sábado, 13 de março de 2010

O primeiro dos Knicks?

Não parece bala de festim a frase de Joe Johnson nesta semana. Quando o camisa 2 do Atlanta Hawks, agente livre no próximo verão, disse que "se sacrificaria" no mercado, muita coisa começou a ser vasculhada.

Foi a partir disso que o jornal New York Daily News publicou ontem que o rapaz já teria acertado (de boca) contrato com a franquia da Big Apple. Para se ter uma idéia, a publicação diz que Arn Tellem, empresário de Johnson, é amigo de Donnie Walsh (gerente-geral dos Knicks) há 20 anos e teria, inclusive, orquestrado a troca de Tracy McGrady (outro cliente seu) para o time nova-iorquino. Um diretor de equipe da NBA também disse ao periódico que o "acordo já está fechado".

A cartada de Walsh é clara: Joe Johnson seria a isca para os Knicks mostrarem ao mercado que virão fortes na próxima temporada. Com um ala de respeito, o time poderia correr atrás de Chris Bosh ou Carlos Boozer (em um sign-and-trade por David Lee), Dwyane Wade e, claro, LeBron James, menino dos olhos da franquia. É aguardar para ver.

Minas mostra força

Que surra levou o Universo/Brasília nesta sexta-feira pelo NBB, hein? Jogando em casa, os candangos (6/22 nos três pontos) foram atropelados pelo bem armado time do Minas (14/19 de fora) por 96-77, que contou com 17 pontos, 14 assistências e cinco rebotes do ótimo argentino Sucatzki e 28 pontos de Luiz Felipe.

Com a derrota de Brasília e as vitórias de Flamengo (sobre o Pinheiros por 83-79) e de Franca (diante de Londrina por 81-73), o NBB fica cada vez mais embolado na parte de cima da tabela.

Brasília (16), Flamengo (15), Franca (15) e Minas (14) estão separados por apenas duas vitórias. Parece claro que são eles que jogarão o torneio contra os clubes argentinos, e também os que "folgarão" na primeira fase dos playoffs do NBB.

E aí, acompanhou a rodada do NBB? Comente na caixinha!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Torneio confirmado

Conforme divulgado aqui durante o Jogo das Estrelas, hoje a LNB oficializou o torneio entre os quatro primeiros classificados no NBB e na Liga Argentina. Leia mais aqui e comente na caixinha.

Palmas para quem escolheu

Escolhido na 21ª posição do Draft desta temporada, Darren Collison vinha para a NBA com uma missão: ser o reserva de Chris Paul. Mas tudo mudou quando o craque do New Orleans machucou o joelho.

Depois da contusão de Paul, Collison passou a atuar como gente grande. Se como reserva sua média de minutos era de 13 por partida, agora é de 39. Mas isso é pouco: são 18,5 pontos, 8,8 assistências e 1,8 roubos quando ele inicia a partida (seus 4,1 erros ainda são altíssimos, é verdade).

E Collison vai além: antes do All-Star seus números eram de 8,5 pontos e 3,9 passes. Depois da pausa, 20,5 e 9,9 assistências. Em fevereiro, o rapaz de 22 anos e 1,83m obteve estrondosos 21,6 pontos e 8,3 assistências. Isso sem falar no também calouro Marcus Thornton, escolhido na 43ª posição e que soma 22,4 pontos, 50% nos tiros de quadra e 4,6 rebotes de média nos últimos dez jogos.

Para o New Orleans, a chegada de Collison e Thornton é uma grande notícia. Não é uma questão de sentir ou não falta de Chris Paul atualmente, mas sim que a franquia começa a cercar o camisa 3 de jovens talentosos e com muito futuro. Com contrato até 2011-2012, quando a dupla estará mais madura, ficará mais fácil de convencer Paul de que os Hornets podem, sim, ser um time ganhador. Atualmente com 32-33, é muito difícil acreditar que ainda dê para sonhar com os playoffs nesta temporada. No futuro, quem sabe.

Ponto de encontro

Estão definidos os confrontos das quartas-de-final da Euroliga. Com grande atuação de Marcelinho Huertas (16 pontos e sete assistências), o Caja Laboral venceu o Cibona mesmo sem Splitter por 102-90 na prorrogação e enfrenta o forte CSKA (leia mais sobre a atuação do brasileiro). Grande surpresa da competição até aqui, o polonês Asseco Prokom medirá forças com o Olympiakos. Outro duelo de destaque é o entre Maccabi e o Partizan.

De todo modo, nenhum mata-mata chama mais atenção que Barcelona e Real Madrid. Após perder em casa para os israelenses do Maccabi por 66-64, os merengues não conseguiram evitar o aguardado-porém-explosivo duelo contra o Barça, que ontem atropelou o Partizan com fáceis 82-64.

As quartas-de-final da Euroliga começam no dia 23 de março, mas na Espanha só se fala no aguardado duelo. Há quatro anos os catalães tiraram os merengues na mesma fase da competição. Resta saber se agora será diferente.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Alto-falante

"Eles simplesmente vieram aqui e nos aniquilaram. Não estamos olhando para abril ou maio, mas sim cuidando de março. Este é o desafio. E temos que conseguir isso imediatamente"

A frase é de Kevin Garnett (na foto, com camisa preta), ala do Boston Celtics. Ontem os verdes perderam, em casa, do Memphis por 111-91 (sétima vitória seguida dos Grizzlies longe do lar). Com 40-23 e duas derrotas seguidas, o time está a três vitórias do segundo lugar do Leste, o Orlando Magic.

À deriva

O Chicago Bulls começa a rodada em uma situação pouco confortável: com cinco derrotas consecutivas e campanha de 31-32, o time de Vinny Del Negro (foto) estaria fora dos playoffs caso a fase de classificação terminasse hoje. E o futuro não é dos melhores.

Logo mais o Chicago viaja até Orlando para enfrentar os Magic, que vêm de seis vitórias seguidas e estão aprendendo a utilizar Dwight Howard com mais frequência (seus touches aumentaram nos últimos jogos). Na sexta, duelo contra o Miami Heat, adversário direto pela vaga, também na Flórida. Nos dias 16 e 17 de março, Memphis e Dallas (também fora de casa). Os Bulls só voltam ao lar em 19 de março, e nem sei se é tão bom assim: para enfrentar LeBron James e o Cleveland.

