terça-feira, 18 de agosto de 2009
Novidade no Draft Brasil
O Draft Brasil vem com ótima novidade: um fórum "dedico à discussão técnico/tática do basquete". Quem quiser conferir, é só clicar aqui. Vale a pena. Didático e bem explicativo.
Simplesmente Bernardinho - Parte 2
Se perdeu a Parte1, clique aqui e confira.
BALA NA CESTA: Tão importante como conhecer os seus atletas é conhecer o jogo, e parece que além de você a sua comissão técnica tem papel fundamental no bom desempenho do vôlei nos últimos anos no Brasil. Como é essa divisão de papéis na comissão, até aonde vai a sua voz de comando e as deles, e como é seu método de estudo técnico-tático da modalidade?
BERNARDINHO: Temos uma equipe multidisciplinar que através de seus conhecimentos e talentos diversos e complementares tenta extrair o que de melhor nossos atletas/time pode oferecer. Hoje temos um manager (ex-treinador das divisões de base), que responde pelas questões logísticas (viagens, hotéis, contatos com jogadores). Temos um "head-coach" (técnico principal), que coordena toda a Comissão Técnica e é responsável pelo planejamento, observação e escolha de atletas, e mentor da metodologia de treinamento e do padrão tático da equipe (forma de jogar em função dos talentos a disposição). Dois assistentes técnicos (momentaneamente apenas 1), que comandam parte dos treinamentos técnicos e estudam, junto ao treinador principal, equipes adversárias. O preparador físico é responsável por tudo o que diz respeito a condicionamento e desenvolvimento das valências físicas dos atletas. Uma equipe médica comandada por um ortopedista e composta por dois fisioterapeutas que se revezam nos cuidados de cura e prevenção de lesões de nossos atletas. Temos ainda um estatística, que além de acumular um enorme banco de imagens das equipes mundo afora, é responsável pela elaboração de relatórios táticos sobre as mais diversas características de nossos adversários. Contamos ainda com o apoio de um médico do esporte e uma nutricionista, que cuidam das questões fisiológicas e da "saúde"dos atletas.
-- Não faz muito tempo, os atletas da NBA tinham uma grande dificuldade em vir atuar pela seleção masculina de basquete, gerando opiniões sobre a falta de comprometimento dos mesmos diante da situação da modalidade. Em contrapartida, sua seleção ganhou tudo, e o melhor jogador de vôlei do mundo, o Giba, recentemente esteve, ao lado do Serginho, disputando uma Liga Mundial em condições adversas na Sérvia. Este nível de comprometimento é individual, faz parte de uma filosofia da comissão técnica que os jogadores devem seguir ou é apenas coincidência?
-- Há de se compor a questão de calendários, se buscar os ajustes, mas sempre tendo como base a motivação e a vontade do atleta em defender a seleção, entendendo que para tudo há um preço a ser pago.
-- Como manter a “motivação” tão alta para uma geração que ganhou praticamente tudo nos últimos oito anos? A zona de conforto é uma de suas maiores inimigas, não?
-- O mais importante é criar a consciência de que as únicas coisas importantes são o próximo ponto e a próxima competição. O preço será cada vez mais alto e não há espaços para zonas de conforto. Se superar permanentemente deve ser a meta de cada um de nós.
-- Há algo ainda mais impressionante neste time que você comanda no vôlei. Os valores éticos e comportamentais que o Brasil tanto necessita estão, em uma escala menor, representados no seu time. Tudo isso vem ao lado de uma taxa de sacrifício impressionante por parte da comissão técnica e dos atletas. Que legado você gostaria que permanecesse após tudo isso?
-- O legado que gostaria que permanecesse dessas gerações de atletas que tive o privilégio de dirigir são: valorização permanente do trabalho, do time e da busca permanente pela excelência. Entendendo que "os fins não podem justificar os meios"
-- Quando acabaram os Jogos de Pequim, você apareceu na televisão chorando porque pressentia o final de um ciclo vitorioso. Como foi a retomada do trabalho, qual foi o approach que você usou com a CBV para a renovação, e como este planejamento foi viabilizado, pensando no Mundial de 2010 e nas Olimpíadas de 2012?
-- O choro não se deveu a perspectiva do fim de um ciclo vitorioso, mas ao fim de um grupo que sofreria algum tipo de renovação e portanto não mais seria o mesmo. A despedida de grandes atletas/pessoas, das quais sinto muita falta hoje e o receio que a medalha de prata (creio uma bela conquista) fosse vista como um grande fracasso, colocando em dúvida tudo de tão impressionante que aquele grupo de atletas havia conquistado. Estamos sempre planejando, tentando entender e aprender com as lições do passado, não nos satisfazendo com o presente e prontos para construir o futuro.
-- Por fim, não poderia deixar de fazer uma pergunta/provocação: você, que sempre declarou admirar e gostar da modalidade, admitiria a possibilidade de treinar uma equipe/seleção no basquete? Isso já passou pela sua cabeça alguma vez?
-- Adoro o basquete como tantos outros esportes, mas não tenho o conhecimento necessário para dirigir uma equipe. No entanto, poder conviver e debater métodos de trabalho com comissões técnicas do basquete e aprender com grandes treinadores seria muito interessante para a minha evolução profissional.
BERNARDINHO: Temos uma equipe multidisciplinar que através de seus conhecimentos e talentos diversos e complementares tenta extrair o que de melhor nossos atletas/time pode oferecer. Hoje temos um manager (ex-treinador das divisões de base), que responde pelas questões logísticas (viagens, hotéis, contatos com jogadores). Temos um "head-coach" (técnico principal), que coordena toda a Comissão Técnica e é responsável pelo planejamento, observação e escolha de atletas, e mentor da metodologia de treinamento e do padrão tático da equipe (forma de jogar em função dos talentos a disposição). Dois assistentes técnicos (momentaneamente apenas 1), que comandam parte dos treinamentos técnicos e estudam, junto ao treinador principal, equipes adversárias. O preparador físico é responsável por tudo o que diz respeito a condicionamento e desenvolvimento das valências físicas dos atletas. Uma equipe médica comandada por um ortopedista e composta por dois fisioterapeutas que se revezam nos cuidados de cura e prevenção de lesões de nossos atletas. Temos ainda um estatística, que além de acumular um enorme banco de imagens das equipes mundo afora, é responsável pela elaboração de relatórios táticos sobre as mais diversas características de nossos adversários. Contamos ainda com o apoio de um médico do esporte e uma nutricionista, que cuidam das questões fisiológicas e da "saúde"dos atletas.
-- Não faz muito tempo, os atletas da NBA tinham uma grande dificuldade em vir atuar pela seleção masculina de basquete, gerando opiniões sobre a falta de comprometimento dos mesmos diante da situação da modalidade. Em contrapartida, sua seleção ganhou tudo, e o melhor jogador de vôlei do mundo, o Giba, recentemente esteve, ao lado do Serginho, disputando uma Liga Mundial em condições adversas na Sérvia. Este nível de comprometimento é individual, faz parte de uma filosofia da comissão técnica que os jogadores devem seguir ou é apenas coincidência?

