quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O perigo esloveno

No dia 1º de setembro, Brasil e Eslovênia, quarta colocada no Eurobasket do ano passado, se encontram em Istambul para um importante duelo no Mundial. Lá, a seleção de Anderson, Splitter, Huertas e companhia encontrará um time que joga de forma cadenciada e que conta com armas conhecidas do basquete mundial (Lakovic, os dois Lorbek, Beno Udrih, Nachbar, Vujacic e Nesterovic). Além deles, há Matjaž Smodiš, estupendo defensor do CSKA (Rússia) de 30 anos que se recupera de uma grave lesão nas costas e é presença certa com os eslovenos na Turquia. O blog procurou o ala, tricampeão da Euroliga (duas pelo clube russo, outra pelo Kinder, da Itália – em todas sob o comando de Ettore Messina), e o resultado do papo você confere agora.

BALA NA CESTA: Como está sendo a sua temporada com o CSKA? Desde o ano passado você tem tido muitas contusões, e parece que só agora se recuperou por completo, certo?
MATJAZ SMODIS: Sim, é verdade. Agora estou em perfeitas condições, pois fiz uma cirurgia na coluna após um jogo em Israel em outubro último. Estamos classificados para a segunda parte da Euroliga, e tenho fé que poderei jogar meu melhor basquete. Sobre a temporada em si, houve muitas mudanças (de jogadores e na comissão técnica), mas seguimos competindo com todos e sabemos do nosso potencial lá na frente.

-- Falando sobre o Mundial, o que você, como esloveno, achou do sorteio? Brasil e Croácia serão rivais muito difíceis na chave inicial, certo? E sobre o torneio de um modo geral, qual a expectativa?
-- Acho que temos o melhor maior favorito em nossa chave (os EUA). De resto, acho que podemos jogar de igual para igual com todo mundo, inclusive com as duas seleções que você citou. Sobre o torneio em si, esperamos ir bem mais longe na competição do que em 2006 (os eslovenos chegaram em nono no Japão). Se jogarmos concentrados e da maneira que sabemos, podemos alcançar o segundo lugar da chave.

-- E o que você poderia dizer sobre o time brasileiro? Na Europa há alguns anos, acho que você já enfrentou alguns deles muitas vezes, não? Giovannoni, Splitter, Huertas...
-- Ah, sim, os brasileiros eu conheço bem e faz tempo. O time de vocês é muito, muito bom, e é a segunda força do nosso grupo. Acho que aquele processo de renovação já passou, e agora o elenco é experiente, talentoso e creio que irá muito longe no Mundial. Faremos um grande duelo, pode esperar.

-- Durante o Eurobasket, seu time não jogou com atletas da NBA (Sasha Vujacic e Rasho Nesterovic, por exemplo). Dá para dizer que devido a este fato o estilo esloveno que vimos na Polônia é o mais “europeu” dos basquetes, ou foi apenas coincidência?
-- Sinceramente eu acho que foi coincidência. Sempre jogamos assim – com atletas da NBA ou não. Temos um estilo, que é nosso, e seguimos com ele independente do elenco que vestir a camisa da seleção. Tenho certeza de que com os dois jogadores que você citou seremos ainda mais fortes. Em um Mundial, quanto mais armas você tiver, melhor. Não faz a menor diferença de onde elas venham, desde que venham para somar...

-- No dia 1º de setembro, Brasil e Eslovênia se encontrarão em Istambul. O que esperar do confronto?
-- Só digo uma coisa para você: jogos desse nível são decididos nos detalhes, detalhes e mais detalhes. É isso que, no final das contas, decide. Portanto, temos que tomar cuidado e estarmos atentos desde já.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

São José na final

Fúlvio teve uma atuação fantástica (13 pontos, sete rebote e sete assistências), Matheus também (19 pontos e sete passes), Mineiro dominou o garrafão (21 pontos e seis rebotes), e São José aplicou um sonoro 19-5 no segundo quarto. Assim ficou difícil para Bauru, que lutou até o final, mas não resistiu ao melhor basquete do time da casa, que bateu o rival por 80-57, fez 3-2 na série semifinal e se classificou para a final do Paulista. O adversário sai na domingo, quando Franca mede forças com o Paulistano.

Tudo no quinto

Muito equilíbrio nas semifinais do Paulista. As duas séries (Bauru e São José, que termina hoje, com transmissão da ESPN-Brasil às 20hs, e Franca e Paulistano) estão empatadas em dois jogos e terão as suas decisões nas partidas de número cinco (os francanos decidem em casa, no domingo, às 10hs).

Vi todas as partidas, e o nível técnico não tem me agradado. É um tal de chegar no ataque e atirar de qualquer lado que dá dó. Se isso não bastasse, há muitos erros de fundamento, afobação e falta de senso para a marcação.

O lado bom é que o menino Vitor Benite (foto) está cada vez melhor (22 pontos na quarta partida de ontem), Rogério, Helinho e Márcio parecem intermináveis (o primeiro atuou os 40 nesta segunda-feira), Renato, de São José, parece recobrar o seu melhor basquete, o ala Alex, de Bauru, é talentoso e forte pacas, e o time do Paulistano mostra um mínimo de organização tática - apesar do nervosismo que toma conta de todos, inclusive do até então calmo técnico João Marcelo Leite.

Meu palpite é que Franca e São José façam a final do Paulista, mas não tenho a menor certeza do que estou escrevendo. E você, tem algum palpite do que vai dar? A caixinha está aberta!

Novos tempos

Pode parecer loucura, mas na rodada de hoje da NBA, em que se enfrentam Lakers e Spurs, o jogo que mais me chama a atenção é este Clippers e Grizzlies, em Memphis. As duas franquias ainda estão fora da zona de playoff, mas é incrível o que as duas têm feito até aqui no campeonato.

Com 18-18 e um quarteto do barulho formado por Rudy Gay, O.J. Mayo, Zach Randolph (ex-Clippers, aliás) e Marc Gasol (73 dos 103 pontos e 31 dos 43 rebotes de média saem deles), o Memphis começa hoje uma série de sete jogos fundamentais para tentar chegar aos playoffs. Destes, seis serão em casa, e seria bom se a torcida, a que menos comparece na NBA (média de 12.782), desse uma forcinha. Aconteça o que acontecer, acho que os comandados de Lionel Hollins, campeão pelo Portland como jogador em 1977, já merecem um baita aplauso pelo que vêm fazendo até aqui.

