"No basquete já começou uma mudança. No masculino, foi contratado um técnico campeão olímpico (o argentino Ruben Magnano). Ele não vai conseguir em poucos meses mudar a atuação da equipe, mas já mudou o espírito e a vontade. No feminino, a Hortência (diretora da Confederação) já assumiu que o Brasil precisa de uma nova injeção, e que ela está pronta para fazer isso. Você não vai voltar a ter conquistas da noite por dia. O basquete vai melhorar, está no caminho certo"domingo, 17 de outubro de 2010
Alto-falante
"No basquete já começou uma mudança. No masculino, foi contratado um técnico campeão olímpico (o argentino Ruben Magnano). Ele não vai conseguir em poucos meses mudar a atuação da equipe, mas já mudou o espírito e a vontade. No feminino, a Hortência (diretora da Confederação) já assumiu que o Brasil precisa de uma nova injeção, e que ela está pronta para fazer isso. Você não vai voltar a ter conquistas da noite por dia. O basquete vai melhorar, está no caminho certo"Alto-falante
"Sonny Weems e DeMar DeRozan também são rápidos, mas não têm a experiência do Leandro. Espero que ambos aprendam vendo-o jogar. Contra os Sixers, ele (Leandrinho) ficou mais tempo em quadra devido à sua defesa e pela maneira como se comportou. Fez um bom trabalho e por isso continuou jogando"A frase é de Jay Triano, técnico de Leandrinho no Toronto Raptors. O treinador parece feliz com o desempenho de seu novo ala. Tomara que o brasileiro continue desempenhando bem o seu papel na NBA.
Só uma questão
Leio no blog do Bert que a temporada espanhola já está rolando e pegando fogo. Preocupo-me pouco com a condição física de Franciele (mais jovem e sem a WNBA no caminho), mas fico absolutamente temeroso em relação à de Érika para o Pré-Olímpico de 2011.Sem parar há duas temporadas, a ótima pivô tem se revezado entre Europa e WNBA com no máximo cinco dias de descanso. Fica a pergunta: será que a CBB está atenta a este cenário? Vale lembrar que depois de atuar pelo Perfumerias Avenida (seu novo time na Espanha), Érika volta aos EUA para defender o Atlanta Dream.
sábado, 16 de outubro de 2010
Inimigo íntimo
De olho no próximo NBB, Brasília e Flamengo se enfrentam neste domingo, às 11h, na capital federal. É, sem dúvida, o melhor teste das duas equipes antes da competição que já, já começa.Vale, principalmente, para saber em que nível estão os dois últimos campeões nacionais. O Flamengo, com suas recentes contratações (Lamonte, Baby, Atila Passos), e Brasília, com seu novo treinador (José Carlos Vidal), podem não ligar para o resultado (e nem devem), mas que a partida serve de termômetro, disso não tenho dúvida.
E você, tem algum palpite não só para o amistoso deste domingo, mas também para o próximo NBB? Comente na caixinha!
Será hoje, Tiago?
Ao menos para mim, a grande expectativa do duelo de hoje do San Antonio Spurs é saber se Tiago Splitter terá condições de enfim estrear pelo time texano na pré-temporada da NBA. E não seria em um jogo qualquer, mas diante do Caja Laboral, seu ex-time na Espanha e onde foi ídolo por quase uma década.Recuperado de lesão no pé, Tiago tem se dedicado aos trabalhos físicos e aos conselhos de Manu Ginóbili. Pelo que li nos jornais de San Antonio, o argentino tem sido uma espécie de tutor do brasileiro - assim como ocorreu com outro hermano, Luis Scola, na Espanha.
Sorte para Tiago em sua possível estreia, e em seu reencontro com a equipe que tão bem o acolheu na Espanha. Será no mínimo bem emocionante. E é bom não demorar muito, porque DeJuan Blair tem jogado muito bem como pivô dos Spurs.
Alto-falante
"O jogo mudou: está menos físico e com regras diferentes. Baseado nestes dois pontos e se tivesse que jogar no meu estilo, só teria duas opções: estourar em faltas ou ir muitas vezes à linha de lance-livre. Acho que poderia anotar 100 pontos"A frase é de Michael Jordan ao USA Today. A maior marca de MJ é de 69 pontos contra o Cleveland em 1990 (a partida teve prorrogação). E você, concorda com o melhor de todos os tempos? Comentários na caixinha!