O problema do Chicago não é só a tabela, mas sim a maneira como ele (não) vem jogando. Some-se a isso a boa fase dos principais rivais (o Charlotte e os Bucks vêm de quatro vitórias) e temos um cenário desolador para um time que prometia muito no começo da temporada. É bom Vinny Del Negro começar a colocar suas barbas de molho.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Marion Jones está de volta

A ex-velocista Marion Jones, suspensa por doping depois de conquistar cinco medalhas nas Olimpíadas de 2000 (todas devolvidas), acaba de assinar com o Tulsa Shock, da WNBA. Aos 34 anos e com 1,78m, ela jogará de armadora e será treinada por Nolan Richardson.

Jones não é uma novata no basquete. No colégio, jogou pelo time de Thousand Oaks High School, campeão estadual em 1992. Na Universidade de North Carolina, atuou de armadora e ajudou o time a obter uma campanha de 92-10. Pela WNBA, Marion Jones foi escolhida no Draft de 2003 pelo Phoenix Mercury (terceiro round, 33ª posição).

Só acho estranho que uma pessoa que admitiu o uso de substâncias proibidas, tendo passado algum tempo na cadeia por causa disso inclusive, tenha vez no basquete.

E aí, gostou da novidade? A caixinha está aberta!

Alto-falante

"O que há de positivo nesta vitória? Nada, absolutamente nada. O que se viu aqui esta noite foi um lixo"

A frase é de Kobe Bryant, do Los Angeles Lakers, após a vitória por 109-107 contra o Toronto Raptors ontem à noite (os canadenses são vítimas conhecidas do camisa 24: há quatro anos, foi contra eles que o rapaz anotou 81 pontos). Para evitar a quarta derrota consecutiva, Kobe acertou o arremesso que você abaixo.

Os 63 de Marcelinho

O canal do Flamengo no Youtube publicou os 63 pontos de Marcelinho na partida de domingo contra o São José. Após a partida, aliás, o ala comentou: "Outro dia, estava assistindo a um jogo da NBA com a minha esposa e passou uma reportagem sobre os 81 pontos que o Kobe Bryant marcou uma vez. Apareciam os lances e ele comentava, aí eu falei brincando com ela que, num dia inspirado, de repente eu chegava aos 50 pontos. Hoje fui muito feliz, e esse recorde foi fruto do ótimo trabalho da nossa equipe". O vídeo você confere abaixo.

terça-feira, 9 de março de 2010

Mais do mesmo

O Saldanha da Gama acaba de perder os atletas Lucas Costa (foto, Daniel Kaçamba e o americano Mosley. O motivo? Insatisfeito com os constantes atrasos no salário, o trio teria se negado a atuar contra Araraquara no último jogo do time capixaba pelo LNB. Após a ausência, os rapazes foram dispensados.

Lucas, aliás, deu ótimo depoimento ao Databasket, que você lê aqui. Duas perguntinhas, portanto: 1) Até quando a LNB vai permitir isso?; 2) Cadê a Associação de Jogadores em um momento desses?

A caixinha está aberta.

Pepu no DKV Joventut

Pepu Hernandéz, que esteve no Brasil recentemente, acaba de ser anunciado como o novo técnico do DKV Joventut. Ele assume no lugar de Sito Alonso, que foi demitido após sete derrotas consecutivas (11-13 e 11ª colocação na tabela). O contrato é de dois anos, e o campeão mundial pela Espanha em 2006 volta a comandar uma equipe depois de cinco anos (o Estudiantes foi seu último clube).

O desafio de Pepu é não cair no mesmo erro que Sito, que tentou seguir o modelo "Aito Garcia" de treinar: puxar muitos jovens das divisões de base e colocá-los sem muita preparação. A estréia de Pepu é hoje à noite contra o Alba Berlin (Eurocup) e no sábado há o duelo contra o Fuenlabrada pela Liga ACB.

Da Prancheta

71 - É o número de vitórias consecutivas do time feminino de Connecticut, treinado pelo ótimo Geno Auriemma (na foto). A última veio ontem, contra Notre Dame, por 59-44. A série, que começou em 2008, conta com os 32 sucessos desta temporada.

De acordo com o técnico, porém, nada disso será suficiente se o título não vier ao final do March Madness. A marca é a maior do basquete feminino universitário americano, superando os 70 triunfos do próprio time de Connecticut de 2001 até 2003.

Bassul, sem tarjas

Paulo Bassul não precisa de maiores apresentações. Longe da seleção feminina, o treinador agora começa um novo projeto em Barueri, mas aceitou conversar com o blog a respeito do polêmico processo seletivo para a contratação do espanhol Carlos Colinas.

BALA NA CESTA: De cabeça fria e com o anúncio do novo técnico tomado, como você visualizou toda essa situação da contratação do Carlos Colinas?
PAULO BASSUL: Foi um processo longo, demonstrando que as dúvidas e conseqüentes mudanças de rumo para tomarem a decisão foram grandes.

-- Também de cabeça fria e com olhar crítico, uma das maiores críticas que se faz a esta nova CBB é a falta de um planejamento concreto para o basquete feminino, que anda mal das pernas há anos. Você, que esteve ali perto, pode nos dizer o que de fato há neste sentido? Há, realmente, um planejamento para as meninas?
-- Vi o Brunoro (diretor de marketing da CBB) apresentando algumas idéias para os próximos anos, mas não sei o que efetivamente será colocado em prática. Cada projeto envolve várias questões a serem solucionadas e espero que eles consigam, porque o basquete feminino precisa de ações urgentes para enfrentar suas dificuldades.

