sábado, 23 de abril de 2011

Alto-falante

"Estava muito tranquilo porque meu time fazia em quadra exatamente o que estamos treinamos a temporada inteira. Nem a mais nem a menos. Meu time é isso aí mesmo: marca demais e não faz loucura no ataque"

A frase é de Julio Lamas, genial técnico do Obras Sanitárias, em resposta à pergunta deste blogueiro sobre a sua calma durante a partida contra o Pinheiros na quinta-feira à noite na capital paulista. Lamas estará aqui na segunda-feira, com uma entrevista completa e recheada de coisas interessantes. Craque da prancheta esse Lamas, não?

Só confronto equilibrado

Com rodada dupla no Sportv a partir das 18h30 (primeiro com Uberlândia x Brasília e depois com Joinville e Pinheiros) a fase quartas-de-final do NBB3 começa neste sábado (formato de 1-2-1-1). Abaixo a análise de cada confronto (Franca, Pinheiros, Brasília e Flamengo têm mando de quadra), e os meus palpites.

FRANCA X SÃO JOSÉ - Os francanos estão empolgados, descansados e terão o mando de quadra. São José, a força de um elenco que bateu o forte time de Limeira. Promessa de muita defesa (Hélio Rubens e Régis Marelli).
MEU PALPITE: Franca avança com suados 3 a 2.

PINHEIROS X JOINVILLE - O Pinheiros precisa curar a ressaca após a perda do Interligas, pois do outro lado estará o empolgado Joinville (virou a série contra o Minas jogando seu melhor basquete na competição até aqui). Se conseguir ter apoio da torcida como na quinta-feira, os paulistanos ficam ainda mais fortes.
MEU PALPITE: Pinheiros passa com 3 a 2.

BRASÍLIA X UBERLÂNDIA - É o duelo dos ex-companheiros, né. Valtinho e Estevam foram campeões por Brasília ano passado, e agora terão o trio Nezinho-Alex-Giovannoni pela frente. Será, sem dúvida, o maior teste da carreira de Chuí, que deu nova vida em Uberlândia.
MEU PALPITE: Os candangos vencem a série com 3 a 2.

FLAMENGO X BAURU - É o confronto de um time organizado (Bauru) contra um que se perdeu durante a competição, de dois ótimos chutadores (Marcelinho e Fischer)e de duas fanáticas torcidas. Se conseguir defender bem o camisa 4 do Flamengo, Guerrinha e seus comandados passam a ter alguma chance.
MEU PALPITE: Flamengo sofre, mas faz 3 a 2.

E você, concorda comigo? Comente na caixinha!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Sobre o Pinheiros

Foi a primeira vez que pisei no Pinheiros (já havia jogado no ginásio da Hebraica, que fica ali do lado), que este ano completará 112 anos (em 7 de setembro). Convidado pelo clube, passei praticamente todo o dia (cheguei ao meio-dia, saí às duas da manhã) visitando as dependências e ouvindo as experiências de um dos que fazem aquele gigante acontecer, o Rossi, diretor de esportes olímpicos e um mestre-de-cerimônias de primeira. Veja mais fotos aqui.

Localido no Jardim Europa (perto do Shopping Iguatemi), o Pinheiros ocupa uma área superior a 170 mil m² (é sério!) e tem absolutamente tudo em termos esportivos, sociais e até educacionais (há uma escola primária dentro do clube). Isso sem falar no museu (meu Fluminense não tem...). Há pista de atletismo, piscinas, alguns restaurantes (cinco? seis?) e uma infinidade de quadras - isso tudo cercado de árvores de todos os lados (se eu fosse maldoso diria que nem parece São Paulo...). Isso, claro, sem falar no esporte de alto rendimento, que rende medalhas olímpicas e reforça o orgulho dos pinheirenses a cada dia.

Também tive o prazer de conhecer Thelma Tavernari (entrevistada por aqui essa semana), uma das arquitetas de um dos melhores projetos de formação esportiva do país. Foi, sem dúvida, um dia muito agradável, dentro de um clube absurdamente organizado (parece que tudo funciona), imenso e que deve servir de espelho para os demais do país.

Sobre a final do Interligas

É óbvio que o Pinheiros poderia ter vencido a final do Interligas na noite de ontem em São Paulo (com ginásio cheio, uma beleza!). Teve bons momentos (no final do primeiro período principalmente), mas pecou como quase todo time brasileiro peca: na marcação, nas escolhas erradas de seu treinador e na precipitação do ataque.

No sistema defensivo, o primeiro fator se mistura com o segundo. O Pinheiros encaixou bem a marcação individual no começo do jogo, chegou a liderar por seis, oito pontos, mas inexplicavelmente João Marcelo Leite mudou para uma defesa por zona. Resultado: duas bolas de três seguidas, o Obras de novo no jogo e a confiança de volta ao time argentino, que venceria o segundo período por fáceis 22-12 (houve uma sequência de 19-4). Além disso, JML leu mal a partida quando manteve, ao mesmo tempo, Marquinhos (que não marca absolutamente nada!) e Shammel em quadra. Claramente eles estavam sendo anulados pela marcação rival, e André, vindo do banco, tinha melhor entendimento das situações, seria menos vigiado pelos adversários e ao menos tenta defender algo.

E como ataque é consequência da defesa (e vice-versa), em direção a cesta o Pinheiros também vacilou demais. Abusou dos tiros de fora precipitados (ao todo, 4/22), que geraram rebotes longos (16 de Mac Farlan e Gutierrez) e, claro, contra-ataques para os argentinos (dez dos 14 pontos de Cequeira saíram em bandejas fáceis após chutes equivocados dos pinheirenses). Se isso não fosse o suficiente, o espaço (obrigado pela lição, Moncho!) entre os jogadores no ataque é ínfimo, impedindo, assim, infiltrações, jogos de um-contra-um perto da tabela e melhor troca de passes (apenas sete assistências ontem). Ao final da partida, encucado pela surreal circulação de bola dos argentinos, perguntei ao Cequeira sobre este estilo de jogo. A resposta dele: "Gostamos de tocar, rodar e ver qual a melhor situação. E dá uma bela amaciada na bola", disse-me sorrindo.

Não se trata, aqui, de execrar João Marcelo Leite, que, diga-se, vem fazendo um bom trabalho no Pinheiros até aqui. É simples: Julio Lamas é o melhor técnico da Argentina há mais de uma década (sorry, Magnano), e o brasileiro está começando a escrever a sua trajetória. Derrotas como a de ontem machucam, mas ensinam demais também. Ao Pinheiros, a João Marcelo e ao basquete brasileiro principalmente. Ter humildade para aprender com quem faz o jogo como ele deve ser não é pecado algum. Basta dar o primeiro passo.

Sobre o nome do jogo

O cidadão desta foto atende pelo nome de Martin Osimani (AKA Ídolo de Guilherme de Paula, do Giro no Aro). Ele é uruguaio, tem 29 anos, já rodou um bocado (Biguá, Trotamundos e Xalapa) e agora está no Obras Sanitárias. Com apenas dois pontos em quase 37 minutos de atuação, ele foi o melhor em quadra na vitória de ontem sobre o Pinheiros na final do Interligas (80-77).