-- Há de se compor a questão de calendários, se buscar os ajustes, mas sempre tendo como base a motivação e a vontade do atleta em defender a seleção, entendendo que para tudo há um preço a ser pago.
-- Como manter a “motivação” tão alta para uma geração que ganhou praticamente tudo nos últimos oito anos? A zona de conforto é uma de suas maiores inimigas, não?
-- O mais importante é criar a consciência de que as únicas coisas importantes são o próximo ponto e a próxima competição. O preço será cada vez mais alto e não há espaços para zonas de conforto. Se superar permanentemente deve ser a meta de cada um de nós.
-- Há algo ainda mais impressionante neste time que você comanda no vôlei. Os valores éticos e comportamentais que o Brasil tanto necessita estão, em uma escala menor, representados no seu time. Tudo isso vem ao lado de uma taxa de sacrifício impressionante por parte da comissão técnica e dos atletas. Que legado você gostaria que permanecesse após tudo isso?
-- O legado que gostaria que permanecesse dessas gerações de atletas que tive o privilégio de dirigir são: valorização permanente do trabalho, do time e da busca permanente pela excelência. Entendendo que "os fins não podem justificar os meios"-- Quando acabaram os Jogos de Pequim, você apareceu na televisão chorando porque pressentia o final de um ciclo vitorioso. Como foi a retomada do trabalho, qual foi o approach que você usou com a CBV para a renovação, e como este planejamento foi viabilizado, pensando no Mundial de 2010 e nas Olimpíadas de 2012?
-- O choro não se deveu a perspectiva do fim de um ciclo vitorioso, mas ao fim de um grupo que sofreria algum tipo de renovação e portanto não mais seria o mesmo. A despedida de grandes atletas/pessoas, das quais sinto muita falta hoje e o receio que a medalha de prata (creio uma bela conquista) fosse vista como um grande fracasso, colocando em dúvida tudo de tão impressionante que aquele grupo de atletas havia conquistado. Estamos sempre planejando, tentando entender e aprender com as lições do passado, não nos satisfazendo com o presente e prontos para construir o futuro.

-- Por fim, não poderia deixar de fazer uma pergunta/provocação: você, que sempre declarou admirar e gostar da modalidade, admitiria a possibilidade de treinar uma equipe/seleção no basquete? Isso já passou pela sua cabeça alguma vez?
-- Adoro o basquete como tantos outros esportes, mas não tenho o conhecimento necessário para dirigir uma equipe. No entanto, poder conviver e debater métodos de trabalho com comissões técnicas do basquete e aprender com grandes treinadores seria muito interessante para a minha evolução profissional.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
O futuro espanhol
Você leu aqui embaixo que Ricky Rubio, que nem 19 anos tem, está com carreira encaminhada, fruto do bom trabalho de seu país na base. Mas, anotem, vem mais coisa por aí: apostando na rotação dos atletas (dez deles jogaram mais de 14 minutos por partida) e em uma defesa fortíssima (65 pontos por partida, terceiro melhor índice da competição, e apenas 57 arremessos permitidos aos adversários, melhor marca do torneio), a Espanha se sagrou campeã européia sub-16 ao vencer a Lituânia (dona da casa aliás) por 70-64 na final. Parece não ter fim a boa fase do basquete dos caras, hein? Que nos sirva de inspiração!Rubio diz ao DKV que fica
Ao que parece chegou ao fim a primeira parte da novela Ricky Rubio. O armador, draftado pelo Minnesota, da NBA, optou por permanecer mais duas temporadas no DKV Joventut que o revelou, sem que, assim, seja necessário pagar a sua multa (cerca de US$ 5 milhões).A vitória de Ricky também tem outro nome: o do empresário Dan Fegan, que em nenhum momento cogitou que seu assessorado pagasse a multa rescisória. O melhor dos mundos se apresenta, assim, para Rubio: jogará por um time competitivo na Europa, será monitorado pelos futuros técnicos da NBA, e daqui a dois anos pegará um Minnesota remodelado (Kurt Rambis será o técnico) e com mais cara de time.
Mas que os Wolves não se enganem: se não estiverem competitivos, nova pendenga será vista em 2011. Rubio pode ser santo, mas seu agente nem conhece essa palavra.
Simplesmente Bernardinho - Parte 1
Pode parecer estranho que um blog que fala sobre basquete procure um treinador de vôlei para uma entrevista. Não quando este treinador é Bernardinho. Campeão olímpico, bicampeão mundial e com outro punhado de conquistas, o blog decidiu conversar com ele sobre temas que podem, sim, ser pertinentes a uma modalidade que pouco conhece palavras como “gestão”, “liderança”, “evolução”, “obsessão”, entre outras. Por isso, e sem maiores delongas, divirta-se com tanto conhecimento (Bernardinho não precisa de maiores apresentações, né?). Hoje vem a primeira parte. Amanhã, a segunda. As duas, eu garanto, imperdíveis.BALA NA CESTA:Quando falam de você, algumas palavras costumam vir ao lado de seu nome: 'estrategista', 'planejado', 'gestor', 'justo', 'honesto', 'destemido', 'carismático', 'psicólogo' etc. Todas as suas características somadas formam o que os analistas chamam de “líder ideal do século XXI”. Como foi a construção daquele levantador Bernardinho até o comandante Bernardinho, reverenciado e aclamado nos dias de hoje?
BERNARDINHO: As características expostas acima certamente compõem o perfil de um grande líder, que antes de tudo deve buscar o aprimoramento permanente de suas capacidades. Não creio reunir todas essas qualidades, e creio ser um obsessivo na busca da evolução para minimizar tantas das minhas limitações. Creio que o processo de liderança é algo contínuo, onde busco ser justo nas tomadas de decisões, planejar as ações para que atinjamos nossos objetivos, tentar permanentemente entender as pessoas (atletas), para que possa tentar motivá-las e inspirá-las. Leio muito sobre pessoas que levam pessoas ao máximo de seu desempenho, observo e principalmente me questiono permanentemente, visando meu crescimento na função de gestor de equipes.-- Há uma frase que você sempre cita do Michael Jordan que fala sobre “voltar aos fundamentos básicos”. Seus times, em geral, erram muito pouco. Como se dá este cuidado com os fundamentos no dia a dia, e como fazer com que ele (fundamento) não seja visto pelos atletas como algo supérfluo, algo que já sabem fazer sem maiores reparos?
