quarta-feira, 16 de março de 2011

Procura-se

Sem a veloz e consistente Aruzha (de acordo com a assessoria de imprensa da CBB, ela não foi ao Chile por opção da comissão técnica, mas voltará a treinar com a equipe em abril), Tarallo colocou em quadra nos dois primeiros jogos de preparação da Sub-19 uma formação interessante com Carina (Santo André), Tássia (Americana), Isabela Ramona (Mangueira), Damiris (Jundiaís) e Aline (Americana). Sem uma armadora de ofício, o treinador improvisa Carina ou Tássia na função e, em teoria, ganha em poder de fogo nos arremessos, em altura (ambas passam de 1,75m) e em agressividade no ataque e na defesa (parece ótimo).

Como era de se esperar devido a esta opção, as assistências (23 somadas) não vieram nas duas primeiras partidas (vitórias contra a Argentina e Chile Sub-23 - hoje, às 19h, as adversárias são a Sub19 chilenas), mas o que preocupa mesmo é o desempenho de Tássia (foto), uma das pedras fundamentais do time (a outra, Damiris, tem jogado bem e tem média de 15 pontos e 7,5 rebotes). Contra as maiores rivais do continente a ala de Americana teve 2/7 em quase 36 minutos. Ontem contra as chilenas, 1/10 (ao todo, 3/17 ou 17,6%). Carina, outra que deveria acertar a mão, tampouco está bem (até agora, 8/25 - 32%).

É fato que ainda é o começo da preparação, mas a seleção brasileira Sub19 precisa demais de Tássia (talvez ela ainda se ressinta de maior ritmo de jogo após sua operação no joelho) e Carina em forma e com bom aproveitamento nos chutes para ir bem no Mundial do Chile. É bom que a dupla encontre seus melhores momentos nos arremessos. Tarallo e o time agradeceriam muito.

Brilho também no Junior College

Começou ontem o torneio principal da NCAA, divisão universitária mais conhecida dos EUA. Não muito conhecida por aqui, mas muito valorizada por lá, tem início hoje o NJCAA Tournament, o campeonato nacional dos Junior College norte-americanos (como explicar os Junior College? seria uma espécie de faculdade preparatória).

Lá brilham, entre outros brasileiros, o quinteto (na foto acima) André Marone (SP), Ian Matos (RJ), João Vianna (DF), Mateus Crepaldi (SP) e Rodrigo de Souza (SP). Eles foram campeões da região IX por Western Wyoming e, no torneio Nacional, enfrentaram Shelton State ontem (derrota por 83-77 em Kansas). Além deles, chama a atenção o desempenho de Gerson do Espírito Santo (foto ao lado), que começou a jogar em Valença (RJ) há menos de quatro anos (jogou no América, de Três Rios, e também treinou no Pinheiros por algum tempo) e se destaca em Southern Idaho com 8,9 pontos e quatro rebotes por partida. Hoje Gerson e seu time enfrentam os Redlands.

Para quem quiser acompanhar mais sobre a decisão da NJCAA, o site é bem completo (clique aqui) e há também transmissão dos jogos (aqui). Seria muito bom se houvesse um controle grande por parte da Confederação (notícias no site então nem pensar...) sobre estes meninos. É muito brazuca nos EUA, e eles serão muito úteis em um futuro bem próximo.

Revolução maranhense

Marlon Marcio Luz Louzeiro não é tão conhecido por aqui. Agora com 23 anos, o maranhense que começou a carreira em São Luís foi tentar a sorte no Midland College (Junior College nos EUA) em 2009. Foi vice-campeão do NJCAA, teve as honrosas médias de 5,4 pontos e 5,8 rebotes e recebeu convite para jogar na University of Arkansas Little Rock.

Com jogo bem físico e dono de uma estupenda defesa, Marlon (de 2,01m) teve as médias de 12,3 minutos, 3,4 pontos e 2,6 rebotes na campanha da equipe, que ontem jogou na chave principal do torneio da NCAA pela primeira vez desde 1990 (o famoso March Madness). E foi lá que o maranhense brilhou - e brilhou demais. O ala-pivô, que obteve mais de dez pontos em apenas quatro oportunidades na temporada, foi muito bem nos arremessos (5-7), terminou com 11 pontos e cinco rebotes, mas não evitou que Little Rock fosse derrotada por North-Carolina Asheville por 81-77 na prorrogação - antes a universidade havia conquistado o título da Conferência Sun Belt.

De origem bem humilde e estudando educação física, Marlon Louzeiro é o segundo brasileiro no March Madness de 2011 (o outro é Fab Melo, que joga na sexta-feira contra Indiana State). Independente do resultado de ontem, acho sinceramente Marlon é um grande vencedor por estar lá. Sua história é recheada de lutas e conquistas sofridas, e seu desempenho na partida de ontem só reforça de que se trata de um grande rapaz. Parabéns para ele.

terça-feira, 15 de março de 2011

Sobre Kevin Love

Como metade do mundo sabe, terminou no domingo em 53 a sequência de duplos-duplos de Kevin Love. Fiquei chateado, queria que o ala-pivô terminasse a temporada com mais e mais DD's, mas infelizmente não é isso que importa no basquete.

Kevin Love cresceu seus números (20,2 pontos e 15,7 rebotes, quase 50% a mais que na temporada 2009-2010), tornou-se um All-Star (justo!), mas o problema é que ele não tem conseguido reverter isso em vitórias para seu time (em que pese, claro, este time ser o patético Minnesota Timberwolves). Mas há dados importantes aqui: os Wolves terminaram 2010 com 17 vitórias. Até agora, com Love aloprando nos números, o número é igual (e faltam 14 partidas para terminar o campeonato). Durante a sensacional sequência do ala, o time só conseguiu 13 vitórias (e 40 derrotas, um aproveitamento de 25%). Pouco, não?

Talvez uma frase de Kevin Love após o jogo contra os Warriors explique bem o que se passava com ele em particular, e com o time de um modo geral: "Olha, estou aliviado. Agora posso me focar no meu jogo e em como ajudar o time a vencer". É exatamente isso o que penso. Bons números só são bons números quando eles vêm com vitórias na carona. O ex-ala de UCLA é excelente, mas precisa aprender a envolver seus companheiros por piores (e eles não são tão bons mesmo) que eles sejam (para se ter uma ideia, sete foi número máximo de passes que ele teve em uma partida dessa temporada). Inteligência e sabedoria em quadra ele já provou que têm de sobra. Agora é só aplicar. Quem sabe no próximo campeonato, com um armador melhor (Ricky Rubio?) e um pontuador confiável (Wes Johnson?).