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
A CBB fala - ou quase isso
Acabo de conversar com a CBB, que, através de sua assessoria de imprensa, me informou algumas coisinhas. Vamos lá:1) Sobre o Brasileiro feminino Sub-17, de fato não há ninguém da Confederação no Paraná. Hortência, Janeth, Tarallo, ninguém foi até lá observar a competição. Disseram-me que "o único que está lá é o Alex, organizador do evento". Ou seja: se alguma menina com potencial estiver por lá, ninguém vai saber, correto? Atualização do post (17:08): a mesma CBB que deu a declaração acima me ligou para informar que Elias Rudek, técnico paranaense que está na Sub-15, acompanha a competição para a Confederação. Só tem um detalhe: Elias já é o técnico do Paraná. Genial a explicação, não?
2) Perguntei também sobre o método que Hortência tem falado com constância na imprensa. A entidade disse que não sabe nada a respeito, e que a melhor pessoa para falar é a própria Hortência. Insisti, perguntando se, como diretora do feminino, isso não configuraria em um conflito de interesse (ou, no mínimo, ético). Disseram-me o seguinte: "Aí é só com ela mesmo". Ou seja: a assessoria da CBB não sabe responder a perguntas sobre um método comercializado por uma funcionária sua, correto?
3) Sobre a Liga Feminina, tampouco pude receber informações. De acordo com a entidade, o responsável pelo campeonato "é o Marcio Cattaruzzi - você gostaria de falar com ele?".
4) Sobre o projeto que a CBB tanto apregoa, enviarei perguntas para a entidade na segunda-feira. Quem quiser contribuir, é só me mandar por email ou aqui mesmo na caixinha.
E assim vivemos. Animador, não?
Sem resposta
Falta pouco para começar a temporada da NBA e parece que desta vez não veremos Allen Iverson em quadra. Depois de sair do Memphis e voltar aos Sixers, o craque foi simplesmente ignorado pelas franquias e está procurando emprego na Europa (mais precisamente na Turquia).Na boa, é uma situação triste, quase deprimente. E grande parte da culpa é do próprio Iverson, que se nega a reconhecer que o tempo passou, que já não é capaz de levar nas costas um time - nem que o time seja mediano, como era, aliás, o Memphis. Um bom exemplo para ele seria Shaquille O'Neal, que aceitou funções menores para seguir na ativa - e em times da ponta - na NBA.
MVP de temporada, 11 vezes All-Star e quatro vezes o maior cestinha da temporada, Allen Iverson termina assim a sua carreira na liga. Desta vez a NBA decidiu não dar resposta a quem tanto brilhou.
Desigualdade
Começou ontem no Paraná a primeira divisão do Brasileiro feminino Sub-17 de seleções. E você, querido leitor, tem ideia do placar da partida entre São Paulo e Mato Grosso? Então vamos lá: sonoros 133x16 para as paulistanas (na foto está Raquel, que somou 14 pontos).É assunto recorrente aqui no blog, mas o resultado desta quinta-feira me assustou um pouco. Esta é a primeira divisão da categoria, e é impossível não se chocar com a diferença que há entre um estado e outro (por mais que São Paulo seja o melhor do país). E isso, na boa, não é bom para ninguém.
Ninguém aqui é maluco de dizer que o basquete TEM que ser forte em todos os estados do Brasil (isso seria impossível), mas se na primeira divisão a discrepância entre um time e outro é superior a 100 pontos, é sinal de que o buraco é bem mais embaixo - mais precisamente na base da pirâmide. Desenvolver a modalidade em mais praças não significa fazer campeonatos de base mais equilibrados, mas produzir mais atletas que praticarão o esporte. É uma pena que a CBB continue a solenemente ignorar isso.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Alto-falante
“Vou colocar as coisas em perspectiva. Não sou capaz de fazer o que o Shaquille O'Neal faz, e nem ele o que faço. Tampouco posso dar conta do que Jermaine O'Neal faz - e vice-versa. De todo modo, tudo continua na mesma. Eu sou o comandante da defesa e isso não irá mudar"A frase é de Kendrick Perkins, pivô do Boston Celtics que se recupera de lesão no joelho. Vale lembrar que, em recente pesquisa com os jogadores da liga, Perkins foi eleito o cara que mais acha que joga na NBA. Pouco humilde o pivô dos Celtics, não?
Quero ser grande
Em recente enquete realizada pela ESPN, Kevin Durant foi eleito como o provável MVP da temporada da NBA que começa em breve. O mesmo se repetiu quando os diretores de franquia foram perguntados sobre o tema. Está muito claro que temos uma nova e brilhante estrela na liga, mas a questão para o Oklahoma City Thunder é: até que degrau Durant e seus companheiros conseguirão chegar neste campeonato?