-- Creio que a base de construção de qualquer profissional de sucesso, seja ele atleta ou não, seja o domínio e conhecimento profundo dos fundamentos que compõem e norteiam aquela atividade. Por isso nossa atenção permanente e quase paranóica com treinamento e na cobrança de execução precisa desses fundamentos. O exemplo Michael Jordan ao escolher a Universidade de North Carolina e o técnico Dean Smith é emblemático nesse sentido: ele queria se tornar um jogador completo, bom em todos os fundamentos (que defendesse e também arremessasse bem). Jordan não buscava a fama efêmera que numa escola onde fosse o grande cestinha ele poderia obter.

-- Nos seus dois livros (“Cartas a um jovem atleta”, “Transformando suor em ouro”, além dos comentários no do Michael Jordan “Nunca deixe de tentar”) há inúmeras referências a técnicos, líderes empresariais e jogadores de outras modalidades, sejam elas em filmes, livros, artigos ou revistas. Até que ponto essa sua face “devoradora de conteúdo” lhe é benéfica para comandar os atletas? Quanto de seu dia é gasto com leitura, você consegue mensurar?
-- Gosto muito de ler, principalmente biografias e relatos sobre equipes dos mais diversos esportes. Dependendo da fase, e principalmente em viagens, leio várias horas por dia. Acabei de ler The GM (Tom Callahan), que conta a história do ex-general manager do NY Giants responsável pelo recrutamento do atual quarterback (arremessador) da equipe Eli Manning, já campeão da NFL.
-- Você conseguiria citar os cinco livros que mais influenciaram a sua carreira como técnico?
-- Há vários e citarei alguns apenas alguns sem dizer que foram os mais importantes, mas de qualquer forma bem interessantes: Bo's Lasting Lessons (a história de Bo Schembechler, técnico de futebol americano de Michigan), Beyond Basketball (Coach K), Finding a way to win (BillParcels), How life imitates chess (Gary Gasparov) e Everyone is a coach (Don Shula).
-- O basquete brasileiro vem aparecendo ultimamente nos noticiários mais pelas más campanhas que obtém do que pelos bons resultados. Muito de seu mau desempenho é atribuído à falta de capacidade dos técnicos, quase sempre desatualizados e sem voz de comando perante os atletas. Como reverter isso para transformar este círculo vicioso em um ciclo virtuoso?
-- É difícil analisar de fora as razões do sucesso ou fracasso de qualquer equipe, mas creio que dispomos de grandes treinadores, preparados, estudiosos. Muitas análises foram feitas e medidas estão sendo tomadas pelo que posso observar e pelo que a última Liga Nacional nos mostrou sob o aspecto de organização, planejamento e profissionalismo. Creio que o basquete retomou a estrada correta que o reconduzirá a um lugar de destaque no cenário internacional.-- Talvez seja impossível não traçar uma comparação entre o caso do Ricardinho na seleção masculina de vôlei com o da Iziane na feminina de basquete. Como alguém, vendo de fora evidentemente, interpreta aquela atitude da atleta? Além disso, como você reage em casos de indisciplina como estes? O rigor da punição é sempre a melhor solução?
-- Não há soluções ideais. Há casos, momentos, reações, mas principalmente valores e princípios a serem respeitados evitando transgressões a todo custo. O time e os princípios fundamentais devem estar sempre acima de qualquer individualidade.
domingo, 16 de agosto de 2009
Mil. E uma surpresa
Você, querido leitor, provavelmente não reparou, mas com o texto anterior este blog chegou a incrível marca de 1000 posts desde setembro de 2008, estréia do Bala na Cesta. Por isso, nada melhor do que comemorar com uma entrevista mais do que especial. Nesta segunda-feira, você lerá um papo espetacular com aquele que é, provavelmente, o melhor treinador brasileiro de todos os tempos.
Obrigado a todos pela força nestes primeiros meses de blog. Muito mais coisas virão por aí. É só esperar!
Bola na titia
Chamique Holdsclaw não atuava desde a temporada de 2007 e parecia ter escrito, àquela época, todas as suas páginas como jogadora profissional. Seria o fim de uma das melhores e mais graciosas jogadoras de sua geração, não fosse um pequeno detalhe: Chamique voltaria a atuar dois anos depois. De volta ao Atlanta Dream aos 32 anos, ela lidera o time em pontos (14,8), é a segunda em assistências (2,4) e, pasmem, a primeira em minutos jogados(29,5).Atuando ao lado de jovens talentosas (as brasileiras Iziane e Érika, além da ala-pivô Sancho Lyttle), Chamique rejuvenesce enquanto o Dream ganha experiência e posições na tabela (13-11, agora na vice-liderança do Leste). Ontem, ao vencer o Seattle Storm em casa, titia Holdsclaw marcou Swin Cash (12 pontos apenas), fez nove pontos e viu o seu time triunfar por 88-79, ficando mais próximo da pós-temporada.
Ridicularizada no começo (duvidavam de sua capacidade física e de sua estabilidade mental para seguir atuando em alto nível), na Geórgia todo mundo sabe: na dúvida, bola na titia Chamique que ela resolve.
Uma escolha machadiana
Quando foi escolhido o melhor jogador do campeonato Paulista de 2001, Anderson Varejão, então em Franca, não cansava de dizer que merecia dividir seu prêmio com um rapaz: o armador Fúlvio, que alimentava-o em quadra e que também despontava como uma das maiores revelações do basquete brasileiro. Oito anos depois, Varejão é peça fundamental de um time de ponta na NBA, goza de prestígio em três cantos do mundo (Cleveland, Barcelona, onde jogou logo após) e sabe que é um dos responsáveis pela mudança do basquete brasileiro neste começo de gestão de Carlos Nunes.Mesmo assim, seu ex-parceiro foi preterido para uma das últimas vagas para a Copa América. Em seu lugar entrou Duda, irmão de Marcelinho Machado, cujo prestígio, mesmo sendo tácito, nessa era do basquete brasileiro chega a assustar. Do meu canto e sendo um dos admiradores do basquete de Fúlvio (eu sei de suas limitações e espasmos), continuo sem entender porque o técnico Moncho Monsalve fez um pacto machadiano tão insosso assim. Duda pode até ser bom, mas jamais foi "armador" em suas equipes. Fico com pena de Marcelinho Huertas, que não poderá se dar ao luxo de jogar menos do que "estupidamente bem" em nenhum dos jogos na competição que vale vaga no Mundial.
sábado, 15 de agosto de 2009
Alto-falante
"Ela tem vigor e força, uma ótima pivô. O modo como avança para o contato físico é impressionante. Acertei em convocar essa menina. Ela vai ser muito útil"
A declaração é do técnico Paulo Bassul ao Globoesporte.com, e fala sobre a convocação da jovem Nádia (na foto, abraçada a Helen), de 20 anos, para a seleção feminina que treina em Barueri. Quanta humildade do nosso treinador, hein? Será que algum dia o veremos falar de seus erros também?