Do outro lado vemos os Clippers, que depois de um tempão pode igualar a campanha em vitórias e derrotas (17-18 e uma série de quatro vitórias - uma delas contra os Lakers). O time de Mike Dunleavy conta com a volta da boa fase do ótimo Baron Davis (16,3 pontos e 8,1 assistências), com a confirmação do talento de Eric Gordon (17,3 pontos e 47% nos arremessos), com a defesa do até agora saudável Marcus Camby (11,7 rebotes e 2,1 tocos) e sobretudo com a força do cavalar Chris Kaman (20,4 pontos e 9,4 rebotes) para limpar a sua imagem e tentar chegar aos playoffs. E o calouro Blake Griffin nem estreou.

Não sei se Memphis e Clippers, que foram pela última vez aos playoffs em 2006, terão forças para ultrapassar os mais bem colocados no Oeste, mas a reformulação dos times e da cara das franquias parece bem clara.

E você, acredita que Grizzlies ou Clippers chegarão aos playoffs? Comentários na caixinha!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Ourinhos e Catanduva na final

Com dois surpreendentes 3-0, Ourinhos e Catanduva derrotaram Santo André e Americana nesta noite e se classificaram às finais do Nacional, quando reeditarão o confronto de 2008. O lado triste é a possível lesão da jogadora Karen, de Ourinhos e da seleção brasileira, que levou uma pancada no joelho.

Em Catanduva, Karla seguiu chutando todas (3-10 dos três), Natália seguiu mal demais (nenhum passe em 38 minutos), e as donas da casa seguiram vencendo - desta vez por 69-60 em uma partida de 40 erros.

Na partida que o Sportv transmitiu com atraso (deixa eu entender: a emissora, que possui dois canais e transmitia o reprise do insosso Arena Sportv em um deles, não poderia transferir o basquetinho para o Sportv2?), Santo André errou demais (24 vezes), chutou muito de fora (7/26) e caiu diante de um adversário mais qualificado (destaque novamente para a lúcida Bethânia, com 14 pontos e quatro passes).

E aí, algum palpite para a final entre Ourinhos e Catanduva? As atuais pentacampeãs lutam pelo hexa, e as comandadas de Edson Ferreto querem o título inédito.

Da Prancheta

2 - É o número de pontos da ala Fernanda Beling, de Catanduva, após as duas primeiras partidas contra Americana na semifinal do Nacional. O aproveitamento de arremessos também é pífio, com nenhuma conversão em 12 tentativas. Para quem saiu da Copa América do ano passado como uma das atletas que mais se destacaram, é impossível não estranhar este desempenho.

Muito prazer, Elizabeth Cambage

Anote este nome: Elizabeth Cambage. Com 18 anos e 2,03cm (aos 10 ela já media 1,82cm), a australiana Lizzie, como é conhecida, chamou a atenção no Mundial Sub-19 da Tailândia (20,4 pontos e 6,8 rebotes), onde foi comparada a Lauren Jackson. Por isso não é de se estranhar que depois de se formar no AIS (Instituto Australiano do Esporte), a jogadora tenha despertado o interesse de todos os clubes da WNBL, a liga local que cresce a cada dia. Com uma ligação do lendário Tom Maher, Cambage fechou com o Bulleen Boomers, time que lidera a competição (15-1) graças ao talento de sua pivô, que tem médias de 20,7 pontos e 8,9 rebotes - na última sexta-feira, a gigante despejou nada menos que 30 pontos e 16 rebotes na vitória contra o Adelaide por 79-66. Por isso o Bala na Cesta correu atrás de Cambage, que estréia a seção Muito Prazer em 2010, ano que começa com uma meta clara para ela: disputar o Mundial da República Tcheca.

BALA NA CESTA: Quem é a jovem Elizabeth Cambage, que com 18 anos e 2,03cm já impressiona o mundo do basquete? Como você começou na modalidade?
ELIZABETH CAMBAGE: Comecei no basquete com dez anos quando mudei de cidade com meus pais. Minha mãe pensou que seria uma boa maneira de me adaptar, fazer novos amigos, e funcionou direitinho. No começo eu não gostava muito, porque tinha que treinar demais e acordar cedo aos domingos. Era difícil, mas depois de um tempo vi meu jogo melhorar e passei a adorar toda essa rotina. Amo estar em um time, e ganhar com ele. Sou uma competidora, e trabalho muito duro para atingir meus objetivos. Sobre meu jogo, há muito a evoluir, principalmente nos lances-livres, uma das minhas deficiências que estou conseguindo aprimorar nesta temporada (78,7% de aproveitamento), e nas jogadas de garrafão. Além disso, estou ficando mais forte e trabalhando muito no aspecto mental. Como você vê, preciso melhorar muito para ser uma grande jogadora.

-- Apesar da eliminação precoce (perdeu para o Canadá nas quartas-de-final por 50-49), você foi um dos destaques do Mundial Sub-19. Como foi a competição em geral, e o jogo contra o Brasil especificamente (vitória australiana por 72-51, com 20 pontos de Cambage em 18 minutos)?
-- Mundiais são sempre difíceis, e nós ficamos absolutamente devastadas depois da derrota para o Canadá por um ponto –afinal, saímos da disputa por medalhas. Se pudesse, trocaria meus pontos por um lugar no pódio. Sobre o jogo contra o Brasil, posso dizer que foi muito duro – elas são muito altas e atléticas. Acho que a maior diferença entre os nossos times estava no fato de que as brasileiras jogavam em um estilo mais livre, sem compromisso tático. É mais difícil de defender, porém bem mais arriscado de se praticar também.

-- Você também faz um sucesso incrível na WNBL, a liga australiana. Referência do melhor time (20,7 pontos, 8,9 rebotes e 56,9% nos arremessos), o Bulleen Boomers (15-1), como é jogar para Tom Maher, técnico tão vencedor quanto experiente?
-- Amo jogar pelos Boomers, e acho que podemos vencer o campeonato pela primeira vez, já que o time existe há 25 anos e nunca ganhou um título. Tom é um técnico fantástico, sabe muito sobre o jogo e me ensina muito no dia a dia. Não tinha idéia de que havia tantas jogadas de garrafão que eu pudesse utilizar. Antes dele meu jogo era bem mais limitado. Tom tem sido estupendo para o meu desenvolvimento, e sei que ele quer me fazer não só uma jogadora, mas uma pessoa melhor.