Grande jogo no Tijuca

Jogão hoje no Tijuca às 20h (devo ir lá). O Flamengo tenta voltar à liderança ao receber o Franca, que parece ter reencontrado o melhor basquete depois do Jogo das Estrelas (no domingo venceu Vila Velha com grande atuação de Helinho, que teve 13 assistências).

Teremos, além de grandes duelos individuais (Hélio Rubens x Gonzalo Garcia nas pranchetas, Hélio/Fred x Benite/Helinho, Marcelinho x Márcio e Drudi/Rogério x Teichmann/Bábby), uma rivalidade que quase sempre costuma sair faísca em quadra (quem não se lembra da confusão na partida antes do Jogo das Estrelas?). Se isso tudo não fosse o bastante, os dois times têm jogado bem e brigam na parte de cima da tabela.

E aí, amigo leitor, alguma aposta para o duelo de hoje à noite? Diga na caixinha!

Inexplicável

Entendo perfeitamente a contratação de Silvinha Luz por Americana. A veterana de 36 anos teve ótimas médias por Catanduva (12,7 pontos e 2,9 assistências) e ainda mostrou uma qualidade até então desconhecida: atuou de armadora, e foi muito bem na função. Poderá contribuir para o crescimento de Babi e Debora e dar um desafogo nos arremessos para Karla e Karen - isso sem falar na ausência de Tássia, que estará com a Sub-19 até o fim de julho.

Agora, o que eu não entendo mesmo é a contratação, por parte de Americana, da ala Fernanda Beling (foto), reserva de Ourinhos no último Nacional e dona das inexpressivas médias de 7,3 pontos e 20,2 minutos por jogo. E não é que "apenas" os números jogam contra a jogadora, mas principalmente a sua parte técnica, que regrediu muito desde as Olimpíadas de Pequim (e já se vão quase três anos aí...). Para ser bem sincero: Fernanda ficou mais lenta, sua defesa (individual e de ajuda) caíram horrores e seus arremessos não caem mais.

Repito o que sempre digo: Americana tem um dos melhores e mais admiráveis trabalhos de base do país - e como agravante perdeu patrocínio da Unimed Estadual recentemente, o que em teoria diminuiu o poderio financeiro da equipe. No meu entendimento poderia, ao invés de trazer uma veterana sem grande impacto nos resultados de 2011 (Fernanda Beling), investir e dar tempo de quadra para a jovem Leila Zabani, que pouco atuou desde que Zanon por lá chegou. Na minha cabeça não há explicação alguma, a não ser uma grande falta de visão dos gestores do basquete da cidade em dar chance às meninas que eles próprios ajudaram a formar. Contraditório, não?

segunda-feira, 14 de março de 2011

Clarissa em Americana

O Bert escreveu ontem excepcional artigo sobre a A2 de São Paulo, que promete ser o novo pólo para as jovens tentarem sucesso na modalidade. Mas há novidades entre os cinco times que disputarão a primeira divisão também.

A maior delas atende pelo nome de Clarissa. Destaque de Catanduva na LBF (médias de 13,5 pontos, 11,9 rebotes e o título de revelação da competição), a ala-pivô acaba de se transferir para Americana. Lá ela se juntará ao time que chegou à semifinal do Nacional Feminino (pelo que apurei, Catanduva se reforçou com Kátia Denise, Gilmara - sim, ela retorna -, Fabão e Mariana Camargo). Há ainda a possibilidade de Nádia, pivô de São Caetano, se transferir para o atual campeão Santo André, mas não há nada confirmado.

E aí, está sabendo de mais novidades do basquete feminino? Comenta na caixinha que a gente troca uma ideia!

Primeiro escalão

Não é muito fácil analisar a tabela do NBB (há times com 21, 22, 23 e 24 jogos), mas uma coisa fica muito clara: o primeiro escalão está bem sedimentado. Com apenas seis derrotas, Franca, Flamengo, Brasília e Pinheiros têm boas campanhas e devem se classificar para o Torneio Interligas e folgar na primeira rodada do playoff.

Vi o jogo de ontem entre Pinheiros e Uberlândia, e os paulistas comandaram as ações com segurança para vencer por 83-80 (Chuí terá trabalho para frear a sanha dos três pontos de seu time - ontem, 4/22, com Collum e Day com 1/15). Cinco jogadores tiveram mais de dez pontos (Morro, com 17 pontos e nove rebotes, e Shammel, 19 e seis passes, foram muito bem) em um time que, ao menos ontem, conseguiu manter a tranquilidade e jogar com um mínimo de consciência (fato raro por aqui). Ponto para João Marcelo Leite, o técnico, e para Figueroa, o armador da equipe. Quem também jogou bem neste domingo foi Franca, que destroçou Vila Velha por 102-66 com uma atuação incrível de Helinho (18 pontos - 8/8 nos arremessos - e 13 assistências).

O primeiro bloco dos times do NBB está formado. Agora é saber como ficarão os confrontos dos playoffs do quinto ao décimo-segundo e quem conseguirá as primeiras colocações na tropa de elite. Você arrisca algo? Então comente na caixinha!

Quando a prioridade é a miopia

No lançamento da camisa da seleção, perguntei a um dirigente da CBB a respeito de melhorias no site (que, sinceramente, me incomoda pacas). A resposta dele foi singela: "Consideramos o site realmente inadequado, mas temos, na Confederação, uma matriz chamada 'Relevância' x 'Urgência', e quase sempre colocamos as reestruturações de lado porque temos coisas para tocar antes".

Eu não retruquei, porque obviamente seria inócuo. Como sempre digo, os dirigentes do basquete brasileiro (mais precisamente da CBB) não sabem quem são seus consumidores (e nem seu sei, claro, pois não há pesquisa decente a respeito), mas uma coisa é muito clara: o jovem que consome a modalidade está (chuta?) na internet. Veja um jogo da NBA ou do NBB no Twitter e acompanhe os interessantes debates que sempre surgem, converse no fórum do Draft Brasil, troque ideias na Twitcam do Bala na Cesta ou do Rebote. É só molecada, é só tarado em informação e interação via internet (e é uma galera exigente, com conhecimento, com sede de querer conhecer mais e mais).