Falar em playoff é o mais provável. Vindo de uma campanha com 50 vitórias (mais que o dobro das 23 obtidas em 2008-2009) e com um os jovens Russell Westbrook, Jeff Green e o próprio Durant mais maduros, não creio ser difícil apontá-los também para ficar entre os quatro primeiros no Oeste.Mais que isso, no entanto, acho complicado, pois há deficiências no pivô (Nenad Krstic é bom, mas "leve" demais para o tranco contra, por exemplo, Andrew Bynum e Dwight Howard) e no jogo físico de garrafão (Green não segura Gasol ou Duncan). E você, querido leitor, o que acha: até que fase você acha que o Oklahoma vai nesta temporada? Palpites na caixinha!
Cadê, CBB?
Hoje é dia 14 de outubro, e a Liga Nacional feminina deveria começar neste final de semana. Mas como era de se esperar, o torneio continua com data indefinida para começar e o site da Confederação solenemente ignora a competição.Se fosse chato, também diria que já se passaram mais de dez dias sem que a grandíssima diretora Hortência comunicasse qualquer mudança de direção nos rumos do basquete feminino, mas prefiro aguardar a Rainha se pronunciar e anunciar as suas medidas quando bem entender (um bom começo seria explicar como funciona o tal método de ensino que ela prega - clique aqui e veja). Enquanto isso e para ficar em apenas dois exemplos, Jundiaí e Osasco, ótimos pólos de revelações de atletas, não recebem apoio algum para colocarem equipes adultas no futuro Nacional.
A pergunta que fica é: até quando os mistérios no basquete feminino brasileiro permanecem?
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Olho no Portland - e em Greg Oden
Nenhum time teve tantas lesões como o Portland Trail Blazers na temporada passada. Do técnico ao pivô, todos passaram ao menos uma vez pelo departamento médico. Recuperados, os Blazers prometem, e devem, incomodar demais. Ao menos é o que espero.Sem definir a situação de Rudy Fernandez até agora, a franquia de Oregon aposta na força da dupla Brandon Roy e LaMarcus Aldridge (uma das melhores do Oeste), no recheado banco de reservas (Nicolas Batum entre eles) e principalmente na verdadeira estreia do pivô Greg Oden, que ainda se recupera de lesão - enquanto isso, Marcus Camby dá as cartas no garrafão.
Se conseguir colocar todas as suas peças ao mesmo tempo em quadra (vale uma reza!), o técnico Nate McMillan pode fazer do Portland a segunda potência do Oeste.
Pancadaria na China
Que situação esta da pancadaria na China, hein? Voltava de viagem quando li no Globoesporte.com que o time de Alberto Bial foi absurdamente agredido pelo selecionado chinês de forma covarde (o Rodrigo foi muito feliz em seu comentário também).O fuzuê foi tão grande que a briga foi notícia no Jornal Nacional. É uma pena, mas o basquete quase nunca aparece, e quando aparece, é quase sempre com brigas ou confusões. A CBB já se manifestou sobre isso? Acho que ainda não, mas no momento o mais importante é que Joinvile volte logo para casa - e em paz.
Não custa aprender
Durante o feriado olhei bastante para os comentários da caixinha, e aqui deixo a minha opinião sobre o título e a hegemonia do vôlei brasileiro. Não conheço bem a hierarquia de forças do vôlei, mas creio que de fato no basquete exista um número de seleções de alto nível inacreditável. Na ponta do lápis, coloquei 12, e isso obviamente dificulta muito a obtenção de medalhas. De todo modo, e aí acho que a discussão na caixinha se perdeu um pouco, o que vale é olhar para o brilhante trabalho da CBV em relação ao tripé base-massificação-capacitação. Ninguém, em esporte algum, ganhou tanto na última década como o vôlei, e obviamente nada caiu do céu. Sob o comando de Ary Graça, que, por sinal, possui uma pancada de defeitos, a modalidade cresceu, se desenvolveu no país, entrou na lacuna deixada pelo basquete e soube investir em seus mestres - os técnicos.
Acho que essa é a lição que fica. Nunca um esporte investiu tanto como o vôlei o faz na base. Nunca um esporte investiu tanto em seus treinadores. Nunca um esporte investiu tanto na massificação de uma modalidade que até a década de 80 não figurava nem entre as dez mais queridas do país - e agora é a segunda com folga. Acho que não precisa dizer mais, mas nunca um esporte venceu tanto em pouco tempo como o vôlei - e novas gerações vêm aí. Não custa nada aprender com eles.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Janeth e o futuro
Na convocação de Janeth para a seleção feminina Sub-15, chamam a atenção bons nomes que vêm sendo colocados aqui e em outras caixinhas de blogs: Izabella Sangalli (de Americana), Jonalisa (Bradesco Esportes) e Raphaela (da Mangueira).Agora, o que eu fiquei feliz mesmo é que a preparação do time será no Centro de Treinamento e Desenvolvimento da Base do Basquete Brasileiro, em São Sebastião do Paraíso (MG), local que deve receber outras seleções de base muito em breve.