Para a maioria que acompanha o basquete brasileiro este blogueiro escolher alguém que não passou dos 15 pontos como o "cara" do jogo deve parecer estranho, mas foi isso mesmo que aconteceu. Seguindo as instruções de Julio Lamas, o uruguaio não desgrudou de Shammel, que é quem normalmente carrega o Pinheiros em pontos ao lado de Marquinhos. Deu certo: o norte-americano mal pegou na bola, se irritou com o carrapato-barbudo e se não fossem os oito pontos no começo do terceiro período teria saído com uma atuação ainda mais insossa. Para se ter uma ideia, o camisa 24 do Pinheiros tenta, em média, 36,7 pontos por jogo no NBB3, e ontem foram apenas 25 - prova de que a tentativa de tirar o volume de seu jogo deu resultado para o Obras.

Osimani é o tipo de jogador que o basquete brasileiro não possui (Alex talvez seja a exceção), não parece querer por aqui e que tampouco sabe valorizar. Ele marca demais (quando Shammel saiu, ele também passou a vigiar Marquinhos com absoluta correção), lê o jogo com correção (ele deu quatro das 15 assistências da equipe) e cumpre exatamente o que lhe é pedido. Não é um gênio (desculpe, Guilherme!), mas em um time que prima pela organização e pelo senso defensivo apurado ele é uma peça absurdamente chave.

Portland vivo, Heat e Bulls quase lá

O Portland contou com 25 pontos de Wesley Matthews para vencer o Dallas por 97-92 em casa e se manter vivo nos playoffs da NBA (os Mavs agora têm 2-1). Nas outras duas partidas de hoje, Derrick Rose fez a bandeja no minuto final para ajudar o seu Chicago Bulls a bater o Indiana Pacers, que jogava em casa, por 88-84, e Dwyane Wade teve 32 pontos, dez rebotes e oito passes no triunfo do Miami sobre os Sixers por 100-94 na Filadélfia. Bulls e Heat possuem 3-0 e só precisam de mais uma vitória para chegar às semifinais do Leste.

E você, amigo leitor, viu algum dos jogos? Comenta na caixinha!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Obras vence o Interligas

Acaba de terminar a partida aqui no Pinheiros, e o Obras Sanitarias acaba de vencer, com o placar de 80-77, a segunda edição do Torneio Interligas (ano passado o Peñarol foi o campeão). Comenta na caixinha que depois eu volto.

As quartas-de-final do NBB3

Com as vitórias de São José sobre Limeira (81-76) e de Joinville sobre Minas (71-66), estão definidas as quartas-de-final do NBB3 com os seguintes confrontos:

Franca x São José
Pinheiros x Joinville
Brasília x Uberlândia
Flamengo x Bauru

E aí, amigo leitor, tem palpite para os duelos? Fala aí na caixinha então!
Como disse no post abaixo, estarei nesta quinta-feira em São Paulo, acompanhando a decisão do Torneio Interligas entre Pinheiros e Obras Sanitárias. Fique de olho no blog e principalmente no Twitter.

Até mais.

Semana Santa

Não será um dia comum para o Pinheiros nesta quinta-feira. Às 19h, o clube disputa a decisão do Torneio Interligas contra o ótimo Obras Sanitárias e se vencer conquista o primeiro troféu internacional da história do clube.

Para vencer, o time de João Marcelo Leite precisará e muito da sua defesa. Terá que deter os excelentes Juan Gutirrez (16 pontos e dez rebotes por partida), Joshua Pittman (14,7 pontos) e William McFarlan (12,5 pontos e 6,7 rebotes), e só terá sucesso se conseguir frear os passes do bom Luis Cerqueira (4,4 passes por jogo, além de 10,1 pontos).

Fui convidado e estarei no Pinheiros nesta quinta-feira para acompanhar a decisão e este momento bem legal que vive o clube da capital paulista. Trarei novidades de lá ao longo desta quinta-feira e dos próximos dias (fique de olho no Twitter também). Por enquanto deixo a pergunta aos amigos: quem vence o Torneio Interligas? Comenta lá que a gente troca uma ideia na caixinha!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Da Prancheta

15 - São os anos sem uma final de torneio internacional de basquete na cidade de São Paulo. O jejum da capital termina amanhã, com o Pinheiros enfrentando o Obras Sanitárias na decisão do torneio Interligas. Em 1997, Oscar Schmidt guiou o Corinthians ao jogo final, mas perdeu o título em Limeira para o Atenas, de Córdoba (na série, 2 a 1 para os hermanos, que conquistariam, um ano mais tarde, o bicampeonato da competição). Alguém se lembra daquele timaço do Atenas que tinha Rubén Magnano como treinador e Fabricio Oberto e Marcelo Milanesio (craque!) como as estrelas da equipe?

Sem opção

Não há outra opção para Lakers e Spurs nesta noite. Se não vencerem Hornets e Grizzlies, em casa, nesta quarta-feira, os times com as melhores campanhas do Oeste ficarão em situação absolutamente perigosa nos playoffs da NBA. Por outro lado, Chris Paul, Zach Randolph e companhia jogarão totalmente "soltos", o que não deixa de ser assustador também.

Do seu canto, Kobe Bryant resolveu mexer com a cabeça de seus companheiros. Disse, ao final do jogo 1 em Los Angeles, que os Lakers pareciam desconcentrados e sem o esforço necessário para um mata-mata. No Texas, Gregg Popovich mantém Manu Ginóbili como dúvida para esta segunda partida, mas falou que confia em George Hill (sei...). Com ou sem o argentino, o San Antonio precisa proteger melhor o seu garrafão e impedir que Marc Gasol e Zach Randolph se divirtam perto da cesta.

Provavelmente Spurs e Lakers não esperavam passar tanto aperto no começo dos playoffs, mas a verdade é clara: o jogo de hoje é provavelmente o mais importante da temporada (nova derrota e o caminho para a zebra estará pavimentado). É bom os favoritos não bobearem, porque Memphis e New Orleans jogaram muito bem na abertura da pós-temporada. Será que eles conseguem mais uma vitória?

Contra a história

Termina hoje a fase de oitavas-de-final do NBB. Às 20h, Joinville recebe o Minas e, no mesmo horário, São José e Limeira medem forças no interior paulista. Tem tudo para ser uma rodada emocionante, com jogos 5 de mexer com o coração de todos. Mas se quiserem avançar, mineiros e limeirenses terão que brigar contra a história.

Na três edições da competição, nunca um time com campanha pior venceu uma série de playoff (já houve 20 mata-matas). Como consequência, em jogos 5 o mandante sempre teve vantagem (na história do NBB, houve apenas quatro decisões na última partida - e em todas com Brasília, que tem o retrospecto de 3-1 neste tipo de situação, no meio). Para se ter uma ideia, na NBA apenas 19% dos times conseguiram desbancar os donos da casa em jogos 7 (21 vezes em 106 ocasiões - o Boston Celtics é o time com melhor retrospecto neste tipo de partida com 20-7).

