
Henrique Lima Gonçalves, de Viçosa, fez uma monografia interssantíssima sobre basquetebol e métodos estatísticos. Agora graduado em Educação Física pela Universidade Federal de Viçosa, ele traz para os leitores do blog um pouco do do seu estudo, que, repito, vale a pena ser amplificado. Manda bala, Henrique:
"Sempre fui fã de box score (aquela planilha de dados que todo mundo vê após os jogos da NBA, por exemplo). E também sempre fui um fã de estatística de jogo, scouting. Como técnico de basquetebol, tentava entender qual fundamento do jogo era mais crucial na derrota e na vitória de uma equipe.
Como a produção cientifica em português para o basquetebol não é grande, fui atrás dos estudiosos pelo mundo afora. Me deparei com trabalhos interessantes, mas ainda não tinha achado o que queria. Quando tive de escolher meu tema para a “famigerada” monografia, pensei bastante e resolvi, juntamente com meu professor orientador Adilson Osés, trabalhar nos do jogos e estatísticas. O objetivo principal foi analisar o poder de quatro fundamentos que escolhemos (bolas recuperadas, assistência, rebotes e bolas perdidas). Ou seja, analisar se estes fundamentos ajudam a indicar o ganhador. Queríamos saber se existe uma uniformidade entre os tipos de jogos, fundamentos e vencedores/derrotados.

Como base, utilizamos os jogos da Supercopa Brasil de Basquetebol, realizada ano passado, com equipes somente do estado de São Paulo. Utilizei três tipos de metolodogias diferentes e teste t de student para o tratamento estatístico do estudo. Isso garantiu maior número de conclusões para cada caso estudado, limitando assim alguns erros conclusivos se utilizássemos somente através de uma metodologia.
Posso dizer que o fundamento assistência apresenta diferença significativa no desempenho dos vencedores e dos derrotados em qualquer partida, independente do nível técnico dos times e ou dos jogos. Logo, o time que tem maior número de assistências tem grandes chances de ser o vencedor - não confundir maior número de assistências com maior número de pontos. Rebotes totais nos jogos discriminam o ganhador do duelo apenas entre times de nível mais baixo.
Desperdícios de posse de bola são um fundamento que discriminam os vencedores e perdedores quando os jogos são entre equipes de alto nível. No estudo, os times entre o primeiro e quarto colocado. Ou quando a diferença das equipes é gritante, como jogos do primeiro com o oitavo, segundo e sétimo. Ao passo que roubos de bola em nenhuma metodologia utilizada discriminou o vitorioso. Dessa forma, é um dado que não pode ter aproveitamento prático no alto nível.
Para o futuro, quero continuar pesquisando basquetebol, como tenho feito por algum tempo e

tentar a publicação dos meus estudos. No Brasil, basquetebol não é rico de publicações e carece de melhores estudos. O “achismo” ainda é uma vertente grande nas quadras e em outros locais de debates. A repetição de métodos que deram certo em outros países, sem a contextualização correta para a nossa realidade, também é um problema grave.
Eu acredito que somente com muito estudo e pesquisa no campo do basquetebol, aliado a um planejamento correto e aplicação prática do que é estudado, conseguiremos criar uma verdadeira escola brasileira de basquetebol. Muito mais do que os cansativos e previsíveis comentários sobre nossa criatividade, nossa velocidade na transição ou nossa tendência ineficaz de chutes de três a esmo. Espero estar contribuindo um pouquinho, mesmo que com 0,01% de importância na tentativa de ver nosso esporte se desenvolver e sair do buraco. Qualquer comentário, é só usar a caixinha ou manda um email para
thierryhenry1308@hotmail.com".