-- Você faz parte da nova geração australiana que encontrará com ótimas jogadoras na seleção em um futuro próximo. Uma delas é a Lauren Jackson, que agora atua pelo Canberra na WNBL (as duas na foto ao lado). Como está a expectativa para enfrentá-la pela primeira vez (o Boomers joga contra o Canberra no último duelo da fase de classificação no dia 12 de fevereiro)? Além disso, existe algum segredo para a fornada de pivôs australianas produzir sempre ótimos nomes?
-- Nunca joguei contra a Lauren, e estou muito ansiosa para o nosso “encontro”. Encontrei com ela apenas uma vez, e estava tão nervosa de estar ao lado de uma lenda do basquete daqui que não falei muita coisa. Ela, por sua vez, foi muito legal comigo. Não existe segredo, mas o AIS (Instituto Australiano de Esporte do qual Cambage fez parte) é fundamental para o esporte daqui. É lá que nos desenvolvemos e aprendemos tudo para sermos profissionais de alto nível. Além do AIS, a estrutura dos clubes é muito forte. Temos um sistema que une cidades, clubes e confederação, o que facilita o crescimento da modalidade e das jovens atletas. Além da WNBL, temos uma liga de desenvolvimento (a SEABL), em que as juvenis podem melhorar muito, já que os treinadores são capacitados e muito experientes. Como se vê, há muitas oportunidades por aqui, independente do nível de atleta que você é.

-- Em 2010 vocês terão um Mundial pela frente. Você pensa na possibilidade de estar ao lado de estrelas como a Lauren e a Penny Taylor? Você chegou a fazer amistosos com o time adulto no ano passado, e a técnica, Carrie Graf, se disse muito impressionada (as duas na foto ao lado). Como foi a experiência?
-- Adoraria estar no Mundial deste ano, e tenho treinado loucamente para fazer parte do time. Este, com certeza, é um dos meus objetivos para a temporada. Fiz minha estréia com as Opals (a forma como a seleção feminina da Austrália é conhecida)em 2009 e amei todos os minutos que atuei. A Carrie Graf é uma excelente técnica, e gostei muito de ter estado com ela naquele período.

-- Por fim, uma perguntinha difícil: se você pudesse sonhar com os próximos dez anos de sua carreira, como seriam? Jogar na WNBA faz parte desse sonho, certo?
-- Sim, sem dúvida! Se meus sonhos se tornarem realidade, estarei atuando na WNBA e Europa, mas meu verdadeiro sonho é trazer uma medalha de ouro olímpica para o meu país. Na verdade eu sei que tenho que ser a melhor jogadora que puder, e coisas boas virão para o meu lado.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Alto-falante

"Estamos conversando com a Eletrobrás sobre uma dúvida nos gastos com as seleções adultas masculinas e femininas e existe a possibilidade de devolvermos cerca de quatrocentos mil reais dos contratos de 2008"

Esta frase é do diretor executivo da Confederação Brasileira de Basquete, Luis Felipe Monteiro de Barros, em corajosa entrevista ao blog do José Cruz. Você pode conferir tudo clicando aqui, aqui e aqui. Vale a pena.

Da Prancheta

5 - Foi o número de jogadores que anotaram mais de dez pontos (Tony, Benite, Ricardo, Helinho e Rogério) na vitória dos francanos sobre o Paulistano por 96-92 na terceira partida da semifinal do Paulista (agora, os comandados de Hélio Rubens têm 2-1 na série e estão a um passo de nova final).

No outro lado, Bauru entra em quadra na manhã deste domingo (10hs, com ESPN-Brasil) para tentar empatar a série contra São José, que tem 2-1 e pode chegar à decisão com nova vitória.

Quase lá

Agora com 2 a 0 nas semifinais, Ourinhos e Catanduva estão muito próximos de reeditarem aquela que foi uma das melhores finais de Nacional (a de 2008) nesta temporada. Com a vitória de ontem à noite das primeiras sobre Santo André dentro de casa por 71-65 (16 pontos de Mamá e Tayara, e uma partida com 37 erros), e a de Catanduva sobre Americana por 74-73 na prorrogação (Palmira que erraram seis de suas sete tentativas de três pontos na partida até o último segundo, matou a bola de fora que deu a imensa vantagem para as comandadas de Edson Ferreto, que agora jogam em casa duas vezes para avançar às finais).

E aí, acompanhou alguma coisa dos jogos 2 das semifinais? A caixinha é toda sua! Abaixo o vídeo com a vitória de Catanduva e a bola de Palmira (foto).

sábado, 9 de janeiro de 2010

Os pontos do Bert

O Bert dissecou os dois primeiros jogos das semifinais em ótimos tópicos. Vale a pena conferir aqui e aqui.

Da Prancheta

4 - É o número de derrotas seguidas do Orlando Magic (Chicago, Indiana, Toronto e ontem para o Washington por 104-97). Na atual fase da competição, não poderia ser pior para o time da Flórida, que vê Boston e Cleveland se distanciando na dianteira do Leste, e o Atlanta Hawks se aproximando para brigar pela divisão Sudeste.

Aliás, o adversário de Dwight Howard e companhia, hoje, é o próprio Atlanta, que vinha mal, mas venceu duas e parece ter se recuperado - a última veio ontem, por 93-85, contra o Boston, com direito a show de Jamal Crawford, que anotou seis de seus 18 pontos em duas cestas de três milagrosas no final). É bom o Orlando Magic abrir o olho, principalmente porque Vince Carter (foto) parece ter machucado o ombro, e pode se tornar um desfalque nas próximas rodadas (escrevo minutos após o duelo contra os Wizards).

Lições

Algumas lições podem ser aprendidas com os primeiros jogos semifinais do Nacional feminino (vitória de Ourinhos, em casa, por 62-60 contra Santo André, e de Catanduva, nos domínios de Americana, por 75-70).

-- A cubana Ariadna anotou 15 pontos nos três primeiros períodos. No último, foi anulada por Karen Gustavo e zerou. Resultado: seu time murchou, anotou apenas seis pontos, levou 18 de Ourinhos, viu ruir uma diferença de 14 pontos e perdeu a partida. A cubana pode aprender que jogar sem a bola é tão importante quanto com ela.