É ali que literalmente a CBB deve plantar o seu futuro. Que comece, então, com as meninas de Janeth e com a própria treinadora.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Quem seria o Guga do basquete?
Li no ótimo Saque e Voleio que, durante a entrevista coletiva para promover seu jogo contra o também mítico Andre Agassi, o tenista Gustavo Kuerten disse a seguinte frase: "Espero que daqui a 10 anos a gente tenha uma estrutura definida no tênis, com profissionais capacitados, com jogadores surgindo em maior quantidade. É um desafio pessoal. Acredito também que o tênis vai além, não é só o esporte. Não busco levar o tênis para crianças só para ver se saem campeões. É principalmente por esse aspecto coletivo, de amizade, de aprendizado. É por aí que vou tentar me dedicar, porque sei que a contribuição vai ser muito maior".Com esta declaração na cabeça eu voltei para casa na última sexta-feira pensando em quem poderia ser essa pessoa no basquete brasileiro. Uma pessoa sensata, inteligente, com carisma, visão de negócio e de futuro - tudo junto e misturado. Confesso que fiquei na tentativa, mas se o amigo leitor tiver algum bom nome, por favor que coloque na caixinha de comentários.
Sorte do tênis.
domingo, 10 de outubro de 2010
Parabéns ao vôlei
Estou longe de casa, mas ouvi uma gritaria estranha perto de mim. Eram os "vizinhos" comemorando o título do vôlei masculino - o tricampeonato mundial. Parabéns ao técnico Bernardinho e aos sensacionais atletas. Mas felicitações sobretudo à CBV, que deu condições para que jovens altos, inteligentes e fortes optassem pelo vôlei e não pelo basquete - Vissotto, por exemplo, tem altura de pivô.
Comunicação Direta
Leio no site da CBB que a entidade tomou ótima providência para estreitar laços com os treinadores de basquete do país. De acordo com a entidade, os objetivos são "mapear e quantificar os profissionais do basquetebol no Brasil".De fato é uma boa medida para diminuir a distância que há entre os treinadores dos grandes e pequenos centros de basquete. Só com uma metodologia de alto nível que vá de ponta a ponta do país (é o que se espera) o Brasil poderá pensar a voltar a figurar entre os maiores do planeta.
Que a CBB continue a insistir nisso, porque só assim haverá frutos no futuro.
sábado, 9 de outubro de 2010
Pela coroa
Não costumo, e nem gosto, de comentar jogos de pré-temporada da NBA, mas ontem foi disputado um duelo pra lá de interessante. Não pelo resultado, mas pelo confronto entre LeBron James e Kevin Durant, dois dos maiores favoritos ao título de MVP da temporada regular que começa no final de outubro - até porque não creio que Kobe Bryant jogue 35, 40 minutos por noite.A questão não é se basear pelos números da partida de ontem, mas sim pelo que os dois poderão fazer no campeonato. Durant vai tentar guiar novamente os Thunder aos playoffs. Se o fizer, como foi na temporada passada, terá boas chances. Para LeBron, só pós-temporada não basta. Para o ala do Miami, que em alguns momentos vem jogando de armador nos amistosos, mais de 60 vitórias são esperadas.
E você, arriscaria em quem para MVP da temporada regular da NBA: LeBron James ou Kevin Durant? Votos na caixinha!
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Alto-falante
"Acho que vocês europeus deveriam deixar que mais norte-americanos joguem as ligas daqui. Na NBA, vemos times como o San Antonio, cheio de estrangeiros. A Europa tem que ser mais legal com os americanos"A declaração é de Ron Artest, ala do Los Angeles Lakers. O detalhe é que o depoimento foi dado em Londres, onde os angelinos realizavam a pré-temporada. Voltou com a corda toda o Artest, que, no final do papo, disse não saber quem é o brasileiro Tiago Splitter.
A resposta dos psicólogos
João Ricardo Cozac (foto) é psicólogo do esporte, e escreveu texto no site Consultoria e Estudo de Pesquisa em Psicologia do Esporte, o CEPPE. Abaixo, reproduzo boas partes do artigo."Após prestar serviços honrosos e de saudosa lembrança dentro de quadra, Hortência tem sido o anti-exemplo fora das quatro linhas. Entrou para a direção da Confederação Brasileira de Basquete e agora empunha a bandeira contra o trabalho psicológico no basquete. Ei, Hortência, o que se passa com você?