-- Muita gente, inclusive eu, acha que você deveria ter dito que não queria mais o cargo após as sucessivas provas de falta de consideração, respeito e educação da Hortência para com a sua pessoa. Por que você não fez isso, e como você analisa todo o palavrório da Rainha neste período turbulento?
-- Algumas reportagens publicadas realmente não foram boas. Nas poucas que continham coisas que me envolviam diretamente, a Hortência me procurou sempre negando o conteúdo. Como durante todo o tempo de preparação para a Copa América não tivemos problemas nesse sentido, não via motivos naquele momento para não acreditar nela. Quanto ao cargo de técnico da seleção brasileira, não tenho nenhum constrangimento em dizer que sempre foi um orgulho enorme exercer esta função. Todos esses anos servindo à seleção foram uma grande escola para mim: aprendi demais e achava que após tantos anos de investimento da Confederação no meu trabalho eu devia à entidade essa consideração. Não ia conviver bem com a sensação de que virei as costas para a seleção brasileira e preferi aguardar o desfecho da situação mesmo sabendo o risco que corria.

-- A Hortência, aliás, teria pedido que você não fizesse nada em sua carreira que fosse impactar em um possível retorno à seleção. Agora, sem o cargo que poderia ser seu, como você se sente?
-- Eu prefiro não personalizar as coisas. Apesar do meu contato ter sido sempre com a Hortência, encarei isso como um pedido de uma entidade que tinha investido 14 anos no meu trabalho e procurei ter paciência nesse período de indefinição. Nos primeiros dois meses os motivos alegados para os seguidos adiamentos eram sempre de cunho organizacional (auditoria na CBB, organização do Nacional, término de todas as seleções de base e definição dos cargos e respectivos salários) e por isso estava achando natural. A partir de dezembro, com a viagem da Hortência para a Europa e o discurso de conversar com técnicos estrangeiros, percebi claramente que já não fazia mais parte dos planos deles, mas mesmo assim optei por respeitar a seleção e aguardar a posição final. Se a Confederação chegou à conclusão que meu trabalho não será útil neste momento só me cabe acatar a decisão e tocar em frente. A comissão técnica convoca as atletas e a direção da entidade convoca o técnico da seleção. Não fui convocado dessa vez e ponto final.

-- Muita gente também acha que esta é uma vitória da Iziane, já que ela havia dito repetidas vezes que não mais trabalharia contigo. Com o novo treinador, é bem provável que ela volte. Faltou habilidade de todos os envolvidos (inclusive você) para resolver a situação da melhor maneira possível, sem muito alarde e confete?
-- Analisando superficialmente a situação parece que foi uma vitória dela, mas se observarmos o fato de uma maneira mais profunda, ninguém sai vencedor numa situação onde um desvio de conduta é prestigiado. É uma atitude pedagogicamente negativa, sobretudo neste momento em que precisamos atrair e formar, com exemplos positivos, uma nova geração de atletas. Após a devida punição em Pequim, optamos pela convocação da atleta para a Copa América como uma forma de abrir a possibilidade de ela se redimir, se desculpando e tendo a possibilidade de trabalhar novamente com o grupo. Também não vejo a recusa da convocação como algo pessoal. Quando uma atleta não aceita uma convocação oficial para defender seu país numa competição importante, mostra descompromisso com o grupo e, sobretudo, despreza a honra de defender a seleção. Enfim, comete uma falta ética grave e a entidade tem que decidir o que fazer a respeito. Penso que para se criar um ambiente de justiça numa equipe, no que se refere ao aspecto disciplinar, tem que importar O QUE se faz e não QUEM faz.

-- Por fim, como está o projeto em Barueri, e qual a sua expectativa agora que está sem compromisso com a CBB?
-- Barueri já possuía um projeto de base no masculino e estamos começando também no feminino. Num primeiro momento vou atuar como consultor técnico das categorias de base masculinas e femininas. A idéia é uniformizar metodologicamente o trabalho de iniciação, investir na formação de novos profissionais e no desenvolvimento de talentos. No feminino em 2010 participaremos dos festivais Pré-Mini e na categoria Infanto. No masculino teremos o Pré-Mini, o Mini e o Infantil. Além disso, pretendemos atingir o número de 1.200 crianças nas escolinhas que estão sendo implantadas dentro das escolas do município. Agora passaremos a buscar um parceiro forte para montarmos uma equipe de ponta no feminino e se conseguirmos voltarei a atuar como técnico. A Prefeitura de Barueri tem uma estrutura muito boa e custeia tudo que diz respeito à logística. Com isso fica mais fácil encontrar uma empresa parceira porque seu investimento se resumirá aos salários. Caso consigamos esse parceiro, nossa intenção é repatriar algumas atletas que desejam retornar ao Brasil e mesclar o grupo abrindo espaço para jovens talentos. É importante lembrar que o juvenil e o adulto masculino estão interligados e sob a coordenação do Marcel.

segunda-feira, 8 de março de 2010

E o vencedor é

O vencedor da camisa da AND1 é João Pedro Graciolli Silva. O sorteio foi realizado por Bruna Severo, com auditoria da Balassiano's Young & Family. Parabéns a ele.

O projeto Janeth

Dentre as várias coisas que a nova gestão da CBB tem feito de maneira correta, uma delas é o investimento que tem sido feito em Janeth. Para se ter uma idéia, no sábado o jornal O Globo divulgou que a atual técnica da Sub-15 participará, ao lado de outros atletas e ex-atletas, do curso "Fundamentos da Administração Esportiva", que começa no próximo dia 15, no Rio de Janeiro. De verdade, ótima tacada.

Aos poucos, o que se vê é que a face de "ex-jogadora" de Janeth vem sendo substituída pela de uma gestora de equipes. Nas poucas conversas que tive recentemente, ouvi dela sempre pontos muito positivos: vontade de estudar, reciclagem no exterior, desejo de ouvir a todos.

A CBB, que tanto tem acertado, poderia ajudar um pouquinho a mais naquilo que Janeth ainda se ressente: na bagagem tática. Mandá-la para clínicas no exterior (a do trio Messina, Aíto e Obradovic seria uma boa) e para assistir semanas de treinos com conceituados técnicos da Europa e EUA dariam a Janeth ainda mais ferramentas para que ela se torne, em breve, a ótima treinadora que todos esperamos dela.

O Projeto Janeth está aí.