-- No outro duelo, Karla anotou 39 pontos, maior marca da competição até aqui, mas tentou 24 arremessos para converter apenas nove - é pouco para tanto volume. Porém, foi a única jogadora de seu time que anotou mais de sete pontos. Do outro lado, Gattei (18 pontos) guiou um ataque muito mais balanceado, levou a partida pra sua equipe e o mando de quadra para Catanduva. Aliás, uma perguntinha: a armadora Natália vindo do banco? É isso mesmo? Aconteceu alguma coisa?

-- O aproveitamento de três pontos da partida entre Americana e Catanduva, aliás, foi catastrófico: 27% (13/47). Não vi a partida, mas é difícil não desconfiar que metade desses tiros foram irresponsáveis.

-- Bethânia (foto), como disse aqui no post de baixo, fez o que se espera dela: distribuiu passes (11), anotou pontos quando a equipe precisava (outros 11) e errou muito pouco (três vezes em quase 36 minutos). Merece aplausos! Em uma terra com armadoras que pensam mais em pontos que em passes, ela é diferenciada neste sentido.

Hoje haverá o segundo duelo das duas séries, ainda com mando de quadra de Ourinhos e Americana. Novas vitórias dos vencedores de ontem praticamente definem a mesma final de dois anos atrás.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Pelo recorde

A armadora Bethânia (foto) começa hoje as semifinais do Nacional com um objetivo nobre no horizonte: conquistar o troféu e se tornar a maior vencedora da história. Com seis títulos (cinco por Ourinhos, um pelo Vasco, em 2001), ela está ao lado de Chuca - a ala, também de Ourinhos, não participa desta edição do torneio porém.

Bethânia não é uma jogadora excepcional, mas cumpre seu papel: coloca suas pontuadoras em condição de chute, lê bem o jogo e defende com correção.

Tiros em Columbine

'Tiros em Columbine', o documentário de Michael Moore, me impressionou muito. Não pela qualidade do filme, mas pelo gosto dos americanos por armas de fogo. Transferindo a realidade da obra para o basquete, outro dia ouvi um diretor de franquia dizer que, sem exagero, mais de 75% dos atletas andam com revólveres (lá o porte é liberado). Por isso não me espanta nem um pouco a confusão que envolveu Gilbert Arenas (foto), craque do Washington Wizards (e do meu Fantasy, um baita azar!), na última semana.

Tampouco me espanta a suspensão por tempo indeterminado aplicada por David Stern no armador. Em uma tentativa de "limpar a imagem da NBA", o comissário-geral tenta frear esse ímpeto americano por armas de fogo ao menos nos vestiários da liga em que comanda.

O problema, porém, é muito maior do que apenas tirar do circuito um rapaz que puxou uma arma num recinto basqueteiro. O problema é muito maior do que parece - é estrutural, social, cultural. Medidas de emergência, como esta de Stern, apenas estancam o sangue. A ferida, no entanto, permanecerá aberta.

Ela vai tentar parar Ariadna

Hoje começam as semifinais do Nacional feminino. Em casa, Americana e Catanduva fazem um duelo que tem tudo para ir a cinco jogos, e no outro lado estarão Ourinhos, que busca o hexacampeonato, e Santo André. Pensando nisso o blog decidiu ouvir uma das personagens mais importantes deste duelo. Com médias de 13,4 pontos e 3,2 assistências, Karen Gustavo impressiona pouco por seus números, mas muito pelos que evita do adversário. Melhor defensora do país, caberá a ela a missão de marcar a cubana Ariadna, cestinha do torneio com 20,9 pontos e uma das atletas com mais volume de jogo do país (11,8 arremessos e 4,5 lances-livres por partida). Antes do confronto conta a equipe do ABC, um papo com o Bala na Cesta que você confere abaixo.

BALA NA CESTA: Qual a expectativa para as semifinais contra Santo André? Vocês terminaram em primeiro, possuem o mando de quadra e estão perto de conquistar o sexto título seguido para a cidade.
KAREN GUSTAVO: Todas as meninas estão empolgadas com essa semifinal, porque saímos de um possível terceiro lugar para primeiro na fase de classificação. Então a nossa expectativa é de continuar fazendo uma boa defesa pra tentar garantir as duas vitórias dentro de casa nessa primeira “perna” do duelo contra Santo André.

-- Como parar a cubana Ariadna? Qual é a tática para deter uma jogadora com tanto volume? Marcá-la individualmente resolve? Deixá-la pontuar à vontade e cercar as restantes é uma possibilidade?
-- Nós vamos jogar como sempre jogamos contra Santo André. A defesa forte é uma característica do nosso time, independente da jogadora. Eu já marquei a Ariadna outras vezes e com certeza ela dá muito trabalho, porque se movimenta bastante, tem chute rápido e é um pouco mais alta que eu. Mas independente do que façamos para tentar pará-la, deixar as outras atletas jogar não é uma possibilidade, já que todas de Santo André têm qualidades e sabemos que só defendendo forte, todas igualmente, conseguiremos a vitória.

-- Qual a análise que você consegue fazer deste Nacional?
-- Apesar de ter sido, como sempre, um Nacional relâmpago, creio que a qualidade não caiu em relação aos outros anos. Nós tivemos um Campeonato Paulista em que jogos teoricamente equilibrados estavam terminando sempre com placares muito baixos. Isso mudou no Nacional. O equilíbrio entre as quatro equipes de São Paulo aumentou, o que também é bom pra gente. De uma maneira geral, está sendo bom, mas ainda temos uma margem de melhora muito grande se quisermos uma competição atrativa para mídia e público, e que não exija o máximo da nossa condição física.

-- Por fim, uma pergunta sobre seleção brasileira. Após o sorteio, qual a perspectiva para o Mundial? O período sem uma competição após o Nacional preocupa a vocês, atletas?
-- Eu, particularmente, gostei do sorteio. Não acho uma chave muito difícil, e todas nós sabemos que se houver um bom trabalho nos treinamentos teremos boas chances de conseguir bons resultados no Mundial. Para as jogadoras que atuam no Brasil, a única competição que vai haver é o Paulista, que ainda não tem data definida. Isso, sim, é preocupante, porque deveríamos ter um período de descanso e outro de pré-temporada, mas sem datas concretas é impossível que um planejamento seja feito. De todo modo, creio que começaremos a treinar bem antes para o Mundial, e isso ajuda a todas as atletas.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Só uma observação

Às 21hs de amanhã começam as semifinais do Nacional feminino, e o Sportv, que não transmitiu nenhum jogo na fase de classificação mesmo com os direitos adquiridos, exibirá apenas o reprise de Ourinhos e Santo André às 23hs desta sexta-feira (um horário muito propício, evidentemente). No lugar do basquetinho, teremos os possantes jogos de futebol entre União São João de Araras x Vasco pela Copa São Paulo e México x Paraguai por um torneio sub-20.