Ouro argentino, cinco anos depois
Há exatos cinco anos começavam as Olimpíadas de Atenas para o basquete. O Brasil não estava lá, mas quem acordou naquele 15 de agosto de 2004 não se arrependeu. Viu, de cara, os EUA serem batidos por Porto Rico e, provavelmente, um dos melhores jogos da história da modalidade: Argentina e Sérvia duelaram até a última bola, até o último instante. O herói da noite, que anotaria 27 pontos ao todo, tem nome, sobrenome e um talento do tamanho do mundo. Você conhece esse camisa cinco, esse tal de Manu Ginóbili, não conhece? Então clica no vídeo abaixo e relembre uma de suas mais fantásticas cestas. Os hermanos seriam, treze dias depois, campeões olímpicos com inteira justiça. Mais sobre a conquista em breve no blog.
Opções, opções
Vamos a alguns pontos: a preparação brasileira foi atrapalhada pelas lesões de Baby, Murilo, Marcus e pelo contrato de Paulão. Vi apenas dois treinos e jogos (contra Uruguai e Austrália). Há, evidentemente, um novo momento no basquete brasileiro com o novo comando na CBB. Pronto, agora posso começar: não entendi a convocação final de Moncho Monsalve para a Copa América. Ir com apenas um armador real (Huetas) é de uma temeridade colossal. Contar com apenas três jogadores natos de garrafão (Varejão, Splitter e JP Batista), idem. Tudo bem que Giovannoni, Olivinha (foto) e Tavernari podem fazer a função quatro, mas creio que falte potencial físico neste time. Além disso, dos 12 convocados, quase todos são atletas de "chute", de finalização, deixando as possibilidades de ataque bem mais restritas do que o recomendável. E outra: sem desmerecer a nenhum dos dois, colocar, em um pré-Mundial, Diego e Duda no mesmo grupo parece piada. Para ser sincero, tampouco acredito que o próprio Olivinha (2,02m e sem deslocamento lateral algum para defender!) seja útil em nível internacional, mas acho que vale a aposta devido ao seu bom ano recente. Eu, pessoalmente, teria optado por Teichmann (para queimar mais faltas) ou até mesmo Bruno Fiorotto.
Não creio que a classificação esteja em perigo, mas Moncho Monsalve já poderia pensar em formar alguma coisa parecida com um grupo para o Mundial da Turquia. Mais uma vez a nossa preparação é falha. Uma vez mais a nossa execução durante a fase de treinamento é temerária. Resultados, até onde se sabe, são a fusão se preparação e execução. Vamos ver aonde isso vai dar.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Mais um Mundial fora
Está virando rotina isso, hein. Mais uma seleção brasileira ficará fora do Mundial de sua categoria. Desta vez será a feminina sub-16, que, comandada por Cesar Guidetti (foto), levou uma surra de 64-47 (30-11 no primeiro tempo!) da Argentina na disputa pela última vaga para o Mundial do próximo ano. O time termina em quarto na Copa América do México, atrás de americanas, canadenses e argentinas (ou seja, fomos os últimos entre os que sabem o que é uma bola de basquete!).Fica a observação: mais uma geração das hermanas consegue bater um time brasileiro, algo que não acontecia em hipótese alguma até pouquíssmo tempo atrás (o mesmo, diga-se, ocorrera no Mundial Sub-19 da Tailândia 20 dias atrás). Agora uma pergunta: o que a CBB está esperando para agir fortemente nas comissões técnicas e em seus programas de base? As jogadoras, decididamente, não têm a menor culpa. Se não capacitarmos os nossos treinadores, comissões técnicas enfim, será complicado reverter esse quadro.
Nada de Jordan no Brasil
Acabo de receber um email da Gatorade Brasil, e sou informado que as garrafas com as estampas de Michael Jordan não serão vendidas por aqui. Uma pena, decididamente.
Mais de MJ
Lembram que falei sobre o Museu de Michael Jordan, que o Hall da Fama lançou na semana passada? Esta é uma das imagens do local, que nomeou a exposição como 'Become Legendary: The Story of Michael Jordan'. Dá vontade de conferir, não dá?Fulvio cortado
De acordo com fontes que merecem todo o meu respeito, o espanhol Moncho Monsalve cortará mesmo o armador Fulvio, deixando apenas Huertas como o único "1". Duda e Diego, portanto, viajariam a Porto Rico. Vamos aguardar, mas a fonte é quentíssima!
Amanhã, aliás, eu comento as opções de Moncho, ok?
Sem resposta
Allen Iverson teve, aos 34 anos, a sua pior temporada na NBA. Seus números? Ótimos 17,4 pontos (menor marca da carreira e a 49º melhor da liga), 3,1 rebotes e 4,9 assistências por um combalido Detroit Pistons. Com passe livre e sem querer ficar em Michigan, onde também não o querem diga-se de passagem, o MVP de 2001 está sem emprego. E o próximo campeonato começa em menos de quatro meses. O mundo dá voltas, como se vê.Parece claro que aquele Iverson do Philadelphia, inquieto, genial, participativo durante os 48 minutos, não existe mais - o que não é demérito algum, mas reflexo da sua idade e do jogo, que mudou bastante de alguns anos para cá. Mas eu creio que o camisa 3 ainda tenha vaga em mais da metade das franquias na NBA (nos Sixers, onde jogou e amou, inclusive), seja como estrela ou como jogador de composição de elenco. O que mais me preocupa, sinceramente, é ver como aquele jogador querido e amado por todos hoje não encontra espaço para mostrar o seu lindo basquete, e isso é triste demais.
E você, contrataria Allen Iverson para o seu time da NBA? Ainda acha que o cara pode ser útil? A caixinha está aberta!
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Teichmman e Jefferson são cortados
O técnico Moncho Monsalve cortou hoje os alas Guilherme Teichmman e Jefferson William. Com isso, parece que Diego, Duda e Fulvio disputam duas vagas, pois Huertas, Tavernari, Leandrinho, Marcelinho, Splitter, Varejão, Giovannoni, Olivinha, Alex e JP Batista parecem confirmados na Copa América.E aí, gostou da opção de Moncho? Temos, agora, 13 treinando para 12 vagas! Comente na caixinha.
Pelo sonho
O Atlanta Dream perdeu um duelo importante no sábado, em sua casa e para um rival direto na briga por vaga nos playoffs (o Chicago Sky fez 82-80). Mesmo assim, sua campanha é boa (11-11 e quatro vitórias nos últimos jogos) e o que vem por aí é ainda mais fundamental. A partir de hoje a franquia de Érika (foto) e Iziane enfrenta, em casa, o Detroit (9-11), o Seattle de Lauren Jackson (vice-líder do Oeste com 13-9), o San Antonio (10-12 e também brigando por vaga na pós-temporada), Los Angeles (com Candace Parker, Lisa Leslie e Tina Thompson) e Sacramento. Conseguir quatro triunfos parece básico para quem quer conquistar algo que nunca conquistou: uma vaga na elite da WNBA.