Infelizmente, amigos, vários atletas que fizeram sucesso na década de 80 estão, hoje, no comando de confederações esportivas usando e abusando da ignorância e da falta de recursos intelectuais e gerenciais nas diversas modalidades que naufragam mais e mais neste mar do descaso e da superficialidade na visão/concepção de atleta e equipe.
Ficar até às 3 horas da manhã procurando musiquinha para motivar a equipe é, no mínimo, digno de um amadorismo típico das cabeças mais retrógradas e limitadas de nosso esporte. A verdade, amigos, é que dirigentes como a Hortência sofrem pela insegurança e pelo medo de se sentirem ameaçados na presença de um profissional da Psicologia. É muito comum treinadores e supervisores de equipes optarem pelo distanciamento dos psicólogos do esporte justamente pela falta de crença no próprio trabalho.
Quem perde com isso? Todos! O basquete brasileiro, as atletas que estiveram no Mundial, a Psicologia do Esporte, a modernidade na preparação esportiva e, em especial, a ex-rainha Hortência que, para mim e tantas outras pessoas que suspiravam junto com ela a cada arremesso livre no passado, hoje lamentam a quebra de sua coroa por conta da vaidade, ignorância e soberba".
O tal problema na gestão
Da entrevista publicada ontem com Carlos Nunes, me impressionou pouco o desconhecimento dele sobre Damiris ou Franciele. Para mim, o problema maior da Confederação Brasileira ainda se chama gestão. Carlinhos, como é conhecido, é boa gente, comigo sempre foi muito educado, mas não parece muito afeito às melhores lições do ramo - e acho que é por isso que o exemplo de Hortência choca tanto aos torcedores.Das promessas de campanha, saíram do papel a construção do Centro de Treinamento e o fim das eternas reeleições - e as duas iniciativas merecem aplauso. No entanto, o sucateamento na base continua, a Escola Nacional de Técnicos nasceu (e continua) equivocadíssima, ainda não é possível comprar nenhum material esportivo das seleções, o site continua o bagaço da laranja e a disparidade no tratamento entre meninas e meninos segue.
A grande questão para Carlos Nunes neste momento não é manter ou demitir Carlos Colinas, mas saber cobrar decisões mais ágeis e sensatas de seus comandados. Ser líder não centralizar tudo, mas saber delegar funções e cobrar resultados. Só que para cobrá-los é preciso um mínimo de conhecimento no assunto - seja de parte técnica, administrativa, financeira ou em comunicação. Vamos, presidente, ainda há tempo de corrigir algumas rotas.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Lakers campeão
O palpite não é meu, mas sim dos general-managers da NBA. Na já conhecida enquete realizada pela liga antes de cada temporada, 63% dos diretores (ou 19 deles) disseram que os Lakers conquistarão o tricampeonato em 2011. Outros 33,3% (10) votaram no Miami, e 3,7% cravaram o Boston Celtics como vencedor.Aqui vão outros palpites interessantes dos gerentes-gerais: Kevin Durant será o MVP (66,7%), Pau Gasol foi eleito o melhor ala-pivô, Tiago Splitter foi bem votado como o estrangeiro com mais chances de despontar (10,7%) e Phil Jackson é, atualmente, o melhor técnico (39,7%).
E você, o que acha? Concorda com os gerentes-gerais? Comente na caixinha!
A palavra de Carlos Nunes
Pouco depois das 19h desta quarta-feira eu consegui falar com Carlos Nunes. O presidente da CBB voltava de Volta Redonda, e ainda não havia tomado conhecimento das palavras de Hortência. O diálogo foi assim.BALA NA CESTA: O senhor não ouviu as declarações de Hortência ao Arena Sportv, certo?
CARLOS NUNES: Certo. O que ela disse?
BNC: Vou ler para o senhor (e leio tudo o que está aqui).
CN: É, bem estranho ela falar isso do psicólogo, mas a nossa decisão foi não levar este tipo de profissional - tanto no masculino quanto no feminino.
BNC: Mesmo que a seleção perca em sequência jogos no final a decisão da CBB é de não ter psicólogo na seleção adulta?

CN: Por enquanto, sim.
BNC: E a avaliação do trabalho da Hortência? Ela está mantida no cargo?
CN: Sim, nós confiamos muito no que ela está fazendo com as meninas. O trabalho da Hortência está muito focado nas divisões de base, e não dá para medir isso na seleção adulta tão rapidamente. Há veteranas saindo, como Helen e Alessandra, e temos que ver como as menos experientes irão reagir. Infelizmente o resultado não veio, mas possuímos boas jovens. Temos essa pivô de 17 anos aqui do Rio de Janeiro.
BNC: Presidente, a Damiris joga em Jundiaí (São Paulo).
CN: Isso. Temos aquela ala-pivô, também nova, que começa com a letra F...