Colinas fala

O assunto de maior destaque na última semana no basquete feminino brasileiro foi a contratação de Carlos Colinas para dirigir a seleção. Aos 43 anos, ele chega ao time para encarar o seu maior desafio. Com programação de treinos e amistosos para o Mundial da República Tcheca ainda a ser definida e apresentada na próxima semana, o treinador conversou, de maneira franca e bem direta, sobre alguns aspectos de seu trabalho: orgulho, falta de currículo extenso, Iziane, Érika & Franciele e muito mais. Confira.

BALA NA CESTA: Carlos, qual é seu sentimento depois da confirmação de sua contratação? Quando você chega ao país, aliás?
CARLOS COLINAS: Estou muito satisfeito que a CBB tenha pensado em mim para a equipe adulta. Trabalhar no basquete brasileiro é sinônimo de responsabilidade e alegria. Estarei no Brasil em abril e maio para reuniões de trabalho e para acompanhar o Paulista. De maneira permanente, a partir de junho. Meu papo com a Hortência foi sério, direto e cordial. Estamos em sintonia sobre o que a CBB pretende a médio e curto prazo: idéias modernas, melhora nos métodos de trabalho e estar no nível máximo de competitividade nos torneios. Considero-me capacitado para responder às demandas solicitadas.

-- Pode parecer grosseiro eu dizer isso a você, mas aqui no Brasil ainda é uma pessoa desconhecida. Poderia se apresentar, dizer qual a filosofia que tentará colocar em prática?
-- Sou um técnico dedicado ao basquete feminino há 26 anos. Adquiri experiência dirigindo equipes adultas na Espanha e trabalhando com as jovens do meu país que brilham na Europa atualmente. Meu método se baseia no trabalho, na boa planificação das atividades e também na busca do equilíbrio entre os recursos que oferecem as jogadoras individualmente e o conjunto.

-- Não ter uma experiência grande com equipes adultas é um problema para você? De acordo com suas primeiras análises, você trabalhará mais com as jovens ou com as mais rodadas?
-- Vou trabalhar com todas – novas ou veteranas. Temos que construir um jogo de equipe, definindo o estilo do mesmo. Com as mais jovens me interessa reforçar a adaptação às competições de alto nível, até porque em pouco tempo elas terão peso importante no selecionado brasileiro, não? Sobre sua primeira indagação, digo o seguinte: minha experiência com equipes profissionais é suficiente para não temer nada. Creio que a gestão de um time passa por coisas mais importantes que apenas ter ou não ter experiência.

-- A ala Iziane foi uma das principais responsáveis pela saída de Paulo Bassul do comando técnico da seleção. Você chamará esta atleta? Já falou com ela ou qualquer outra jogadora? O que você tem em mente quando o assunto é disciplina?
-- Iziane é uma jogadora de primeiro nível, com muita experiência internacional e uma capacidade técnica extraordinária. Se acharmos que ela deve estar na seleção e ela também o quiser, voltará a jogar pelo Brasil. Mas ainda não falei com nenhuma menina. Sobre a questão da disciplina, o que te digo é que a gestão de uma equipe profissional compreende aspectos e situações claras que qualquer jogadora deve aceitar. Temos que ter conversas, entendimentos, para encontrar um caminho adequado para o êxito da seleção. Simples.

-- Na Espanha, país em que vive, há duas jogadoras que o Brasil aposta muito: Érika e Franciele. Poderia dizer o que pensa sobre elas?
-- São duas excelentes jogadoras, e creio que podem nos ajudar muito com sua juventude, determinação e, principalmente, pelo crescimento que ainda podem ter em suas carreiras. Elas têm qualidade suficiente para atuarem juntas.

-- Diz-se em nosso país que os técnicos estudam pouco. Como você faz para se manter atualizado? Qual é seu método de análise para seu time, jogadoras e rivais?
-- Atualmente nós, técnicos profissionais, temos que manter um nível de atualização altíssimo. Necessitamos de preparação, ver o basquete de todos os lados e conhecer os avanços tecnológicos que podem nos ajudar a conhecer os rivais e suas armas. Para isso, é importante contar, também, com uma comissão técnica recheada de pessoas capacitadas.

-- Se pudesse deixar uma frase para o torcedor brasileiro, o que diria?
-- O torcedor brasileiro sempre se mostrou apaixonado e passional à seleção. Sempre foi fiel, e este é um valor que identifica seu povo e sua seleção. Nesta nova etapa, meu desejo é que a seleção siga entre as melhores. Vou lutar para isso com minhas forças.

domingo, 7 de março de 2010

Mais um na conta

No sábado, na final da liga australiana, a WNBL, deu Canberra Capitals, que conquistou o seu sétimo título ao bater o Bulleen Boomers por 75-70. O Bert, em seu blog, faz uma análise ampla da partida.

Lauren Jackson, com 18 pontos e 13 rebotes, brilhou, mas quem garantiu mesmo o título foi a pivô Marianna Tolo (20 anos, 1,96m), que deu quatro tocos seguidos no final da partida em Liz Cambage, promessa do basquete australiano e principal nome do Boomers.

As duas devem ser convocadas por Carrie Graf, técnica da seleção australiana e do próprio Canberra Capitals, para o Mundial da República Tcheca.

Marcelinho, 63

Flamengo e São José fariam, na manhã deste domingo no Rio de Janeiro, o duelo entre o campeão carioca e o paulista. A vitória de 100-89 foi dos rubro-negros, mas o que chama a atenção foi o excepcional, sublime, mágico, magistral desempenho de Marcelinho Machado: 63 pontos. Eu disse 63 pontos!

Incrível dos três pontos (16/21), certeiro dos dois (5/8) e quase perfeito nos lances-livres (5/6), o camisa 4 ainda apanhou quatro rebotes em um domingo inesquecível para o basquete brasileiro. Esta é a maior marca de um jogador em campeonatos nacionais (Oscar detinha a anterior, com 59, em 1999.

Aplausos para Marcelinho!

Da Prancheta

11 - É o número de vitórias consecutivas do Dallas Mavericks. Ontem o time foi a Chicago sem Jason Terry e Brendan Haywood e contou com 27 pontos de Dirk Nowitzki para vencer os Bulls por 122-116 (43-21). Nesta segunda-feira eles enfrentam os Wolves, em Minnesota, antes de voltar para cinco jogos em casa. Será que a invencibilidade chega a 17 jogos?