E é bom não dar mole, porque depois do "rodeio" em casa o Atlanta faz seis de seus sete últimos jogos na temporada regular longe de seu ginásio. Se quiser chegar longe, o segundo ataque mais positivo da liga (83 pontos) precisa errar menos (17,8, o máximo do torneio) e defender melhor (apesar do aproveitamento das rivais ficar em 41%, o que é bom, o time leva 81 pontos por partida). Se conseguir isso, terá sucesso em sua empreitada, e o sonho do Dream poderá se realizar em setembro, quando começam os playoffs.
Alto-falante
A declaração é de José Luís Sáez, presidente da Federação Espanhola de Basquete ao site Encancha. Lá ele fala sobre a renovação forçada a que sua seleção feminina passará para os próximos anos - principalmente para não "matar" suas futuras gerações.
Por aqui, Paulo Bassul segue apostando em suas "balzaquianas" (Mamá, Chuca, Adrianinha...). O Bert também escreveu sobre isso, aliás. Talvez isso explique o tamanho da diferença entre o que se pensa e se faz sobre basquete, planejamento e cuidado com as categorias de base entre Brasil e Espanha. São dois mundos muito distantes, não?
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Mudanças na CBB
Em assembléia realizada nesta segunda-feira no Rio de Janeiro, 24 das 27 federações assinaram o novo estatuto da CBB. Abaixo as principais novidades:- Só poderá haver uma reeleição;
- As eleições acontecerão em fevereiro (era em maio), com as inscrições das chapas podendo ser feitas até 30 dias antes;
- O cargo de vice-presidente será ocupado por uma pessoa indicada, mas futuramente haverá eleição para o cargo;
- O Conselho Consultivo será formado por oito integrantes, representando as quatro regiões (Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul/Sudeste);
- A administração não poderá assumir compromissos financeiros que ultrapassem o período do mandato.
E aí, gostou das mudanças? Comente na caixinha!
Recicle esta idéia
"O Estadual de São Paulo terá uma série de ações de entretenimento, esporte escolar e palestras de marketing e legislação esportivos nas cidades que receberão os jogos. Haverá rodadas duplas, com os principais confrontos masculinos e femininos". O trecho reproduzido aqui neste blog é de uma matéria da Folha de S. Paulo de ontem, e fala sobre o modelo que será adotado no próximo Paulistão de vôlei. A reportagem assinada por Mariana Lajolo ainda fala que desde o "ano passado a entidade (CBV) começou a intervir na administração da Federação Paulista. Os funcionários passam por um processo de reciclagem e todo o planejamento no principal Estadual do país foi revisto".Se a CBV de Ary Graça (foto), considerada a confederação do esporte mais bem organizado do país, ajuda a uma Federação que tem dificuldades em organizar os seus eventos, fica claro que a entidade máxima do basquete precisa fazer alguma coisa pelas suas (federações) também. O Paulista Feminino, que terminou recentemente, foi triste, e o próximo, caso nada seja feito, deve "repetir o feito". O Nacional Feminino, produto máximo da CBB, nem data marcada tem. Fica, portanto, uma singela e triste pergunta: quem ajudará a Confederação de Carlos Nunes (foto abaixo) então?

A resposta é simples também: só ela mesma pode ajudar o basquete a se reerguer. Se não modificar as suas estruturas e cobrar estudo e capacitação de seus profissionais, a CBB jamais chegará aos pés do vôlei ou de qualquer esporte sério e organizado. Confusa e sem idéias criativas há algum tempo, do jeito que está a Confederação não pode visualizar nada de diferente de suas "subordinadas". Repito: se quisermos ver coisas diferentes no basquete, é bom que todos estudem, se capacitem, pensem de forma diferente. Uma aulinha com a CBV não faria mal.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Uma imagem rara
Este rapaz, com a camisa 34 de Bradley, é Marcel de Souza, um dos maiores jogadores de basquete que este país já produziu. O ala atuou pelos Braves nas temporadas de 1975 e 1976, integra o "Hall of Fame" da Universidade e obteve média de 14,2 no quinteto titular do time. Trinta e três anos depois, Marcel foi convidado por Jim Les, atual técnico da equipe, para estar ao seu lado no banco de reservas durante a Copa EPTV, que acontece a partir de amanhã, em São Carlos. Bem legal, né?Gatorade lança 'Jordan Series'
Uma das parceiras mais antigas de Michael Jordan, a Gatorade está aproveitando a nomeação do rei do basquete para o Hall da Fama (11 de setembro) para capitalizar um pouco também. A empresa lançou recentemente a edição limitada da Jordan Series com seis rótulos diferentes. A campanha publicitária também merece destaque. Você, que clicará abaixo, verá um mosaico feito com cerca de 14.641 garrafinhas. Vale a pena conferir. O resultado é sensacional.Tudo pelas vitórias
Danny Granger estava meio sonolento no Basketshow do Maracanãzinho. Talvez por isso tenha começado a entrevista coletiva pós-partida meio monossilábico e sem sorrir, sua marca registrada. Mas Danny, maior ídolo da cidade de Indianápolis (cidade que respira basquete) depois da aposentadoria de Reggie Miller, também sabe falar, e falar bem. All-Star da NBA em 2008-2009 mesmo jogando pelo fraco Indiana Pacers e jogador que mais evoluiu na liga (o rapaz é o primeiro jogador na história da NBA a aumentar, por três vezes seguidas, sua média em pelo menos cinco pontos), ele conversou com o Bala na Cesta logo depois do encontro com a imprensa.BALA NA CESTA: O que você achou do evento? Pretende voltar?
DANNY GRANGER: O jogo e o show foram espetaculares. É a minha primeira vez no Brasil, e gostei muito. As pessoas aqui são animadas, há opções incríveis de lazer e a cidade do Rio de Janeiro é sensacional. Ontem fomos ao Corcovado e fiquei empolgadíssimo!

-- Falando sobre a sua temporada em Indiana, você terminou com 25,8 pontos (quinta melhor marca da liga), além de 5,1 rebotes, 2,7 assistências e 22,25 de eficiência, ótimas médias para um jogador que cresceu muito nos últimos anos. De todo modo, seu time terminou com apenas 36 vitórias e longe dos playoffs. Como conjugar desempenho individual com evolução da franquia?
-- Não é fácil, realmente. Tornei-me o jogador que mais evoluiu em 2009, é um grande acontecimento, mas sei que ainda preciso evoluir ainda mais, principalmente no meu controle de bola e o no meu passe. De todo modo, quero levar meu time a um estágio diferente. Quero disputar um playoff para, em seguida, chegar ao título. É isso que pretendo. Não vou sossegar enquanto não conseguir, porque sei que só vou render o meu melhor em times vencedores. Não quero ser uma estrela em um time perdedor. Isso não combina comigo.
-- Mesmo assim, o seu time, com o Larry Bird como general-manager, não contratou jogador de peso para a próxima temporada. É um pouco frustrante, não?