Se quiserem vencer, o Minas precisa se refazer do baque após a derrota de domingo em casa (uma surra!) e Limeira terá que conter as investidas de Fúlvio e Murilo. Vencer jogo 5 fora de casa é uma tarefa difícil em qualquer lugar do mundo, mas a chance de entrar na história do NBB está posta para mineiros e limeirenses. O que será que acontece? Sem ficar no muro, digo que São José e Joinville avançam. E você, o que acha? Comente na caixinha!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Té em Assis

O técnico Marcelo Té, ex-armador de Casa Branca e atualmente assistente da Liga Sorocabana, foi anunciado hoje como novo técnico de Assis para a temporada 2011-2012. A informação foi divulgada pelo blog Gatilhaço, do companheiro Felipe Modesto. Assis tenta se recuperar da campanha de 5-23 no NBB3 que lhe rendeu a lanterna.

Sucesso para o clube, que faz o melhor marketing de basquete do país mas que obviamente precisa melhorar o seu produto (o basquete), e para o treinador, que era bem promissor no começo de carreira (em Casa Branca e São João da Boa Vista ele fazia, como Té mesmo dizia, um "arroz com feijão temperado" de respeito).

Santa de casa

Quando o assunto é formação de jogadores no Brasil, um nome é unanimidade: o de Thelma Tavernari, coordenadora técnica da base do Pinheiros há mais de uma década (além disso, ela dirige, no masculino, o mini e o cadete). Mãe do atleta Jonathan Tavernari (hoje na Itália) e com mais um punhado de atletas que passaram pelas suas mãos (Paulinho Cheidde, Danilo Castro, Fabião, Betão, Vanderlei e Cesar Guidetti, além dos jovens Leonardo Cruccilio, Thiago Aleo e Elio Corazza), ela se define como uma “apaixonada pelo basquete”, mas isso seria, sem brincadeira, muito pouco. Se o momento é ótimo para os pinheiristas com a decisão no Interligas na quinta-feira, Thelma dá o tom na base do clube paulistano com uma dedicação fora do normal e com uma visão de basquete que assusta de tão diferente que é da realidade que conhecemos. Confira na entrevista que ela concedeu ao Bala na Cesta.

BALA NA CESTA: Como é o seu método de trabalho? Por que quando falamos em divisão de base, 99% dos técnicos e dirigentes olham e dizem: “melhor do que a Thelma não há?”
THELMA TAVERNARI: Gosto do que muitos não gostam: de ensinar os primeiros passos. Gosto da iniciação, de formar, de dar o fundamento, ensinar a finalizar corretamente (de média e longa distância), de leitura de jogo, do passo a passo enfim. Eu trabalho pela formação dos meninos e vê-los atuando bem no adulto me basta.

-- Se por um lado seu trabalho na base é excelente, como explicar que o Pinheiros não tenha no seu time nenhum atleta formado por você entre os titulares? Isso mina o seu trabalho ou faz parte do projeto do clube?
-- Não sei se as pessoas sabem, mas no Esporte Clube Pinheiros trabalhamos com 85% de associados. Vou te dar um exemplo: com os atletas nascidos em 1992, o clube em seis anos decidiu cinco títulos e ganhou três. Hoje com 18/19 anos temos atletas estudando medicina, outros economia, engenharia, letras, administração e advocacia nas melhores universidades do país. Infelizmente no basquete brasileiro ou você joga ou você estuda - essa é a cultura atual. Assim, te digo que a melhor saída para os meninos que jogam e amam o basquete e querem estudar é o aeroporto de Guarulhos – SP.

-- Qual é a sua opinião sobre as seleções de desenvolvimento da CBB? É uma boa alternativa para corrigir os problemas da base do país?
-- Não sabemos ao certo até hoje como foi e como está sendo o critério de avaliação para a escolha do desenvolvimento de talentos. Sei que são os maiores e não os melhores. Talvez por termos no comando do planejamento um ex-atleta de vôlei o trabalho esteja sendo parecido – o de convocar os maiores.

-- Em um mundo ideal, como a senhora organizaria a base do basquete brasileiro? Como seria o modelo de gestão ideal para um país como o nosso?
-- Penso que os técnicos exclusivos da CBB hoje deveriam estar em contato direto com os da base, e isto não está acontecendo. Exemplo: na Escola Nacional de Treinadores de Basquetebol (Nível 1) não houve nenhum técnico envolvido no trabalho de base para expor o que está sendo feito no basquete moderno, segundo eles. Com tanto dinheiro nunca vai existir uma avaliação e indicadores do nosso trabalho para conhecer o que está sendo feito na América do Sul, América Latina e Europa. Tenho certeza que por rendimento estaria entre os melhores, se não houvesse política. Outro exemplo: há dois meses houve uma clínica de mini basquete em Porto Rico, e lá esteve a Hortência. O que sabemos? Nada. No basquete eu já ajudei tanto fora como dentro de quadra. Existe cobrança de um trabalho melhor, de fazermos mais e mais, mas pergunto: o que nos é dado? Nada.

-- A senhora se mantém atualizada e “moderna” após quase 25 anos de carreira. Como é o seu método de estudo e de acompanhamento da modalidade? Pelo que você vê em NBB, Paulista e na base estamos muito defasados ou é exagero isso?
-- Tenha certeza que a coisa que mais faço é estudar (como hoje todos dizem reciclar). Acho que todos conhecem Walter Roese (assisntente-técnico do Havaí), e ele sempre me manda o que acontece de novo nos EUA. Dei para a APROBRAS (Associação de Profissionais de Basquete) 15 CD’s de fundamentos para serem repassados aos técnicos interessados. Como meu filho Jonathan ficou muito tempo nos EUA pude desde 2003 ir aos Estados Unidos por 30/35 dias a cada ano, e vi as atividades nas escolas com crianças e NCAA. Falta profissionalismo no basquete de base, mas hoje temos o NBB, que graças a um grupo de homens competentes e sérios, entre eles o Fernando Rossi (diretor de esportes olímpicos do Pinheiros), estão mudando o basquete.

-- Por fim, uma pergunta / lembrança: dos momentos que você viveu em quadra, qual deles a senhora não consegue esquecer? Consegue citar apenas um?
-- Entrei em uma quadra de basquete sem nunca ter pegado na bola antes. Resultado: 51 x 0 e, 2 cestas contra. Depois de 7 meses eu fui convocada para a Seleção Paulista e aos 9 meses estava na Seleção Brasileira. Muito trabalho, muita dedicação e grandes incentivadores: Marlene, Nilza e Elzinha, que foi minha professora no colégio. Cito também Maria Helena e Heleninha, minhas inspiradoras, e meu mestre maior Wlamir Marques. O basquete mudou minha vida, e é meu orgulho. Gostaria de terminar aqui agradecendo a um amante do basquete que confiou no meu trabalho desde que entrei no E. C. Pinheiros, o João Fernando Rossi, um amigo de verdade. No basquete falta profissionalismo e é isso que espero achar agora na ENTB e tenho certeza no NBB.