No site da emissora, aliás, a grade de programação conta que o jogo será às 23hs, e ao vivo! É só ver a imagem abaixo. Lamentável. Simplesmente lamentável.

Meu diário argentino

Como a maioria de vocês deve imaginar, passei o reveillon fora do país. Visitei Buenos Aires novamente, e, apesar de ter tentado me distanciar do basquete, não foi tão fácil assim. Por isso, hoje eu coloco dois posts sobre as percepções que tive do que se passa com os hermanos no esporte da bola laranja.

O lado B do basquete na Argentina

Pode ser que seja a impressão de um turista que passou quatro dias no final do ano na cidade (acho que temos leitores argentinos por aqui e que podem me corrigir), mas se há uma coisa que notei é que os grandes clubes do país não estão em Buenos Aires. O Libertad, o Atenas, o Regatas, entre outros, ficam muito longe da capital, deixando os patrocinadores muito menos propensos a investir na modalidade (isso sem falar na condição econômica do país, que é péssima!).

Para ser ter uma idéia, mais de 53% do PIB dos hermanos se concentra em Buenos Aires, e talvez isso explique que o nível técnico da liga local seja bom, mas não mais do que isso. Por mais paradoxal que possa parecer (principalmente para quem, como eu, critica a centralização do basquete no Brasil), me parece que na Argentina a descentralização dos clubes, ou o distanciamento das grandes equipes da capital, joga contra a LNB, mas não só contra a LNB.

Essa descentralização é nociva, principalmente, ao basquete feminino, que ainda não possui resultados internacionais de expressão e consegue ainda menos grana daqueles que pensam em investir na modalidade (o que me disseram por lá é que as meninas são semi-profissionais, apesar do talento da equipe Sub-19 que terminou o Mundial da categoria em terceiro lugar).

No final das contas, creio que o basquete argentino tenha um saldo muito positivo, mas, como em qualquer modalidade de negócio, existe um campo imenso para melhora.

O lado A do basquete na Argentina

É fato que o basquete "pegou" na Argentina (hoje é o segundo esporte de preferência). De cara queria comprar, para sortear por aqui, uma camisa da seleção, mas encontrei apenas o modelo antigo (o novo, que os vizinhos usaram nas Olimpíadas de Pequim, está esgotado nas melhores e piores lojas do ramo). O que me disseram por lá é que a CABB só irá produzir mais para o Mundial da Turquia, já com design e layout novos.

Para se ter uma noção da "febre", quando pedia a 5, do Ginóbili (foto), os vendedores diziam ser uma tarefa quase impossível de se conseguir. Além disso, nomes como Scola, Pepe Sanchez, Oberto, Nocioni, Delfino, entre outros, são tão conhecidos como os dos ídolos do futebol.

Mas não é só isso. O Canal 5, conhecido por lá como C5N (o Globonews local), realizou uma pesquisa com mais de cinco mil pessoas para eleger o esportista argentino da década. Manu Ginóbili foi o mais votado, com absurdos 46%. Atrás dele vieram Riquelme e Palermo (ídolos da equipe mais popular do país, o Boca Juniors), Juan Martin del Potro (tenista que acaba de ganhar o US Open), Luis Scola e dois rapazes do Rugby - Messi, craque do ano para a FIFA, não conta com muito carinho dos portenhos.

Nas ruas, o bom trabalho da CABB também se faz presente. Para impulsionar o novo mote do governo de Buenos Aires, a Confederação criou um o slogan e a logomarca da campanha "Jugá Limpio" (Jogue Limpo), que tem o objetivo de manter a capital argentina com menos lixo nas ruas (clara união de marketing institucional, reforço de marca e sustentabilidade). Nos cestos de lixo locais, há a marca da campanha, já realizada em Bahía Blanca inclusive (Manu Ginóbili foi o garoto-propaganda), e nos outdoors informações a respeito da mesma.

Aqui no Rio de Janeiro, por exemplo, a prefeitura também está engajada no mesmo mote (um "Lixômetro" foi criado inclusive), e a CBB poderia capitalizar da mesma maneira. É uma baita oportunidade de negócio que está sendo desperdiçada, infelizmente. Por lá, o 'Jugá Limpio' faz sucesso, limpa a localidade e ainda angaria mais fãs para o basquete local. Simples, né?

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Sobre Iziane

Recebi algumas mensagens perguntando se não escreveria nada sobre os últimos acontecimentos do caso Iziane-Bassul-CBB. Disse aos leitores no email, e digo aqui agora: sinceramente não tenho mais vontade alguma de falar sobre o tema. É uma novela chata, com valores invertidos e de péssimo gosto (com direito a pizza com sabor de Senado no jantar). Por isso, este blog só voltará a tocar no tema quando tudo estiver resolvido (e vocês sabem muito bem o que penso a respeito). Combinado? Obrigado pela compreensão.

Nike e a CBB

Li na Folha de S. Paulo que CBB e Nike estão finalizando um acordo para que a empresa americana seja a fornecedora oficial de material da entidade até 2016 - haverá, também, um intercâmbio de técnicos e jogadores.

Mandei um email para a entidade, e a resposta foi a seguinte:

BALA NA CESTA: Qual o valor do contrato?
CBB: Por força de cláusula contratual, os valores envolvidos não podem ser divulgados.

BALA NA CESTA: Como era o contrato antigo com a Champion? Era de boca mesmo?!
CBB: O que existe entre CBB e Champion é uma carta de intenção, com a proposta de ter validade até dezembro de 2010. Significa uma manifestação de vontade entre as partes, sem nunca ter se transformado em contrato final.

Alto-falante

"Não estou bem. É um momento complicado, porque me sinto irregular e com falta de ritmo. É como se ainda me pesasse a temporada passada, a mais complicada da minha vida. Por isso não sei se vou ao Mundial da Turquia. É uma decisão complicada e delicada, mas quando chegar o momento adequado decidirei. De todo modo, não quero me despedir da seleção argentina", Manu Ginóbili, do San Antonio Spurs.