Por isso estranha muito que, se o layout não pode ser modificado rapidamente (desconfio disso também, mas tudo bem), falte informação sobre os brasileiros do mundo (tem brazuca no March Madness, pô!), notícias sobre o planejamento estratégico da CBB (se é que há, claro), divulgações importantes sobre convênios que estão sendo firmados (quase todos com Hortência) e muito mais. Mas a CBB prefere o silêncio, prefere a trincheira da passividade. É uma opção. E uma opção para se distanciar daquele que é o seu público agora e que deveria ser mais cativado para que continue a ser no futuro. Por enquanto, o que vemos é a Confederação se afastar, fechar os olhos. Pode custar caro.

domingo, 13 de março de 2011

Vale a pena rever

O Rodrigo Alves escreveu sobre o assunto no Rebote, e vale realmente a pena dar uma olhada na cerimônia de vigésimo aniversário do primeiro título do Chicago Bulls. Deixo aqui embaixo os dois vídeos, bem emocionantes até para quem, como eu, não é torcedor do time, e a pergunta no ar: será que este Chicago de Derrick Rose é mesmo capaz de brigar pelo título? Foi assunto da caixinha aqui outro dia, ontem os Bulls sapecaram um 118-100 no Utah (18 bolas de três pontos, recorde da franquia) e agora estão praticamente empatados com o Boston na liderança do Leste. Comente na caixinha!

Da Prancheta

39 - Foi a eficiência de Lucas Bebê na partida em que seu time, o Estudiantes, venceu o San Isidro por 75-61 na rodada da EBA B. O pivô teve 20 pontos (8/11), 11 rebotes, cinco tocos, duas roubadas e duas assistências, terminando com mais eficiência que todo o time adversário (38). A atuação é a melhor de Lucas no ano, e vem em ótimo momento por dois motivos: o Draft da NBA que se aproxima, e o Mundial Sub-19, em que ele será fundamental para a seleção brasileira.

30 - Foi a eficiência de Jefferson Socas, do Real Madrid, no jogo de ontem contra o Casvi (vitória merengue por 70-64). O armador esteve quase perfeito em seus oito arremessos (20 pontos e 9/10), apanhou cinco rebotes e ainda teve quatro roubos. Jefferson tem as ótimas médias de 11,2 pontos, 4,3 rebotes e 1,9 passes na EBA B também.

Pergunta pertinente: será que José Neto, comandante da Sub-19, não poderia ter ido à Europa ver esses meninos, ao invés de apenas acompanhar Rubén Magnano na viagem aos EUA (independente de Socas não ser "convocável" para este time devido à idade - mas pelo planejamento de futuro das seleções)? Parece-me muito claro que alguém da CBB precisa monitorar esses jovens valores brasileiros de perto!

Alto-falante

"Sinceramente achei que estava fora da temporada"

A frase é de Kobe Bryant, ala dos Lakers que, durante o terceiro período da partida contra o Dallas (vitória De LA por 96-91), torceu o tornozelo esquerdo de forma que parecia grave. Para sorte dele (após o duelo ele disse que a dor foi a mais assustadora de sua carreira), e dos angelinos, não foi (tanto que ele voltou para os seis minutos finais da peleja).

sábado, 12 de março de 2011

Da Prancheta

100.000 - São os pontos do NBB, agora em sua terceira edição (na rodada de ontem, o Flamengo retomou a liderança ao vencer Joinville e ver Pinheiros perder para Brasília). O responsável por alcançar o feito foi Ansaloni, de Vila Velha, após passe do norte-americano Riddick. Por coincidência, o adversário foi Araraquara, que fez parte do primeiro jogo do NBB (Andre Bambu fez a primeira cesta). No fim, Araraquara fez 80-66 e venceu a partida, que começou às 16h de sexta-feira. O momento histórico da competição, portanto, foi visto por pouca gente. Vai entender...

O leitor comenta - Leonardo Moura

Ontem, na caixinha de comentários sobre a partida entre Lakers e Miami (os Heat venceram por 94-88, com grande atuação de Dwyane Wade), um me chamou muito a atenção. Foi de Leonardo Moura, e falava sobre a fase de Chris Bosh, ala-pivô da Flórida. Reproduzo aqui embaixo, porque considero uma análise estupenda. Parabéns, Leo!

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Eu acredito que o problema do Chris Bosh é falta de atitude. Ele atua em uma posição em que é necessário ter atitude, tomar a frente e pronto. Falta nele aquele ALGO a mais para ele ser realmente uma estrela na posição 4.

Tim Duncan olhava pros companheiros e se não rolasse passe (a mentalidade primeiro o passe do Tim é fantástica) ele estava na posição ideal para finalizar suas jogadas (normalmente com ângulo para a tabela ser usada como referência ou como mecanismo para a cesta). Kevin Garnett tem um range (aproveitamento) num arremesso de longa distância (um passo à frente da linha dos 3) que foi treinado até a exaustão e ele é o ala-pivô com mais atitude que eu já vi. Pau Gasol é uma verdadeira escola de fundamentos de basquete para um ala-pivô - gancho com a esquerda, gancho com a direita, arremesso para média distância, arremesso para a tabela, giros, enterradas. Onde ele estiver da linha do lance livre para frente ele consegue pontuar e se movimenta muito bem. Amare Stoudemire é o melhor saindo numa situação de pick-and-roll e tem muitos recursos.

Acredito que o Chris Bosh pode receber 20 arremessos por noite mas se ele não for melhor aproveitado, vai errar todos. Ele tem arremessado por volta de 11 bolas. Se essas bolas ele infiltrasse ele ganharia lances-livres. Se ao invés de receber muito acima do garrafão realizando apenas passes para o lado ele recebesse mais próximo do aro ele criaria um risco triplo: poderia girar para a cesta buscando contato, poderia girar para fora buscando um arremesso de fade away ou poderia passar para alguém que estivesse cortando em direção a cesta como o Wade e o Lebron tanto fazem. Ele tem qualidade no passe e ele não tem um gancho de longa distância que possa ser levado em consideração e houve uma entrevista em que disseram para ele não cortar para a esquerda (eu acho) porque ele tem um menor aproveitamento nessa direção. Mas é uma opção de jogada. Ele precisa criar o medo das muitas opções de jogada possíveis para confundir o defensor.

Bosh é, sim, a terceira escolha ofensiva nessa franquia (me recuso a chamar de time um grupo com menos de 20 assistências por noite - e destas, mais de 15 vêm de três jogadores), mas ele poderia ter tranquilamente 18 pontos de média se fosse melhor aproveitado.

Para ficar atento

A FIBA avalia neste fim de semana em Lyon (França) se dará (ou não) uma vaga automática às seleções de basquete do Reino Unido nas Olimpíadas de 2012, que será disputada em Londres. A dúvida dos dirigentes atende pelo quesito "competitividade".