Fala tu

Faltou tempo nesta segunda-feira (neste momento chego em casa depois de algumas horinhas de trabalho). Deixo a caixinha aberta pra vocês me contarem o que houve de bom na NBA e no basquete de um modo geral. Conta aí pro Bala, conta. A caixinha é toda sua.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Da Prancheta

6,1 - Foi a diferença média de pontos nas primeiras oito partidas dos playoffs da NBA (feito jamais visto na história da liga - além disso, desde 1984 os dois primeiros colocados de uma conferência não perdiam na estreia em casa). Destaques (dos que ainda não falei):

- O Boston Celtics liderou por apenas 60 segundos no segundo tempo contra os Knicks, mas foi o suficiente. Contou com uma baita ajuda do juíz, que marcou uma absurda falta de ataque de Carmelo Anthony no minuto final, e com a sagrada mão de Ray Allen, que matou a bola decisiva no fim (87-85 para os verdes).

- Nenê teve 22 pontos e oito rebotes, mas foi na sua ausência em quadra ("tostão" no meio do terceiro período) que o Oklahoma cresceu (Westbrook e Durant somaram 72 pontos). Vitória do Thunder por 107-103 contra o Denver.

Hoje teremos Miami x Philadelphia, e logo depois Chicago x Indiana. Será que mais surpresas ocorrerão? Comente na caixinha!

Um degrau abaixo

Gostaria muito de falar sobre a incrível vitória de Joinville sobre o Minas (85-74, com direito a cinco atletas com 12 pontos ou mais e uma surra de 54-25 no intervalo), bem como de outra atuação de Ronald Ramon (que ontem, na vitória de Limeira sobre São José por 95-84, anotou 12 de seus 23 pontos no último período), mas é absolutamente impossível (as duas séries, aliás, estão empatadas).

O que se viu ontem na quadra de Limeira foi no mínimo vergonhoso. O relógio dos 24 segundos falhou (e não foi a primeira vez - como bem lembrou o pessoal do Giro no Aro no Twitter, isso já havia ocorrido contra o Vitória, na primeira fase), e a partida teve que ser realizada com um mesário "cantando" o tempo de posse de bola para as equipes. Vou repetir aqui: isso ocorreu em um jogo de playoff do campeonato mais importante do país. Inadmissível, não?

O problema, mais uma vez, é que ninguém faz (ou fala) nada. Os atletas são passivos, os técnicos se calam e as diretorias se acanham (para se ter uma ideia, o Twitter oficial de São José disse o já famoso "a TV é que manda, né") contra uma sandice dessa. Para uma Liga tão organizada e séria, ontem foi bem péssimo ver um capítulo tão triste para a história da NBB. O basquete brasileiro não precisava de mais essa.

A vitória do amadurecimento

O Pinheiros perdeu o primeiro lugar da fase de classificação do NBB3 para Franca com uma atuação terrível e as críticas voltaram ("O time amarela", "O técnico é fraco" e "O elenco é desbalanceado", diziam). As palavras foram pesadas (e até certo ponto justas), mas a derrota serviu de lição para o time, que ontem bateu o Atenas por 81-76 para conquistar a vaga na decisão do Interligas contra o Obras Sanitarias (jogo na quinta-feira).

O Pinheiros jogou como time grande, como time de respeito, e venceu a perna brasileira do Torneio Interligas em Franca autoridade, sabedoria e muito controle emocional: na sexta-feira e no sábado, contra Libertad e Franca, o clube da capital saiu atrás (oito pontos de déficit em cada um dos primeiros períodos) e buscou a liderança sem "aloprar" nos tiros de fora (pelo contrário: a defesa "deu" as ordens), e ontem, contra o ótimo Atenas, manteve a cabeça no lugar em uma partida cuja diferença de pontos não passou dos oito pontos em momento algum (no final, Shammel, Marquinhos e Olivinha, com 68 pontos dos 81 pontos, fizeram a diferença).

Na quinta-feira o Pinheiros pode conquistar o primeiro troféu internacional da história do clube, que, diga-se de passagem, jamais havia jogado um torneio contra times do exterior. Embalado para os playoffs do Novo Basquete Brasil, o elenco de João Marcelo Leite (merece os parabéns também!) mostrou ontem que está maduro e pronto para as conquistas que ainda não vieram. Jogando em altíssima qualidade (principalmente na defesa, antiga deficiência do grupo), os pinheiristas são candidatíssimos aos dois títulos - Interligas e NBB3.

domingo, 17 de abril de 2011

Um maestro, duas zebras

Está bem, Manu Ginóbili faz falta no Spurs ou em qualquer outra franquia, mas foi incrível a vitória do Memphis Grizzlies (a primeira da história do time em playoff) sobre o San Antonio Spurs no Texas. Liderando boa parte da partida, os Grizzlies perderam a liderança no fim, mas retomaram e venceram por 101-98 (com tiro de três pontos de Shane Battier no fim). Juntos, Zach Randolph e Marc Gasol tiveram 49 pontos e 23 rebotes, e dominaram o garrafão.

No outro jogo da tarde, o Los Angeles Lakers viu o New Orleans comandar as ações desde o começo com o extraordinário Chris Paul, tentou uma reação no último período, mas viu o camisa 3 (craque de bola!) anotar 17 de seus 33 pontos nos 12 minutos finais (além disso, foram 14 assistências). Vitória incontestável dos Hornets por 109-100, e vaias no Staples Center para os angelinos.

E você, viu alguma das duas partidas? Comenta na caixinha que a gente troca uma ideia!

A inspiração de Kobe Bryant

Na quarta-feira, Kobe Bryant terminou o seu aquecimento no ginásio do Sacramento e se dirigiu ao vestiário. Mesmo sem gostar de dar autógrafos antes das partidas, o ala do Lakers ouviu a menina que cantaria o hino norte-americano e não teve como negar o pedido da garota, que estava ao lado de seu pai.

E o "pai dela" se apresentou a Kobe Bryant: "Oi, Mr. Bryant, eu sou Rudy Ruettiger e esta é a minha filha Jessica. Ela vai cantar o hino". Kobe tremeu na base e respondeu: "Rudy? O do filme? Cara, você foi a maior inspiração da minha vida. Seu filme mudou tudo pra mim". Para quem não lembra, o filme, lançado em 1993, conta a história do jovem Rudy na Universidade de Notre Dame (entre 1974-1976). Diagnosticado com dislexia, o mirrado estudante (1,65m) tinha o sonho de entrar no time de futebol americano da faculdade. Fez de tudo - de análise dos adversários a scout de seus companheiros -, até que no último minuto do último jogo de sua carreira ele foi colocado em campo pelo técnico Dan Devine.

Com a torcida enlouquecida, Rudy obteve um sack (jogada defensiva), única estatística de sua vida que não foi um traço. Ovacionado e carregado pelos companheiros, o baixinho saiu chorando do estádio e tornou-se o primeiro jogador de Notre Dame a ser levantado pelos companheiros na história da universidade. O filme, tocante, marcou a vida de Kobe Bryant, que não poupou elogios após o encontro com seu ídolo: "Já encontrei muitas pessoas na vida, mas vê-lo ao vivo mexeu demais comigo, de verdade. A mensagem que o filme me passou foi: se eu conseguisse ser tão forte mentalmente quanto o Rudy, com o talento que eu já tinha tudo seria possível".