"Não consigo me imaginar vendo um Mundial pela televisão. O problema é que não é tão simples como um "quero" ou "não quero". Minha decisão é jogar, mas para fazer o que amo é preciso que o seguro esteja pago, conforme as regras da NBA. Estarei sem contrato à época do torneio, porque serei um jogador com passe livre, e não é tão simples assim", Luis Scola, do Houston Rockets.

Como se vê, o problema com a liberação dos jogadores da NBA já é um tema que preocupa os argentinos. As declarações de Ginóbili e Scola foram dadas na semana passada, e a CABB emitiu um comunicado oficial dizendo que fará de tudo para ter os seus melhores atletas em condições na Turquia. Vamos ver os próximos capítulos não só dos hermanos, mas de todos os países que contam com atletas na NBA.

O melhor técnico da Europa

Quatro títulos da Euroliga (dois pelo Bologna, dois pelo CSKA Moscou) levaram Ettore Messina ao maior desafio de sua carreira. Aos 50 anos, o italiano agora comanda um Real Madrid que tem um objetivo “simples”: voltar a dominar a Europa como não acontece desde as décadas de 60 e 70. Por isso o clube merengue foi ao mercado, trouxe dez reforços e aquele que melhor sabe cuidar de jogadores no continente: ele mesmo, Messina, talvez o técnico mais estudioso, dedicado e obcecado por treinamentos que exista (“talento, trabalho e coração” foram as suas primeiras palavras na coletiva de apresentação). Nesta entrevista, ele fala sobre o começo no Madrid, das diferenças entre o basquete espanhol e os outros que já dirigiu e sobre as expectativas para a temporada.

BALA NA CESTA: Apesar das derrotas recentes (para o Barcelona inclusive), você esperava ter um sucesso tão imediato (12-4 na ACB e 6-2 na Euroliga) com uma equipe tão nova e com dez contratações de uma temporada para outra?
ETTORE MESSINA: Começamos a temporada muito bem, ganhando partidas de maneira consecutiva, mas logo as lesões começaram a afetar o rendimento da equipe. Agora precisamos voltar a pegar o ritmo pouco a pouco para recuperar os jogadores que estão lesionados. Mas, de verdade, não esperava tantas vitórias neste começo.

-- Após ter dirigido na Itália e na Rússia, já consegue perceber as diferenças entre o basquete espanhol e dos outros dois países?
-- O basquete é um esporte igual em todos os países do mundo, mas é óbvio que há diferenças com relação a características, cultura local, expectativa, interesses, realidades econômicas e qualidade das equipes envolvidas. Mas estou certo de fazer parte, agora, de uma das maiores ligas do mundo, levando em conta os fatores acima.

-- O Real, seu time, atua com quase 11 jogadores por partida, não tem ninguém que arremesse mais de dez bolas por jogo e tem rebotes e assistências bem divididas na Liga ACB. Além disso, possui um dos ataques mais potentes (77,3), é o que menos erra (12,6) e conta com uma defesa pouco vazada (71,1). O segredo do basquete moderno é, definitivamente, defender com potência, atacar com responsabilidade e “proteger” a bola a todo custo?
-- Sem dúvida alguma. Todos os aspectos que você comentou são muito importantes para que tenhamos um time constante, e com potencial para disputar as 80 partidas da temporada (somando Euro, ACB e Copa do Rey). É muito importante ter um banco de reservas amplo, profundo, com opções, para que as lesões, que sempre acontecem, sejam menos prejudiciais ao longo das competições. De todo modo, a maneira com que jogamos deve ser a mesma sempre, e passa muito pelo que foi citado na pergunta.

-- Você é reconhecidamente um dos técnicos com mais cargas de estudos que existe. Como você se mantém atualizado depois de tantos triunfos em sua carreira?
-- Parece que quando você ganha títulos, sua única opção é continuar vencendo. Não pelo presente, mas para justificar o passado e o que conseguiu. Entendo que esta é a maneira das pessoas pensarem, viver o esporte, mas acho que ninguém deve exigir mais dos outros do que a própria pessoa. Trabalhando em alto nível, porém, o que posso te dizer é o seguinte: vencer é uma questão que não depende só de mim, mas se eu não me atualizar e estudar, estou morto para a minha profissão, principalmente para o alto nível.

--Por fim, te pergunto sobre a sua impressão do basquete brasileiro na atualidade. Para um italiano que cresceu vendo as glórias de Oscar e Marcel, qual é a sensação de quem vê as Olimpíadas sem a presença do nosso país?
-- Não sigo os campeonatos nacionais daí, mas vejo os brasileiros atuando na Europa e na NBA. Fiquei feliz recentemente com a classificação ao Mundial que vocês conseguiram com o Moncho Monsalve como técnico, e espero que daqui por diante isso se repita para que possa revê-los em uma Olimpíada. Afinal o Brasil é um dos países mais tradicionais do basquete.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Marcel começa em Barueri

Começa oficialmente hoje, às 17hs, no ginásio Municipal José Correa, o trabalho de Marcel de Souza (foto) à frente do time de Barueri. O técnico da equipe, que irá disputar o Torneio Novo Milênio de 2010 (classificatório para o Paulista do mesmo ano), conversará com os pais e os atletas da categoria juvenil a respeito do projeto e tirará as dúvidas dos mesmos. Sorte para ele nessa nova empreitada.

Messina, amanhã no Bala na Cesta

É com muita alegria que anuncio que amanhã vocês lerão uma entrevista com Ettore Messina, técnico italiano hoje no Real Madrid. O papo ficou muito legal, e valeu a pena ter trocado 34 emails (é sério!) com o assessor de imprensa madridista até convencê-lo de que um blog poderia receber uma presença tão ilustre. Espero que gostem, e agora deixo um trecho como aperitivo:

"Parece que quando você ganha títulos, sua única opção é continuar vencendo. Não pelo presente, mas para justificar o passado e o que conseguiu. Entendo que esta é a maneira de as pessoas pensarem, viver o esporte, mas acho que ninguém deve exigir mais dos outros do que a própria pessoa. Trabalhando em alto nível, porém, o que posso te dizer é: vencer é uma questão que não depende só de mim, mas se eu não me atualizar e estudar, estou morto para a minha profissão".