Alto-falante

"Estou em sintonia com o projeto da Hortência e do departamento técnico sobre o futuro do basquete brasileiro. Como vi em meu país, chega um momento que é renovar ou morrer"

A frase é de Carlos Colinas, novo técnico da seleção feminina, em entrevista ao site da CBB. Vale lembrar: a média de idade na Copa América era superior a 30 anos.

sábado, 6 de março de 2010

Alto-falante

"Não gosto de falar individualmente sobre o desempenho dos meus jogadores, mas o fato é que nos últimos jogos ele (Pau Gasol) tem estado muito fraco em quadra. Terei que monitorar seu tempo de jogo a partir de agora"

A declaração é de Phil Jackson, e fala sobre a queda de rendimento do espanhol Pau Gasol nas últimas partidas do Los Angeles Lakers. Ontem, aliás, os Lakers levaram uma surra do Charlotte Bobcats por 98-83. Gasol teve 11 pontos e 13 rebotes.

Um jogador

Sempre tive ressalvas ao basquete de Anderson Varejão. Achava seu jogo ofensivo limitadíssimo, a defesa aos "homens físicos" da NBA abaixo da média e outra série de deficiências nos fundamentos (arremesso de longa distância, por exemplo). Pois bem, quase tudo mudou. Atencioso e dedicado em suas férias, Varejão, que teve 16 pontos e 10 rebotes na vitória da noite de sexta-feira dos Cavs sobre os Pistons (99-92), tornou-se um jogador de basquete de primeiríssimo nível.

Não tanto pelos seus números, que ainda são tímidos em termos de pontos, mas muito por conta de sua presença em quadra. Se no setor defensivo sua atuação é destacada pelos analistas e técnicos da NBA (incrível em rebotes, coberturas e antecipações), agora é a vez de mostrar que seu arsenal ofensivo também evoluiu bastante. De perto ele já apresenta jogadas de costas para a cesta e chutes rápidos. De fora do garrafão, o arremesso, antes errático, parece confiável.

Aquele Anderson Varejão, sinônimo "só" de raça e energia para o Cleveland, já era. O camisa 17 se tornou muito mais do que isso. Ponto para Varejão nessa.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Promoção - Camisa da AND1

Você conhece a turma da AND1, né? Aquela galera que roda o mundo fazendo estripulias com uma bola de basquete. Então: o blog sorteia nesta semana uma camisa do grupo (esta, da foto).

Para ganhá-la, envie email para fabio.balassiano@gmail.com até 23:59 de sexta-feira (5 de março) com nome e endereço completo. O resultado sai na segunda-feira (8 de março), após auditoria e sorteio da Balassiano's Young & Family.

Paulo Bassul no Esporte Interativo

O técnico Paulo Bassul deu entrevista ao Esporte Interativo. Você pode ouvir aqui, no mesmo post em que Vitor Sérgio Rodrigues disseca a contratação do espanhol Carlos Colinas. Vale a leitura.

Alto-falante

"Estou muito emocionado. Esta é uma vitória de todo o basquete argentino, e só estarei por lá devido ao crescimento da modalidade no país. Vou representando todos os técnicos. Não considero este um reconhecimento individual, mas sim um orgulho coletivo"

A declaração é do genial técnico Julio Lamas, argentino que acaba de ser convidado pela NABC (associação de técnicos dos Estados Unidos que organiza um evento anual durante o Final Four universitário) para DAR uma clínica em Indianápolis entre os dias 1º e 4 de abril. Estima-se que o público que verá Lamas será de 3.500 treinadores. No ano passado, o técnico estrangeiro convidado foi o sérvio Dusan Ivkovic.

Fica uma pergunta: quando o basquete brasileiro terá o orgulho de ver algum de seus técnicos DANDO uma clínica para os norte-americanos?

O enigma

Onze dos 18 convocados por Walter Roese para a seleção Sub-18 que disputará o Sul-Americano da categoria e depois a Copa América atuam por clubes de São Paulo (novamente um reflexo cruel de como a modalidade é centralizada no país - o resultado em termos de desenvolvimento do esporte é péssimo).

De todo modo, a convocação de Roese basicamente repete o grupo que disputou o Sul-Americano Sub-17 no ano passado (bronze) sob o comando de Gustavo de Conti (agora ele é assistente) e traz algumas das revelações do país que atuam no exterior. Neste grupo, que se apresenta depois, está Rafael Luz (na foto), armador de 1,86m e cuja expectativa em torno de seu nome é enorme.

Explica-se: Rafael tem sido cortejado pela Federação Espanhola para se naturalizar e atuar pelo país nas próximas competições européias. E é por isso que fica a dúvida se o armador irá mesmo se apresentar a Walter Roese para jogar este Sul-Americano com a seleção brasileira - sua atitude, portanto, será um bom indicativo do que ele pensa.

E aí, será que Rafael Luz, principal nome desta geração, se apresenta ao time e termina com a dúvida sobre a permanência com o Brasil para as próximas competições internacionais? A caixinha está aberta!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Vale a leitura

O técnico André Germano, que comanda a seleção Sub-15 que treina no Rio de Janeiro, levou seus atletas para conversar com Bernardinho, da seleção de vôlei. A reportagem do Globoesporte.com dá bem a noção de como foi o encontro. Clique aqui e leia. O site da CBB também fala como foi. Vale a pena ler.

Aula de defesa

Na noite de terça-feira consegui ver a vitória do Lakers contra o Indiana Pacers (122-99). O que mais me impressionou foi o que Ron Artest fez na defesa com Danny Granger. O camisa 33, com média de 22,5 pontos, teve 2-9 nos arremessos, nove pontos e quatro erros em apenas 29 minutos. Com cara de mau, Artest estava colado no rapaz o tempo todo (cinco roubadas e um estupendo jogo de pernas).

Mas não é só isso. Nos últimos jogos Artest tem tido a missão que cabia a Trevor Ariza na última temporada (marcar os melhores chutadores adversários). E o resultado tem sido assustador. Contra o Memphis, no dia 23 de fevereiro, Rudy Gay até que não foi mal (17 pontos, 7-17 nos chutes), mas anotou apenas três no último período. No final, suspirou e disse: "Artest não me deixou respirar. Simples!".