E é contando com Kobe Bryant inspirado que os Lakers, os atuais bicampeões da liga, abrem os playoffs neste domingo contra o New Orleans em casa. Com Andrew Bynum recuperado e um rival apenas razoável, é bom colocar novamente os angelinos no radar da briga pelo título. Acho que o encontro de quarta-feira fez muito bem a Kobe.

Para evitar a eliminação

No NBB1, o time de Limeira abriu as quartas-de-final contra Joinville com uma boa vitória (87-77, em jogo transmitido pelo Sportv no dia 16 de maio). Depois, porém, viu o time de Alberto Bial vencer duas vezes por dígitos-duplos (85-75 e 77-63) antes de ser eliminado em casa em jogo também transmitido pela emissora (95-89).

Ora, Bala, por que diabos você repete isso agora? Simplesmente porque o caminho de Limeira em 2009 é absolutamente idêntico ao de 2011 nas quartas-de-final: uma brilhante partida de estreia no mata-mata (90-76 - partida exibida pelo Sportv) foi sucedida de duas derrotas por mais de dez pontos fora de casa (92-77 e 72-60 para São José). Também com transmissão do canal (ao meio-dia deste domingo), o quarto duelo promete ser o mais emocionante dos playoffs do NBB até agora. Hoje, mais cedo (11h), o Minas joga em casa para fechar a série contra Joinville.

Para vencer, Limeira terá que defender muito mais do que nas duas derrotas em São José (para se ter uma ideia, a equipe só havia levado 92 ou mais pontos em quatro oportunidades na competição - e nos playoffs, quando o jogo normalmente aperta, o fato já ocorreu no jogo 2). Se conseguir, tem chance de vencer e jogar o quinto e decisivo duelo em São José bem menos pressionado. Será que o atual campeão paulista consegue empatar a série? Sinceramente creio que sim.

sábado, 16 de abril de 2011

Alto-falante

"É um momento importante que estamos vivenciando aqui em Las Vegas. Está sendo muito proveitoso e a nossa pretensão é aproveitar ao máximo a oportunidade de estar aqui para aprimorar a forma de treinamento"

A frase é de José Neto, técnico da seleção Sub-19 que fica até a próxima segunda-feira treinando em Las Vegas, no Centro de Treinamento da Impact Basketball. A partir de quarta-feira será a vez das meninas de Luiz Claudio Tarallo ficarem uma semana treinando no local. De acordo com o site da Confederação, as meninas ainda participam de um torneio na França e de uma fase de treinos na Europa antes do Mundial do Chile. Parece-me, sinceramente, que as preparações das duas equipes estão sendo bem legais, concordam?

Vai, Pinheiros

Consegui rever a partida do Pinheiros, e confesso ter ficado bem impressionado com a consistência do time na vitória contra o bom time do Libertad (79-77) na noite de sexta-feira na estreia do Torneio Interligas.

É verdade que a equipe de João Marcelo Leite pecou nos rebotes (32-23 para os rivais, que tiveram 11 do ótimo Battle, que ainda somou 17 pontos), mas foi paciente no ataque para se recuperar após o primeiro período (15-23) sem abusar dos tiros de três pontos (15 - apenas 20% das posses de bola, índice excepcional quando falamos de basquete brasileiro) e forte na defesa para deter a dupla Battle e Wolkowski (31 pontos ao todo).

O Pinheiros enfrenta Franca, que ontem levou uma surra do Atenas no segundo tempo e perdeu o jogo por 77-58, hoje (21h, com Sportv) no duelo repete o que definiu a primeira colocação dos francanos na fase de classificação do NBB. Se conseguir vencer a revanche, o time da capital disputa o título do Interligas no domingo contra o próprio Atenas. Será que o time de João Marcelo consegue manter o ritmo? Comente na caixinha!

Todos os olhos

Todos os olhos estarão grudados em Derrick Rose a partir de hoje. O virtual MVP da temporada abre a pós-temporada com o seu Chicago Bulls neste sábado, às 14h de Brasília, contra o Indiana Pacers em casa e qualquer resultado que não uma vitória convincente poderá ser considerado uma surpresa imensa.

Mas é bom o Chicago Bulls dar uma olhadinha no que aconteceu em 1998, quando o timaço de Michael Jordan (também MVP daquele ano) enfrentou o New Jersey Nets (que entrou nos playoffs com uma vitória na última rodada sobre o Detroit Pistons). Favorito absoluto, os Bulls (que obtiveram os mesmos 62-20 de agora) sofreram horrores para bater os Nets, treinados pelo ótimo John Calipari (hoje na Universidade de Kentucky). O placar de 96-93 assustou os Bulls, mas serviu para abrir os olhos do time que se sagraria tricampeão 20 jogos depois.

E quem brilhou naquela tarde de 24 de abril de 1998? Michael Jordan, claro. Com seus companheiros em apuros, MJ anotou 39 pontos e evitou o pior no começo da pós-temporada. Derrick Rose sabe que falhas não são muito bem-vindas em playoff, e mostrar-se pronto para as grandes batalhas desde o começo é fundamental para quem tanto brilhou na temporada. A hora de Rose é agora.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Já participou do bolão das finais da NBA? Clique aqui e saiba o que você precisa fazer para concorrer a uma camisa do time campeão.

Informação da CBB

A CBB acaba de me informar que o seu balanço anual será divulgado no dia 26 de abril, no jornal Lance!. Está aí algo que literalmente pagarei pra ver.

Olha a A-2, Ênio

Ênio Vecchi fez mais do que obrigação ao assistir, ao lado de Janeth, a vitória de Americana sobre Catanduva em partida válida pelo Paulista na noite de ontem (75-74, com 20 pontos de Silvia Luz e outros 19 de Clarissa). Mas se ele quiser mesmo fazer um bom trabalho na seleção feminina (ele é o técnico, lembram?) é bom ele dar uma olhadinha na A-2 do Paulista que começa nesta sexta-feira.

Na abertura da competição, com o duelo entre São José (legal a participação da cidade, que abrigou a final da LBF) e Pindamonhangaba (às 20h), estarão em quadra a pivô Cristiane Simões (a Kika), a ala Patricia Ribeiro, Carina Jackson e Mônica Nascimento - todas jovens que não tiveram espaço para evoluir. Além delas, vale ficar de olho no bom time de Jundiaí, que conta com Tatiane Pacheco e Tainá Paixão (ela será entrevistada pelo blog em breve), além do repaginado projeto de Presidente Venceslau, que conta com Amanda (ex-São Caetano) e Andressa (Americana).

Pode ser que Ênio não extraia nenhuma atleta para a seleção feminina que jogará o Pré-Olímpico, mas é na A-2 que se encontram as jovens que a gente pensava que despontariam para a modalidade. É lá, por exemplo, que ele pode encontrar uma armadora, posição carente de seu time. Vale o esforço, não vale?

