
Que atuação patética da seleção feminina nesta noite contra a Argentina em Barueri. Por mais que tenha vencido (77-71, na prorrogação), não há outra maneira de começar um texto que não assim. O time de Paulo Bassul não jogou absolutamente nada, mostrou um desinteresse assustador, errou horrores (29) e se salvou de uma derrota vexatória por causa de uma atuação excepcional de Franciele (24 pontos e 12 rebotes, além de cinco desperdícios - ela, na foto, é marcada por quatro rivais), que, aliás, não jogou no primeiro duelo contra as hermanas sabe-se lá por quê. E falando em questionamentos, coloco abaixo alguns. Quem tiver respostas, por favor a caixinha está aberta.
1- Treinando há três meses em Barueri, é possível que um time sério não saiba sair de uma defesa por pressão do adversário? O Brasil não conseguiu!
2- Treinando há três meses em Barueri, é possível que a pivô Kelly esteja visivelmente acima de seu peso? Aonde estão o preparador físico, o nutricionista e o chef do restaurante do hotel da seleção?
3- Treinando há três meses em Barueri, é possível que Paulo Bassul ainda insista com Mamá (1/5 nos arremessos e cinco faltas em 13 minutos) e Palmira como titulares, deixando Franciele

(aquela dos 24 pontos e 12 rebotes) e Fernanda Beling ou Karen (responsável pela guinada e pela boa defesa no segundo período) no banco?
4- Treinando há três meses em Barueri, será que a jovem Nádia não pode jogar um amistoso sequer? As argentinas que vieram do sub-19 entraram, e muito, em quadra: Agostina Burani (18’), Andrea Boquete (7’) e Nadia Flores (9’).
5- Treinando há três meses em Barueri, é com esse basquete que Adrianinha na Itália? Hoje ela foi uma lástima, mostrou absoluta falta de interesse e errou mais do que todo mundo (8).
6- Treinando há três meses em Barueri, aonde foi parar o basquete de Micaela?
7- Treinando há três meses em Barueri, será que Paulo Bassul ainda não conseguiu passar às meninas como é que se defende? Houve dúvidas sobre corta-luzes, lado oposto e cobertura, situações que devem ser corrigidas nos treinamentos.
8- Treinando há três meses em Barueri, o que fazem os assistentes César Guidetti e Janeth Arcain?
9- Treinando há três meses em Barueri, será que a seleção não poderia nos apresentar algo mais inventivo no ataque do que apenas corta-luzes duplos na cabeça do garrafão e trocas simples no fundo da tabela?
10- Treinando há três meses em Barueri, será que não teria sido melhor testar novamente Karina Jacob, que luta por uma das vagas no garrafão, ao invés das já garantidas Alessandra e Kelly?
Como venho falando aqui há séculos, falta planejamento a esta seleção feminina. Para manter-se no cargo, Paulo Bassul convoca veteranas que, em sua cabeça, lhe garantirão o título da Copa América. A outra face da moeda, porém, lhe traz uma realidade cruel: com medo de arriscar, o treinador deixa de investir em jovens como Franciele (deixa ela no banco novamente, Coach!), Natália, Nádia e afins. E assim ficamos nessa lógica bassuliana que reza pela manutenção de veteraníssimas sem valor algum e pelo castramento de jovens promessas. Ah, e só uma coisinha a mais: Mamá e Palmira, em qualquer quinteto titular de qualquer seleção brasileira adulta, é piada.
Tão piada quanto este time mostrou ser nesta noite.