-- O Bird é um cara sensacional, que nos encoraja, nos faz melhores a cada dia. É um ídolo, e o respeitamos muito. Sobre as contratações, eu esperava, sim, que houvesse maior movimentação, mas acho, também, que temos um bom time e uma grande estrutura. Podemos chegar mais longe se todos evoluirmos em termos coletivos. Acredito fielmente nisso. E tem mais: na NBA tudo muda muito rápido. Com dois ou três jogadores tudo se transforma muito rápido. O Boston Celtics de 2008 é o melhor exemplo disso – trouxeram Ray Allen, Kevin Garnett e ganharam um título. É só uma questão de contratar mesmo, fato que faz parte da vida do General-Manager, não?-- Sobre o estilo de jogo de seu time, o que mudou com a chegada de Jim O’Brien, em relação ao antigo treinador (Rick Carlisle, hoje em Dallas)?
-- O Rick é um técnico que gosta mais de controlar o jogo, de ter tudo muito estudado. Por ter um arremesso “confiável”, creio que o estilo run’n gun (contra-ataque e arremesso rápido) do Jim O’Brien me facilite mais. Gosto de jogar assim, e creio que possamos ter sucesso desta maneira. Somos jovens, atléticos e o povo de Indiana gosta de nos ver atuando com essa coragem (neste momento, um torcedor norte-americano do Indiana aparece e começa a falar da pressão que se tem para que os Pacers voltem a ser grandes – e Granger ri educadamente).

-- Aqui no Brasil muito se discute se esta filosofia do run’n gun pode dar resultados práticos em termos de títulos. Você acha que é viável ganhar um anel jogando assim?
-- Claro, claro que pode! O Phoenix Suns não ganhou por muito pouco, e jogava neste estilo. Mas isso não pode impedir que um time jogue boa defesa. São coisas diferentes. Na NBA, para vencer você precisa ser duro e consistente o tempo todo. Pode correr no ataque, mas precisa se esforçar na defesa também. Do contrário, nem aos playoffs chegará.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Alto-falante
O pedido, feito ontem por um jovem torcedor no Maracanãzinho, na verdade tinha outro endereço, a pivô Kelly. A jogadora não se fez de rogada, riu um bocado, se apresentou e assinou o papel do menino: Kelly.
E o vencedor é...
Quem ganhou a camisa e a peruca de Anderson Varejão foi Gabriel Silveira Rossato, de Ribeirão Preto. O sorteio foi realizado na tarde de domingo, com a auditoria da Balassiano's Young and Family (o Gabriel, que enviou o 29º email ao Bala na Cesta, teve seu número retirado pelo papai, em homenagem ao seu dia de ontem).
Parabéns a ele e obrigado a todos que participaram da promoção. Em breve mais sorteios virão.
Um gênio chamado Gherardini
Maurizio Gherardini é o que se pode chamar de empreendedor. Banqueiro bem sucedido, a vida do italiano de 54 anos mudou quando, em uma viagem de negócios a Saint Louis (EUA), viu que o basquete poderia ser mais divertido, e tão rentável quanto, que a vida atrás de coeficientes macroeconômicos. Até se tornar assistente de general-manager do Toronto Raptors (NBA), função que exerce com maestria na atualidade, Gherardini fez de tudo: traduções de livros de basquete para o italiano, organização de clínicas para treinadores europeus, gerenciou equipes (seu trabalho mais conhecido foi com o Benneton Treviso, franquia mais popular e uma das mais vencedoras da Europa) e ministrou inúmeras palestras sobre liderança, gestão empresarial e trabalho em equipe. À frente do projeto da Confederação do Canadá para transformar o basquete do país, ele conversou com o Bala na Cesta por e-mail sobre a próxima Copa América e sua carreira.BALA NA CESTA: Como é seu trabalho com a seleção canadense?
MAURIZIO GHERARDINI: Sou o general-manager do time adulto desde novembro, e meu trabalho é coordenar tudo, dar idéias e sugestões. Minha primeira iniciativa foi ligar todas as divisões de base ao time principal. Precisávamos ter uma “fotografia” mais homogênea e organizada do nosso basquete. Como Confederação, temos que criar as condições ideais para que isso aconteça. Infelizmente o nosso principal jogador, o Steve Nash, se aposentou do time nacional e temos que investir nos jovens que um dia poderão nos trazer retorno. De todo modo, o Nash faz parte do nosso conselho de excelência, trazendo o seu conhecimento e mais peso para o nosso movimento. Creio que estejamos no caminho certo.

-- Com experiência na NBA e na Europa, você já conseguiu detectar as principais diferenças entre esses dois mundos? E aonde o Canadá se insere nesse “mundo do basquete”?
-- A experiência internacional e a da NBA são completamente diferentes. Na NBA, por exemplo, o conceito é mais comercial, e difere do modelo esportivo e “clubístico” europeu. Nos EUA eles prezam muito essa parte, e por isso os jogos vêm sempre recheados de muita carga emocional – porque vende mais. O Canadá é meio que um híbrido entre essas duas características, porque o modelo escolar é parecido com o da NCAA, mas a liga entre os clubes ainda não tem o status econômico da norte-americana.
-- O que podemos esperar do Canadá na Copa América? No Pré-Olímpico da Grécia, no ano passado, houve muitos problemas de indisciplina, inclusive com o Dalembert, pivô da NBA...
-- Nós somos franco atiradores querendo competir com uma boa defesa e trabalho coletivo. Não temos jogadores da NBA, com exceção de Joel Anthony (Miami Heat), muito menos estrelas na Europa, mas acredito que estamos criando uma boa química para mostrar 101% do nosso potencial e tentar uma vaga no Mundial. Sobre o caso citado, todos sabem que sou um cara exigente e severo em relação a disciplina e trabalho em equipe. Gosto de lidar com bom senso em todas as situações, mas também admiro o sentido de “time” que essa palavra tem. Ou seja: todos devem aceitar as regras que lhes são impostas.

-- Você provavelmente acompanhou a recente crise envolvendo a Confederação Brasileira por conta de um suposto pobre planejamento estratégico. Se pudesse dar um manual de como ser um bom general-manager, o que diria?
-- As situações variam muito de um lugar para o outro, e seria muito simplista se dissesse que existem “regras básicas”. Mas digo que a primeira coisa que você precisa fazer é entender a situação em que seu país se encontra, para só depois “tirar uma boa fotografia” da situação. Para isso é importante ser o mais flexível possível, sem esquecer do objetivo principal. E o objetivo principal é aquilo que você não pode perder de vista, aconteça o que acontecer. Ah, e é importante usar o bom senso que mencionei antes (risos).
-- Muitos rumores dão conta de que você será o primeiro não-americano a gerenciar uma equipe da NBA. Como você analisa essa situação? E quando veremos um europeu como técnico da liga? O Ettore Messina, seu amigo, seria um bom nome, não?
