário, toledo!
bem legal mesmo
sorte a sua ter visto esta galera toda...

abs, fábio

Reny disse...

Também gostei do comentário, Toledo. Parafraseando alguém, felizes são aqueles que assistiram jogos com esta turma. Orgulho-me de ter sido um dos que viu muitos jogos deles, algumas vezes bem de perto.

Reny

fábio balassiano disse...

verdade, reny. verdade mesmo.
se vocês viram isso tudo, vocês são felizes mesmo.

abs, fábio

Duda 11 disse...

E eu lamento o fato de não ter visto ao vivo craques como Bira e Wlamir...rs
Bela homenagem para o Bira, sua família, ex-companheiros, amigos, enfim, para o basquete brasileiro!!!