BNC: A Franciele.
CN: Isso. Muito boa a menina. O problema é que há no mundo uma série de seleções de altíssimo nível que hoje estão melhores que nós.BNC: O fato de a "comunidade do basquete" reprovar, de forma quase unânime, o trabalho da Hortência não muda em nada a avaliação da CBB? Os técnicos e clubes do país tinham a expectativa de que, com a entrada dela na Confederação, houvesse mais diálogo, o que não vem acontecendo até aqui. Como reverter isso?
CN: Tenho visto a reação das pessoas, acho que é normal devido aos resultados, mas temos que ter frieza neste momento. A Hortência tem toda a confiança e apoio dentro da Confederação, e isso é importante.
Alto-falante com perguntas
"Por várias vezes ligamos para a psicóloga no Brasil para ver o que poderíamos fazer. Elas lidaram muito mal com a derrota, o técnico se perdeu. Quando começaram a engrenar, já era tarde. Um dia, fiquei às 3h da manhã procurando uma música para um vídeo motivacional que ia passar para as meninas. Não acho que tem necessidade de levar um profissional de psicologia e vou continuar não levando"A declaração é de Hortência ao Arena Sportv desta quarta-feira. Abaixo, faço algumas perguntas, que, para mim, ainda estão sem respostas. Depois, publico aqui meu papo com Carlos Nunes, presidente da CBB.
1) Se Hortência não vê "necessidade de levar um profissional de psicologia", por que diabos ela ficou ligando para profissionais desta área durante o Mundial?
2) Será que a Rainha entende que a contratação de um psicólogo é apenas uma medida que deve ser tomada pós-trauma?
3) Até quando a diretora da CBB continuará a falar a suas sandices
com total consentimento da entidade máxima do basquete brasileiro? A assessoria de imprensa não instrui a cidadã a tentar fazer, como dizem os políticos, uma "agenda positiva"?4) Até que ponto a sinceridade de Hortência deprecia um produto (basquete feminino brasileiro) que já está caindo pelas tabelas há anos? Para uma diretora que busca patrocínios para a entidade, será que é um bom caminho?
5) Cadê o presidente da Confederação em um momento tão conturbado como este? Uma coisa é delegar poderes aos seus diretores. Outra é deixá-los falar coisas sem sentido.
6) Será que Hortência achou mesmo que música e vídeo motivacional resolveriam os problemas do time, que era fraquíssimo?
Respostas na caixinha!
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
O despreparo
Acabo de ler algumas das declarações de Hortência no Arena Sportv (clique aqui e saiba mais). Na boa, é absolutamente lamentável o que a Rainha disse e segue dizendo. Amanhã comento mais, mas falar tanta bobeira em tão pouco tempo merece um troféu!
Os aprendizes
Começou, no último final de semana, a vida do Caja Laboral sem Tiago Splitter - foi na abertura da liga ACB (fácil vitória por 92-47 sobre o Alicante com sete pontos e seis assistências de Marcelinho Huertas). E para não sentir tanto a falta dos brasileiros, o time aposta em dois gigantes.O primeiro é o croata Stanko Barac, de 24 anos, 2,17m e que estreou com 17 pontos, sete rebotes e 22 de eficiência. O outro é o sérvio Dejan Musli (foto), de 2,16m, apenas 19 anos e com médias de 12 pontos e 8,4 rebotes no último europeu Sub-20. A expectativa do Caja Laboral é tão grande com Musli que os vitorianos farão com ele o mesmo que com Luis Scola e Tiago Splitter: enviarão o jovem para um clube da segunda divisão e deixarão os fundamentos a cargo de Iñaki Iriarte, mentor tanto do brasileiro quanto do argentino em terras espanholas.
Depois de ter dois expoentes no garrafão nas últimas temporadas, pode ser que os torcedores do Caja não tenham do que se orgulhar no garrafão rapidamente. De todo modo, duas peças parecem estar estar sendo muito bem preparadas para, no futuro, desempenharem o mesmo papel de Splitter e Scola.
Alto-falante
"Sempre digo para as pessoas que eu era um torcedor com acesso livre a todos os lugares (vestiário, quadra, estacionamento, tudo). No final do mês eu ainda recebia um salário. Fazia parte do time, mas nem tanto assim"A declaração é de Adam Morrison, terceiro do Draft de quatro anos atrás, sobre o seu período no Lakers. O agora ala do Washington Wizards tem a oportunidade de enfim mostrar na NBA aquele encantador basquete que o consagrou em Gonzaga (na época, o jogador do ano da NCAA chegou a ser comparado, vejam só, a Larry Bird). Será que dessa vez o garoto engrena?