Amanhã o conteúdo completo.

Bate-bola com Guilherme Giovannoni

Uma das maiores estrelas da segunda edição do NBB (23 de eficiência e 21 pontos por partida), Guilherme Giovannoni está empolgado com seu retorno ao Brasil. Por isso o blog decidiu bater um papo rápido com ele. Ficou bem legal, e você confere agora.

BALA NA CESTA: Como está sendo sua volta ao Brasil? Seu desempenho está acima do esperado?
GUILHERME GIOVANNONI: A volta está sendo ótima, e acredito que coincidiu com um momento positivo do basquete brasileiro, com o NBB ganhando credibilidade e visibilidade. Quanto ao meu desempenho, é difícil dizer se é acima ou abaixo do esperado, simplesmente pelo fato de eu estar jogando em um time com muitas opções, com um elenco muito bom, onde qualquer jogador tem potencial pra definir um jogo. Acho que essa é uma pergunta que é mais fácil ser respondida por você, por exemplo. O que você acha? (Eu acho que seu desempenho está acima do que esperava, para ser sincero)

-- Depois de passar anos e anos na Europa, o que você tem achado do NBB, técnica e estruturalmente?
-- Penso que o NBB ainda está dando seus primeiros passos. Eles estão tentando melhorar muitas coisas estruturalmente, como padronização de aros, tabelas e penso que em um futuro não muito distante o piso dos ginásios também. Acredito que esse seja o caminho, tendo muito ainda a melhorar. Para essa melhoria é fundamental o diálogo, mas não só entre dirigentes e técnicos. Acho que alguns jogadores poderiam participar também. Quanto maior o número de idéias surgindo, melhor para o desenvolvimento do campeonato. Com certeza serão pouquíssimas aproveitadas, porque senão vira uma bagunça, mas é importante que todos sejam escutados. Quanto ao nível técnico, acho que teve uma melhoria em relação à primeira edição. Devagarzinho, acho que o NBB está ganhando credibilidade e o investidor já está começando a olhar com outros olhos pro basquete. Você já pode ver os times tendo um orçamento mais alto, tentando repatriar alguns jogadores ou mesmo trazendo estrangeiros. Mas na minha opinião algumas coisas podem ser feitas para que o nível técnico seja elevado, como a formação de atletas e a criação de uma segunda divisão do NBB, que são fundamentais a longo prazo. Mas este é um tema completo, que precisaria ser explicado mais detalhadamente. Quem sabe alguém se interesse por isso algum dia...

-- Apesar de ter perdido a invencibilidade, muita gente acha que o Brasília tem o melhor time e elenco do NBB. Qualquer coisa que não o título será um resultado aquém das expectativas de vocês?
-- É claro que o nosso time tem a consciência que o investimento feito pelo nosso proprietário foi alto, e sempre que alguma pessoa faz um investimento alto, independente do ramo, essa pessoa espera bons resultados, e isso não é diferente com a gente.

-- Sobre o Mundial, o que você achou do sorteio? A indefinição sobre preparação e nome do técnico chega a preocupar a vocês, atletas?
-- Acho que os grupos ficaram bem nivelados. Se o Brasil tivesse caído em qualquer outro grupo, a dificuldade seria a mesma. Teremos que ter o mesmo espírito de grupo que tivemos na última Copa América se quisermos ter algum sucesso no Mundial, e talvez isso não seja suficiente, porque no basquete de hoje basta um dia ruim pra você cair de quinto pra décimo-terceiro. Quanto ao técnico, isso é a função da CBB, acho que ela está no direito dela de decidir quem estará no comando, e o nosso grupo está bem fechado (no sentido que sabe o que quer, não que ninguém possa entrar, não me entendam mal!), com a consciência de que temos que estar todos muito focados no que temos que fazer, seguindo as instruções de quem estiver no comando.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O que eu perdi

Voltei ontem de viagem, mas logo que cheguei passei pelos sites para ver o que havia perdido (não vi nada sobre NBA ainda, a não ser o meu Fantasy). Vamos lá aos links, com comentários.

- No blog do Bert, posts imperdíveis: o ídolo de Iziane (foto) é José Sarney (é de chorar). A maranhense, aliás, lançou projeto social na capital do estado (isso sim é legal pacas!). No mesmo PBF, há um artigo sobre as revelações dos campeonatos de base da CBB (que a CBB olhe para as garotas com carinho). E para fechar com chave de ouro o ano, Iziane continuou em sua vitoriosa cruzada contra Paulo Bassul.

-- O território LNB, um dos melhores blogs do país, fez um levantamento interessante sobre chutes de três e aproveitamento de vitórias no NBB. É sensacional e vale a pena conferir!

E aí, alguma coisa chamou a sua atenção no final do ano passado e no começo de 2010? A caixinha está aberta!

Alto-falante

"Temos que mudar o modelo do basquete espanhol, cuidar mais do nosso produto. Temos que nos aproximar mais dos nossos torcedores, isso é um fato"

A declaração é de José Luiz Saez, presidente da Federação Espanhola, e estava El País de domingo. A versão ampliada da entrevista encontra-se no site do jornal espanhol e merece ser lida com muito carinho. O papo traz vários assuntos interessantes: a briga que a Liga ACB vem travando com a FEB, a péssima audiência registrada nos últimos jogos da primeira divisão local e o eterno problema do basquete feminino espanhol, que não consegue decolar de jeito algum.

Deixo uma pergunta no ar: se o dirigente de um país que é campeão mundial e europeu, vice-olímpico e com outros predicados se mostra inconformado com o modelo da modalidade no país, com que sentimento nós, brasileiros, devemos estar?

Nove meses

Em 100 dias de mandato, o presidente americano Barack Obama lançou um programa anti-crise econômica de US$ 819 bilhões, retirou as tropas do Iraque, propôs a universalização do sistema de saúde, liberou os financiamentos públicos para estudos com células-tronco e permitiu que empresas de seu país passem a operar em Cuba, oferecendo aos cubanos serviços de telefonia.

São situações diferentes, mas, guardadas as proporções, Carlos Nunes foi eleito no dia 4 de maio de 2009 também cercado de muita expectativa. Há exatos nove meses, o basquete brasileiro torcia por mudanças em uma entidade que há 12 anos era gerida com pouca habilidade. Por isso a pergunta é mais que cabível: o que vimos até aqui de concreto e realmente impactante para tirar a modalidade do atoleiro? Nada, absolutamente nada.