Três noites depois lá estava o camisa 37 em cima de Andre Iguodala, dos Sixers. Apáticos 13 pontos e dez erros em 15 tentativas nos arremessos. Contra o Denver, Carmelo Anthony (28 de média na temporada) suou para conseguir 21 (7-19 e oito erros). No último período, Melo sucumbiu diante de Artest: três pontos e um chute convertido apenas.

Hoje a saga de Artest em acabar com a festa das estrelas continua. Em Miami, os Lakers enfrentam os Heat, e tenho certeza que Dwyane Wade não terá um de suas noites mais agradáveis.

Qual é o projeto?

Vi atentamente a amigável entrevista que Hortência deu ao Arena Sportv de ontem. Também ouvi as declarações de Paulo Bassul ao Redação Sportv desta quarta-feira. A minha conclusão é mais do que óbvia: a Rainha não tem a menor noção do que está fazendo.

O mais grave é o seguinte: ela fala em aposta em Carlos Colinas e pensamento a longo prazo - coisas que não combinam, já que o contrato do espanhol é de seis meses, o Mundial está se aproximando e o time é recheado de veteranas. Se isso não bastasse, até onde eu sei não se faz "aposta", para usar uma palavra que Hortência usou, em quem você não conhece para um projeto tão importante. Colocar Rubén Magnano e pedir que ele desenvolva um trabalho é uma situação. Sonhar o mesmo com Colinas na execução é complicadíssimo.

Por isso eu queria saber qual o projeto que Hortência tem em mãos para o basquete feminino. Ela poderia explicar como um "projeto de longo prazo" pode ter um time que começou o ciclo olímpico no ano passado com média de 32 anos, como um "projeto de longo prazo" não possui um Nacional minimamente pensado para 2010, como um "projeto de longo prazo" banca a indisciplina de uma atleta, em detrimento do bom exemplo para as jovens que estão chegando.

Enfim, Hortência poderia mostrar como é o tal "projeto de longo prazo" que ela e a CBB desenham para o combalido basquete feminino.

quarta-feira, 3 de março de 2010

A teoria na prática

O economista Joelmir Beting tem um livro (de 1973) chamado “Na prática, a teoria é outra”. Não sei se Paulo Murilo, agora técnico do Saldanha da Gama, o leu, mas o fato é que ele desmente inteiramente a frase de Beting. Autor de um ótimo blog, Murilo sempre defendeu um jogo mais cadenciado, estudado e calcado na excelência dos fundamentos. Para quem o chamava de “teórico”, os dois primeiros jogos com o time (derrota diante do Pinheiros e vitória contra o Paulistano) são um tapa com luva de pelica. O técnico Paulo Murilo parece ser tão bom quanto o blogueiro Paulo Murilo. Mas com uma diferença: ele prova que a teoria pode, sim, ser aplicada na prática. Por isso o blog decidiu entrevistá-lo.

BALA NA CESTA: Depois de 18 dias de treinos e duas partidas, já dá para fazer uma análise de seu trabalho com o Saldanha da Gama?
PAULO MURILO: Sim, e tenho a sensação de que se tivesse tido pelo menos um mês a mais de treinos, estaríamos certamente entre os oito primeiros, e os números embasam essa crença.

-- Neste período de treinos, o que o senhor conseguiu verificar como maiores deficiências dos atletas, e até que ponto a formação do jogador brasileiro é defasada?
-- A maior deficiência, até criminosa, é a opinião generalizada de que jogadores adultos não necessitam treinar fundamentos em tempo integral, que eles mesmos não acham tal atividade primordial, e, mais ainda, que na idade deles nada pode ser modificado tecnicamente. Trata-se de uma ofensa grave ao basquete, proferida por quem faz do grande jogo um trampolim técnico-político, o que no final das contas define o quem é quem na modalidade. Oitenta por cento destes 20 dias foram de fundamentos integrais, individuais e coletivos (sim, senhores, coletivos...), e 20% para o conhecimento, adaptação e discussão de um sistema. Daí as aventuras e descalabros nos arremessos de três, e os erros primários quando exigidos defensivamente. Trata-se de uma tragédia com reflexos diretos nas divisões de base, onde os "sistemas" de jogo antecedem os fundamentos. Prova da inversão de valores técnicos que nos têm levado ladeira abaixo nos últimos 20 anos, e, o que é pior, nas seleções de base.

-- Você tem adotado uma postura tática que muita gente conhece através de seus posts: dois armadores, três pivôs móveis. Como é isso em quadra? Fale, também, da sua "ordem" pelos não-chutes de três pontos e poucos erros. Essa pergunta, aliás, gera outra: será que é possível, sim, vermos uma seleção nacional com Nenê, Anderson Varejão e Splitter ao mesmo tempo, ou é devaneio?
-- -Tenho aplicado esse,vamos conceituar, sistema, há muitos anos, e agora aqui no Saldanha, claro cumprindo o pré-requisito dos fundamentos, para que o mesmo se torne plausível. Os 22 erros do jogo passado ainda sinalizam a premente necessidade de praticarmos alguns fundamentos pendentes, passes e fintas. Se aceitarmos o lugar comum que setoriza um perímetro externo e outro interno, limitados pela linha dos três pontos, podemos determinar o externo como de ação direta dos dois armadores, em toda a sua extensão, e o interno como região prioritária dos três homens altos, que se rápidos, flexíveis e habilidosos com o manejo da bola, os tornarão em verdadeiros “arrietes” por sobre a defesa adversária, tanto no sentido incisivo à cesta (prioridade dos dois pontos), como no sentido contrário, de dentro para fora do mesmo, onde os arremessos de dois ainda serão os de maior eficiência, e mesmo os de três, executados por aqueles jogadores que realmente os dominam, de uma forma mais equilibrada e protegida. A integração destes dois setores aparentemente estanques é que conotarão a qualidade do sistema proposto, que como todo sistema aberto prioriza a técnica, a improvisação e a perfeita leitura de jogo, todas ações aleatórias, que são variáveis constantes nos desportos de contato físico. Quanto ao três jogadores mencionados, o Splitter, o Varejão e o Nenê, imagine-os jogando dentro do sistema que defini a seu pedido. Encaixe mais do que perfeito, mas não nos iludamos, é ousado demais para o gosto estratificado de nossos experts. O Magnano? Talvez...