A FIBA teme que os britânicos, sem tradição alguma no basquete, paguem mico em casa e que outro país com ótimos trabalhos na modalidade acabe ficando de fora por conta dessa vaga automática. De cara, a medida da não inclusão dos donos da casa não deve afetar ao Brasil, mas é bom ficar de olho. Os Jogos de 2016 serão por aqui, e por mais que a seleção seja tricampeã mundial e quatro vezes medalhista olímpica, os últimos resultados do time masculino foram pífios (em Olimpíada então nem se fala). Por isso, mais do que nunca uma vaga conquistada nos Jogos de Londres via Pré-Olímpico de Mar del Plata valerá muito.

Valerá, na verdade, duas vagas em uma. Carimbando o passaporte para 2012, o Brasil garante presença também na competição que será realizada no Rio de Janeiro e dá a Rubén Magnano e aos dirigentes da CBB chance de planejar com muita antecedência (e sem pressão) o que será feito até lá.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Vale

A seleção feminina Sub-19 embarca neste domingo para o Chile. Lá, participará de um torneio em que enfrentará chilenas sub-23 e sub-19 e argentina sub-19. De pronto eu me perguntei: será que vale como preparação para um time que jogará o Mundial da categoria em menos de oito meses?

Mas creio que a resposta seja afirmativa. Como diz o próprio Tarallo, técnico da equipe, ao site da Confederação, será a primeira vez que esse time jogará junto em 2011 (já estão há mais de um mês apenas treinando em Jundiaí) e obter um mínimo de ritmo de competição será importante para as meninas. Também será uma ótima oportunidade para o treinador ver como funciona o quinteto titular (será que ele jogará com "quatro abertas"?).

Pelo que vejo, a estatura das meninas não é das maiores, e há grande chance de Damiris ser deslocada para a função de pivô (eu não gosto). Como destaques, cito a armadora Aruzha (foto), Tássia, Carina (campeã da LBF por Santo André), Isabela Ramona (destaque da Mangueira no Nacional), Joice (adoro o jogo dela!) e Izabella Sangalli, a mais nova do grupo (tem apenas 15 anos - e não 16 como diz o site da CBB). Boa sorte para as meninas em mais esta etapa de preparação para o Mundial Sub-19 do Chile.

Duas coisinhas

-- Hoje é aniversário de Magic Paula, melhor armadora brasileira de todos os tempos (no site da CBB, claro, não há nada a respeito). Paz e saúde pra ela. Que a agora gestora continue lúcida, séria e inteligente como sempre. Sucesso e parabéns, Paula!

-- Ontem, após a derrota para o Miami, Kobe Bryant voltou para a quadra para treinar arremessos - sim, treinar arremessos. Clique aqui e veja. Fica a lição para os mais jovens (e eu estou impressionado com o nível de comprometimento e de competitividade deste cara!).

A "estreia" de Fab Melo

Não poderia começar melhor a temporada 2011-2012 para Fab Melo. No Madison Square Garden, o brasileiro usou as quartas-de-final do Big East contra St John's desta quinta-feira para mostrar o que pode ser o próximo ano.

Com 22 minutos em quadra, foram 12 pontos (duas bandejas cruciais nos 120 segundos finais), 100% de aproveitamento nos arremessos (5-5), quatro rebotes e uma assistência salvadora para Rick Jackson colocar Syracuse à frente (67-66) antes de vencer os rivais por 79-73. Depois do jogo, o pivô brasileiro mostrou-se aliviado e feliz com a melhor atuação: "Sei das expectativas que todos têm em relação a mim, mas pode ter certeza que a minha expectativa em relação a mim é bem alta", disse ao site oficial da equipe.

Hoje Syracuse enfrenta Connecticut para reviver a semifinal do Big East de 2009 (aquela com seis prorrogações, lembram?). Se conseguir mais uma boa atuação, Fab Melo sobe mais um degrau para se tornar o grande pivô que todos esperam. Sorte para ele!

Ponte Aérea - Giovannoni & Olivinha

Pinheiros e Brasília se enfrentam hoje na capital federal, e um dos duelos mais interessantes acontece entre os alas-pivôs Guilherme Giovannoni e Alexandre Olivinha, dois dos maiores candidatos ao prêmio de MVP do NBB3. O Bala na Cesta decidiu promover a Ponte Aérea entre eles antes da peleja. Divirtam-se com o papo! E bom jogo aos dois.

GIOVANNONI: A primeira pergunta não tinha como ser outra. Pelo fato de eu ter praticamente iniciado a minha carreira profissional no E.C.Pinheiros, gostaria que você comentasse o que acha da estrutura do clube e como você vê esse momento do clube investindo pesado no basquete?
OLIVINHA: A estrutura do Pinheiros é excelente. Aqui no Brasil eu não vi nada parecido. Tudo é de excelente qualidade, as pessoas que freqüentam o local, as dependências, realmente é uma coisa fora do normal. Sobre esse momento do Pinheiros no basquete eu particularmente fico muito feliz por fazer parte do projeto desde o início. Esse ano o Pinheiros investiu pesado e os resultados estão aparecendo. Infelizmente perdemos a final do paulista (fato inédito na história do clube ter chegado lá) para Limeira, mas estamos indo muito bem no NBB. Até o momento somos os líderes (outra coisa inédita), e acho que a diretoria está muito satisfeita. Creio que isso sirva de motivação para que o investimento continue.

GIOVANNONI: Você sem dúvida tem sido um dos melhores jogadores desse NBB. Pensa em aproveitar a boa fase talvez com alguma oferta do exterior ou a ideia é seguir o crescimento do campeonato?
OLIVINHA: O NBB vem crescendo, está bastante competitivo, grandes jogadores estão retornando da Europa e estrangeiros estão chegando também. Acho que o NBB e o basquete brasileiro só ganham com isso. Quanto a ir jogar na Europa, é um sonho que tenho. Ano passado tive propostas, mas não me agradaram muito e preferi ficar no Pinheiros, que está com um projeto sério e bastante ambicioso. Mas não fecho as portas para a Europa. Caso apareça uma proposta que me agrade, tenho bastante vontade de ir para um grande centro como Itália ou Espanha. Vamos ver o que vai acontecer.