Começou a temporada do Miami Heat
Pode até não parecer, mas era um amistoso o que foi disputado ontem à noite em Miami. O custo do estacionamento nas cercanias da American Airlines Arena era de, pasme, US$ 50, o ginásio recebeu quase 20 mil pessoas (um absurdo em se tratando de pré-temporada) e o rival queria jogo até o final.E, sim, claro, houve a estreia de Chris Bosh (20 pontos e seis rebotes) e LeBron James, que, sem timidez alguma, participou (com pontos ou assistências) de 18 dos 24 pontos do Miami Heat no primeiro quarto (ao todo os números foram: 18 pontos, quatro assistências e três rebotes), deixando clara a tendência de "Cleverização" que acontecerá no time da Flórida nesta temporada. LeBron comandou o show nos pontos, na defesa e na armação - deu ótimos passes (inclusive um no melhor estilo Magic Johnson para Chris Bosh) e alimentou seus companheiros com ótima visão de jogo. Dwyane Wade jogou três minutos e saiu com dores.
Ah, o Miami Heat ganhou do Detroit Pistons por 105-89, a torcida saiu feliz e a perspectiva de melhora é absolutamente evidente. Acho, porém, que ainda é muito cedo para fazer uma análise maior do trio, do time e das chances da franquia. Pré-temporada sempre engana.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Paula fala
Magic Paula falou, e falou bem, sobre a atuação brasileira no Mundial da Rep. Tcheca e muito mais. Nem vou comentar nada. Vale clicar aqui e ouvir.
A numeralha da LNB
Leio no site da LNB que 50 profissionais envolvidos com as estatísticas do próximo NBB estão realizando treinamento visando a competição que começa no final de outubro.A iniciativa é ótima, e a entidade mostra que, sim, é possível fazer muito pela modalidade mesmo sem ter a conta bancária totalmente cheia (como é no caso da CBB). Os dirigentes da Liga não são a última bolacha do pacote, mas parecem bem mais antenados do que os companheiros da Confederação - e isso é um baita alento.
Agora eu só espero que os técnicos tirem proveito da numeralha. Como ensinam os dirigentes da NBA, os números não explicam tudo, mas ajudam a desvendar muitos dos mistérios do basquete. Parabéns para a LNB pela ideia.
Alto-falante
"Eu ganharia o um contra um contra o LeBron, não tenho dúvida. É o tipo de duelo que é fácil para mim, cresci assim. LeBron é parecido com o Magic Johnson, um grande passador e um cara que domina o jogo por completo. Mas o um contra um é comigo. Nisso eu me garanto"A declaração é de Kobe Bryant, quando perguntado sobre quem venceria o famoso um contra um entre ele e LeBron James - ontem, aliás, Kobe atuou por seis minutos sem pontuar na estreia da pré-temporada dos Lakers. E aí, leitor, você concorda com o ala de Los Angeles?
Mais uma oportunidade perdida
O site da CBB informa que a seleção brasileira joga três amistosos na China a partir desta sexta-feira. Mas não é bem A seleção brasileira, mas sim o time de Joinvile comandado por Alberto Bial. Nada contra o Big Brother, mas fica uma pergunta básica: por que diabos a entidade não levou um grupo de garotos para ganhar experiência internacional?Sinceramente eu não sei o que se passa na Confederação brasileira em um momento como estes, em uma oportunidade como esta, mas até para Rubén Magnano esta seria uma chance de ver como os jovens atletas estariam. Sem muito o que fazer até o começo do próximo NBB, o argentino poderia (deveria?) acompanhar estes jovens mais de perto, e essa viagem à China seria uma ótima.
É mais uma chance de ouro que a CBB perde de desenvolver os atletas brasileiros. Se é verdade que três amistosos não resolvem o nosso problema da base, também é verdade que três amistosos dão experiência internacional e "cancha" aos nossos atletas. Não é preciso lembrar que no próximo ano há o Mundial Sub-19, certo? Depois os dirigentes não podem reclamar dos resultados, né.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Vale a pena ler
Sempre preciso, o Bert analisou hoje no PBF a campanha da seleção feminina no Mundial feminino. Clique aqui e leia.
Mais uma da Austrália
Você que é leitor do Bala na Cesta teve o prazer de conhecer Elizabeth Cambage no dia 11 de janeiro de 2010. Naquele dia, entrevistei a revelação australiana que prometia fazer um barulho em futuras competições internacionais. O que eu não esperava é que tudo isso fosse acontecer tão cedo. Tipo no Mundial da República Tcheca. Mas aconteceu.Com o quinto lugar, Cambage termina a competição longe de atingir os objetivos de seu país (uma medalha no mínimo), mas se apresenta ao mundo com sólidos números e com basquete de gente grande, bem grande: 13,6 pontos, 5,4 rebotes e 59,2% no aproveitamento de arremessos de quadra. Para se ter uma ideia, nos últimos quatro complicados jogos, a menina, ao invés de temer EUA, República Tcheca, Rússia e França, cresceu e anotou 18+7, 22+10, 19+8 e 12+7.