-- Por fim, um desafio: será que o senhor consegue levar o Saldanha aos playoffs? Ainda acredita nisso?
-- Como disse antes, com mais um mês de treinamento, com certeza, mas como o jogo se decide na quadra e nunca me dou por vencido, estaremos todos lutando para lá chegarmos.

Colinas confirmado

O espanhol Carlos Colinas acaba de ser confirmado como o novo técnico da seleção feminina. Veja mais aqui (contrato de seis meses, apresentação em abril).

Gostou? A caixinha está aberta!

Colinas deve ser anunciado hoje

O espanhol Carlos Colinas deve ser anunciado hoje como o novo técnico da seleção feminina. Como está no Twitter da CBB, ainda faltam detalhes, mas a negociação está adiantada, faltando "apenas" o acerto financeiro com o agora ex-diretor técnico do Vigo.

Espero, sinceramente, que com o anúncio de Colinas também sejamos informados sobre o planejamento que a seleção fará até o Mundial que começa em setembro, e como o espanhol observará as meninas do país e as que atuam no exterior. Como disse na chegada de Rubén Magnano ao time masculino, "só técnico não basta" - e olha que o argentino tem um currículo "um pouquinho" mais extenso.

Parece claro, também, quem é a grande ganhadora desse imbróglio todo que envolveu a contratação de um novo técnico. Fortalecida e com status de estrela maior do time, me parece claro que Iziane volta à equipe nacional. E volta ditando todas as cartas no time de Colinas. Vamos ver, mais para frente, o que este pacto entre a dirigente Hortência nos reserva.

Por ora, tentemos saber quais são as credenciais que Carlos Colinas, tão desconhecido quanto Moncho Monsalve antes de sua aparição na seleção masculina dois anos atrás, nos reserva.

terça-feira, 2 de março de 2010

Cavs sem Shaq - nenhum problema

Devo ser voz dissonante nessa discussão sobre a contusão de Shaquille O'Neal (o pivô do Cleveland opera o dedo e perderá o restante da temporada regular).

É óbvio que o jogador faz falta aos Cavs, principalmente agora sem Zydrunas Ilgauskas para substitui-lo, mas do jeito que as coisas andam no Leste o Cleveland sairá em primeiro. No começo da pós-temporada, já com Shaq à procura do melhor ritmo, provavelmente um confronto leve diante de Bucks, Miami ou afins.

Pode ser que a melhor campanha da liga seja algo que o Cleveland tenha mais dificuldade para alcançar, mas creio que o planejamento de Mike Brown não muda muito. É claro que ninguém esperava que Shaq se machucasse, mas a temporada, conforme Brown disse repetidas vezes, serviria apenas para o time adequar seu jogo ao de O'Neal.

É o que aconteceu, e no final das contas veremos os Cavs nos playoffs, com Shaq descansado, Varejão e Jamison com muito ritmo de jogo, e com LeBron James voando. Pode ser que a contusão do veterano saia melhor do que encomenda...

Matemática aplicada no Brasil

Ontem vocês viram aqui um pouco do que a matemática e o estudo podem fazer. Wayne Winston vive nos EUA, mas aqui no Brasil também há profissionais que usam a internet para o bem do basquete brasileiro. É o caso de Luiz Fernando Helminsky, ex-ala de Sírio e Piracicaba. Proprietário dos selos Inside Basket e Stats Basket (de cadastramento de estatísticas de atletas e ainda com planos de aperfeiçamento técnico e físico, por exemplo), Luiz Fernando mostra que um pouco de organização e estudo não fazem mal a ninguém. O blog bateu um papo com ele.

BALA NA CESTA: Você tem dois sites muito interessantes, o Inside Basketball e o Stats Basketball. Como são estes dois trabalhos?
LUIZ FERNANDO HELMINSKY: O Inside trata de clínicas especializadas, capacitação de professores e monitores de educação física e palestras esportivas/educacionais. O objetivo é ensinar os detalhes na execução de cada fundamento e também mostrar situações de jogo que podem facilitar e muito os atletas. Os programas do Inside Basketball também estão preparados para o treinamento específico e individualizado de atletas profissionais. Já o Stats Basket tem o objetivo de criar uma central de currículos de profissionais do basquetebol brasileiro e também servir de histórico estatístico. Outro serviço disponível é que cada atleta pode ter a sua página exclusiva com todo o histórico profissional (trajetória, títulos, fotos etc.) e tabelas dinâmicas que facilitam a verificação do melhor desempenho em cada fundamento ano a ano. A navegação é fácil e os dados são formatados de forma que o usuário consiga visualizar em um único local as informações estatísticas.

-- Até que ponto as estatísticas que contêm em seu site poderiam ser aproveitadas de melhor maneira pelo basquete brasileiro?
-- Na realidade estou realizando um arquivo virtual das estatísticas dos atletas, pois o Brasil não se importa em registrar o que aconteceu, e dessa forma muitos dados se perdem ao longo do tempo ou são descartados pelas entidades que controlam o basquete. Quanto ao aproveitamento dessas informações, posso dizer que servem para podermos avaliar a performance recente de um atleta. Por exemplo, um que tem média de 8,0 rebotes/jogo nos últimos três anos mostra uma tendência regular ou ao menos estável para quem vai contratá-lo. Dessa maneira temos subsídios e fatos concretos da atuação de determinado jogador, e não simplesmente o atleta que faz uma ou duas partidas boas contra uma determinada equipe e essa mesma equipe contrata-o para a próxima temporada.

-- De onde, aliás, surgiu a idéia de fazer um banco de dados? Foi algo que você já pensava quando era atleta?
-- Sim, eu já pensava nisso quando estava jogando. Mas as estatísticas realmente me conquistaram quando, na empresa em que trabalhava, tive a oportunidade de fazer um curso onde as decisões eram tomadas através do cálculo estatístico do processo. Chama-se Seis Sigma, e hoje sou especialista certificado nessa metodologia.