GIOVANNONI: Depois da final do paulista, vocês passaram por um momento muito difícil, com uma derrota muito dura pra São José pelo NBB. Dali em diante vocês cresceram muito na competição. O que mudou de lá pra cá?
OLIVINHA: Realmente aquela derrota para São José foi pesada. Estávamos de ressaca com a perda do paulista, chegamos lá e foi um jogo em que nada deu certo para o nosso time. Mas depois desse jogo nos reunimos, falamos que tínhamos que esquecer o que aconteceu, que já era passado, que não adiantava ficar lamentando. Tínhamos que treinar duro todos os dias, trabalhar forte porque tínhamos o NBB pela frente e foi isso que aconteceu.

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OLIVINHA: Você praticamente fez a sua carreira na Europa, ficou lá por muito tempo. Quando você saiu do Brasil e como foi pra você essa experiência?
GIOVANNONI: Eu saí no começo de 2000. Fui pra Espanha, e no começo foi muito difícil. Depois voltei para o Brasil por seis meses e então fui para a Itália. Aí já foi bem melhor, pois já sabia o que esperava. A experiência no basquete e como lições de vida foram fantásticas.

OLIVINHA: Você teve alguma oportunidade de jogar na NBA? Fez algum Camp, jogou Liga de Verão ou coisa parecida?
GIOVANNONI: Na verdade eu só fiz uma Liga de Verão em 2004 pelo Cleveland. Mas oferta mesmo eu não tive.

OLIVINHA: Qual foi o momento mais marcante da sua carreira até agora?
GIOVANNONI: Acredito que os momentos marcantes pra nós jogadores são quando ganhamos títulos. Por isso acho que todos com a seleção foram marcantes, e acredito que o do NBB passado, pelo fato de eu ter acabado de voltar para o Brasil, e o Sul-Americano de clubes que ganhamos do Flamengo lá no Rio foram especiais.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Alto-falante

"Se você não enxerga algo especial em Derrick Rose, você é cego. Temos um excelente técnico, um ótimo elenco, o time é sólido e se nos mantivermos saudáveis podemos ganhar no mínimo quatro troféus nos próximos anos", Jerry Reinsdorf, dono da franquia Bulls

"Ele é o MVP da temporada. Merece, sem dúvida alguma. Ele está jogando muitíssimo bem. Se não for eleito, saberá como me senti há 20 anos", Michael Jordan

"Todo mundo no vestiário acha que podemos vencer neste ano. Aliás, quem é que pode nos dizer que não podemos conquistar o título já nesta temporada?", Derrick Rose

Otimismo, teu nome é Chicago. E aí, amigo leitor, será que os Bulls podem ganhar o anel de campeão já nesta temporada? Comente na caixinha!

O campeão contra o líder

Não poderia haver jogo melhor para esta volta do NBB3. Na capital federal, o Brasília (terceiro com 14-6) recebe o Pinheiros (líder com 16-5) amanhã no duelo entre dois dos melhores elencos da competição e entre o atual campeão, os candangos, e o primeiro colocado na tabela de classificação.

Será, também, a chance de vermos ótimos duelos individuais: Olivinha (cotadíssimo para ser o MVP da temporada - na foto) x Giovannoni (o principal ao meu ver), Alex x Shammel, Figueroa x Nezinho e até entre os técnicos João Carlos Vidal x João Marcelo Leite.

Pena que o Sportv não exibirá a partida, às 20h de sexta-feira, mas será, sem dúvida um dos melhores duelos da competição. São dois ataques poderosíssimos (o Pinheiros tem 88,2 de média; e os candangos, 87,8). Quem será que leva? Comente na caixinha!

O jogo

Meu computador não me ajuda, mas hoje à noite tem um jogão na NBA entre Lakers e Heat. Os angelinos vêm de oito vitórias consecutivas, e a turma da Flórida, de cinco derrotas seguidas.

Para apimentar ainda mais a peleja, na terça-feira Phil Jackson disse que na NBA não são permitidos meninos, numa clara referência ao suposto choro dos jogadores do Miami após a derrota para o Chicago no domingo passado. Além disso, Chris Bosh, ala dos Heat, disse que precisa ser mais alimentado para render melhor.

As cartas, portanto, estão na mesa, e agora eu quero saber de você, amigo leitor, quem vence o duelo de hoje. Comente na caixinha que a gente troca uma ideia!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Para curar a ressaca

Jogão hoje na ACB às 16h30 (transmissão do Bandsports). Em casa, o Baskonia enfrenta o Valencia em partida que pode render aos vitorianos a terceira colocação (com 14-9, os bascos estão a apenas uma vitória dos valencianos).

Estarão em quadra os dois armadores que mais passam na liga (o brasileiro Huertas, o primeiro, e o norte-americano Omar Cook), o jogador mais eficiente da ACB (Fernando San Emetrio, do Basknonia, registra 17,4), o sexto maior cestinha (Rafa Martínez, do Valencia, tem 14,7 pontos) e dois dos melhores treinadores do país (o sérvio Svetislav Pesic, campeão mundial em 2002 com a Iugoslávia e responsável pela tríplice coroa do Barcelona em 2003, e Dusko Ivanovic, mentor do ferrolho que rendeu o título espanhol da temporada passada ao Baskonia).

O Baskonia leva ampla vantagem sobre o Valencia (22-6 na história e seis vitórias consecutivas), mas os hoje visitantes estão empolgados com a primeira passagem às quartas-de-final da Euroliga. Vale a pena ficar ligado no duelo.

Alto-falante

"Sou um ala-pivô, não tem jeito. Posso arremessar, sei arremessar, mas preciso receber a bola nos locais em que os homens grandes recebem a bola. Aí sim vocês podem me cobrar e eu poderei ajudar um pouco mais"

A frase é de um atordoado Chris Bosh após mais uma derrota do Miami Heat (a quinta consecutiva). A de ontem veio para o Portland, em casa, por 105-96, e o ala-pivô teve apenas sete pontos (3-11 nos chutes). E sabem o que é mais cruel na derrota desta terça-feira? O Miami Heat chutou 51%, anotou 48 pontos no garrafão, cometeu apenas quatro erros no segundo tempo, teve 69 pontos de Wade e Lebron e mesmo assim perdeu por nove. Difícil não demonstrar frustração. Ah, e na quinta-feira os Lakers estarão na Flórida.

terça-feira, 8 de março de 2011

Alto-falante

"Hoje creio que seja inviável (ser técnica da seleção) pela filosofia implantada pela Hortência na CBB. Ela prefere apostar em técnicos estrangeiros ou mais novos, que possam se adaptar ao que ela entende ser o melhor. O pior treinador que o Brasil possa ter é melhor que o Colinas. Deu dó de ver nossa Seleção. Não sou totalmente contra a técnicos estrangeiros, mas que eles sejam melhores do que os brasileiros"

A frase é de Laís Elena, em entrevista ao Diário do Grande ABC. A treinadora, a melhor da primeira edição da LBF, parece não gostar muito da atual gestão da CBB...