As seleções foram pagas em dia, como há muito não acontecia, é verdade, mas isso não é mais do que obrigação. Além disso, foi criada uma Escola de Técnicos - aparelhada e mal nascida, mas, ok, criada. Por outro lado, em termos de planejamento nada foi apresentado até então. Ou o jogo está sendo muito bem escondido (não creio), ou mais uma vez estamos diante de uma leniência inaceitável.

Cadê o resultado da auditoria nas contas da gestão Grego? Cadê a estratégia para a utilização do dinheiro da Eletrobrás (verba pública de R$ 44 milhões)? Cadê o plano para as seleções permanentes? Cadê a capacitação dos técnicos? Como está a preparação para a prometida Liga feminina que teria início em 2010? Enfim, muitas perguntas.

Repito: em 100 dias, Barack Obama conseguiu fazer um país afundado em dívidas começar a criar empregos e respirar sem a ajuda de aparelhos. Por aqui, Nunes teve o dobro do tempo para conhecer uma casa que já habitava há 11 anos e dar vida nova a uma modalidade que se contentou com raciocínios prontos, idéias pré-fabricadas e pouca criatividade. Para quem queria uma revolução de idéias, vemos, simplesmente, um continuísmo terrível na CBB.

Digo isso com pesar, mas para um mandato que tem a duração de 48 meses, Nunes desperdiçou quase 20% de seu tempo. Como ensinou o basqueteiro Obama, quem muito espera pouco faz.

domingo, 3 de janeiro de 2010

As semifinais do Paulista

Começam no dia 5 de janeiro as semifinais do Paulista masculino de basquete com Bauru x São José e Paulistano x Franca (os times em negrito possuem mando de quadra na série em melhor de cinco partidas). Fiquei surpreso quando, antes do ano novo, fui no site da Federação Paulista para fazer este post e vi que dos oito cestinhas da competição na fase regular, apenas um estará em quadra (é o americano Larry, de Bauru e na foto, com 18 pontos).

Outra prova do equilíbrio das quatro equipes vem das assistências: dos dez primeiros, seis jogarão as semifinais. São José, por exemplo, conta com o quarteto Renato, Matheus, Mineiro e Wanderson, e nenhum faz mais de 16 pontos por partida (mérito para a batuta de Régis Marrelli). Franca, conhecida pela sua defesa, agora aposta, também, no ataque (são 84,3 pontos por jogo, melhor índice do torneio) que tampouco possui uma via única de definição (Rogério, Stockman, Benite e Helinho dividem a responsabilidade). Bauru e Paulistano também seguem a linha (cada um com um quarteto de dígitos duplos).

As semifinais do Paulista prometem, e torço para que o nível técnico continue em evolução por aqui. A caixinha está aberta para os palpites das semifinais. Aposto em vitórias de São José e Franca em cinco jogos.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Mão de obra

De acordo com o site da CBB, em menos de 30 dias acaba o Nacional feminino. O que isso significa? Que sem uma Liga Nacional criada, promessa de campanha do presidente Carlos Nunes e projeto que Hortência chamou de "básico para a continuidade da modalidade no país", as jogadoras deste país ficarão sem uma competição sequer nos próximos dois meses (no ano passado, o Paulista começou em abril). Há a promessa de mais verba pública, mas ainda em fase muito embrionária.

Se pensarmos que grande parte das meninas que por aqui atuam (Natália, Karen, Karina Jacob, Micaela, entre outras) terão um Mundial pela frente em setembro, temos um cenário absolutamente assustador. O que farão estas selecionáveis neste período antes de uma competição importante? E as mais jovens, que precisam de tempo de quadra para evoluírem?

Sem um campeonato forte e de abrangência nacional, é muito difícil acreditar que o milagre que sempre trouxe medalhas e títulos para a seleção feminina continue a acontecer por aqui. Como se vê, o basquete feminino está, mais uma vez, longe de encontrar uma solução para seus problemas.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Do banco para o blog

Trillion, nos EUA, é uma gíria que define os atletas que nunca entram nos jogos (aquele que sempre apresenta traços nas estatísticas). É exatamente o que acontece com Mark Titus, ala-armador da Universidade de Ohio State: em 12 partidas da temporada, ele atuou em apenas cinco, num total de 14 minutos e com máximo de três pontos.

O que deveria ser mais uma história comum, porém, se transformou em um sucesso absoluto com o público. Tal qual fazia Paul Shirley, ex-ala do Phoenix Suns, que trazia uma visão bem humorada do cotidiano de um trillion (traço), Titus virou uma febre em sua universidade e no meio colégio americano.

Seu blog, o Club Trillion, foi acessado por quase 2 milhões de pessoas no último ano e se intitula como uma "visão de mundo vinda do final do banco de reservas". Seu Twitter, para se ter uma idéia, tem mais de seis mil seguidores (Ed Davis, de North Carolina e cotado para ser uma das estrelas do Draft de 2010, tem apenas quatro mil). Se isso não bastasse, Mark Titus (de toalha no pescoço na foto ao lado) participa ativamente da campanha "A Kid Again", que arrecada fundos para crianças com necessidades. Em seu blog é possível comprar uma camiseta (US$ 25), cujo montante arrecadado é revertido para a instituição (até hoje já foram vendidas mais de 800).

O interessante é que, como Shirley, Titus consegue rir de si mesmo e fazer piada com a sua sequência interminável de minutos no banco de reservas. Mas o garoto vai além: apenas 30% de seus posts envolvem basquete. Um dos últimos, por exemplo, fala sobre um jogo contra Delaware State Hornets, faculdade que não tinha nenhum atleta branco em seu elenco e que mesmo assim teimava em praticar um basquete sem velocidade (algo completamente impensável para o rapaz). Em outro post, Titus relembra, de maneira hilariante, a aventura de um ex-companheiro que ficou preso no elevador por mais de quarenta minutos.

A história de Titus é muito parecida com a de outros meninos que passarão pelas universidades americanas. A diferença é que ele resolveu rir disso tudo, fazer piada com sua própria situação. Ganhou a simpatia, os cliques e os aplausos de todos. Agora, na escalação de Ohio State, o ginásio todo só grita "Tril, Tril, Tril" enquanto os titulares são anunciados. Ficar no banco, como se vê, pode ter lá as suas vantagens.