O talento de Cambage impressionou principalmente as americanas. Sylvia Fowles disse que "a menina tem algo diferente: é forte, inteligente e tem uma habilidade impressionante". É fato: pintou mais uma estrela australiana no basquete mundial.
O infantilóide LeBron James
"Acho que a questão racial influenciou na forma como a mídia repercutiu a minha saída do Cleveland". Foi com esta pérola que LeBron James se saiu quando perguntando, em um programa de entrevistas da CNN, sobre as reações à sua transferência para o Miami Heat.Não resta dúvida de que dentro de quadra LeBron James é ótimo, excelente, fenomenal e tudo mais, mas o rapaz é absolutamente mimado e pouco inteligente com as palavras - e nem vou falar da maneira como ele gerencia a carreira também. Alegar racismo por causa das críticas que recebeu quando da saída do Cleveland é lamentável, e mostra um lado infantilóide que assusta, mas não surpreende.
O caso de LeBron não é único no esporte (vide Iziane e Neymar), e é bom para pensarmos um pouco sobre a formação dos atletas que temos no mundo de hoje em dia. Alçados a celebridades instantâneas e com pouquíssimo conteúdo (de vida principalmente), seus atos acabam por encobrir o que de mais legal há neles todos: o talento. Enquanto a criação dos jogadores continuar a ser, apenas, uma deformação na educação continuaremos assim. Infelizmente.
O futuro
Terminou o período de seleções em 2010. Com dois nonos lugares, o Brasil se despede de 2010 com um saldo para lá de negativo. Não tanto pelas colocações, que foram ruins, é verdade, mas muito pela forma como elas vieram (a questão psicológica novamente pesou), pelo crescimento de rivais até então inexpressivos (principalmente no feminino) e pelo medo do que acontecerá (ou não) no futuro.Se dentro de quadra o problema nem é tão grande (estão aí Damiris, na foto, e Lucas Bebê que não me deixam mentir), a questão é realmente focar no trabalho de base - dos técnicos principalmente. Como bem escreveu o leitor Sandro Luis no Rebote, não há fruto sem árvore. É muito por aí mesmo, e ajuda muito pouco ficar falando apenas nos Jogos de 2016 - ninguém consegue "produzir" uma geração vencedora em cinco anos, né.
Conforme venho escrevendo há algum tempo, já passou da hora de a CBB promover ações concretas de melhoria na base. Levar meninos e meninas para treinar no exterior ajuda, mas não soluciona o problema. Até pela natureza da função, a Confederação deve abastecer as federações, os clubes e as escolas com o que há de melhor e mais moderno no basquete. Do contrário, países que até bem pouco tempo atrás ficavam atrás de nós (Espanha no feminino e Argentina no masculino) verão o Brasil como um país que poderia ter sido, mas que nunca foi.
domingo, 3 de outubro de 2010
Jordan no Paulistano
Acabo de confirmar: Jordan Burger irá disputar o NBB e o Paulista pelo Paulistano. Sorte para ele. O ala tinha proposta de Minas e Joinvile, mas escolheu o time de São Paulo.
Um ouro mais do que merecido
Foi mais suado do que se supunha, mas no final deu a lógica. Os EUA fizeram 89-69 (34-17 no terceiro período) na anfitriã República Tcheca e conquistaram o oitavo título mundial do país. Com 16 pontos, Diana Taurasi, por fim, conquistou o único título que lhe faltava, e o técnico Geno Auriemma mantém a sua incrível série invicta de mais de dois anos. No jogo do bronze, a Espanha venceu a Bielorrússia por 77-68 e obteve a melhor colocação da história do país em torneios femininos (Sancho Lyttle voltou e teve 22 pontos e 11 rebotes, Alba Torrens foi incrível com 19 pontos e Amaya Valdemoro anotou 16 pontos para valorizar ainda mais a sua brilhante carreira).É um troféu mais do que justo para a seleção norte-americana. Em uma competição cheia de surpresas (vide Austrália e Rússia), as atletas mantiveram a cabeça no lugar, não deram chance às rivais e venceram até com certa tranquilidade.
Se no masculino a Espanha ainda consegue incomodar os americanos, como foi nos Jogos Olímpicos de Pequim, no feminino o abismo ainda é muito grande. As norte-americanas merecem.
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