O tamanho da concentração

Muito se tem falado sobre a concentração de arremessos do Miami Heat em torno do trio Wade-LeBron-Bosh. Passei ontem boa parte da tarde em cima dos números das sete equipes que creio disputarão o título para saber se, de fato, a turma da Flórida deixa tudo na mão do famoso "Big Three".

Dos sete grandes candidatos ao anel, cinco possuem armadores excelentes (e os Lakers, um sistema em que o armador não "arma" a peleja) e treinadores experientes (e Tom, do Chicago, está na liga há mais de dez anos). Vamos aos números.

1) Orlando (trio Howard, Richardson e Nelson) - 45,6% dos arremessos do time
2) Spurs (Manu, Parker e Duncan) - 46,1%
3) Boston (Garnett, Pierce e Allen) - 46,9%
4) Dallas (Terry, Nowitzki e Marion) - 47,4%
5) Lakers (Odom, Gasol e Kobe) - 53,3%
6) Chicago (Deng, Rose e Boozer) - 55,2%
7) Miami (Bosh, Wade e LeBron) - 62,3%

Precisa dizer mais alguma coisa?

segunda-feira, 7 de março de 2011

Juventus-SP de volta ao basquete

Com coordenação da técnica Kátia de Araujo, o Juventus, tradicional clube de São Paulo, está de volta ao basquete. Veja abaixo e no flyer mais informações. Boa sorte à agremiação e à treinadora.

"O Juventus está selecionando meninos e meninas, de 08 a 12 anos, para a formação das equipes de basquete para 2011.

Datas: 14, 16, 18, 21,23 e 25 de março de 2011
Horário: 14h30 e 15h30
Local: Rua Comendador Roberto Ugolini, 20, Parque da Móoca, São Paulo (SP)
Faixa etária: De 8 a 12 anos
Observação: Comparecer com roupas esportivas
Mais informações poderão ser obtidas no telefone (11) 8446-1596 ou pelos e-mails: katiabasquete@hotmail.com ou esporteamador@juventus.com.br".


Problemas em Araraquara

O time de Araraquara, que brilhou no Paulista, vive sérios problemas financeiros no NBB3. É o que informa o bom repórter Fábio Aleixo, em matéria do Lance. Clique aqui e confira.

Uma frase, um dado

"Nós temos caras que podem fechar os jogos", Tom Thibodeau (foto), técnico do Chicago Bulls, que ontem bateu o Miami por 87-86. Bulls estão na segunda posição do Leste (43-18), três vitórias atrás do Boston Celtics. O Chicago, melhor defesa da NBA, voltou a ser grandíssimo!

1-18 - É o aproveitamento do Miami Heat quando o time perde por três ou menos pontos a dez segundos do final do tempo regulamentar ou da prorrogação. O único que acertou neste tipo de situação foi LeBron James, que ontem falhou contra o Chicago diga-se de passagem.

Alto-falante

"Se realmente ocorrer a greve, terei que jogar em outro lugar. E minha primeira opção na Europa é logicamente o Barcelona"

A frase é de Pau Gasol ao programa "El club de la mitjanit" da Rádio Catalunya. Alguns astros da NBA (Dirk Nowitzki e Manu Ginóbili já falaram sobre isso) começam a se mexer em caso de a próxima temporada realmente não ocorrer devido às negociações entre atletas e donos de franquias. Pau Gasol jogou no Barcelona até 2001, quando foi campeão da Copa do Rei e da Liga ACB com o clube do seu coração. Já imaginaram?

domingo, 6 de março de 2011

Mocidade independente

Conheci Franciele no começo de 2008 (aqui). Era uma garota de 20 anos, tímida, calada, mas absolutamente determinada. De lá pra cá passei a acompanhá-la com atenção, sempre ouvindo o que o Bert, do PBF, me dizia (e escrevia) sobre ela. Três anos se passaram, e já dá para falar: madura, a ala-pivô está em fase exuberante.

Defendendo o Cadi na Liga Espanhola, Franciele, que ontem teve 16 pontos e oito rebotes na vitória (o quinto triunfo da equipe, agora na nona colocação, nos últimos sete jogos) por 74-65 contra o Obenasa, de Cintia Tuiu, mostra uma evolução assustadora e ótima para o basquete brasileiro. Ela registra as melhores médias de sua carreira na primeira divisão em minutos (28,4), pontos (14 - sétima marca da competição), rebotes (6,8), eficiência (13,8, a oitava do campeonato) e em percentual de acerto nos arremessos (55,7% - sexta melhor) - o único ponto que merece atenção são os erros (2,6), que ainda incomodam.

A menina tímida ainda existe, mas a maturidade da jogadora é muito clara. Preterida por Carlos Colinas no Mundial de 2010 (que erro, hein!), a ala-pivô deve (alô, alô Ênio Vecchi) ser peça fundamental do time que brigará por vaga nas Olímpiadas de Londres neste ano. Com ótimo potencial físico, boa técnica e excelente tempo de rebote, Franciele tem tudo para ser titular da seleção por muitos anos. Que ela continue a brilhar como tem acontecido na temporada 2010-2011.

E agora, Miami?

Definitivamente não foi uma semana agradável para o Miami Heat. Com mais de 20 pontos de vantagem, o time deixou, em casa, o Orlando virar na quinta-feira, e no dia seguinte perdeu de 30 pontos do San Antonio Spurs em uma performance para esquecer.

Pode ser cruel, mas se somarmos os placares do primeiro quarto da partida contra os Spurs e o segundo tempo do jogo contra o Orlando o Miami tem um déficit de 45 pontos (muita coisa, não?). O óbvio seria criticar a defesa (que leva 95 por partida, é a sexta menos vazada da NBA e de fato falha muito, principalmente nas rotações), mas como é impossível dissociar o ataque de tudo isso, o fato é: enquanto não atuar como um time, os Heat terão problemas - independente de ter pivô ou não. Para se ter uma ideia, apenas três jogadores (precisa dizer quais?) chutam 62,4% dos arremessos da equipe e registram mais de oito pontos por partida - ao todo, o elenco dá apenas 19,5 assistências por partida, a segunda pior marca da liga.