Com a faca e o queijo Minas na mão

Uberlândia fez 74-65 em Araraquara ontem à noite e com 3-0 eliminou o time de Daniel Wattfy. Mas o grande feito da noite veio em Joinville. No ginásio Ivan Rodrigues, o Minas fez 80-78, calou a torcida local e abriu 2-1 na série. Em casa, no domingo, o time de Nestor Garcia pode fechar o duelo e avançar às quartas-de-final.

E o grande nome não só da partida mas da série é Bernard Robinson. Seguindo a linha de atuar bem em um jogo sim (31 pontos na partida 1), e no outro não (apenas três na segunda - 3/9 nos arremessos), o norte-americano somou incríveis 33 pontos (melhor marca da pós-temporada do NBB3 e ainda contou com a valiosa ajuda de Michel (20 pontos e 12 rebotes) para inverter o mando de quadra da série.

Havia dito aqui que o Minas era um time mais arrumado, e que a defesa de Nestor Garcia complicaria o elenco de Alberto Bial (12 erros contra sete dos rivais ontem) na fase final. Com a faca e o queijo na mão, os mineiros têm a Arena Vivo para avançar às quartas-de-final no domingo para consolidar o grande trabalho do treinador argentino e ratificar o clube como uma potência do basquete brasileiro. O dia da glória chegou.

Promoção Bolão da NBA

Bom, está aí o que você queria, como diria aquele narrador famoso. Até às 13:59 deste sábado você pode enviar os palpites COMPLETOS (até a decisão!) sobre os playoffs da NBA para fabio.balassiano@gmail.com (não serão válidos nada aqui na caixinha ou Twitter).

Então é assim. Consulte a sua bola de cristal, e envie pro Bala quais serão os resultados (4-0, 4-1, 4-2 ou 4-3) de todas as séries da pós-temporada (até a finalíssima, ok?). Quem acertar apenas o vencedor do duelo, mas sem acertar o resultado, ganha 5 pontos. Acertando tudo (vencedor + resultado), 10 pontos.

Ou seja, vamos lá: o Chicago ganha do Indiana por 4-0 e você colocou Chicago e 4-0, soma 10 pontos. Se colocou Bulls 4-1, soma apenas 5. Depois, os Bulls enfrentam o Orlando, que ganhou do Atlanta, e vence por 4-3 - e você colocou 4-1 pro time de Derrick Rose, ganhando, assim, apenas cinco pontos. E assim vai até a grande decisão...

Tudo entendido? Boa sorte a todos! Ah, o prêmio para o que mais tiver pontos é simplesmente a camisa oficial do campeão da NBA. Tá legal o prêmio, né?

Os palpites do Bala

Sem mais delongas, vamos aos palpites deste blogueiro para os playoffs da NBA (começo neste sábado)

LESTE
Chicago Bulls 4 x 0 Indiana Pacers - Parabéns ao Indiana, que volta aos playoffs depois de cinco anos, mas o Chicago não vai perder mais do que 192 minutos com os Pacers. Derrick Rose, Luol Deng e Carlos Boozer vão varrer Danny Granger e companhia rapidinho, rapidinho.

Miami Heat 4 x 0 Philadelphia 76ers - Doug Collins fez um trabalho brilhante com o jovem Jrue Holiday e com o agora repaginado Andre Iguodala, mas é pouco para segurar o Miami Heat. Dwyane Wade vai alunciar Jodie Meeks, Chris Bosh terá vida mansa contra Elton Brand e os Heat passam fácil.

New York Knicks 4 x 2 Boston Celtics - O Boston caiu, o New York subiu, e Carmelo Anthony começará a escrever seu nome na história dos Knicks a partir deste domingo. Rajon Rondo terá vida dura contra Billups, Kevin Garnett não conseguirá deter Amare Stoudemire e os Knicks viverão dias felizes avançando às semifinais do Leste.

Orlando Magic 4 x 1 Atlanta Hawks - Sim, os Hawks venceram mais na temporada regular (3-1), mas playoff é outra coisa. Acho difícil que Al Horford consiga deter Dwight Howard, que, em minha opinião, vai acabar desequilibrando a série. Nas alas, Joe Johnson não possui físico para frear Jason Richardson, Hedo Turkoglu terá sossego contra Marvin Williams.

OESTE
San Antonio Spurs 4 x 2 Memphis Grizzlies - O Memphis vence a primeira partida da franquia em playoff, dará um pouco de trabalho, mas os cabelos brancos de Tim Duncan, Manu Ginóbili (lesionado, não sabe se joga a primeira) e Tony Parker farão a diferença no final.

Los Angeles Lakers 4 x 0 New Orleans Hornets - Esqueçam a temporada regular. Os playoffs começam, e a vida de Kobe Bryant e dos Lakers se transforma. Chris Paul sofrerá com a marcação de Ron Artest, e os angelinos trituram os Hornets.

Dallas Mavericks 4 x 2 Portland Trail Blazers - O Portland tem um time legal, ganhou muito com Gerald Wallace, mas acho que é pouco para mandar Dirk Nowitzki e os Mavs para as férias mais cedo. Será um ótimo duelo entre as defesas, vale ficar de olho.

Oklahoma City Thunder 4 x 3 Denver Nuggets - É a série mais disputada do Oeste, e nela acho que o mando de quadra pesa. Nenê terá problemas contra Perkins, Nazr Mohammed (na Wikipedia descrito como ex-jogador de basquete) e Serge Ibaka, e nenhum Nugget consegue deter Kevin Durant ou Westbrook.

E você, concorda comigo? Acha que fiquei maluco colocando os Knicks avançando? Então comente na caixinha que a gente troca uma ideia!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Twitcam desta noite

Aqui a Twitcam desta noite

Um relato sobre a Copa Norte

Vencida pelo São José, a Copa Norte terminou na semana passada no Amapá. O leitor Leonardo Moura, que jogou pelo Dom Bosco (do Amazonas), conta um pouco de como foi. Manda bala, Leo!

===============

Oi, Fábio, sou jogador de basquete de 20 anos, tenho 89kg e 1,80 m. Sou estudante universitário (Engenharia Civil da Universidade do Estado do Amazonas) e fui convidado a participar da Copa Norte pelo time do Dom Bosco, talvez o melhor time de Manaus. De quebra ainda teríamos três atletas amigos do melhor jogador daqui, Leopoldo Monteiro, que viriam de São Paulo para reforçar o elenco. Mas a Secretaria da Juventude, Esporte e Lazer, na sexta-feira que antecedia a competição, informou que teria apenas cinco passagens, ao invés das 15 que estavam prometidas. Assim o grupo simplesmente se desfez.