-- Não sei, mas barreiras existem para serem quebradas. Espero que cedo ou tarde um técnico estrangeiro possa dirigir uma equipe da NBA. Mas não posso considerar o Mike D’Antoni um técnico americano, porque ele passou muito tempo na Europa e é influenciado por todos os conceitos que aprendemos por lá. O Messina é um dos maiores técnicos de todos os tempos, e sem dúvida pode treinar em qualquer lugar. É um grande professor, um treinador exigente e um ganhador nato. É só uma franquia chamá-lo...
-- Para finalizar: como você espera o Toronto Raptors na próxima temporada? Vocês contrataram o Turkoglu para tentar segurar o Chris Bosh, que pode ser um agente-livre em 2010, não?-- Estamos satisfeitos com o plantel que teremos na próxima temporada. Turkoglu foi uma contratação decisiva, e posso dizer que DeMar DeRozan (calouro da USC) e o Jarret Jack (recém-contratado) terão papéis importantes em nosso time no próximo ano. Considerando que teremos a evolução do Bargnani, a liderança silenciosa do José Calderon e potencial do Chris Bosh, acho que teremos um campeonato bem interessante. Tomara que sejamos bons o suficiente para que a decisão do Bosh sobre permanecer ou não conosco se torne mais difícil...
domingo, 9 de agosto de 2009
Varejão no mangá
Um dos momentos mais legais do Basketshow de hoje de manhã no Maracanãzinho foi quando Mauricio de Sousa apareceu no telão do ginásio para anunciar uma possível parceria com Anderson Varejão. Na coletiva de imprensa, logo após a partida, o ala-pivô dos Cavs confirmou as conversas com o criador da Turma da Mônica. Duas possibilidades estão sendo negociadas: que Varejão apareça junto com o Cebolinha e seus amigos, ou que o jogador tenha a sua própria história.O valor da organização
Voltei há pouco tempo do Maracanãzinho, onde vi o Basketshow, jogo beneficente promovido por Anderson Varejão e Leandrinho (o time deste venceu o duelo por 116-110). Além da presença do simpático Mike Brown, vale a pena destacar a organização da festa. Muita animação, presença de atletas de outras modalidades (Emanuel, do vôlei, Diego e Danielle Hipólito, da ginástica, e Buru, do futebol de areia) e o sistema de som funcionando a todo vapor. Sinceramente: eu não me lembro de ter visto um evento tão bem organizado como estes em terra nacional.Creio que estamos entrando em uma nova era por aqui em termos de organização de evento e respeito aos fãs. Na sexta-feira, no primeiro dia do Super Four de seleções, já havia notado a mesma tendência, e é bom notar que a CBB também anda se preocupando com isso. Muita preocupação com os detalhes que parecem bobos (entrada dos torcedores, área de imprensa, sanitários, etc.), prêmios para o público e animação. Não tem jeito: se o objetivo é trazer de volta um público que o basquete perdeu, que passemos a tratar os já consumidores e os consumidores em potencial com carinho e respeito. Eles são tão importantes quanto as enterradas de Varejão e os tiros de Leandrinho.
Perspectivas
O leitor Dennis esteve em São Paulo e assistiu a um treino da seleção feminina contra o cadete do Paulistano. O seu relato, me enviado por email, merece um post. Segue abaixo:"Fábio, vi que você não comentou os dois amistosos da Seleção Feminina contra o Cadete Masculino (Palmeiras e Paulistano). Foram duas surras, sendo que do Paulistano foram quase 100 pontos (96 x 74 se não me engano).
Nos comentários você falou não consegue avaliar o jogo entre sexos diferentes. Porém eu consigo ver muitos erros de base nas meninas: falta muito fundamento, estilo de jogo, jogadas (vi o time "chamar" apenas duas), técnicas defensivas, e por aí vai.
Fui ver apenas o jogo contra o Paulistano e vi um jogo muito "mamão com açúcar", em que os garotos não foram para cima (claro que para não machucar), mas marcaram bem, colocaram pressão e as meninas em vários momentos se perderam na quadra. Imagine se os garotos jogassem para valer tanto no ataque quanto na defesa...
Se continuarem a jogar como estão, os próximos anos serão sofríveis para nós, amantes do Basquete.
Dennis Oliveira da Silva".
O dilema de Moncho Monsalve
Moncho Monsalve não pestanejou ao falar de seu maior problema para escolher os 12 que irão a Copa América. Na entrevista coletiva após a vitória contra o Uruguai, o técnico disse que anda cortando um dobrado para decidir quem será o armador reserva de Marcelinho Huertas. Fulvio e Duda disputam a posição, que só deve ser definida após os treinos em São Paulo.De acordo com Moncho, sua predileção pelo agora contundido Manteiguinha se valia pelo aspecto técnico: o armador do Joinvile cadencia mais o jogo do que Fulvio, Duda e o próprio Huertas, que ainda vacila um pouco quando o jogo de meia quadra lhe é exigido. Com Fulvio a seleção ganha em imaginação, mas também padece de consistência (o cara some que é uma beleza!) e de arremessos confiáveis. Com Duda o time ganha em explosão, mas perde em criatividade, já que o alinha do Flamengo não é um "armador típico", como demonstram as suas já conhecidas loucuras dos amantes do basquete brasileiro.
A decisão é de Moncho, mas a caixinha está aberta para você: Se fosse o espanhol, quem você levaria para ser reserva de Huertas em Porto Rico? Fulvio ou Duda?
Basketshow no Maracanãzinho
Estarei no BasketShow, evento que Leandrinho e Varejão organizaram no Maracanãzinho e que acontece neste domingo. Logo depois eu coloco algo por aqui. Shawn Marion, Drew Gooden, Danny Granger e o técnico Mike Brown por lá estarão, além das feras brasileiras. Promete ser um ótimo evento. A TV Globo, o Sportv e a ESPN-Brasil exibirão, às 11hs.