No jogo contra os texanos isso tudo ficou escancarado: de um lado tínhamos um time procurando três jogadores no ataque, e no outro cinco atletas procurando um time para definir as ações. O resultado é claro: se os arremessos do trio não caem (quando os adversários marcam por zona então...), os contra-ataques surgem (foram 34 pontos de Manu e companhia assim), e aí não há defesa que dê jeito.

O Miami, que vem de três derrotas consecutivas (e quatro nos últimos cinco jogos), tem 1-8 contra Bulls, Celtics, Lakers, Mavericks e Spurs, times que disputarão o título (14-16 contra times com mais triunfos que derrotas). Em jogos "apertados" (cinco pontos ou menos) contra times com mais de 50% de aproveitamento, o retrospecto é de medíocres 3-12 (e de 2-7 no geral quando o duelo é decidido por três ou menos). E aí a pressão recai sobre LeBron James e sua reconhecida falta de habilidade para "fechar" partidas difíceis.

Para Harvey Araton, analista do New York Times, o problema de LeBron para "solucionar" jogos não é a falta do "espírito assassino", mas sim a "falta de mais opções de jogadas no duelo de um-contra-um" - e eu concordo absurdamente com isso. O camisa 6 é dono de uma força física descomunal, mas a sua técnica (e finesse, digamos assim) ainda precisa de ajustes. Nos um-contra-um nos minutos finais, quando a visão de jogo é ainda mais necessária, ele ainda peca demais por isso.

A partir deste domingo o time enfrenta, em casa, Chicago, Portland, Lakers, Memphis, Spurs e Oklahoma (todos com mais vitórias que derrotas), e uma boa sequência de vitórias pode apagar um pouco a chama da crise que começa a surgir na Flórida. A menos de seis semanas para começar os playoffs (dá tempo para despachar o péssimo técnico Erik Spoelstra, hein!), seria muito bom se o Miami Heat começasse a jogar como um time. Se conseguir, disputa o título da NBA. Se continuar atuando na base do "trio + o resto" ficará pelo caminho. É "só" escolher.

sábado, 5 de março de 2011

Alto-falante

"(Minha cena inesquecível na TV foi) a incrível vitória do nosso basquete masculino com Oscar e Marcel, no Pan de Indianápolis. Por questões de direitos televisivos, a (final) foi transmitida só nas TVs educativas e eu vi num quarto de hotel, sozinho e chorando. Basquete sempre foi meu esporte número um"

A frase é de Galvão Bueno, em entrevista ao site do O Globo. Já fico imaginando o Galvão narrando a final, em jogo único, do NBB4. Seria no mínimo diferente.

Alto-falante

"Já me encontrei com Michael Jordan, Kobe, LeBron James, Kevin Garnett, Pierce, Ray Allen e outros. Mas não foi por admiração apenas. O fato é que quero estar na situação deles algum dia. Não quero apenas enfrentar LeBron James. Eu quero destruí-lo em quadra em breve"

A frase, publicada no Sporting News, é de Austin Rivers, filho do técnico Doc Rivers (do Boston Celtics) que acaba de anunciar que estudará na Universidade de Duke a partir da próxima temporada (Austin também participou da Copa América Sub-18 em que os EUA bateram o Brasil na final por 81-78 - lá ele teve 19 pontos). Que marra!

Foi muito para Messina

Na quinta-feira, na Caja Mágica de Madrid, o Real entrou em quadra classificado de forma invicta (5-0) na Euroliga, mas a partida valia muito para o Efes Pilsen, que se classificaria em caso de vitória no seu jogo e derrota do Siena, adversário dos merengues. Não ter acontecido nenhuma das duas situações não foi o problema, mas a derrota na capital espanhola revoltou Ettore Messina, que pediu demissão ainda no vestiário.

Não pelo placar (95-77 - a maior derrota de sua carreira em competições continentais), mas pela maneira como a sua equipe se comportou. De forma apática (16 erros), o vexame só não foi maior porque o último período foi vencido pelo Real por 26-17 (sim, os madridistas perdiam um jogo que valia muito para uma terceira equipe por 27 pontos após três períodos - a vantagem dos italianos chegou a surreais 31 na volta do intervalo).

Atualização do post (11:29): Hoje, sábado, Messina deu entrevista coletiva em Madrid e disse que sua saída pode ser boa para o time, que, em sua opinião, não tem maturidade para jogar em alto nível (leia aqui).

No vestiário após a partida, envergonhado pela atitude de seus atletas, o treinador pediu o boné e disse que não voltaria. Ficou ainda mais inconformado com a (falta de) reação dos atletas, que se calaram e sequer tentaram argumentar. Era o ponto final da Era Ettore Messina, um dos melhores treinadores do mundo, no Real Madrid, clube que completa 80 anos de basquete na próxima terça-feira sem muitos motivos para comemorar. O italiano havia sido contratado para trazer títulos e acabar com a hegemonia do Barcelona nos últimos anos.

Messina não conseguiu nem uma coisa nem outra mas culpá-lo, na boa, seria um erro - o time do Real Madrid é apenas razoável, o Barcelona possui um baita esquadrão e os madridistas passavam por uma fase de reconstrução. A frase final dele na capital espanhola fala muito sobre o seu sentimento: "Peço desculpas a quem veio ao ginásio, pagou o ingresso e terá que acordar cedo amanhã. Faltou respeito com os torcedores e com os adversários, e isso eu não posso admitir".

sexta-feira, 4 de março de 2011

O campeão voltou

Antes do All-Star Game Kobe Bryant chamou Pau Gasol para jantar em sua casa. O espanhol, claro, foi, a conversa rendeu, mas quando a noite chegava ao final o ala falou: "Vamos mudar essa história. Quero mais anéis".

O recado estava dado, e parece que Pau Gasol e os Lakers entenderam o que o líder do time queria dizer. Acesos, os angelinos voltaram elétricos para a segunda fase da temporada. São cinco vitórias consecutivas (diferença média de 11,2 pontos), quatro duplos-duplos do espanhol (o grande termômetro da franquia até aqui) e uma defesa bem mais sólida (sofria mais de 96 pontos antes da parada, e 88,4 na vitoriosa sequência).

Tudo bem que os adversários não assustavam tanto (Atlanta, Portland, Clippers, Thunder sem Perkins e Wolves), mas parece que a chama dos bicampeões está acesa novamente. Hoje os Lakers enfrentam os Bobcats em casa antes de viajar para, aí sim, medir forças contra Spurs, Hawks, Heat e Mavs. Bom teste para os comandados de Phil Jackson.