Eu e um amigo meu fomos chamados para completar o número mínimo de sete jogadores, mas teríamos de arcar com as passagens. Aceitamos, pois vimos nesta oportunidade uma chance de melhorar no esporte que amamos. Assim, a delegação amazonense foi com apenas sete atletas, que nunca haviam jogado juntos. Um pivô, um ala-pivô, um ala e quatro armadores. Em Macapá, a Federação disponibilizou para as delegações do Pará, do Acre e do Amazonas o mesmo hotel, que abrigava a todos com muito conforto, servindo café da manhã, almoço e jantar. O ginásio de competição ficava muito próximo do hotel e podíamos ir a pé.

No primeiro dia houve a apresentação e tive a impressão que teríamos uma longa competição. Todas as delegações estavam completas, com atletas vindos do brasileiro sub-20 e jogadores famosos como o Janjão e Gastão. O São José era o favorito (investimento de R$ 100 mil), o Atual de Macapá, também. O Uniara, do Acre, era o menos forte depois do nosso, mas mesmo assim impressionava. O Assembleia, do Pará, foi uma surpresa: tinham muitos sub-21 e só perderam o último jogo para o São José, que se tornaria o campeão. Ainda houve dois times que, por falta de recursos, faltaram à competição. O Dom Bosco quis evitar isso.

Os jogos sempre ocorriam à noite (o primeiro às 18h30 e o segundo logo depois). Nos jogos mais aguardados, ingressos a R$ 2,00. Nos com os dois times da casa, Atual e São José/CEAP, e no último dia os ingressos custavam R$ 4,00. A qualidade da quadra era ótima, mas o tratamento dado ao piso deixou MUITAS reclamações. Logo no primeiro dia não tinha como acelerar o jogo (muito escorregadia), mas o jogo aconteceu assim mesmo. No segundo dia, porém, a quadra estava IMPOSSÍVEL! Dava para jogar hóquei no gelo! Por motivos que eu desconheço, faltando cerca de meia hora para começar passaram uma mistura de água e açúcar. Formou uma camada de “gel” que fez da quadra uma pista de patinação. Os jogadores tentaram de tudo: de Coca-Cola até aquela pedrinha (conheço pelo nome de brio) triturada. No dia seguinte insistimos para que não fizessem nada e estava tudo perfeito no terceiro dia.

Os jogos foram interessantes. Os envolvendo o nosso time (Amazonas) e o do Acre (Uniara) eram mais simples, com muitos erros, ainda que os acreanos trabalhassem muito bem a bola. Os Atual e São José, além dos do Assembléia Paraense, eram muito disputados e sempre muito emocionantes.

Playoffs definidos na NBA

A fase de classificação da NBA já foi (ontem, pela segunda vez na história da liga, todas as 30 equipes jogaram - a outra foi em 1957, com quatro partidas). Depois de 82 jogos para cada franquia, as oito melhores de cada conferência chegam ao mata-mata, que começa no sábado (Chicago, Miami, Orlando e Dallas abrem a pós-temporada em casa). Abaixo os confrontos (com asterisco, quem possui o mando de quadra):

LESTE
Chicago Bulls* x Indiana Pacers
Miami Heat* x Philadelphia 76ers
Boston Celtics* x New York Knicks
Orlando Magic* x Atlanta Hawks

OESTE
San Antonio Spurs* x Memphis Grizzlies
Los Angeles Lakers* x New Orleans Hornets
Dallas Mavericks* x Portland Trail Blazers
Oklahoma City Thunder* x Denver Nuggets

Você tem seus palpites, certo? Então fala na caixinha que amanhã eu venho com as análises. Manda bala que a gente troca uma ideia. Desde já antecipo que farei um bolão aqui no blog. Depois explico como irá funcionar.

Um rival bem conhecido - e perigoso

Sem surpresa ou dificuldade, Bauru despachou o Paulistano em três jogos. A última vitória veio ontem com sonoros 92-66 (zerado no segundo duelo, Fischer - na foto - desencantou e fez 22 ontem), e a diferença média de pontos na série ficou em 23,6. A comemoração, porém, já deve ter terminado no interior paulista, porque agora o time de Guerrinha mede forças com um conhecido e difícil rival, o Flamengo, que tem o mando de quadra, diga-se de passagem.

Nas três edições do NBB, Bauru venceu os rubro-negros em apenas uma ocasião. Foi no dia 26 de março de 2009, em casa, após suados 108-105 na prorrogação. Nos outros cinco duelos, só derrotas (e algumas delas por placar dilatado, como foi a de 2009, por 17 pontos). As duas desta temporada, por sinal, tiveram temperos distintos. No Luso Brasileiro, um doído 81-80. No Rio de Janeiro, a maior surra do time no campeonato (84-64 - foi a menor pontuação dos bauruenses no certame).

É óbvio que Bauru evoluiu muito na competição e o Flamengo perdeu muita força de um ano para cá, mas o confronto talvez fosse o menos recomendável para o time de Guerrinha. Se quiserem vencer, os bauruenses terão que deter Marcelinho, rival implacável contra eles nas três edições do NBB (média de 25,1 pontos nos seis duelos). O jogo coletivo dos paulistas flui mais, não resta dúvida, mas talvez isso não seja suficiente contra o próprio Marcelinho, Bábby (não há um "cinco" capaz de freá-lo no garrafão dos paulistas) e Teague.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Protejam Rajon Rondo

Poderia fazer um post sobre mais uma lesão de Andrew Bynum (o pivô do Los Angeles Lakers sentiu novas dores no joelho), mas não seria tanta novidade assim. O que me espanta, atualmente, é a queda de rendimento de Rajon Rondo, armador de um Boston Celtics em crise (9-11 nos últimos 20 jogos).

Para quem se acostumou a ver Rondo alucinando nas assistências (cogitamos até que o recorde de John Stockton fosse batido), é meio chocante ver que o armador só chegou aos dígitos-duplos em passes em seis ocasiões desde o dia 6 de março (desde então foram 21 partidas). Sua média de assistências, que era de mais de 12 por partida, caiu para 8,9 em março e 9,5 em abril. Como consequência direta da falta de passes, seu arremesso foi mais exigido - e aí a gente sabe o que acontece. Para se ter uma ideia, desde o dia 22 de janeiro o camisa 9 não acerta uma bola de três (foram 12 tentativas).

A saída de Kendrick Perkins influencia nisso tudo (o time, que pegava mais de 41 rebotes por jogo, viu seu número cair para 38 - o dos rivais, por sua vez, subiu de 39 para 41,2), mas Doc Rivers precisa encontrar uma maneira de "proteger" o jogador mais importante de seu time. Paul Pierce mata as bolas decisivas, Ray Allen acerta as suas de longe, Kevin Garnett defende como nunca, mas é Rajon Rondo que faz todo o Boston Celtics jogar. Pode não ser um problema contra a defesa-moleza do Knicks na primeira rodada, mas em um eventual duelo contra o Miami ou diante do Chicago a dificuldade tende a aumentar muito.

Na passarela

Quem passou pelo Arpoador, bairro que divide Ipanema de Copacabana, aqui no Rio de Janeiro, não deve ter achado muito normal um gigante de mais de 2,10m posando para fotos. Era Rafael Araújo, o Bábby (ou Baby), que fazia um ensaio fotográfico assinado por Daniel Marins. No site do atleta você pode ver mais fotos.