-- Depois de tantos anos, e agora com um projeto que visa a capacitação de técnicos e jogadores, como você vê os técnicos brasileiros hoje em dia? Comenta-se que eles são desatualizados e sem poder de liderança. Isso procede?
-- Foram 20 anos como profissional e muito aprendizado com grandes pessoas nesse período. Quanto aos técnicos brasileiros de hoje, vejo que, com algumas exceções, eles ficaram muito tempo esperando as coisas acontecerem, o basquete se modernizou e muitos deles não se atualizaram. Outra colocação sobre técnicos brasileiros é que eles contratam um determinado atleta e não dizem o que esperam dele. Dessa forma o atleta começa a jogar e não sabe a sua real função dentro da equipe. Por exemplo: na Espanha, o jogador é contratado e o técnico diz: “Olha, eu quero 10 rebotes e seis pontos por jogo”, e se o atleta não desempenha essa meta ele corre o risco de não jogar.

-- Quais são seus próximos passos, e até onde você quer chegar?
-- Olha, consegui muitas coisas e amigos através do basquete, e os meus próximos passos são desenvolver ainda mais essas duas atividades, o Inside Basketball e o Stats Basket, e tentar pelo menos dar a minha contribuição para o basquete brasileiro. Também estou pretendendo desenvolver projetos de basquete nas escolas municipais da minha cidade, pois é na escola que devemos estar mostrando como é o basquetebol e é na escola também que aprendemos muitas coisas que levamos para o restante de nossas vidas.

segunda-feira, 1 de março de 2010

De molho

Augusto Lima, ala-pivô do Málaga e uma das maiores revelações do basquete brasileiro, acaba de se contundir. Com uma lesão no pé esquerdo, "o favorito de Aíto", como é chamado na Espanha devido ao carinho que o técnico tem por ele, Augusto deve ficar de fora por mais de um mês.

Com 18 anos, Augusto é um dos nomes observados pela comissão técnica da seleção adulta. Seu companheiro, Rafael Luz (armador), também.

Novidade no blog

O amigo leitor deve ter reparado que o layout do Bala na Cesta mudou um pouco. A partir de hoje, o blog inicia uma parceria com a Bolar, empresa de material e consultoria esportiva que conta com um banner no topo desta página

Posso dizer que esta parceria permitirá que o Bala na Cesta chegue ainda mais perto dos leitores (mais promoções virão por aí!) e dos grandes eventos do basquete (tentarei viajar mais), trazendo uma cobertura mais atraente, rápida, analítica e sempre independente aos amigos que passam por aqui todos os dias.

Obrigado, Fábio Balassiano

Matemática aplicada

Dizem que Mark Cuban, proprietário do Dallas Mavericks, não entende nada de basquete. Talvez por isso ele tenha contratado, no ano 2000, os serviços de Wayne Winston, professor de Matemática da Universidade de Indiana e autor do blog "Mathletics", que analisa, com números, o desempenho de atletas e times de diferentes modalidades. Wayne também é autor do não menos excelente livro com mesmo nome do blog, obra de cabeceira de nove entre dez diretores das franquias de esportes americanos. Para desvendar os mistérios do trabalho de Wayne o Bala na Cesta bateu um papo com ele.

BALA NA CESTA: Como começou o seu trabalho com o Dallas Mavericks? É verdade que você só se encontrou com o Mark Cuban uma vez ao vivo?
WAYNE WINSTON: Começamos a trabalhar no ano 2000. Presto serviço de análise de adversários e dos quintetos que o Dallas coloca em quadra. O Mark transmite isso à comissão técnica, mas nunca falei com sequer um treinador dos Mavs. E, sim, só me encontrei com ele, ao vivo, uma vez. Ele é um bom patrão: manda e-mails, liga, pergunta, é sempre educado. Bem diferente do que aparenta...

-- Como este seu sistema de análise funciona?
-- Analisamos os jogadores a partir do que eles produzem. É um “+/-“ com um pouco mais de molho. Olhamos para o que eles produzem em quadra e o que no que seus desempenhos impactam na partida de um modo geral. Por exemplo: ultimamente,com exceção do Jason Kidd, os armadores do Dallas têm jogado pessimamente na defesa.

-- Mas técnicos e general-managers dão verdadeiro valor aos números?
-- Os números são uma parte de analisar os jogadores, e por isso acho que os scouts têm uma grande importância no basquete. Mas não é tudo, evidentemente. Uma coisa, porém, eu posso dizer: em um jogo tão estudado, com tantas mudanças e tendências, quem não se escora em dados concretos está a um passo da morte. Não significa que você precisa ficar com uma planinha de dados o tempo todo, mas tampouco pode se distanciar muito dela. E para aqueles que não gostam de números, eu sempre digo o seguinte: o objetivo final é sempre o mesmo (ganhar), e se os números te dão uma pista de como fazer, por que não utilizá-lo? É básico, não?

-- Kevin Durant, um dos maiores destaques do Oklahoma nesta temporada, ano passado foi massacrado por conta de seu +/- negativo. O que dizer sobre isso?
-- Que é verdade absoluta mesmo. Durant realmente machucou seu time nos dois primeiros anos – quando atuava, seu time jogava ainda pior do que quando ele estava fora. Mas as coisas mudaram nesta temporada. Durant está fazendo um campeonato soberbo, sua evolução é nítida, e hoje ele é um dos melhores da liga.

-- Como seus números enxergam os brasileiros, aliás?
-- Muito bem, muito bem mesmo. Colocamos o Nenê e Anderson Varejão com 12 pontos positivos quando estão em quadra. Nenê é 9 pontos melhor no ataque, e três na defesa. Anderson, um monstro na defesa, tem 10 marcando (segundo melhor índice da liga, atrás apenas do Dwight Howard), e dois no ataque. Ambos estão entre os 20 mais eficientes da liga.

-- Por fim, duas perguntas “fáceis”. Quem são os melhores da NBA e qual será o campeão da liga?
-- Fácil, hein (risos). Os quarto melhores são Dirk Nowitzki, LeBron James, Dwyane Wade e Kevin Durant. No pivô, Dwight Howard seria o meu escolhido. Como time campeão, eu voto nos Lakers (se estiverem saudáveis), mas não descarto Cleveland e Orlando Magic, não.