A vida de Tom Maher se confunde com a reviravolta do basquete australiano. Contratado em 1993 para ser o mentor da transformação da modalidade no país, Tom contou com o trabalho do Comitê Olímpico local para também colher seus frutos. Foi a partir disso que, três anos depois e ainda com uma geração que misturava veteranas talentosas (como a sua esposa, Robyn, por exemplo) a promessas, que ele conseguiu a sua primeira medalha (bronze nos Jogos de Atlanta). E assim o técnico seguiu. Outros bronze (no Mundial de 1998) e uma prata (nos Jogos de Sydney) fazem dele um dos maiores vencedores do basquete feminino. Com 57 anos e depois de passagens pelas seleções de Nova Zelândia e China (quarta colocação em Pequim, 2008), Maher agora se dedica a duas árduas missões: desenvolver jovens do Bulleen Boomers, da WNBL (a liga australiana que ele já conquistou sete vezes, que cresce a cada dia e que acaba de trazer Lauren Jackson de volta), e fazer do time da Grã-Bretanha uma seleção competitiva para os Jogos de 2012 em Londres. Por isso o Bala na Cesta o procurou: para falar de desenvolvimento de talentos, da liga local australiana, de suas experiências e muito mais. Divirta-se com Tom Maher, Hall of Famer do basquete australiano.BALA NA CESTA: Como técnico, você é um dos maiores vencedores do basquete feminino. Entre 1993 e 2000, quando dirigiu a seleção australiana, obteve duas medalhas olímpicas (bronze em 1996 e prata em 2000) e um bronze no Mundial de 1998. Como foi a transformação
da Austrália neste período?TOM MAHER: O basquete australiano cresceu rapidamente quando soube conciliar técnicas de defesa com a já existente mentalidade que a gente já tinha em defender (sem saber direito como fazer, obviamente). Foi um processo árduo, mas quando conseguimos, vencemos e prosperamos.
-- O basquete australiano cresceu no mesmo período em que o brasileiro regrediu. Como um país sem tanta tradição se transformou em um dos maiores do mundo do basquete?
-- Acho que o basquete brasileiro tem uma tradição imensa e produziu grandes jogadoras nos últimos anos. No momento, aparentemente vejo que o Campeonato Nacional de vocês está patinando, e isso não é bom. Na Austrália temos uma vantagem: além de estarmos criando uma cultura de massificação da WNBL entre o público consumidor, há o Instituto do Esporte Australiano (AIS), que cuida dos jovens talentos de todos os esportes. Os melhores entre 16 e 17 anos já jogam na liga. É um processo completo: desde a formação de fundamentos, psicológica e de cidadania, até a “entrega” aos clubes que potencializarão as suas capacidades.
-- Você dirige o Bulleen Boomers, da WNBL (a liga local). Como é o torneio por aí? Um grande chamariz é a nova fornada de jovens que vêm surgindo, certo? Você, por exemplo, treina duas delas, Elyse Penaluna e Liz Combage. Como é este trabalho de formação?-- A WNBL é uma liga composta por dez times de todas as regiões da Austrália. São 11 jogos dentro de casa, e outros 11 fora. Acho que ainda não somos uma liga realmente de elite, mas apenas a WNBA, a Euroliga e a Liga Russa são melhores que nós. Sofremos um pouco por causa do calendário, e por isso as nossas melhores jogadoras não atuavam por aqui. Mas isso vem mudando, porque estamos na fase de transição entre uma WNBL semi-profissional e outra profissional (futuro bem próximo). Assim sendo, aquelas que ganham muito dinheiro fora não vêm para cá atuar, e mesmo assim creio que temos um grande campeonato. Elyse e Liz jogam comigo porque temos uma filosofia de desenvolver os jogadores no Bulleen. Elas sabem que o nosso foco é na formação, e que essa é uma grande oportunidade para sejam conhecidas e em breve estar no time adulto australiano.

-- Pelo que você diz, há uma atenção imensa com a formação do atleta. Como é este trabalho neste sentido?
-- Nós, da Austrália, temos tido bons resultados nas categorias inferiores principalmente porque há uma equipe do AIS jogando na WNBL. Eles perdem muitos jogos, mas seu objetivo principal é a formação das atletas. Isso é muito claro. Nosso foco aqui na WNBL, sinceramente, não é em verificar quantas partidas o jovem atleta ganha. O lance é: temos que fazer estes talentos sustentarem seus desempenhos durante toda a carreira. Só colocar no time de cima não adianta. O correto é formá-los e dar-lhes todas as ferramentas para que possam desempenhar o melhor durante muito tempo.
-- Você treinou grandes jogadoras, grandes times e em grandes torneios. Quando você se recorda destes momentos, qual é o maior deles?-- Cara, eu tenho tantas memórias, e grandes memórias, mas uma me chama mais atenção: foi quando treinei a minha esposa (Robyn Maher, na foto ao lado) como capitã do time em Atlanta, 1996. Foi realmente emocionante. De todo modo, não gosto de colocar apenas um momento como o melhor, porque tive ótimas experiências na China, nos Jogos de Atenas com a Nova Zelândia e também com meus sete títulos na WNBL. São muitas emoções, né?










"Foi uma atitude legal a do LeBron James (em querer que meu número 23 seja aposentado por todos). Entendo totalmente isso, mas digo que nenhum jogador deve ter essa deferência sozinho. Magic Johnson, Larry Bird, Bill Russell, todos esses caras deveriam ter seus números retirados também. Apenas faço parte do mesmo grupo. É um complemento. Entendo e agradeço ao LeBron, mas é assim que penso"





Por Bruna Severo





