Se o desempenho de Bábby em quadra não é dos melhores no NBB3, fora dela o jogador do Flamengo tem tentado se diferenciar do pacote. Com site novinho em folha (ótimo layout) e um projeto social engatilhado para começar aqui no Rio de Janeiro (o Centro de Treinamento do Bábby, que conta com apoio da NBA e da Nike), o pivô parece inaugurar uma nova era em termos de comunicação de atletas com torcedores e a comunidade.

Tomara que esta seja a primeira de muitas iniciativas de atletas de basquete aqui no Brasil. Com ideias simples e rápidas (promovidas por eles próprios - sem depender de clube, de LNB ou de quem quer que seja), a modalidade cresce, os jogadores se beneficiam e criam-se mais torcedores. Ponto para Bábby. Que ele assim continue.

Bye, Bye Brasil - Rodrigo Silva

Aos 20 anos, Rodrigo Silva, conhecido como pirulito entre os amigos, tem impressionado em Wyioming (ele está por lá desde 2010). Com média de 13,2 pontos, 9,6 rebotes, 4,7 tocos e ótimos 55% nos tiros de quadra em seu primeiro ano no Laramie County College (é mais um brazuca que está em Junior College), o sergipano de 2,08m já chama a atenção de universidades grandes (houve cinco convites da divisão I até aqui), que querem contar com seu talento. O Bala na Cesta foi conversar com Rodrigo, tão tímido quanto educado (“um cara simples que gosta de treinar e descobrir novas oportunidades”, diz), para a seção "Bye, Bye, Brasil".

BALA NA CESTA: Você saiu do Brasil após ter treinado por algum tempo no Pinheiros. Como foi esse período, o que você aprendeu por lá e quais foram os conselhos que te deram?
RODRIGO SILVA: Foi o período mais importante da minha carreira até agora. Tive a oportunidade de treinar com os melhores jogadores do Brasil (Josuel, Marquinhos, Olivinha etc.) e com um dos melhores técnicos do país (CláudioMortari). Tive a sorte de ter grande amizade com alguns jogadores, e um deles foi o Olivinha, que me deu muitos conselhos bons e sempre me ajuda nas dificuldades. Sou muito grato ao clube.

-- Como é a sua vida aí nos EUA? Poderia contar um pouco mais do seu dia-a-dia?
-- A vida nos EUA é muito diferente da que eu tinha no Brasil. Aqui temos uma rotina que nunca muda: treinos na parte da manhã, aula e outro treinamento no fim da tarde. Depois de jantar eu volto ao ginásio para chutar - é assim quase todos os dias. Meu projeto é ficar aqui nos próximos quatros anos para me formar aqui nos EUA. É uma oportunidade única, e só depois disso conseguirei escolher em que lugar jogar. -- Dentro e fora de quadra, o que você verifica de mais diferente entre o basquete brasileiro e o norte-americano? Poderia citar exemplos?

-- Os americanos são muito individualistas dentro e fora de quadra. A grande diferença entre o basquete brasileiro e o norte-americano é a individualidade - aqui nos EUA eles jogam bastante no um contra um. A minha maior dificuldade foi quando cheguei, pois não sabia falar inglês e para piorar as coisas ainda perdi as malas com toda a minha história no basquete (uniformes de clubes, por exemplo). Com certeza os primeiros seis meses foram os mais difíceis da minha carreira.

-- Dentro de cinco anos, em que patamar você quer estar em sua carreira?Conseguiria descrever este "mundo ideal"? E sobre seleção brasileira, você pensa?
-- Meu “mundo ideal” para daqui a cinco anos seria assim: já estaria formado (o mais importante para mim) e estaria atuando por algum time da NBA. É assim com qualquer atleta que joga basquete, não é? Além disso, em termos de seleção brasileira, te digo que é o sonho de todo jogador. Mas neste momento estou focado apenas em conseguir entrar em uma boa faculdade de Divisão I aqui nos EUA.

BATE-BOLA
Uma frase: “Pra quem tem pensamento forte, o impossível é questão de opinião”
Uma palavra que odeio: Desistir
Um ponto que tenho que melhorar em quadra: Vontade
Uma qualidade fora de quadra: Amizade
Um defeito: Achar que eu não sou capaz
Uma mania: Tenho mania de brincar o tempo inteiro
Um sonho: Jogar na NBA
Uma cidade: Aracaju
Um ídolo: Olivinha
Um lugar: Pinheiros
Uma comida: Feijoada
Quando penso no Brasil, penso em: Poder jogar de novo no Pinheiros
Das coisas do Brasil, sinto mais falta da: Família
Um livro: Transformando Sonho em Ouro, do Bernardinho
Um filme: O Homem que Copiava
Uma música: Pensa em mim que eu to pensando em você, Darvin Um amigo(a): Isabella
Um momento triste: Perder a final do Juvenil para o Paulistano
Um momento feliz: Quando vi minha namorada nos EUA
Um técnico: Cláudio Mortari

terça-feira, 12 de abril de 2011

Alto-falante

"Estamos muito bem porque nosso time é excelente, o ambiente é ótimo e por aqui não há idiotas - e em se tratando de NBA isto pode ser considerado uma raridade"

A frase é de Carlos Boozer, ala-pivô do Chicago Bulls, soltando o verbo antes dos playoffs. Vale lembrar que o jogador passou pelo Utah Jazz, e não mantinha boa relação com grande parte do elenco. Frase desnecessária, não?

Desvendando as Federações

Em ótimo trabalho, o repórter Fábio Aleixo publicou ontem no Lance! um pouco do que aconteceu na eleição da Federação do Mato Grosso. Houve de tudo (até intervenção judicial), e obviamente não chega a surpreender em absolutamente nada (embora continue a entristecer).

Quem acompanha razoavelmente o basquete sabe que se na Confederação Brasileira a palavra transparência já não impera, nas federações o buraco é ainda mais embaixo (no pior sentido da palavra). E a tendência, sem querer ser ainda mais negativo, é piorar (isso sem falar no que tem ocorrido no Ceará e no que também aconteceu em Santa Catarina). Em breve haverá a eleição no principal pólo de basquete do país (São Paulo), e o clima promete esquentar. Antonio Chakmati vai tentar permanecer (eternizar?) no cargo, apesar do que não tem sido feito em suas últimas (hummm...) duas ou três gestões.

Pode parecer bobagem falar nisso, mas é na mão dos presidentes de Federações que está o basquete brasileiro. Em 2013 haverá nova eleição na CBB (e aqui vale lembrar os 16 que votaram em Carlos Nunes em 2009: ES, PR, SC, RS, SE, AL, PE, PI, TO, MS, RO, AC, GO, DF, MS e SP), e o colégio eleitoral é formado... pelos dirigentes recém-empossados (ou reeleitos) em suas federações. Como pedir para que o COB, Ministério dos Esportes e Ministério Público acompanhem os pleitos é pedir demais, só nos resta fiscalizar para saber se tudo andará nos trilhos nos Estados. Ao contrário do que diz aquele deputado, pior do que está pode ficar.