Continua promessa

Ninguém tem dúvida que Ricky Rubio é um menino especial. Só alguém especial consegue anotar 51 pontos em uma final de Europeu Sub-16. Só alguém especial consegue ser titular de uma seleção que conquista a medalha de prata em uma Olimpíada aos 18 anos (isso sem falar do Eurobasket do ano seguinte). Só alguém especial consegue ser campeão da Euroliga guiando o Barcelona aos 19 anos. Enfim: Ricky Rubio é especial.

Mas o menino que surgiu para o mundo em 2005 parou de evoluir. Se possui uma visão de jogo absurdamente diferenciada (4,8 passes na ACB e 4,1 na Euroleague - terceira melhor marca do campeonato local e sétima do continental), Rubio não ganhou tanta velocidade, ainda patina na defesa, possui aproveitamento patético nos arremessos e seu físico ainda é abaixo da crítica.

Nesta temporada da Euroliga tem 17,1% nos três pontos e 6,3 pontos. Na ACB, 24% e 5,4 (ele começou a temporada com ridículos 2/15 de fora). Para se ter uma ideia, nos últimos quatro anos seus números caem assustadoramente: os 10,4 pontos, 29% nos chutes de três pontos e 44% nos de dois de 2007-2008 se transformaram 5,4 pontos, 24% e 39% em 2010-2011. Dos 22 jogos do Barça na competição nacional, Ricky obteve dez pontos ou mais em apenas quatro oportunidades (a última foi em 12 de dezembro contra o Valladolid). Na Euro, em 16 oportunidades foram apenas três as ocasiões com dígitos-duplos (nenhuma na segunda fase). Pouco, não?

Ou seja: para quem deveria se desenvolver, o armador parou no tempo. E isso para o seu futuro não é nada bom - seja ele na NBA ou em qualquer outro lugar. Ricky Rubio surgiu como grande fenômeno no começo de século e realmente joga mais do que a grande maioria dos atletas da Europa. Mas se quiser realmente ser um fora de série precisa melhorar, e melhorar demais. É óbvio que para um menino de 20 anos corrigir as falhas é muito mais fácil do que para um cidadão de 34 (vide o agora ótimo arremesso de Derrick Rose), mas Rubio precisa abrir o olho se não quiser ser eternamente uma promessa.

Samba do avião

No domingo, Ênio Vecchi protagonizou uma cena no mínimo estranha: antes da partida de seu time, o Vitória, pelo NBB3 contra o Limeira o treinador procurou desesperadamente uma televisão para acompanhar a final da LBF, que acontecia em São José dos Campos. Para quem não lembra, Ênio é o técnico da seleção feminina que disputará o Pré-Olímpico em 2011.

O que acontecia ali era óbvio: sem o menor contato com o basquete feminino, qualquer chance de analisar as meninas que serão comandadas por ele é válida (e fundamental). Por isso estranha que a Confederação não tenha aproveitado o período sem jogos no NBB (de 27/2 até 11/3) para organizar uma viagem de Ênio Vecchi (tal qual acontece com Rubén Magnano e Neto, agora nos EUA, diga-se de passagem) à Europa. Seria uma oportunidade excelente para o treinador conversar com Franciele, Érika, Cris e Gilmara, por exemplo. Isso, claro, sem falar na surreal ausência do técnico nos treinos de Tarallo na Sub-19 (de Damiris, Tássia, Aruzha, Joice e Izabella) em Jundiaí (será que a CBB sabe que lá está o futuro da modalidade?).

Sinceramente, é difícil de acreditar que Ênio tenha capacidade de convocar e treinar bem a seleção. Ele não conhece as atletas, não tem a menor intimidade com o feminino e a CBB tampouco ajuda nessa integração. Quase sempre deixadas em segundo plano, as meninas agora terão que se acostumar à posição de serem convocadas no escuro. Faz parte da gestão da entidade. Há quem goste...

quinta-feira, 3 de março de 2011

Sem descartar

Não há time com sequência maior de vitórias atualmente na NBA que o Dallas Mavericks. São sete seguidas e se olharmos mais longe, 17 nas últimas 18 partidas (o único revés veio contra Denver por 121-120). Para quem já havia descartado os Mavs da briga pelo título (tipo eu depois da lesão de Caron Butler), talvez seja bom rever os conceitos.

E engana-se quem pensa que Dirk Nowitzki esteja carregando os texanos nas costas. Com a pior média de pontos nos últimos sete anos (22,8), o alemão passou a selecionar melhor os arremessos (52,5% nos chutes, melhor média da carreira) e vê seus companheiros brilharem tanto no ataque (sete registram 7,5 pontos ou mais - destaque para Jason Terry, que tem 16,3 pontos e 4,3 assistências) quanto na retaguarda (comandada magistralmente por Tyson Chandler, o "capitão" da defesa por zona implantada por lá).

Com a lesão de Tony Parker, pode ser que o Dallas (44-16), o segundo, consiga roubar a primeira colocação dos Spurs (49-11) no Oeste. Caso consiga, dá um passo imenso para tentar complicar a vida do próprio San Antonio e dos Lakers na conferência. Para um time que tem Jason Kidd, Jason Terry, Dirk Nowitzki e uma das melhores defesas da liga, pode ser que a ausência de Caron Butler nem seja tão sentida assim. Definitivamente não dá para descartar os Mavs.

Que tal divulgar?

Se há uma competição que eu gostaria de estar acompanhando com mais profundidade é a Copa Sudeste, que classifica três times da região para a Super Copa Brasil - que, por sua vez, por garantir duas vagas na quarta edição do NBB. Faltam dados sobre os clubes participantes e (o principal) as estatísticas de cada partida (como sempre o site da CBB dá um show de informação).

Agora, o que eu não entendo mesmo é o famoso "calendário" da CBB. De acordo com o site (aqui) a Super Copa Brasil será realizada entre 18 e 25 de abril. O problema é que para termos Super Copa Brasil é preciso que os oito clubes estejam definidos. E para termos os oito clubes definidos é preciso que as Copas Regionais (Norte, Nordeste e Centro-Oeste) aconteçam.

Para se ter uma ideia, a do Norte, com previsão para iniciar no dia 1º de fevereiro, ainda não começou. A do Nordeste, que terá dois grupos, ainda não tem clubes definidos (ou não foram divulgados pela CBB). E a do Centro-Oeste, com sede em Sinop (Mato Grosso), ninguém tem ideia do que será feito. Fica a pergunta para a Confederação: que tal divulgar o que está acontecendo no basquete brasileiro? Não sei se deu pra reparar, mas a Super Copa Brasil é o evento de clubes mais importante da entidade em 2011...