Outro passo
A seleção bateu a Austrália por fáceis 95-67 e se sagrou campeã do Super Four, disputado no Maracanãzinho sob uma organização impecável (posteriormente um post sobre isso, ok?). Tudo bem que ainda vimos muitos erros de lances-livres (sete, em 20 tentativas), uma defesa de perímetro sofrível (11-25 dos rivais) e que o vício das bolas de três voltou (6-19, sem a menor necessidade para tal), mas os números de erros diminuíram (cinco apenas), quatro rapazes fizeram mais de 10 pontos e a concentração foi acima da média. Ótimo saldo, portanto!O título, esperamos, deve servir para dar uma taxa extra de confiança para a Copa América. Mas sem muito entusiasmo: os cinco que jogam na mesma quadra e com a mesma camisa (hoje a azul) ainda precisam jogar como um time por 40 minutos. Assim seremos confiáveis, e letais contra qualquer adversário eu diria. Poucas seleções do mundo possuem um elenco com Huertas, Leandrinho, Giovannoni, Varejão e Splitter, com Alex, Tavernari, JP Batista e (quem sabe um dia) Paulão. Este, aliás, será outro tema abordado futuramente.
sábado, 8 de agosto de 2009
Izabela e Tayara são cortadas
Não dá para falar muito sobre organização quando leio no Globoesporte.com que a pivô Alessandra agora vai jogar pela seleção feminina (uma semana antes ela havia enviado um email pedindo a sua dispensa). Sinceramente, não teço mais nenhum comentário a este respeito.De todo modo, continua a preparação da seleção feminina em Barueri. Mantendo-se fiel ao seu estilo de não renovar o time e rezando na cartilha que lhe valeu o "ótimo" 11º lugar em Pequim, o técnico Paulo Bassul cortou, nesta sexta-feira, a ótima ala Izabela (22 anos) e Tayara (26). Com isso, das 24 atletas que o treinador havia convocado inicialmente, duas não se apresentaram (a "rebelde" Iziane e Érika, que joga na WNBA e ainda tem chances de atuar com a camisa amarela), uma saiu por lesão (Flavia Luiza), três já haviam sido cortadas (Clarissa, de 21 anos, Jaqueline, de 23, e Mariana, de 24) e outras duas saíram ontem. Restam, portanto, 17 para 12 vagas.

Chegamos, assim, a um genioso pensamento do nosso treinador: das 12 meninas que estiveram em Pequim, apenas Grazi (machucada), Êga e Claudinha (aposentada da seleção) não deverão disputar a Copa América. Nove "olímpicas", portanto, têm chances viajar a Cuiabá (Franciele, Karla, Karen, Chuca, Mamá, Beling, Adrianinha, Kelly e Micaela) e as duas veteranas se juntarão ao grupo (Helen e Alessandra) evidentemente. Sobrariam, assim, duas vagas. Nadia (foto à direita), Natalia, Karina Jacob, Silvia Gustavo e Palmira correm contra o tempo, e contra a tesoura cega de Bassul.
Aí sou eu que faço uma pergunta: se as jovens atletas do Brasil não podem ganhar experiência e tempo de quadra enfrentando "potências" como Chile, Venezuela, República Dominicana e Canadá, quando é que elas atuarão em jogos internacionais pela seleção? Com 45 anos de idade e na categoria Masters? Que fase, hein, Bassul!
NBA na Lagoa
Acabo de voltar da Lagoa Rodrigo de Freitas, onde os jogadores da NBA que se apresentarão no Basket Show deste domingo (11hs, com transmissão da Globo, Sportv e ESPN-Brasil) bateram uma bolinha com cerca de 50 jogadores de fim de semana. Shaw Marion e Drew Gooden eram os mais animados. A brincadeira durou menos de uma hora, mas foi divertida.
Alto-falante
"Vinte e um anos de basquete profissional, cinco olimpíadas, seis anos como capitão da minha seleção e um título da NBA com o San Antonio Spurs"Foi assim que o australiano Andrew Gaze respondeu a este blogueiro aqui sobre qual havia sido a sua preparação para assumir o cargo de assistente técnico da seleção de seu país há dois anos. Pode ser um acaso, mas a Austrália, com Gaze no banco, venceu a Argentina alguns minutos depois.
Excelente largada
Todo mundo sabe que o Uruguai está longe de ser uma potência do basquete mundial, mas uma coisa precisa ser dita: a seleção brasileira, que massacrou a celeste por 100-63 na abertura do Super Four no Maracanãzinho, teve uma atuação bem acima da média nesta sexta-feira. E, apesar de não servir de parâmetro nem de nada muitíssimo animador, ao menos traz uma grande esperança de dias melhores!Se teve 18 erros e 11-20 dos lances-livres, fatores que irritaram Moncho Monsalve, mostrou qualidades que nenhum time nacional demonstrava há séculos: organização tática, defesa apurada em alguns momentos (13-0 no começo do terceiro período), concentração (apesar de alguns normais lapsos) e uma incessante troca de passes no ataque (32 assistências para 58 arremessos convertidos e apenas 15 bolas de três pontos tentadas - quase nenhuma forçada!).
Individualmente eu gostei de ver Anderson Varejão (19 pontos, 11 rebotes e uma atitude defensiva inacreditável), Leandrinho (18 pontos), Giovannoni (15 pontos, cinco rebotes e excelente posicionamento nos dois lados da quadra), o lúcido Huertas na armação e Jonathan Tavernari (3-3 nos chutes e oito pontos). Deixo uma menção especial a Alex Garcia, cuja vontade e dedicação impressionam até mesmo aos que pouco o conhecem, como Moncho Monsalve. Na entrevista coletiva o espanhol fez loas ao seu armador com palavras emocionadas e carinhosas sobre a atitude de seu camisa 8. Alex é a mola de uma seleção que ainda quer ser vencedora.
Que sirva de lição para as próximas partidas e principalmente para a Copa América: defendendo bem e atuando com a mesma solidariedade no ataque, o Brasil volta com uma vaga para o Mundial com o pé nas costas. Mais importante: jogando como um time, como há muito não fazíamos. E com o elenco que temos é de se ficar bastante animado com tal possibilidade.
Zebra australiana
Quem esperou para ver o jogo de fundo do Super Four viu uma grande zebra: a Austrália, de Nathan Jawai (pivô que quase não joga na NBA mas que fez 22 pontos nesta noite no Maracanãzinho), precisou de duas prorrogações para consumar a vitória contra a Argentina de Luis Scola (11 pontos em módicos 21 minutos) por 110-107. Neste sábado, ao contrário do que todos esperavam, a seleção brasileira não terá os hermanos pela frente - o técnico Moncho Monsalve, em sua coletiva e sem intenção de menosprezar ninguém, já dava como certo o confronto contra Sergio Hernandez , ignorando a possibilidade de triunfo dos australianos.Em rápida conversa comigo, Hernandez demonstrava preocupação sobre a atual fase de sua seleção. Quando perguntei-lhe como estava o seu time, sua resposta foi seca e direta: "Meu time? Ainda procurando ser um time". Quando também questionei sobre a presença de Pablo Prigioni, Hernandez coçou a cabeça, deu uma "bufada" e disse: "Amigo, estou em uma situação delicada: se ele não tiver situação de jogar, não o levaremos evidentemente. Mas se ele possuir condições legais, ele estará sem ritmo de jogo, mas ao mesmo tempo não possuímos nenhum armador com tanta experiência. O que você faria?".
Eu repasso as perguntas aos amigos do blog. A caixinha está aberta.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Brasil larga bem
Em breve faço um post mais fundamentado, mas, enquanto isso, faço um breve espaço para comentários: o Brasil passou fácil pelo Uruguai (100-63), com ótima atuação de Varejão e bom padrão de jogo. Gostei do que vi, e principalmente do que ouvi de Moncho na coletiva. Já, já eu retorno.
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